REDE DE SEDUO

Penny Jordan

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CAPTULO  I 

Se pelo
menos alguma coisa acontecesse..., Hope desejou com rebeldia
arrastando os tnis sujos pelo caminho de terra que havia tomado com a
inteno de fugir  aula de tnis.
Atravs da cerca viva,
que rodeava as quadras, podia ouvir o rudo quase soporfero da bola
contra a raquete. Um barulho to regular que nem precisou olhar para
saber que era Charlotte Howell quem estava jogando. Charlotte era, de
longe, a melhor tenista do convento.
  E est muito, muito
acima de mim, Hope admitiu para si mesma com ar sonhador, inclinado a
cabea de cabelos longos e castanhos  dourado para seguir o vo
irregular de uma abelha.
  Seus cabelos eram outra amolao.
Odiava o fato de serem to longos e lisos, mas, toda vez que pedia 
para cort-los, a Irm Maria lhe dizia que no era esse o desejo 
de seu pai. E as irms conheciam bem melhor do que ela os desejos de 
seu pai. Fazia anos que nem mesmo o via. 3 vezes chegava a pensar, 
cheia de pnico, que ele pretendia deix-la no convento pelo resto 
das vida. Vrias de suas colegas de classe j haviam partido, 
algumas para terminar sua educao em escolas finas e exclusivas, 
outras para realizarem casamentos cuidadosamente arranjados por suas 
famlias.
Hope estremeceu de repente, olhando apreensiva por cima 
do ombro. Mas ningum viera perturbar a paz dos jardins do claustro, o 
lugar para onde fugia, sempre que se sentia deprimida.
Como seria 
ter um lar e uma famlia? Quando criana , fantasiava muito a esse 
respeito, imaginando que seu pai chegaria acompanhado de uma mulher 
risonha e carinhosa, que lhe diria que seu maior sonho sempre fora ter 
uma filha. S que seu pai nunca se casara de novo, e sua prpria 
me, que morrera quando ela estava com dois anos de idade, no era 
mais que uma vaga lembrana. A intensidade do sol espanhol, brilhando 
no cu de um azul  cobalto, avisou Hope de que sua paz logo 
chegaria ao fim. A aula de tnis estava para terminar, e ela teria que 
se juntar s outras para o almoo  uma refeio frugal mas 
servida com todo o cuidado no refeitrio, como era chamada a sala de 
jantar da escola.
O convento no era apenas uma escola no sentido 
comum da palavra. Mesmo Hope,  com seus conhecimentos limitados do mundo 
, sabia disso. A maioria dias garotas vinha de famlias ricas e 
aristocrticas, que mandavam suas filhas para o Santa Ceclia 
sabendo que o regime duro e as atitudes morais extremamente severas das 
freiras produziam moas do tipo que os franceses chamam bien 
leve.
Mesmo com toda sua ingenuidade, Hope estava ciente de que 
um mundo muito diferente existia do outro lado dos muros do convento. 
Embora no tivesse nenhuma amiga especial na escola, era uma garota 
popular, se bem que um pouco distante. E pelas conversas com as colegas 
que passavam as frias em casa ou viajando, deduzira que o mundo l 
fora no era bem como diziam as freiras.
Apenas seis semanas antes, 
Leonor Rodrigues, uma bela morena sul-americana, voltara das frias de 
Pscoa com os olhos brilhando, a boca suavizada per uma emoo que 
provocara um estranho arrepio no corpo de Hope, enquanto a ouvia 
descrever os sentimentos que nutria pelo rapaz que conhecera enquanto 
estava em casa.
   Mas meus pais acham que Rodrigo no serve para 
mim  Leonor acrescentar num tom infeliz -, e eu sei que tm 
razo. Meu casamento com um dos meus primos j est combinando 
h anos...
Esse era o destino de Leonor. Mas qual seria o dela, 
Hope? Fizera dezoito anos h duas semana  um acontecimento 
totalmente ignorado por seu pai  e no poderia continuar no 
convento para sempre. Pelo menos, a maioria doas garotas sabia o que as 
suas famlias tinham em mente para elas. Desde o fato de ser a nica 
inglesa na escola, o seu caso j era pouco comum. As outras eram todas 
espanholas ou latino-americana,com umas poucas italianas e francesas no 
meio, o que s vezes fazia com que se sentisse uma estranha no 
convento apesar de estar l desde os oito anos de idade.
Quando o 
sino tocou para o almoo, Hope levantou-se com um suspiro, examinando 
o uniforme, atrs de manchas de sujeira. Limpeza era a melhor coisa, 
na opinio das freiras, depois do temor a Deus. E Hope, com seus 
cabelos compridos e pernas longas, merecia com freqncia a 
desaprovao das irms, por sua falta de jeito.
Recentemente, no 
entanto, seu corpo comeara a mudar. Suas pernas continuavam to 
longas quanto antes, mas sua magreza j no era tanta. Os seios 
haviam tomado uma forma bem provocante, e a cintura era to fina que o 
uniforme, justo na parte de cima, pendia com um saco sobre o resto do 
corpo.
Bianca Vincella, uma garota italiana que fora expulsa do 
convento por conduta escandalosa, dissera uma vez que Hope estava 
ficando com uma aparncia incrivelmente sexy. Mas Bianca sempre 
gostara de brincar, e  alm disso, Hope no era to ingnua a 
ponto no saber que incrivelmente sexy era a ltima coisa que 
as freiras desejavam que suas alunas fossem.
Com uma expresso 
pensativa nos olhos azul-cinzentos, Hope tomou o caminho do 
refeitrio. Sexo era algo a ser discutido nos dormitrios,  
noite, em sussurros abafados e excitados. Ela, vivendo sempre no 
convento, s conhecia desse assunto o que as freiras ensinavam nas 
aulas de biologia, e o que deduzia das confidncias das outras 
garotas.
Pelas suas leituras, aprendera que havia um estado de 
xtase que duas pessoas podiam alcanar juntas. Mas no entendia 
como esse xtase podia estar relacionado com os fatos desagradveis 
da procriao, descritos pelas irms, ou com as desajeitadas 
carcias experimentadas por suas colegas.
Aquele era um dia 
francs, o que significa que s a conversa em francs seria 
permitida. No entanto, Hope no tinha dificuldades nessa lngua. Na 
verdade, falava, com fluncia, alemo, espanhol, italiano e 
francs, e estava aprendendo russo. No fundo de sua mente alimentava a 
idia de arrumar um emprego em que pudesse usar sua capacidade para 
lnguas, quando sasse do convento. Talvez conseguisse fazer um 
curso de secretariado. Costumava se sair bem em suas lies mas como 
era norma do convento no submeter as alunas aos exames convencionais, 
no tinha meios de julgas suas prprias habilidades.
O almoo 
foi a refeio moderada de sempre, se bem que com os alimentos 
cuidadosamente preparados e servidos de modo atraente.
 Que 
delcia saber que as frias de vero esto para comear  
exclamou a moa ao lado de Hope  Meus pais tm uma villa em Capri 
e vamos para l.
Era uma garota de boa ndole, que conhecia Hope 
desde que ambas tinha catorze anos de idade, e que mordeu os lbios, 
embaraada, assim que acabou de falar, pois no queria ferir os 
sentimentos da amiga. Muitas colegas j haviam convidado Hope para 
passar as frias com elas, mas seu pai sempre lhe negara 
permisso.
 At parece que ele quer manter voc trancada 
dentro desses muros o resto da vida  uma delas tinha comentado com 
rebeldia ao receber uma dessas recusas.
Hope sorria, mas no pudera 
evitar a pontinha de medo se instalasse no fundo de seu 
corao.
Agora, no entanto, estava com dezoito anos e era dona de 
sua vida. Ou no? Pois, embora tivesse condies de escolher com 
facilidade menus para jantares de cinqenta ou mais convidados, 
soubesse exatamente que tipo de vinho servir com cada prato e como lidar 
com uma numerosa criadagem, no tinha a menor idia de como se 
cuidar num mundo que poderia lhe parecer assustador, ou at mais 
hostil, depois da vida protegida do convento.
Hope podia ser 
ingnua, mas no era tola. O convento tinha uma tima biblioteca, 
da qual ela fizera muito uso, mas seu grande conhecimento do passado 
no servia de compensao para sua falta de conhecimento do 
presente. Jornais, a no ser religiosos, no eram permitidos. O 
convento ao possua televiso, e as garotas eram proibidas de terem 
rdios. At pouco tempo atrs isso nunca a aborrecera, mas 
ultimamente...
Hope franziu a testa, tentando encontrar a causa de sua 
recente insatisfao, da estranha inquietude que vinha preenchendo 
seus dias. 
 Hope? Hope, voc est sonhando de novo!
A voz 
exasperada da Irm Catarina tirou-a de seus pensamentos, fazendo-a 
corar , com ar de culpa. A madre superiora que ver voc  a irm 
continuou, observando  a com bondade  V logo, minha filha. 
No a deixe esperando.
Deixar a madre superiora esperando? Isso era 
algo que jamais lhe passaria pela cabea. Em toda a sai vida escolar, 
no estivera na presena daquela senhora mais do que meia dzia de 
vezes, e se corao disparou, enquanto tentava adivinhar por que 
fora chamada agora . No podia ser porque seu pai lhe recusara 
permisso para passar as frias com outra amiga, pois esse ano nem 
se dera ao trabalho de pedir-lhe.
A madre superiora ocupava um amplo 
apartamento, separado do edifcio principal do convento por um 
belssimo jardim, mas Hope estava to nervosa, imaginando que pecado 
poderia ter cometido, que nem conseguiu apreciar a maravilha das flores 
ao seu redor. Diante da porta do escritrio da madre, ela bateu de 
leve na madeira e esperou a ordem de entrar.
A reverenda madre era uma 
mulher pequena, quase vinte centmetros mais baixa que ela. Mas 
possua tamanha presena, que Hope  que se sentiu 
intimidada.
 Sente-se, minha filha  a religiosa mandou com um 
sorriso. Estava na direo do convento a quase trinta anos e 
conhecia suas alunas melhor do que elas mesmas se conheciam.
Hope era 
a nica aluna inglesa. E a princpio a madre superiora se assustara 
com os desejos do seu pai. A menina deveria ser guardada de um modo que 
ela no recomendaria nem para uma novia. A reverenda madre no 
era uma romntica  acreditava firmemente que todos aqueles que 
queriam abandonar o mundo exterior deveriam antes prova-lo. No entanto, 
embora deplorasse o que julgava ser a falta de amor de sir Henry pela 
nica filha, criara Hope como ele lhe pedira, a no ser por uma ou 
duas excees.
Nesses tempos esclarecidos, no era sbio nem 
prtico manter as garotas na ignorncia no que se referia a assuntos 
sexuais. A madre superiora pertencia a uma gerao em que tal 
ignorncia era a norma, na Espanha. Nos dias atuais, porm, era 
praticamente impossvel manter mentalmente inocentes garotas de 
famlias to ricas e poderosas quanto as de suas alunas. Na verdade, 
ela mesma tivera que enfrentas uma oposio considervel ao 
introduzir educao sexual no currculo. E o que sabia de sir 
Henry fazia com que encarasse, com um certo cinismo, a duplicidade de 
valores que regiam o mundo.
Sir Henry no entrara em contato com ela 
antes do dcimo oitavo aniversrio de Hope, como esperava. A maioria 
das alunas deixava o convento aos dezessete anos, e a madre lamentava o 
fato de que Hope, uma de suas garotas mais brilhantes, jamais iria para 
uma universidade. Em sai opinio pessoal, Hope seria bem mais feliz, 
na vida que o pai planejara para ela, se fosse menos inteligente.
Com 
um olhar cheio de simpatia, a reverenda madre examinou a garota  sua 
frente. Numa escola que abrigava principalmente alunas da raa latina, 
a beleza de Hope era nica. Sua estrutura ssea tambm era 
diferente da das outras garotas, denunciando, com sua fragilidade e 
delicadeza, sai ascendncia anglo-sax.
 No precisa ficar 
to preocupada, Hope. Tenho boas notcias. Seu pai est na 
Frana e resolveu que voc deve nos deixar. Um amigo dele, o conde 
Serivace, vir busca-la amanh.
A madre superiora baixou os olhos 
para os papis que ocupavam suas escrivaninha, ciente do caos 
emocionam que tomara conta de sua aluna. Ela gostaria que Hope fosse 
menos vulnervel, mas capaz de enfrentar o mundo l fora, mas no 
era seu papel questionar os desejos das famlias de suas alunas. Sir 
Henry deixara claro que no queria que Hope se contaminasse com 
o mundo exterior. Um estranho desejo para um homem que... Severamente, a 
madre afastou o pensamento pouco caridoso da cabea, voltando  
ateno para a garota  sua frente.
 Eu sei que isso  uma 
surpresa para voc, Hope. Na verdade, eu teria preferido que seu pai 
nos desse um aviso, mas voc j est com dezoito anos e  hora 
de assumir seu lugar no mundo. Lembre-se, no entanto, de que sempre 
estaremos aqui, se um dia precisar de ns.  Era algo que sempre 
dizia s meninas quando elas partiam, mas um forte instinto lhe dava a 
convico de que Hope tinha mais chance de precisar da proteo 
oferecida pelo convento que qualquer outra de suas alunas.
Como num 
transe, Hope voltou para o quarto. Aos dezesseis anos, as garotas 
deixavam o dormitrio com e passavam para um quarto menos, que 
partilhavam com trs colegas. As companheiras de Hope tinham sado 
do convento no Natal e, desde ento, ela ficara sozinha. No que se 
importasse. Solido era algo que aprendera a apreciar, vivendo numa 
comunidade como aquela. Mas acontecera, afinal. Seu pai mandara 
busca-la!
No quarto, Hope deixou-se cair na cama estreita. Estranho... 
Desejara tanto que aquilo acontecesse e agora se sentia vazia, quase 
apavorada. E, embora no fosse religiosa, viu-se rezando em 
silncio, com medo do mundo que encontraria fora do convento.
Depois 
do jantar, Irm Teresa mandou-a subir para arrumar as malas. Seu pai 
tivera o cuidado de lhe mandar um jogo caro de malas, sem dvida 
prevendo que as que trouxeram com ela, dez anos atrs, deviam ter se 
estragado. Era uma pena que ele no tivesse pensando tambm em lhe 
mandar roupas. Alm de uniforme, no tinha nada.
Durante o 
perodo livre que as garotas tinham, antes de ir para a cama, Hope se 
viu relutando em anunciar sua partida. Era inteligente o bastante para 
saber que muitas colegas sentiam pena dela, e no queriam que 
descobrisse que no era seu pai quem viria busca-la, e sim um amigo 
dele.
Papai deve estar muito ocupado, raciocinou com 
lealdade.
Sir Henry tinha muitos negcios, sendo o mais importante 
uma pequena participao no banco internacional dos Montrachet, cujo 
centro de operaes ficava em Paris. Vrias vezes ele lhe 
escrevera, falando do poder e do orgulho dos Montrachet, e de novo ela 
estremeceu, assustada com a idia de enfrentar o mundo exterior. Que 
esprito de contradio o seu! Naquela mesma manh estava louca 
para escapar do convento, e agora... Agora hesitava, cheia de 
nervosismo, confusa e alarmada com suas prprias reaes.
S 
depois do caf da manh a madre superiora mandou chamar Hope. Ela 
mal conseguira tocar em seu caf, fugindo em seguida para os jardins 
do convento, onde se pusera a caminhar de uma ponta para outra, tentando 
dominar o nervosismo. Certamente o conde, que devia estar hospedado em 
Sevilha, a cidade mais prxima, tomaria um caf demorado, sem 
desconfiar ou se importar com sua tenso crescente.
Mesmo sem 
t-lo visto, Hope j no gostava do conde, o que na certa era 
ridculo, pois o que estava fazendo era transferir o ressentimento que 
sentia pelo pai, por ele no ter ido busca-la.
Hope atravessava o 
jardim pela terceira vez quando a Irm Teresa veio apressada em sua 
direo, muito excitada.
 Hope, ma petite... A madre superiora 
que ver voc.
Irm Teresa era a mais jovem e amigvel das 
freias. Ensinava francs e muitas vezes resvalava para essa lngua, 
mas automaticamente Hope respondeu-lhe em francs. Enquanto a seguia 
em direo ao escritrio da madre superiora, estava ciente de que 
a cor em suas faces no tinha nada a ver com o calor do sol.
Como 
antes, parou e bateu  porta, ouvindo o murmrio suave da voz da 
religiosa e o tom mais grave e msculo da pessoa que estava com ela. 
Quando entrou, fitou-a com um sorriso tranqilizador.
 Hope, 
minha filha, quero que conhea monsieur l comte, que veio busca-la 
em nome de seu pai.
Teimosamente, Hope evitou olhar na direo do 
conde at o ltimo momento, e arregalou os olhos, surpresa, quando 
afinal o fitou. Aquele homem era completamente diferente da imagem que 
fizera de um amigo de seu pai. Em primeiro lugar, era muito mais jovem. 
Devia ter trinta e cinco anos, no mximo. Bem mais velho do que ela, 
mas muito, muito mais jovem que seu pai. Alm disso...
Sentindo-se 
como uma pessoa subitamente privada de ar, Hope obrigou-se a olhar de 
novo para o homem que a observava. Seria por estar acostumada apenas com 
feies femininas que a virilidade do rosto de malares salientes e 
queixo duro lhe causara tanto impacto?
Com uma expresso quase 
atordoada, continuou a fit-lo. Olhos verde-escuros, perigosos, olhos 
de predador, estudaram-na com frieza por vrios segundos, prendendo 
seu olhar com uma fora que lhe causou a impresso de estar se 
afogando num mar cor de esmeralda.
Apelando para todo o seu auto 
controle, Hope tentou estuda-lo com a mesma objetividade que ele usara, 
embora ainda estivesse corada pela percepo do que aquele homem, 
deliberado e cinicamente, despira-a de todas as roupas enquanto a 
examinava. E na presena da madre superiora! Jamais poderia mostrar 
tanto savoir-faire mas, mesmo assim, fez uma valente tentativa de 
analisar o rosto de estrutura ssea ta bem definida, surpreendendo-se 
ao ver que ele lhe parecia vagamente familiar. A boca masculina 
curvou-se sardonicamente, como se ele tivesse cincia de estar sendo 
mentalmente rejeitado por ela, e os cabelos escuros e espessos 
roaram-lhe o colarinho da camisa, quando dobrou o brao para 
consultar, com ar indolente, o relgio de ouro que trazia no 
pulso.
 Lembre-se de ns, minha filha, se algum dia precisar de 
ajuda. 
Ela usou o italiano e Hope respondeu da mesma forma, 
sobressaltando quando o homem alto e moreno, a seu lado, comentou 
cinicamente na mesma lngua:
 Vamos torcer para que a vida a 
trate com tanta bondade que ela nunca precise de um refgio, reverenda 
madre.  Abriu a porta, pousando uma das mos de dedos longos e 
morenos no ombro de Hope e empurrando-a gentilmente para fora, o que 
no a impediu de ter a sensao de que sua pele queimava sob o 
toque inesperado.
No ptio externo, um carro de linhas esportivas e 
aerodinmicas brilhava a luz do sol. Um meio de transporte digno 
deste homem moreno, quase ameaador, Hope pensou, estremecendo por 
reconhecer, por instinto, o poder e o perigo presente em ambos.
Sua 
mala foi colocada no porta-malas e a porta de passageiros aberta para 
que entrasse. Sobrancelhas escuras ergueram-se num gesto irnico, 
enquanto ele perguntava com voz arrastada: 
 No tinha outra 
coisa para vestir? Ou a reverenda madre queria me fazer lembrar do que 
voc ?
Sem entender direito o motivo da ltima frase, Hope 
respondeu-lhe friamente que no tinha outras roupas.
 Nenhuma? 
Seu pai no  um homem pobre.
 Meu pai... Meu pai no gosta 
de desperdcios  Tentando no reparar no modo como as calas 
escuras desenhavam-lhe as coxas enquanto ele se sentava no banco de 
motorista, Hope cruzou as mos no colo. Sentia-se tensa e pouco  
vontade.
 E voc acha um desperdcio gastar dinheiro com 
roupas? Voc no pode passar o resto da vida com um uniforme que 
s serve para realar o fato de que j passou da hora de 
troc-lo por algo mais... Feminino  Ele lanou um olhar 
significativo para o tecido retesado sobre os seios bem-feitos.
Hope 
corou. Ao mesmo tempo em que estava detestando aquela situao, 
sentia-se estranhamente excitada com ela.
 Prenda o seu cinto de 
segurana. Assim...  Inclinando-se, o conde roou com o brao a 
forma arredondada que seus olhos haviam examinado segundos 
atrs.
Uma verdadeira corrente eltrica percorreu Hope da cabea 
aos ps, fazendo-a enrijecer e encolher-se no banco, enquanto ele 
prendia seu cinto, aparentemente sem perceber os efeitos causados por 
aquele contato fsico momentneo.
Prendendo seu prprio cinto, o 
conde deu a partida no carro, e o rugido do motor abafou as batidas 
apressadas do corao de Hope. Ela tentava valentemente no ceder 
 desolao de deixar para trs a vida que sempre 
conhecera.
 No posso levar voc at a Frana, nessas 
roupas  o conde comentou depois de alguns quilmetros  No 
quero ser preso por seqestrar uma criana.
 Meu pai deve ter 
se esquecido de que cresci  Hope procurou explicar, infeliz.  
Nunca precise de outras roupas, j que...
-J que seu pai nunca 
permitiu que voc sasse do convento. l eu sei disso. Por um 
instante ele voltou a ateno para Hope, que corou novamente.  
Mas agora voc est fora de l, e as falhas de seu pai podero 
ser remediadas.
Hope fitou-o, surpreendendo uma frieza to amarga 
naqueles olhos verde, que todo o seu corpo enrijeceu de tenso e 
alarme. Depois disso, o conde no mais falou, e, embora tivesse muitas 
perguntas a lhe fazer, o silncio dele e a atmosfera pesada dentro do 
carro impediram-na de se manifestar
No entanto, logo a curiosidade 
venceu-a. Ela aproveitou a situao para fit-lo 
disfaradamente, estudando-lhe o perfil aquilino e arrogante, a forma 
das mo morenas e fortes que manejava o volante.
Seria a pele dele 
todinha daquela cor morena?
A indiscrio desse pensamento 
chocou-a, fazendo com que corasse e tirasse depressa os olhos das pernas 
do conde. O modo como os msculos dele se contraam, cada vez que 
mudava a marcha, tinha feito com que se lembrasse dos desenhos que vira 
nos livros da biblioteca do convento. Na ocasio, achara que os 
artistas haviam exagerado a forma dos corpos masculinos, mas o homem ao 
seu lado poderia ter servido de modelos para eles. Ainda assim, havia 
nele um ar indefinvel e estranho, que sugeria outra cultura, no 
inteiramente latina.       Havia algo no rosto dele que puxava por sua 
memria.
Dentro de meia hora, eles estavam em Sevilha. A cidade 
no era inteiramente estranha para Hope, que a visitara em vrias 
ocasies com a escola, mas ela nunca estivera na ruazinha estreita, 
cheia de butiques elegantes, onde o conde estacionou o carro.
Mais uma 
vez, Hope se encolheu quando ele se inclinou para ajud-la a tirar o 
cinto, fazendo com que ele no conseguisse evitar o comentrio 
irnico:
 Ento, at mesmo a inocncia tem uma certa 
percepo. Foi com as boas freiras que voc aprendeu a evitar os 
homens, ma petite, ou isso vem de um instinto que vai muito alm de 
qualquer ensinamento?
Embaraada e zangada por ele zombar de sua 
ingenuidade, enquanto, deliberadamente, tornava-a consciente da 
virilidade que parecia emanar por todo os poros, Hope levou a mo  
porta do carro, estremecendo de alvio ao v-la se abrir.
Muitos 
olhares curiosos ergueram-se para eles, enquanto o conde a levava pela 
calada. Hope no pde conter uma expresso de desagrado ao se 
ver refletida no vidro da vitrine de uma das lojas, com os cabelos 
puxados para trs e o corpo apertado num uniforme pequeno demais para 
seu tamanho.
A loja em que entraram era pequena, mas to imbuda 
de uma atmosfera de riqueza e elegncia que ela se sentiu intimidada. 
A mulher que apareceu para servi-los examinou-a com um ar de altivo 
desdm, que mudou de imediato para uma gentileza quase servil quando o 
conde se adiantou, dirigindo-lhe a ela num espanhol to perfeito 
quanto o italiano que usara no convento.
Ao ouvir a palavra 
enxoval, Hope abriu a boca para protestar, mas foi silenciada pelo 
olhar do conde, que lhe disse em francs:
 S estou fazendo a 
vontade de seu pai, por isso fao o favor de no 
protestar.
Terminando de dar as instrues necessrias  
vendedora, ele comunicou Hope que iria sair para cuidar de alguns 
negcios, mas que estaria de volta dentro de duas horas.
 Seus 
cabelos tambm precisam de uma melhora  acrescentou ainda, antes de 
sair  Vou ver ser madame pode recomendar um bom profissional.
 
Faz tempo que quero cort-los, mas... 
 Cort-los: Meu Deus, 
isso seria um crime! Ningum lhe disse, minha inocente, que na sua 
noite de npcias seu marido vai querer v-la coberta apensas por 
esse vu dourado?  E, sem ligar para a cor que surgiu no rosto 
dela, o conde jogou-lhe os cabelos para trs, num gesto 
despreocupado.
Sua noite de npcias! Hope ainda revirava essas 
palavras em sua mente, quando ele deixou a loja. Estranhamente, nunca 
pensara muito em casamento. Gostaria de ter filhos e podia imagin-los 
com facilidade, gorduchos e morenos... Mas um marido? Estremeceu, de 
repente. Por que seu pai mandara aquele estranho para peg-la? Por que 
ele no viera pessoalmente?
Duas horas depois, Hope olhava, 
espantada, para a pilha de roupa que madame havia separado: conjuntos 
esportivos, em tons suaves de lils e cinza, para combinar com seus 
olhos; vestidos; roupas de baixo no mais fino crepe da China, enfeitadas 
com borboletas bordadas em cinza e prata, to finas e delicadas que 
ela corou ao experiment-las, imaginando a desaprovao das 
freiras.
A cara que madame fizera ao ver seu uniforme e roupas simples 
de baixo impediu de tentar vesti-las de novo. Algo dentro dela 
protestava contra usar coisas pagas por outro homem que no fosse seu 
pai. Mas, pensando que ele, no fim, terminaria por reembolsar o conde, 
permitiu que a cobrissem com aqueles macios pedacinhos de seda que 
delineavam suas curvas de forma to sensual e sedutora.
Ela quase 
protestou quando madame lhe estendeu as meias de seda, s se calando 
por medo de ter sua reao denunciada e sofrer a zombaria do homem 
que seu pai apontara como seu guardio temporrio. Sem 
consult-la, a mulher lhe entregou em seguida um trs-peas de 
seda cinza, com tons de lils e debruado em branco na barra e nas 
mangas do casaquinho. A blusa solta era abotoada ns costas por uma 
fileira de botezinhos, e a saia reta realava seus quadris 
bem-feitos e as pernas longas.
Colocando o casaco, Hope examinou-se no 
espelho, surpreendendo-se com a imagem que viu. Da Hope antiga s 
reconheceu o rosto pequeno e triangular. O ar desajeitado e o corpo da 
garota haviam desaparecido por completo, e a criatura que retribua 
seu olhar era alta e esbelta, incrivelmente elegante e com olhos de um 
cinza enfumaado, que pareciam refletir os tons do vestido que 
usava.
 Agora  disse -, vamos cuidar dos cabelos e do rosto. 
H um bom salo aqui perto. Vou mandar minha assistente lev-la 
at l e esperar que Rafael termine, para traz-la de 
volta.
Hope achou Rafael e sua equipe to assustadores quanto temia, 
mas, para sua surpresa, ele concordou com a opinio do conde, de que 
cortar sues cabelos seria um crime.
 Oui, seus cabelos esto 
cheio de pontas, mas espere at v-los aparados e bem condicionados. 
No  bom amarr-los com voc faz  Rafael declarou, olhando 
com censura para o elstico que ela usava para manter os cabelos longe 
do rosto  E a sua pele! Nunca usa um hidratante?
Hope no teve 
coragem de lhe contar que as freiras pregavam apenas o uso de gua e 
sabonete no convento, proibindo expressamente o uso de maquilagem, 
embora algumas garotas se pintassem s escondidas com os cosmticos 
que traziam de casa.
Seus cabelos foram lavados, condicionados e 
aparados antes que Rafael se desse por satisfeito e a passasse s 
mos de uma garota bonita, que se apresentou como Ana. A garota no 
escondeu a surpresa quando Hope lhe garantiu que no sabia nada sobre 
cosmticos. Sem dar vazo a sua curiosidade, no entanto, 
mostrou-lhe, com cuidado e pacincia, como tirar o melhor partido de 
suas feies, dizendo-lhe que tinha a sorte de possuir um tipo que 
sobreviveria  simples beleza juvenil, alm de olhos 
lindssimos.Depois de um longo tempo limpando e pintando seu rosto, 
Ana virou-a de frente para o espelho, e Hope, que j estava com medo 
de acabar com cara de boneca, no pde contem uma exclamao de 
prazer e admirao ao se ver. Um leve tom rosa coloria seus malares, 
realando-lhe o formato; seus olhos tinham um ar de misterioso, 
parecendo mais escuros e maiores do que se lembrava, e sua boca era uma 
curva deliciosamente rosada, junto  sua pele clara.
Enquanto ela se 
acostumava com sua nova imagem, Ana anotou num caderninho todos os 
cosmticos e cores que haviam usado, entregando-lhe a Hope numa linda 
caixa ornamentada.
De volta a Rafael para secar os cabelos, Hope ficou 
fascinada ao observar as ondas brilhantes que ele fez surgir nos fios 
longos e sedosos. Sempre pensara que seus cabelos fossem 
irremediavelmente lisos, mas agora ele parecia emoldurar seu rosto, 
cascateando-lhe pelos ombros.
Dez minutos depois, esperando na loja de 
madame, com as roupas novas embaladas em caixas pretas de letras 
douradas, Hope sentiu seu nervosismo aumentar. Mas os hbitos 
adquiridos no convento j estavam muito arraigados para que se 
tornasse inquieta ou manifestasse, de qualquer modo, sua ansiedade 
interna. Aparentemente, estava to calma e composta, que madame,.  
J a ponto de deix-la de lado como uma criana tola e ingnua, 
teve que rever sua opinio. Dizendo a si mesma que sabia reconhecer 
uma garota bem-criada, ela amoleceu o bastante para assegurar a Hope que 
o conde no a deixaria esperando por muito tempo.
Nem bem a mulher 
acabou de falar, a porta se abriu e o conde entrou, no dando o menor 
sinal de estar fora do lugar naquele ambiente completamente feminino, 
como Hope estava. Na certa estava acostumando a comprar roupas para as 
amantes.
Apesar de ingnua sob muitos pontos de vista, Hope sabia 
dos relacionamentos mantidos por homens como o conde. Homens, ricos e 
sofisticados, que podiam se dar ao luxo de pagar por seu prazer e, mais 
tarde, quando se cansavam de seus brinquedos, coloc-los de 
lado, sem ligar a mnima para a dor que pudessem causar.
A madre 
superiora na certa ficaria chocada se soubesse o quanto j era grande 
a antipatia que sentia pelo conde. Hope refletia sobre isso, 
inconsciente do quadro que oferecia enquanto esperava, imvel e 
hesitante. Plida e com ares de extrema fragilidade, deu ao homem que 
a observava a impresso de que a quebraria entre as mos, se a 
tentasse toc-la.
Ela servia a seus propsitos bem melhor do que 
ele esperava. Sir Henry era um homem muito inteligente. Com uma isca 
to tentadora, no era de admirar que tivesse tanta certeza de 
conseguir convencer Montrachet. Uma noiva inocente e pura para a grande 
esperana da casa de Montrachet. Uma mulher para dar a luz os filhos 
que um dia herdariam esse nome. Uma criana intocada pelo homem ou 
pela corrupo do mundo que ele adotara como seu. Enfim, uma linda 
ingnua.
O conde olho-a, sabendo o que planejava para ela, sem 
compaixo ou segundos pensamentos. E Hope, que o fitava, percebeu de 
repente onde vira um rosto como o dele  numa ilustrao dos 
rapazes que formavam a guarda imperial do czar Alexandre, na poca das 
guerras napolenicas. Entre eles haviam alguns com a mesma estrutura 
ssea, orgulhosamente arrogantes, altivamente desdenhosos, 
perigosamente selvagens, apesar do verniz de civilizao que 
ostentavam.
-E ento, Hope, vamos?
O tom que ele usou foi to 
calmo e mundano, que por um instante ela pensou que outra pessoa havia 
falado. Mas no. O conde segurava  porta aberta para que sasse, 
e l fora o motor da Ferrari  roncava  espera deles, enquanto 
madame se despedia com um sorriso obsequioso
Na calada, Hope 
hesitou. O conde abriu a porta do carro para ela, deixando que se 
acomodasse sozinha, enquanto colocava as caixas no porta-malas.  Depois, 
deu a volta e acomodou-se ao volante. Foi quando Hope, que j havia 
dado um jeito de prender o cinto de segurana, perguntou 
impulsivamente:
 O senhor... o senhor tem sangue russo, 
conde?
Por um instante chegou a achar que ele no fosse responder. 
Sua pergunta fora impolida. As freiras tinham-na ensinado a nunca fazer 
perguntas pessoais a ningum, mas sua curiosidade fora 
espontnea.
 Um pouco  ele admitiu, voltando-se para fit-la 
e fazendo-a imaginar que pensamentos se esconderiam por trs daqueles 
olhos verdes  Por qu?
Meio sem graa, ela lhe contou das 
ilustraes.
-Ento... voc est aprendendo russo? Na certa 
tem dom para lnguas. Minha me era russa. Os pais dela deixaram a 
Rssia durante a Revoluo. Felizmente, foram dos que tiveram 
sorte. Meu av tinha investimentos em Paris e eles puderam viver 
acostumados em Soa Petersburgo. Mas foi o suficiente para que minha 
me fosse considerada um bom partido para o meu pai e o ttulo de 
Serivace.
Hope franziu a testa, e ele continuou a explicar:
 O 
nome Serivace  muito antigo. Vem antes da Revoluo Francesa, mas 
eu creio que as freiras devem ter lhe ensinado que o orgulho  um 
pecado, bem como a vaidade.  acrescentou com ar divertido.
Isso fez 
Hope desconfiar de que havia adivinhado o quanto estava encantada com 
sua nova aparncia.
 Seria bom voc tentar dormir um pouco, ma 
petite. Temos um longo caminho pela frente. No quero parar antes de 
chegarmos a Serivace.
-Serivace?
 Minha propriedade.  Ele 
olhou-a, depois sorriu. `muito bonita. Voc vai gostar de 
l.
Mas o conde no mencionou o sir Henry nem quando se 
encontrariam. E ela se antev calada, sabendo, por instinto, que seria 
intil fazer-lhe perguntas a que ele no queria responder.
 
Tudo vir na hora certa, ma petite  ouviu-o murmurar, enquanto 
fechava os olhos e tentava relaxar. 
Tinha a estranha sensao de 
que aquele homem era perfeitamente capaz de ler seus 
pensamentos.


Captulo II 

Hope acordou vrias horas 
depois, com o corpo dolorido, apesar do conde ter reclinado o banco em 
que estava. Ele percebeu que ela estava acordada, pos diminuiu a 
velocidade do carro, enquanto se virava para fit-la.
 Sente-se 
melhor, agora que dormiu um pouco?
Hope forou um sorriso. Na 
verdade, estava pior do que nunca, com a cabea doendo, uma leve 
sensao de nusea, e o corpo rgido de tanto ficar na mesma 
posio.
 No est bem?  O conde franziu a testa, 
examinando seu rosto plido  O que h?
-Uma dor de cabea, 
mas no  nada. Logo vai passar.
 Na certa em conseqncia 
de tanta excitao. Eu me esqueci que sua vida no convento no a 
preparou para a agitao da vida real.  Lanou um olhar ao 
relgio  Acho melhor arranjarmos um lugar para passar a noite e 
continuarmos a viagem amanh. Quando eu disse que iramos 
diretamente para Serivace, no me lembrei de que voc no est 
acostumada a viajar quanto eu.
Hope sentiu vontade de protestar. No 
queria ficar com o conde mais tempo do que o absolutamente 
necessrio.
 No vou atac-la, ma petite  ele continuou, 
num tom zombeteiro.  As freiras deviam ter lhe ensinado que nem 
sempre  bom olhar para um homem do jeito que voc est olhando 
para mim. Seus olhos refletem todo o medo da caa diante do caador 
e, quando os fito, sinto-me tentando a transformar esse medo em 
realidade  Vendo-a estremecer, ele sorriu.  Voc se assusta 
at com as sombras, Hope. Tem mesmo tanto medo de mim?
Tanto gracejo 
fez uma chama rebelde brilhar nos olhos de Hope. No era to tola a 
ponto de ignorar que estava sendo deliberadamente provocada, e foi com o 
corpo tenso e um ar tempestuoso que replicou, cheia de desafio:
 
No tenho medo do senhor, conde.
 Cautelosa como uma gazela 
acuada por um leopardo! Diga-me quanto tempo faz que voc no v 
seu pai?
Grata pela mudana de assunto, Hope contou-lhe.
 Dois 
anos?  ele repetiu, erguendo as sobrancelhas escuras. 
 Meu pai 
tem muitos negcios,  difcil que possa me visitar e... e no 
 sempre que algum pode me acompanhar durante as frias.
 
Mas voc j  uma moa. Fez alguns planos para o futuro?
Ele 
agora falava de maneira exata que Hope esperava de um homem to mais 
velho e sofisticado, e ela fez o possvel para responder 
delicadamente, explicando que os estudos no convento no preparavam as 
alunas para abraar uma carreira. 
 Alm do casamento, no 
?  o conde comentou, com amabilidade  `isso que quer, ma 
petite? Passar da sala de aulas para o quarto?  Vendo o sangue 
subir-lhe ao rosto, ele percebeu que chocara. Mas continuou cheio de 
ironia:  Ora, vamos! No v me dizer que as Freitas a conservam 
completamente ignorante dos fatos da vida. Durante as frias 
deve ter se encontrado com rapazinhos atraente, mais que desejosos de 
acrescentar algum conhecimento prtico  sua teoria.
-No!
O 
protesto horrorizado silencio-o por uns momentos, e Hope endireitou-se 
no banco, o corpo trmulo, a mente incapaz de analisar o porqu 
daquela reao to forte. Afinal, muitas de suas colegas tinham 
passado pela experincias que o conde descrevera com tanto escrnio. 
E ela no era to ingnua a ponto de no saber que as 
relaes humanas incluam mais que os fatos frios e secos 
ensinados pelas freiras durante as aulas de biologia.
 No?
O 
conde saiu da estrada, estacionando o carro ao lado de um campo.   
Distraidamente, Hope notou que a plantao estendia-se por uma longa 
distncia e que um velho castelo de pedras, erguendo-se precariamente 
entre duas ou trs colinas, marcava o inicio de sierras. Tinha o rosto 
voltado para o lado, e sentiu um arrepio de medo quando o conde segurou 
o seu queixo, forando-a a virar-se e fit-lo nos olhos verde e 
enigmticos.
 No?  ele repetiu, com ar inquisitivo.  Nem 
mesmo um beijo roubado, ma jolie?
Percebendo a ironia trs da 
pergunta, Hope corou, odiando o modo como ele expunha sua vida, suas 
inadequaes, principalmente porque passara muitas horas acordada na 
cama, imaginando como seria viver as mesmas experincias de que suas 
colegas tanto falavam.
-No havia ningum para roubar beijos por 
trs das paredes do convento  retrucou afinal, com coragem  Meu 
pai tambm no me deixava passar as frias com as minhas amigas 
e...  Interrompeu-se, detestando ter se aberto tanto com ele. Agora, 
o conde sem duvida contaria a seu pai o que dissera. E seu pai teria 
toda razo em julg-la tola e desleal.
 Ento!
Hope teve a 
impresso de que o olhar masculino queimava a carne macia de sues 
lbios. Gostaria que ele olhasse para outro lado, mas o conde ainda 
segurava-lhe o queixo, e um tremor percorreu-a da cabea aos ps 
quando o sentiu deslizar o polegar pela curva de seu rosto. Entreabriu 
os lbio para deixar escapar um pequeno som de protesto. No entanto, o 
som se transformou muna exclamao chocada quando o conde esfregou o 
dedo em seu lbio inferior, ao mesmo tempo em que lhe agarrava os 
pulsos, como se soubesse que ela tinha a inteno de empurr-lo 
para longe.
A cabea morena aproximou-se, e o roar dos lbios 
masculinos fez Hope gelar ainda mais, confusa pelas emoes 
conflitantes que a assolavam. De um lado, havia choque e indignao 
por ele desrespeitar de tal modo a amizade que tinha com seu pai; do 
outro, havia aquela sensao estranha, langorosa, que a fazia ter 
vontade de passar os braos pelos ombros dele, de sentir a forma do 
corpo forte e msculo, enquanto a boca sobre a sua continuava 
a...
Com um grito horrorizado, Hope afastou-se bruscamente, os olhos 
enormes em seu rosto pequeno, os dedos incertos procurando os lbios 
trmulos e macios. Seria compaixo que via nos olhos dele. Ou era 
apenas desprezo por sua falta de experincia?
 Ento, ma 
petite? Sua curiosidade est satisfeita? No inveja mais as 
experincias de suas amigas?
Hope fitou-o, o corao cheio de 
dio e desprezo. Nem seus pensamentos mais secretos estavam a salvo 
daquele homem. Seria possvel que o conde tambm soubesse que havia 
olhado para os lbios dele, imaginando como seria t-los sobre o 
seus? Chocada e perturbada, tinha abafado esse pensamento antes mesmo 
que tomasse forma, mas de algum modo ele descobrira.
 O que foi? 
Por acaso as freiras lhe dissera que tais intimidades s devem ser 
partilhadas com seu marido? Que ningum deve toc-la a no ser 
ele?
 No sou to boba, monsieur  Hope conseguiu murmurar 
 Sei muito bem que se diverte em... em me atormentar.
Ouviu rir 
baixo, enquanto dava a partida no carro e voltava para a estrada. Seria 
casado? Teria famlia?
- H uma cidadezinha alguns quilmetro 
 frente, onde poderemos passar a noite  o conde anunciou, enquanto 
o Ferrari cobria quilmetros aps quilmetro  O hotel foi a 
residncia de uma famlia, mas o governo adquiriu-a e abriu uma 
hostera exclusiva.
Pouco depois alcanaram a cidade, 
atravessando-a em direo ao castelo que  Hope notara antes que, 
para sua surpresa, era a hostera que o conde havia mencionado.
 
Um cenrio que combina com voc, Hope  ele comentou com 
indolncia, detendo o carro.  Vamos perguntar se eles podem lhe dar 
um quarto na torre. Voc tem toda a inocncia inviolvel de uma 
princesa de conto de fadas.
Eles no deram um quarto na torres, mas 
o que recebeu era de um luxo a que no estava acostumada, Hope 
admitiu, alisando a colcha de cetim sobre a cama de quatro colunas, que 
dominava o ambiente. Ao lado havia um banheiro. E Ea prendeu os 
cabelos doloridos na gua quente e perfumada com que enchera a 
banheira.
A noite havia cado O conde sugeria que jantasse no 
quarto, e ela no havia discutido. No estava com fome, s queria 
dormir. No dia seguinte, veria o pai. Por que no se sentia mais 
animada com essa perspectiva? Talvez seus sentidos estivessem 
amortecidos por toda a agitao que tivera durante o dia, depois da 
vida to calma do convento.
Saindo da banheira, Hope comeou a se 
enxugar, estudando seu reflexo no espelho de corpo inteiro, o olhar 
atrado para os seios rijos e firmes, a pele sedosa e macia. Uma 
estranha sensao nasceu em seu ventre, quando se lembrou como o 
conde a beijara. No devia pensar naquilo! Tremendo, procurou o 
roupo, s ento se lembrando de que o deixara no 
quarto.
Percebeu que algum estivera em seu quarto assim que abriu a 
porta do banheiro. As luzes estavam acesas, a camisola sobre a cama, e 
um carrinho trmico fora colocado junto a uma pequena mesa. Seu 
jantar, sem dvida.  Caminhou para a cama, estacando, paralisada com o 
choque de ver algo se mover nas sombras, alm da claridade 
proporcionada pelos abajures.
A figura do conde destacou-se na 
escurido.
Todos os seus instintos gritavam-lhe que escondesse sua 
nudez, mas, estranhamente, no conseguiu se mover, fitando-o com 
terror imobilizador. Ele estudava seu corpo com um interesse clinico que 
acabou por deix-la vencer seu medo, liberando-a para pegar o roupo 
com mos tremulas. Hope desejou que ali estivesse o roupo velho, em 
vez daquele pedao de seda transparente que mal conseguia 
cobri-la.
-Desculpe,Hope. No percebi que voc no tinha me 
ouvido.  Era a primeira vez que ele lhe pedia desculpas, e Hope 
sentiu que eram sinceras.  Eu bati, mas obviamente voc no me 
escutou. Nosso jantar j veio. Venha se sentar.
Hope notou que ele 
tambm havia trocado de roupa. O terno formal cedera lugar a calas 
escuras,que lhe modelavam as coxas, e a uma camisa de seda, que a fez 
ainda mais consciente do corpo masculino que se encontrava por baixo.    
Quando ambos estavam sentados, o conde indicou o carrinho e sorriu, 
perguntando a ela se queria, servi-lo ou preferia que ele 
fizesse.
Essa, pelo menos, era uma rea na qual ela se dava bem, 
Hope pensou, aproximando-se do carrinho. No convento, todas as garotas 
eram ensinadas a serem anfitris perfeitas, e mesmo com os olhos do 
conde fixos nela, conseguiu servir a sopa de forma elegante e 
correta.
 Parece que o seu convento prima por ensinar as virtudes 
mais antiquadas; de preferncia a arte feminina, em detrimento das 
habilidades para o comercio  o conde comentou, quando Hope tirou os 
pratos de sopa serviu o prato principal, uma suculenta paella.
-Muitas 
alunas provm de pases as Amrica Latina. Seus pais arranjam os 
casamento para elas e, como pertencem sempre a famlias ricas e 
proeminentes,  importante que sejam capazes de se portar de maneira 
correta.
 E voc  uma exceo a regra? No lhe 
arranjaram nenhum casamento?
A expresso revoltada de Hope foi a 
resposta suficiente.
 Ento, quais so seus planos para o 
futuro:  o conde continuou  Espera agir como anfitri para o seu 
pai?
Hope tinha a impresso de que era aquilo mesmo o que ia 
acontecer. Em sua opinio, depois de coloc-la no convento, seu pai 
se voltara para outros assuntos. Como inglesa, ela abominava a idia 
de um casamento arranjado, e muitas vezes desejara, cheia de rebeldia, 
que o pai tivesse lhe proporcionado uma educao mais usual. Talvez 
agora conseguisse persuadi-lo a deix-la ir para uma universidade, 
adquirir alguns conhecimentos comerciais.
   -O que o senhor faz, 
conde?  perguntou com delicadeza lembrando-se das aulas das freiras 
sobre conversao.
Um sorriso surgiu no canto da boca masculina, e 
o detestou por rir-se dela.
 Foi uma boa tentativa, ma petite  
ele caoou, observando-a apertar os talheres com mais fora  Mas 
 de costume mostrar um pouco mais de entusiasmo. Sua pergunta 
hesitante me faz lembrar uma criana recitando a lio. Mesmo 
assim vou lhe responder Afinal,como qualquer outro talento, a arte da 
conversao s se adquire com a pratica.
Sem nenhum motivo 
aparente, as palavras do conde fizeram-na se lembrar do modo como ele a 
beijara. Ser que ele tambm a achava lamentavelmente deficiente 
naquele campo? Mas, afinal, o que lhe importava a opinio dele?
 
Como eu j lhe disse, minha me era russa. A famlia de meu pai 
 dona de vrios vinhedos, perto de Beaune. Alguns dos vinhos que 
produzimos esto dentro da categoria a que se chama de premier cru. 
 Vendo a expresso de Hope, ele sorriu.  Ah, ento as freiras 
lhe ensinaram algumas coisas do mundo, no , chrie?
 Eu 
conheo as grandes safras e a classificao dos vinhos.
 Ah, 
ento entender quando eu lhe disser que os vinhos Serivace so 
vinhos premier cru. Foi assim no tempo de meu av, e continua sendo 
durante o meu. Tenho outras propriedades, perto de Nice, que visito no 
vero. No inverno fico em Paris, onde tenho um apartamento. Sou 
considerado um homem modernamente rico, talvez no o suficiente para 
receber uma das pombinhas do seu convento como noiva, ma petite, mas 
tambm no sou um pobreto.
-No  casado, ento?  Hope 
perguntou. E quando ele meneou a cabea, continuou, hesitante:  
No tem famlia?
Seria sua imaginao ou ele teria mesmo feito 
uma pausa mnima, antes de responder? De qualquer modo, no havia 
trao de hesitao na sua voz, quando respondeu com firmeza:
 
No tenho ningum. Um dia, vou me casar. Devo ao meu nome assegurar 
que haja algum depois de mim, mas este dia ainda no chegou. `
tradio em minha famlia que os homens no se casem cedo. Meu 
pai tinha quarenta anos quando se casou com minha me.
Por um 
momento, com a luz dos abajures lanando-lhe sombras sobre o rosto, o 
conde lhe pareceu sinistro e distante, mais russo do que francs. E 
Hope reconheceu, com o corao batendo forte, que por mais 
sofisticado que ele pudesse ser, em algum lugar, por baixo daquela 
delicadeza e elegncia, estava escondida toda a paixo implacvel 
da raa russa.
 O que foi, ma jolie?
No percebera que ele 
tambm a observava, estudando a expresso pensativa de seus olhos e 
a vulnerabilidade de sua boca.
 Nada. Eu s estava pensando em 
meu pai. Faz tanto tempo que no o vejo.
 E tem medo de que se 
reencontrem como estranhos?
-No se preocupe. Tenho certeza de que 
voc  tudo o que seu pai espera... e muito mais. Muito, muito 
mais!
Tentando entender o que ele lhe dissera, Hope ps-se a tomar 
seu sorvete de baunilha, observando-o comer queijo com biscoito. Mesmo 
contra a vontade, sentia-se fascinada pelos traos do rosto sombrio e 
os dedos longos e masculinos.
 J  hora de voc ir para a 
cama  o conde anunciou, finalmente  Est dormindo em p. Ainda 
 to criana... Quer que eu a leve para a cama e lhe d um 
beijo de boa noite?  Riu baixinho, notando o leve gesto de recusa que 
ela fez  `to confuso, no ? As freiras lhe disseram uma 
coisa, e o seu corpo diz outra.
Levantou-se e deu a volta na mesa, 
inclinando-se para tom-la nos braos como se no pesasse mais que 
uma criana, levando-a para a cama com o rosto enterrado em seu ombro. 
Os sentidos de Hope absorveram avidamente aquele cheiro e aquele 
contanto, enquanto ele puxava os lenis e a colocava sobre o 
colcho. O conde cobriu-a depois, deixando que os dedos repousassem 
por um instante sobre o ombro feminino, antes de se retirar.
Hope 
no sabia dizer se foi alvio ou decepo que atingiu seu corpo 
de forma to dolorosa quando a porta se fechou atrs dele. Mas, 
certamente, era alivio.  No podia ter desejado que ele a beijasse de 
novo!

 Se est pronta, acho melhor continuarmos a 
viagem.
Durante o caf da manh, eles tinham comidos pezinhos 
quentes com gelia fresca e ma, e Hope estava satisfeita. Seus 
cabelos no haviam perdido o novo estilo, e ela no achara difcil 
maquilar-se, apesar do tremor nas mos.  Sem duvida esse tremor era 
uma conseqncia do fato de saber que teria que enfrentar o conde 
ainda uma vez.
No entanto, no precisava ter se preocupado, pois o 
homem zombeteiro e quase assustador da noite anterior cedera lugar a um 
cavalheiro sorridente, ligeiramente paternal, que no conseguira 
reconhecer.
Viajaram a manh inteira, com o conde inserindo fitas 
atrs de fitas no gravador do painel, o que eliminou a necessidade de 
conversarem, permitindo que Hope se concentrasse no cenrio, embalada 
pela msica.
Na hora do almoo, o conde entrou numa cidadezinha 
francesa. Estacionou o carro no ptio do que, segundo ele contou, um 
dia j fora uma famosa estalagem.
A construo era velha, com as 
paredes recobertas por uma trepadeira, de cujos galhos pendiam ramos de 
flores vermelhas. O proprietrio levou-os pessoalmente a uma mesa, 
ficando por perto com ar solcito, para aconselhar a respeito do menu. 
A principio, Hope pensou que fosse porque ele conhecia o conde, mas 
depois, quando ficaram a ss, o conde lhe explicou que, na maioria 
doas casas francesas, o almoo era considerado a principal 
refeio do dia. E aquele aubergue tinha uma reputao das 
melhores, tanto em relao  comida quanto ao tratamento 
dispensado aos fregueses.
 Como vamos passar o resto da tarde 
viajando, acho melhor comermos algo leve  ele sugeriu, com um sorriso 
bem humorado  Quer que eu escolha para voc?
Recusando com um 
gesto de cabea, Hope pegou o menu. As freiras ensinavam bem, e quando 
terminou de fazer sua escolha, passando-a ao garom, teve a 
satisfao de ver que no falhara.
A comida mostrou ser tudo o 
que ela esperava, e no cometera o erro de pedir algo mais pesado. As 
refeies no convento eram sempre leves, cuidadosamente balanceadas, 
e ela automaticamente escolhera com a mesma preciso cuidadosa. Para 
sua surpresa, ele tambm fora bastante cuidadoso na escolha, mostrando 
preferncia pelo valor nutritivo dos alimentos do que apenas pelo 
gosto.
 Voc me surpreende, ma petite  ele disse, quando o 
garom se afastou  Pensei que o gosto pelos doces fosse uma 
prerrogativa das jovens.   Sorvetes e doces melados, monsieur?  
Hope perguntou com um sorriso, meneando a cabea enquanto explicava as 
aulas que todas as alunas recebiam da nutricionista do convento.
-Em 
resumo, ns somos o que comemos  ele concluiu, quando ela chegou ao 
fim.  At certo ponto isso  valido, mas temos que mostrar uma 
certa indulgncia por outros... Desejos. Ningum  uma maquina 
funcionando a poder de combustvel,  preciso levar em conta as 
necessidades dos sentidos.
 O senhor no tomou vinho em sua 
refeio. Nem escolheu uma comida muito rica.
 O fato de estar 
dirigindo me impede de saborear um vinho como se deve. E quanto a 
comida...  O conde fitou-a, e Hope estremeceu de leve.  No se 
engane, Hope. Por mais nutritiva e boa que seja esta comida, se ela 
no for servida de um jeito atraente, eu no a tocaria. Ns temos 
sentidos para que possamos aproveitar o que nos cerca, seja atravs 
doa ato ou do paladar.
Enquanto falava, ele pousou os olhos no corpo 
dela, e Hope teve a sensao de estar quase sendo tocada. Como seria 
fazer amor com um homem como aquele?    Mas logo ficou to assustada 
pelo direo de seus pensamentos que no percebeu que seus olhos 
refletiam o que pensava, e que o homem sentado a sua  frente observava-a 
com ateno.
A tarde j ia avanada quando o conde lhe disse 
que estavam entrando na Borgonha, regio da Frana onde ficava a 
propriedade a que se dirigiam. O cenrio da Cote-dOr fez com que 
ela prendesse a respirao, encantada com a viso dos vinhedos, de 
belos chteaux e antigas casas de fazenda. A palavras clos aparecia 
cada vez mais nas tabuletas. E o conde explicou-lhe que se referia a 
vinhedos fechados, que um dia tinham pertencido a conventos ou 
monastrios, mas que ainda conservavam seus muros.
-Seus vinhedos 
tambm so assim?  Hope perguntou, com uma vontade repentina de 
saber mais a respeito dele.
 No. As terras Serivace so muito 
extensas para serem muradas, mas temos um pequeno clos no muito 
longe... da casa.
Ele no parecia disposto a falar mais, e Hope 
recaiu no silncio, muito tensa, embora no soubesse o 
porqu.
Afinal, saram da estrada principal, tomando uma 
estradinha mal asfaltada, ladeada por vinhedos. Era to estreita que 
quase no continha a Ferrari.
-Os vinhedos Serivace  o conde 
esclareceu -Nossos vinhedos so dos mais extensos da regio. Meu 
primeiro antepassado a vir para c disse que teria terras em todas as 
direes, em volta das sua casa, indo to longe quanto a vista 
pudesse alcanar. Apesar das muitas dificuldades por que minha 
famlia passou, isso ainda  verdade, hoje em dia.  Fez uma 
pausa, apontando para um agrupamento de edifcios baixos e longos, a 
distncia.  Naquele lugar  que engarrafamos o vinho. Jules 
Duval, meu administrador, vive l com a famlia.   Muitos pequenos 
viticultores locais tambm usam nossas instalaes.
De repente, 
um bosque fechado surgiu na frente deles, to estranho naquela 
regio coberta de vinhedos, que pegou Hope de surpresa. O sol, que 
estivera escondido atrs de uma nuvem acinzentada, apareceu 
inesperadamente, fazendo brilhar algo atrs das arvores. E logo 
estavam entre elas. Co o conde explicando que muitas eram espcimes 
raros, plantas por seus ancestrais para criar um parque ao estilo 
ingls. Para alm do bosque havia jardins solenes, e no fim do 
caminho...
  Hope arregalou os olhos ao ver o lago com o chteau 
elevando-se dele. Era uma viso branca, de contos de fada, repousando 
junto s guas prateadas, como uma miragem. Uma antiga ponte 
levadia cobria o lago na sua parte mais estreita. As rodas do Ferrari 
repercutiam quando a cruzaram, passando em seguida por baixo de um arco 
de pedra e penetrando num ptio, onde estacionaram ao lado de uma 
porta arredondada e cheia de cravos de ferro.
 Parece... Parecer 
coisa de contos de fadas  ela balbuciou fascinada com o que via. Uma 
casa, o conde dissera... Tolamente, ela esperava encontrar uma 
casa de fazenda, e no aquele chteau encantador, com suas torres, 
jardins e um lago.
 A Bela Adormecida, talvez?  o conde sugeriu, 
soltando o cinto de segurana e abrindo a porta.  Eu lhe garanto 
que no h nenhuma princesa cativa aqui, ma chrie. Mas venha, 
depois eu pego suas malas.  Sorriu, vendo a expresso dela.  
Estava esperando um exercito de cortesos? Esses dias acabaram. A 
maioria dos quartos do chteau est em desuso. Tenho uma sute no 
edifcio principal, que  cuidada por Pierri, meu... Faz-tudo. 
A propsito,  melhor que voc esteja prevenida, antes de 
encontr-lo. Ele trabalha para ns e ficou muito ferido na 
exploso do carro que matou meus pais. Meu pai ocupava um posto no 
governo, na poca da rebelio da Arglia. Jogaram uma bomba no 
carro dele. Minha me e ele morreram na hora, mas Pierre, que estava 
dirigindo, foi atirado longe. Ficou muito queimado e, desde o acidente, 
nunca mais falou. Tambm perdeu a capacidade de ouvir.
-Coitado!  
Hope exclamou chocada, o que lhe valeu um olhar irnico do conde, 
enquanto ele a ajudava a descer do carro.
 `melhor voc no 
manifestar esse tipo de sentimento diante de Pierre. Ele no  homem 
que goste de... Piedade.  E, antecipando a prxima pergunta de   
Hope, continuou:  Eu tinha catorze anos, quando isso aconteceu. Na 
poca,  fiquei muito amargo. Mas tudo passa na vida, e eu 
tinha...
 Pierre?  Hope completou, cheia de compaixo pela dor 
que acabava de vislumbrar nos olhos dele.
 Pierre? Ah, sim, eu 
tinha Pierre.
Deixando Hope para trs, o conde cruzou o ptio e 
abriu a pesada porta. Ela o seguiu, sentindo um calafrio ao dar com o 
vasto hall. O cho era coberto por mrmore, num desenho de losangos 
brancos e pretos, que continuavam pelas escadas, sustentadas 
graciosamente por colunas de mrmore, com portas de mogno polido 
abrindo-se ao longo das paredes, a intervalos regulares.
 Por aqui. 
 O conde tocou-a no brao, indicando uma das portas.  S 
usamos a parte central do chteau, agora. Esta  a biblioteca. 
Depois eu lhe mostro os cmodos.
A biblioteca era forrada de lambris 
de madeira, com uma enorme lareira de mrmore e um tapete em tons 
esmaecidos de verde, rosa e amarelo, que Hope desconfiou ser um 
Aubusson. Cortinas de veludo verde-plido pendiam das janelas, e uma 
escrivaninha fora colocada no lugar onde se podia obter o mximo 
beneficio da luz do dia.
A biblioteca tambm me serve de 
escritrio  o conde explicou  Vou lhe mostrar o resto, agora. 
Pierre pode preparar nosso jantar depois.
Enquanto iam de cmodo em 
cmodo, Hope no pode deixar de pensar que o tal  Pierre devia 
trabalhar de sol a sol, cuidando de um lugar to grande. Mas o conde 
logo lhe explicou que recebiam ajuda da vila, quando era 
necessrio.
 Depois da vindima, chega a hora de entretermos nosso 
compradores, e ai o chteau revive. Mas voc parece cansada. Vou 
lev-la para seu quarto.
O mrmore das escadas fez gelar a sola 
fina de suas sandlias, e o lustre de cristal, pendendo do teto 
refletia a luz do sol poente como um enorme prisma colorido, quase a 
cegou com seu brilho. O patamar formava uma galeria, com as paredes 
cobertas de seda verde-claro, e Hope imaginou quem teria escolhido a 
decorao, obviamente recente, e quem faria papel de anfitri para 
o conde, quando ele recebia os compradores.
Abrindo uma das portas, o 
conde indicou com um gesto, que entrasse.
Era um cmodo gigantesco, 
com uma cama em estilo imprio, cujo reposteiro tinha sido puxado para 
trs a fim de revelar a rosa que o sustentava, presa ao teto e 
recoberta com ouro e esmalte. Uma espreguiadeira revestida com o 
mesmo brocado creme e rosa do reposteiro descansava ao p da cama, 
combinando s mil maravilhas com as duas bergre diante da lareira e 
a delicada moblia imperial em branco e dourado, que fez Hope prender 
a respirao, deslumbrada.
-O banheiro e o quarto de vestir ficam 
ali  o conde disse, indicando outra porta.  Vou deix-la aqui, 
enquanto vou atrs de Pierre. Ele trar suas malas.
Quando ficou 
s, Hope caminhou at a janela. J estava escuro l fora, e s 
pode ver o brilho do lago e os jardins se estendendo at o cinturo 
de rvores.
Enquanto investigava o banheiro, ouviu o barulho da 
porta do quarto se abrindo e fechando, e deduzindo que devia ser Pierre 
com suas malas. O banheiro era maravilhoso, obviamente uma estrutura 
moderna. Trs paredes, o cho, as peas sanitrias e a enorme 
banheira embutida no solo eram de mrmore. A parede restante era 
totalmente espelhada.
O Quarto de vestir, que atravessava a caminho do 
banheiro, era recoberto de armrios, todos com espelhos e, pensando 
que seria demais esperar que Pierre desfizesse suas malas, Hope voltou 
para l, pondo-se a escolher as roupas que usaria na manha seguinte. 
Ao pretendia se trocar para jantar  sua inteno era apenas se 
lavar um pouco e retocar a maquilagem.
Exatamente quando chegaria seu 
pai? Ela abafou um certo desaponto por no t-lo encontrado l, 
raciocinando que isso havia acontecido provavelmente por ele estar muito 
ocupado com os negcios. Seno, no teria mandado o conde ir 
busc-la.

Despindo-se, Hope voltou ao banheiro para lavar. Meia 
hora depois, com os cabelos penteados e a maquilagem retocada, saiu para 
a galeria. Seus passos ecoaram ruidosamente pela escadaria. Ao chegar ao 
hall, uma porta abriu-se sob a escada e um homem surgiu. Ela adivinhou 
de imediato quem era, pois ele tinha o rosto marcado por cicatrizes e os 
cabelos grisalhos. Havia mais curiosidade que embarao no olhar que 
ele lhe lanou e, tentando se portar com naturalidade, Hope 
disse:
 Voc deve ser Pierre. Eu sou Hope Stanford e...  Parou 
de falar ao se lembrar de que Pierre era surdo e mudo. Fitou-o 
sentindo-se mais desajeitada do que nunca, e foi com alivio que viu o 
conde descer as escadas.
Ao contrario dela, ele se trocara, e agora 
estava com uma camisa de seda e calas escuras que a tomaram sbita 
e profundamente consciente dele, no como amigo de seu pai, mas como 
homem. Com o corao disparado e o corpo rgido como o mrmore 
que a cercava, Hope no conseguia tirar os olhos daquela figura viril 
 sua frente. Mal percebeu os sinais que ele fez a Pierre e a 
compreenso que brilhou nos olhos escuros do criado, ante de se virar 
para a porta.
 O jantar est quase pronto. No precisa me olhar 
desse modo  o conde comentou, interpretando errado a expresso 
chocada do rosto feminino.  Pierre  um excelente cozinheiro.
A 
sala de jantar resplandecia com o brilho da madeira polida, prata e 
cristal, e Hope comparou mentalmente essa magnificncia com o 
refeitrio do convento. Dois pratos foram servidos e comidos em 
silncio. Hope limitou-se a bebericar o vinho que lhe fora servido. 
Recusou o doce de sobremesa, observando o conde servir-se de um queijo 
local, chamado Chaource. Ele lhe ofereceu um pouco, mas de novo ela 
meneou a cabea em negativa. Estava cansada da longa viagem e com a 
mente embotada por tanto quadro na parede chamou sua ateno e 
ps-se a estud-lo. Era relativamente moderno e retratava uma mulher 
morena, de ar orgulhoso e um pouco arrogante, mas que parecia esconder 
uma certa rebeldia por baixo da mascara de elegncia 
convencional.
 n..  sua me?  perguntou, hesitante.
O 
conde virou a cabea e estudou o retrato por um momento, antes de 
responder em voz spera:
 No. `a minha irm, Tanya. J 
morreu. Ela se suicidou. 
Hope olhou de novo para o retrato, achando 
que tinha ouvido mal. O que poderia levar uma mulher to linda e 
orgulhosa a tirar a prpria vida? S percebeu que tinha feito a 
pergunta em voz alta quando o conde respondeu, num tom amargo:
 Um 
homem,  claro, ma petite. Um homem e a vergonha de ser 
descartada.
Hope estremeceu, incapaz de tirar os olhos do 
quadro.
 Aconteceu h seis meses  o conde continuou  Eu 
estava em Paris e Tanya no Caribe, com o amante. Acho que ela tinha 
esperanas de que ele acabasse se casando com ela, mas eu sabia que 
isso jamais aconteceria. J a tinha avisado, mas ela no quis me 
ouvir. No fim, Tanya preferiu tirar a prpria vida a enfrentar o fato 
de ter sido abandonada por ele.
 Ele... Ele se apaixonou por outra 
pessoa?  Quantas impresses novas.
-No. Tanya no passava de 
diverso que no cabia mais na vida dele. At o ltimo momento a 
coitada continuou a se iludir com a idia de que ele a amava. Mas a 
morte ser vingada. Ele no ficar impune, depois de envergonhar 
nossa famlia.
A ultima frase foi dita num tom de voz to baixo 
que Hope mal conseguiu ouvi-la. 
 Tanya...  ela murmurou, num 
tom inquisitivo.  `um nome russo?
 To russo quanto o meu. 
Minha me insistiu nisso. Ela no pde passar aos filhos a 
herana a que tinha direito... Ela era uma princesa, a princesa 
Tatiana Vassiliky... Mas nos deu nomes de sua famlia. Eu sou Alexei, 
como o pai dela.
E era o sangue russo que exigia que ele vingasse a 
irm, Hope percebeu intuitivamente, sentindo a selvageria e o orgulho 
que existiam por baixo daquele verniz de sofisticao francesa. 

 Quem era o amante de Tanya?  perguntou. Sem saber o por 
qu.
 Acho que voc  capaz de adivinhar  o conde responde 
devagarzinho, olhando-a nos olhos enquanto se levantava e se 
aproximava.
-0 Seu pai era o amante de Tanya, Hope  disse, 
baixinho. To baixinho que, por um momento, ela no percebeu o 
perigo envolvendo-a.
 Meu pai? Mas... o senhor e ele so amigos! 
Por que foi me buscar ento, se...
 Como voc  ingnua, 
Hope! Seu pai no sabe nada a meu respeito, alm do fato de que sou 
irmo de Tanya. No entanto, eu sei muito a respeito dele. Eu quis 
saber. Descobri, por exemplo, que ele tinha uma filha. Uma criana 
inocente, mantida longe do mundo e criada de forma a permanecer pura de 
corpo e esprito. Uma criana que ele pretendia usar para alcanar 
o poder que sempre quis. Voc, Hope.
 meia-luz, os olhos do conde 
brilhavam perigosamente, duros e frios como esmeraldas. Hope sentiu-se 
sufocar pelo medo, enquanto tentava entender o que ele dizia.
 
Quando minha irm se matou, eu jurei que a vingaria. Meu sangue russo 
exige que eu me vingue, apesar do lado francs zombar da minha 
paixo. E desta vez o lado russo venceu, embora eu tenha que admitir 
que o esprito francs me ajudou a planejar o que faria, com todo o 
cuidado. Minha primeira reao foi tirar a vida de seu pai, como ele 
havia tirado a de Tanya.
Hope estremeceu. Bem podia imaginar aquele 
homem matando seu pai, fechando os dedos em torno do pescoo dele e 
exigindo que sofresse tanto quanto Tanya sofrera.
 No entanto, 
pensando melhor, decidi que isso no era o bastante. Alm disso, 
no tenho vontade de passar o resto da minha vida na priso. No, 
tinha que haver um jeito melhor. Seu pai tinha que ter um ponto fraco. 
Ento, num jantar em Paris, completamente por acaso, descobri. Vai 
ficar surpresa de saber, ma petite, mas voc foi o assunto da conversa 
 mesa, aquela noite.
Hope olhava-o atnita, tentando imaginar o 
que viria em seguida.
-Minha companheira  o conde continuou -, cujo 
nome agora no importa, me falou do casamento que seu pai planejava 
para voc, com o herdeiro dos Montrachet. Parece que ele fez a tolice 
de tomar dinheiro emprestado, com base nas esperanas que tinha de se 
tornar av do herdeiro. Os Montrachet so uma famlia antiga e 
poderosa, cujas noivas so sempre escolhida a dedo.       Normalmente, 
elas so ricas tambm, mas o numero de mulheres ricas e virgens de 
corpo e carter est diminuindo rapidamente. No entanto, seu pai 
tomou o cuidado de garantir que voc preenchesse os dois ltimos 
requisitos   Fez uma pausa, observando-a maliciosamente.
Hope nada 
dizia, assustada, e ele continuou:
 Vocs podem no ter 
fortuna, mas seu nome tambm  antigo, e Isabelle de Montrachet, a 
me de Alain, prefere que o filho tenha uma noiva facilmente 
moldvel e capaz de ser ensinada. Uma noiva jovem e principalmente 
sadia, que dar herdeiros ao filho dela; uma moa de virtudes 
inatacveis. E quem melhor que a filha de seu scio de negcios, 
uma garota que pode trazer como dote toas essas coisas? Em troca da sua 
inocncia, seu pai recebera uma participao maior nos negcios 
de Montrachet, participao que naturalmente ser passada a voc 
e depois aos seus filhos, quando ele morrer. Mas, como eu disse, ele 
j fez uso do que ainda vai receber, investindo num complexo de 
frias no Caribe, que no est rendendo o que deveria. Antes do 
fim do vero, sir Henry pretende lanar mo do ultimo investimento 
que lhe resta: voc. Ou pretendia, pelo menos  O conde se afastou, 
indo para diante da lareira, de costas para Hope.
Seria verdade? Seu 
pai tivera mesmo inteno de lhe arranjar tal casamento?   
Naturalmente, no deveria estar chocada. Afinal, era para serem 
preparadas  para casamentos desse tipo que muitas meninas iam para o 
convento. No entanto, nunca imaginara que isso pudesse acontecer com 
ela. E o conde, sugerindo que seu pai era o responsvel pela morte da 
irm dele... Que idia absurda!
Lutando com seus sentimentos, tudo 
que Hope conseguiu dizer foi um rouco:
 No acredito no senhor. 
Meu pai nunca...
 Faria amor com minha irm? Nunca a descartaria 
como um brinquedo no mais desejado? No a destruiria e humilharia 
publicamente, forando-a tirar a prpria vida? Pois eu lhe garanto 
que foi o que fez. Os jornais publicaram a noticia com espalhafato. 
No guarde os recortes, mas posso consegui-lo para voc, se 
quiser.
 No!  Hope rejeitou a idia de imediato, cheia de 
nuseas. 
Seria possvel que eu pai tivesse mesmo se portado de 
forma to insensvel? Mas no fora assim que ele a tratara, 
inmeras vezes? No a deixara no convento, passando a ignor-la 
quase por completo? E tambm no lhe contara nada a respeito dos 
planos que tinha para ela.
Hope sentiu um calafrio, imaginando se 
no seria por isso que ele nunca permitira que sasse de frias 
com as amigas. Na certa no queria que se envolvesse com algum de 
sua idade, um rapaz a quem poderia dar seu corpo e assim se desvalorizar 
aos olhos dos Montrachet. Parecia incrvel, mas mesmo assim ela sentiu 
que o conde dissera a verdade.
-No entendo,  murmurou afinal. 
 Se o senhor  inimigo do meu pai, por que...
 A tirei do 
convento?  O conde virou-se, examinando a expresso amedrontada e 
ao mesmo tempo resoluta com que ela o fitava, enquanto tentava entender 
o que acontecia.  Quero que saiba que no lhe desejo nenhum mal, 
mas  s atravs de voc que posso atingir seu pai como ele 
atingiu Tanya. No, no pretendo mat-lo  assegurou, vendo-a 
empalidecer.  E ele tambm no por fim  prpria vida, 
como fez minha irm; no  desse tipo de homem. Mas, se o seu 
casamento no for em frente, ele estar financeiramente arruinado. 
Deixar de ser o querido da Cote dAzur, o acompanhante de modelos e 
atrizes, com entrada garantida em todos os cassinos. E isso o 
destruir to bem quanto ele destruiu Tanya. Ver esse mundo voltar 
as costas ao seu pai, como com certeza acontecer, ser uma 
vingana mais que suficiente.
 Mas como pretende conseguir isso? 
No pode me manter aqui para sempre, e quando eu sair...
-Seu 
casamento pode se realizar.  O conde balanou a cabea, fitando-a 
com a expresso que a fez gelar.  No prestou ateno no que 
eu disse, Hope. Eu lhe contei que Isabelle de Montrachet procura em uma 
noiva para o filho, e ela no aceitar nada menos. Alain  um 
jovem que j fez muitas extravagncias e, dizem os rumores, espera 
com gosto o prazer de uma noiva virgem.
Afinal, a implicao do 
que ele dizia atingiu-a, e Hope arregalou os olhos, protestando 
chocada:
 No!
 Sim  o conde corrigiu.  E isso no 
 o pior, Hope. Jamais gostei de seu pai, e agora o odeio pelo que fez 
com Tanya. Ela tinha vinte e um anos quando o conheceu, era jovem cheia 
de esperana. Pensou que seu pai se casaria com ela e entregou-se a 
ele por amor. Mas, assim que isso aconteceu, ele lhe disse que o nico 
lugar que poderia ocupar na sua vida era de amante. Amando-o como o 
amava, Tanya aceitou. Eu fui obrigado a ver como o orgulho e o respeito 
da minha irm foram-lhe roubados pouco a pouco, enquanto Henry a 
exibia ao mundo como uma prostituta. Acho que ser um castigo justo se 
eu fizer o mesmo com a filha dele!
Eu vou desmaiar, Hope pensou 
histericamente. No podia estar ouvindo aquilo. No podia estar 
ouvindo o conde lhe dizer, sem a menor emoo, que pretendia 
violent-la e depois exibi-la publicamente como sua amante. 
Subitamente iniciou a lhe dizer que chegara tarde, que j se entregara 
a algum, mas ele a interrompeu.
 No adianta, Hope. Voc 
j mostrou, de inmeros jeitos, que ainda  inocente. No pode 
deixar o chteau... Pierre no a ajudar e... pela manh...   
O conde deu de ombros, e ela entendeu, horrorizada, que ele pretendia 
comear sua vingana aquela noite.  No precisa ter medo de que 
eu a machuque ou a maltrate. No  a minha inteno punir a sua 
pessoa, e at lamento que o que quero s possa ser conseguido 
atravs de voc. Com certeza no sofrer mais nas minhas mos 
do que sofreria nas mos de Alain...
 A no ser pelo fato de 
que estaria casada com ele  Hope lembrou, com amargura.
Toda sua 
vida ouvira as freiras dizendo que sexo, fora do casamento, era pecado. 
E nem por um instante chegara a pensar em faz-lo com outra pessoa que 
no seu marido. Mesmo que estivesse casada e apaixonada, teria medo do 
que tinha a frente. E pensar nas mos do conde em sua pele, em seu 
corpo...
 No!  gritou, em pnico, fazendo com que os 
lbios do conde se apertassem numa linha fina.
-Seus protestos s 
tornaro as coisas mais difceis para voc, Hope. Neste chteau, 
 a minha vontade que prevalece. Ficaremos aqui uma semana. Depois 
desse tempo, espero que j tenha perdido esse ar de inocncia.  O 
conde fez uma pausa, depois continuou com calma, como se estivesse 
discutindo um assunto mundano qualquer.  Vamos para o Caribe, 
ento. Tenho l uma villa, e  para o Caribe que vo as pessoas 
com quem seu pai anda, nesta poca do ano. Sem dvida ele estar 
de timo humor, pensando no casamento que acha que ocorrer, no 
vero. Ficar surpreso ao ver voc ao meu lado, completamente 
minha.
 Eu lhe contarei o que o senhor fez  Hope gritou.  
No poder me forar a ficar, ento. Irei embora...
 Acha 
que seu pai a receber? De jeito nenhum, ma petite.
 Por 
enquanto... por quanto tempo terei que ficar?
 Pelo tempo que for 
necessrio.
 E depois?  ela quis saber, estremecendo de novo. 
As freiras sempre insistiram com as alunas que, uma vez tendo pecado, o 
caminho de uma garota se tornava frio e sombrio, e centenas de quadros 
horrveis e torturantes surgiam na mente de Hope.  Depois que 
tiver... terminado comigo, o que ser de mim? Nenhum homem vai me 
querer como esposa...
   -Isso no  verdade, e no foi o que eu 
disse. No  possvel que acredite que todos os homens se casam 
com virgens... ou queiram isso. Voc  uma linda garota, Hope, 
muitos se sentiro atrados por voc. Tem inteligncia e, 
dependendo de como us-la poder ser feliz ou no na vida.
 O 
senhor se casaria com uma garota que... Tivesse tido outros 
amantes?
 Se eu a amasse, se ela tivesse outras qualidades que eu 
quisesse,  claro que sim. A mentalidade com que voc foi criada  
muito estreita, Hope. Se os Montrachet no fossem como so, seu pai 
jamais teria pensado em trocar sua inocncia pelo dinheiro deles, e 
meus planos no dariam certo. Sob muitos pontos de vista, voc  
um produto artificial.
 E pretende me... violentar porque...
 
No ser uma violao nos termos em que est pensando. No 
tenho vontade de lhe causar dor ou degradao. Ao contrrio, quero 
que seu pai veja que veio para mim de boa vontade.
A expresso de 
Hope trouxe um sorriso nos lbios dele.
 Nunca!  ela 
protestou.  Eu no poderia! No amo o senhor.
 Como voc 
 criana! Mas ainda aprender. Nem sempre  preciso amor para 
encontrar prazer, Hope.
Hope fechou os olhos numa agonia muda, incapaz 
de entender o que estava lhe acontecendo. Podia mesmo acreditar que 
aquele homem frio e irnico, falando de forma to razovel, quase 
despreocupada, pretendia violar seu corpo, provando-a de sua virgindade! 

Viu-o lanar um olhar ao relgio.
 J  tarde e voc 
deve estar cansada. Por que no vai para a cama?
Ergueu os olhos 
para os dele, mas o conde no estava olhando para ela.
-Tenho algum 
trabalho para fazer. Nem pense em tentar escapar, Hope. As portas 
esto trancadas, a ponte erguida, e Pierre no a ajudar. Ele 
tinha uma devoo fantica por minha irm. Quer algo que a ajude 
a dormir?
Por um momento Hope sentiu vontade de aceitar. Se ele 
subisse e a encontrasse dormindo, talvez... o qu? Mudasse de idia? 
Dificilmente, depois de ter tido tanto trabalho para traz-la at 
ali. Aquilo no fora feito com o calor do momento. A zanga dele tinha 
esfriado e endurecido, e ele no desistiria do que planejara.
 
No obrigada  respondeu formalmente.


CAPTULO  
III

Um banho quente de pouco serviu para acalmar os nervos de Hope, 
que lhe estavam  flor da pele. Todos os planos de fuga em que pensou 
lhe pareceram impossveis, e no havia nem um telefone  vista, 
que pudesse usar para chamar seu pai!
 Se eu fosse a herona de 
um romance, sem duvida acharia uma faca ou um revolver  mo para me 
defender, pensou com desespero, vestindo a velha camisola de 
algodo que trouxera do convento. Por nada no mundo usaria as roupas 
de seda que comprara em Sevilha. E era bom o quarto estar as escuras.  
J seria ruim demais suportar o toque do conde, quanto mais ter que 
olh-lo!
Mas Hope no ficou por muito tempo sozinha no quarto, com 
seus pensamentos agoniantes. Enterrou as unhas na palma das mos 
quando ouviu a porta se abrindo. A luz foi acessa e o conde examinou-a, 
sorrindo de leve ao reparar na camisola. No fez nenhum comentrio, 
limitando-se a trancar a porta e colocar a chave no bolso, antes de se 
dirigir ao quarto de vestir.
Quando ele desapareceu, Hope descobriu 
que estava tremendo. Ouviu o barulho abafado de gua correndo e tentou 
desesperadamente deter sua imaginao. Que a fazia ver o corpo do 
conde, sublimando a fora dele e sua prpria fraqueza. Milhares de 
terrores femininos e primitivos assaltaram-na, at que virtualmente se 
esqueceu do pouco conhecimento que tinha, reduzida pelo medo a uma massa 
trmula de nervos e msculos.
Quando o conde voltou, usava um 
roupo atoalhado e tinha os cabelos midos. A viso dos plos 
que lhe cobriam o peito e as pernas fez o estmago de Hope revirar, em 
protesto pela intimidade que estava sendo impingida a ela. `claro que 
j vira revistas que mostravam fotografias de homens na praia, mas 
isso no a tinha preparado para a realidade crua da virilidade emanada 
de um corpo de carne e osso.
 Monsieur...  Sua inteno era 
implorar, faz-lo mudar de idia, mas calou-se quando ele riu, os 
dentes parecendo muito brancos em contraste com a pele bronzeada. Era a 
primeira vez que o ouvia rir, e corou, zangada imaginando o que teria 
feito para despertar esse riso.
 As freiras sem dvida a 
ensinaram a ser polida, ma petite, mas, tendo em vista nossa... 
Intimidade, acho melhor que pare de me chamar de senhor. Diga meu nome, 
Hope.  exigiu baixinho, com um olhar que no mais continha o menor 
trao de humor.
Hope pressionou os lbios, apertando os punhos e 
desafiando-o em silncio.  Se ele queria que o chamasse pelo nome, 
teria de bater nela antes. No podia negar-lhe seu corpo, mas aquele 
pequeno gesto de desafio podia fazer e faria.
 No tem 
importncia. Voc acabar por diz-lo, esta noite ou qualquer 
outra.
 O conde tirou o roupo, sem ligar para a exclamao 
chocada de Hope, e ela compreendeu que essa era uma forma sutil de 
castigo por seu desafio. O corpo dele amedrontou-a, mas no foi capaz 
de desviar os olhos dos msculos que se moviam sobre a pele bronzeada, 
quando ele se inclinou e puxou os lenis.
Sua primeira reao 
foi fugir, mas no havia lugar para onde pudesse ir, e no pretendia 
se humilhar mais ainda. Sem dvida, seu pnico s serviu para 
diverti-lo.
 Ento... estamos prontos.  Ele se virou para 
fit-la.  A no ser por isso.  Tocou com desdm a velha 
camisola.  Escolheu-a pensando em me fazer mudar de idia, no 
?  Ergueu as sobrancelhas num gesto interrogativo, mas Hope no 
confirmou nada.  Hum...  Estudou-a por um momento levando a mo 
 gola da camisola.  Sinto ter que fazer isso, pequena, mas no 
pretendo perder minha dignidade e talvez at minha pacincia, 
tentando livrar voc dela.
Os dedos masculinos se apertaram e Hope 
enrijeceu, arregalando os olhos, horrorizada, quando ele rasgou o tecido 
de alto a baixo, desequilibrando-a com a violncia do gesto e 
fazendo-a cair de encontro a si. De imediato ela ergueu as mos para 
afast-lo, tocando-o no peito por um breve momento antes de 
retir-las, como se tivesse sido queimada, incapaz de entender o que 
acontecera at ver os restos de sua camisola no cho. A 
percepo de sua nudez fez com que envolvesse o corpo com os 
braos, no mais antigo gesto de proteo.
 As luzes!  
gritou, agoniada, imaginando que ele pretendia atorment-la ainda 
mais, deixando-as acesas.
O conde dissera que no queria mago-la, 
mas seria mesmo verdade? At agora, no recebera nenhuma 
compaixo.
Ele no apagou as luzes, mas diminuiu-as.
 Assim 
fica menos assustador que a escurido total!  disse voltando para a 
cama.  No tem nada a temer, Hope. Um instante de dor, que s 
ter que agentar uma vez. As freiras no lhe disseram... 
 
Disseram, disseram  Hope concordou num murmurou angustiado, louca 
para acabar com tudo de uma vez. No tinha meios de escapar e, 
portanto, teria que enfrentar o inevitvel da melhor maneira 
possvel. Isso era o que as freiras tinha lhe ensinado.
 Voc 
est gelada.
O conde estava em p diante dela, com as mos em 
seus ombros, descendo-as por sua pele at alcanar a cintura. Um 
explorao lenta e gradual, durante a qual Hope no se atreveu a 
respirar. Quando ele a deitou na cama, manteve-se imvel como uma 
esttua, recusando-se a fit-lo enquanto se juntava a ela, as mos 
deslizando novamente por sua pele, explorando cada centmetro.
No 
tentou repudi-lo; forou a mente a uma aceitao atordoada, 
usando toda a energia que tinha para manter-se imvel, lutando para 
no gritar em protesto ou ceder ao instinto que a mandava se afastar. 
O choque da boca ardente sobre sua pele, explorando a curva de seu 
pescoo, foi como fogo sobre gelo. E, ao sentir a mo dele passar de 
seu brao para seu seio, a mente fugindo das implicaes daquele 
contato, comeou a tremer de uma maneira incontrolvel, o corpo 
sacudiu pelo medo e pelo choque. A voz do conde chegou-lhe de muito 
longe, num tom baixo e tranqilizante. No entendia o que dizia, mas 
percebeu que ele lhe pedia para no mais cham-lo de senhor ou 
conde, e sim de Alexei.
Fisicamente, o contato das mos masculinas 
no era doloroso ou cruel, mas sua angustia mental bloqueou a 
percepo de que ele no a estava machucando. Ele no tinha o 
direito de toc-la daquele modo, de ver e observ-la. E, incapaz de 
entender por que seus seios intumesciam ao tocar o peito masculino, ou 
por que uma estranha sensao nascia na boca de seu estmago cada 
vez que ele a tocava, fazendo-a amolecer por completo, ela tentou se 
convencer de que tudo no se passava de uma reao causada pelo 
medo.
Com a mente e o corpo lutando numa batalha que exauria suas 
frgeis defesas, Hope se viu dividida entre a vontade de ceder a seus 
instintos e o conhecimento de que aquele homem no ser seu marido 
nem algum a quem amasse, mas um estranho que a estava usando como 
usaria qualquer outra que lhe viesse s mos, naquela guerra contra 
seu pai. No fim, sua mente venceu, subjugando as estranhas sensaes 
de seu corpo. Enrijeceu todos os msculos contra o peso e o calor do 
corpo de Alexei, que agora a forava de encontro  cama e separava 
suas pernas sem o menor remorso, tomando-a presa de um terror real, com 
ondas de pnico assolando-a de forma cada vez mais intensa.
Ela 
lutou contra Alexei de corpo e alma, at se sentir entorpecida pelo 
cansao. A histeria comeou a aparecer sob o seu controle, que a 
abandonou quando o corpo dele cobriu o seu, e o grito de dor que tinha 
jurado nunca deix-lo ouvir foi seguido por lgrimas copiosas, que 
desciam de seus olhos e sacudiam sua figura esbelta. A agonia mental foi 
mais potente que a dor fsica e, quando ele a largou, deu-lhe as 
costas, curvando-se em posio fetal.
Sabia de antemo o que 
acontecera, mas as aulas que tivera e as conversas sussurradas com as 
colegas no a tinham preparado para o trauma de ter seu corpo 
invadido, violado por um estranho. De certo modo, teria agentado 
melhor se ele tivesse tentando deliberadamente feri-la. Mas nem essa 
pouca emoo existira no que ele lhe fizera, e sua mente fugia do 
que acontecera com o mesmo desespero com que seu corpo tentara, momentos 
atrs.
-Hope...
Sentiu a mo dele em seu ombro e 
contraiu-se.
 Est bem, eu no vou tocar em voc.
No se 
moveu, paralisada pelo medo, incapaz de relaxar at mesmo quando 
Alexei se afastou, murmurando um palavro. Sentiu deixar a cama e dar 
a volta, indo para a janela. Ele no se deu ao trabalho de por o 
roupo, e seus olhos, incapazes de se desviar do corpo viril, 
observaram-no olhar para a escurido l fora.
 Sinto que tenha 
sido assim, mas voc estava to tensa e apavorada que no poderia 
ser de outro modo. Da prxima vez...  Voltou-se para ela, alertado 
por um gemido que ela deixara escapar. Ao olh-la, surpreendeu-a numa 
expresso amarga e angustiada.  Tente dormir um pouco. Ver tudo 
de forma diferente amanh.  Aproximou-se, sentando-se na cama 
enquanto ela se encolhia mais.   Voc estava lutando no s 
contra mim. Mas tambm contra si mesma, Hope. As freiras devem ter lhe 
ensinado que sexo  um dever que voc tem para seu marido, um meio 
de alcanar um nico fim: filhos. Mas saiba que tambm pode ser um 
prazer raro e cheio de encantos. Se ouvir o seu corpo, e no a sua 
mente, ver que tenho razo.
Hope o viu levantar-se e espero que 
fosse embora, mas, para seu desespero,    Alexei deu a volta na cama e 
deitou-se  seu lado, embora sem toc-la. Muito tensa, percebeu a 
respirao dele ir se aprofundando no sono, e relaxou um 
pouquinho.
Seria possvel o que acontecera entre eles tivesse dado a 
ela satisfao fsica? Difcil de acreditar, mas as freiras 
tinham dito que as necessidades masculinas eram diferentes das 
femininas. Suspirou. No era completamente ignorante. Sabia, de suas 
leituras, que havia mulheres que sentiam prazer no ato sexual, mas achou 
que jamais seria uma delas. Sua mente e seu corpo estavam doloridos e 
magoados, sua pele violada, e uma vontade irresistvel de mergulhar na 
gua de uma banheira e a vontade de lavar a lembrana do toque de 
Alexei a invadiu.
Devagarzinho, deslizou para fora da cama, tomando 
cuidado para no acordar o homem ao seu lado. Sentiu o carpete macio 
sob os ps, mas estava estranhamente ofegante. Chegou ao final da cama 
antes que seus joelhos cedessem e teve a sensao de que seu corpo 
flutuava, quase sem peso. Ouviu um som atrs de si, mas no 
registrou o que era, no conseguiu entender nem quando Alexei a pegou, 
levando-a nos braas enquanto o quarto girava loucamente em torno 
deles.
 Quero me lavar  pediu, mal sabendo o que dizia.  
Quero...
 Eu sei, ma chrie.
Com as palavras parecendo flutuar 
em torno de si, Hope apoiou a cabea no ombro de Alexei, a mente e o 
corpo cansado demais para reagirem. Teve a vaga noo de ser levada 
para o magnfico banheiro de mrmore, de ser enrolada numa toalha 
macia enquanto a gua enchia a banheira, mas era muito esforo 
prestar ateno. No queria pensar ou lembrar. Aquela sensao 
de atordoamento era muito mais agradvel.
A gua era quente e 
perfumada. Teve vontade de ficar ali para sempre, mas algum falava e 
falava com ela, esfregando seu corpo com delicadeza, num toque 
tranqilizante que a fez lembrar da infncia e da bab que tivera, 
antes de ir para o convento. Mas deixara o convento e agora...
Sua 
mente fugiu da dor que sabia estar  sua espera. Estava sendo retirada 
da banheira e enxugada, a pele quente e limpa, e obedeceu de imediato a 
ordem de abrir a boca para receber um comprimido que lhe provocara 
caretas, e aceitar com gratido um copo de gua. Dentro de segundos, 
teve a impresso de estar caindo num abismo escuro, e lutou 
instintivamente contra isso, apavorada pela vaga lembrana dos 
horrores que esperavam nas sombras. Ento, ouviu uma voz fria 
pronunciando seu nome e sentiu a mo forte levantar seus cabelos e 
apoiar seu rosto de encontro a algo quente e levemente 
reconfortante.
-Hope...
O som de seu nome conseguiu atravessar a 
densa nvoa. Abriu os olhos. Estava nos braos de Alexei, com a 
cabea apoiada no peito dele.
 Voc me machucou  disse com 
voz sentida, com se ainda fosse uma criana.
O modo como ele 
retesou-se a espantou, mas logo o tranqilizante que tomara fez efeito 
e caiu de novo na escurido, aconchegando-se instintivamente ao corpo 
dele  procura de conforto. No pde ter conscincia de que os 
olhos verdes a observavam por muito tempo depois de haver adormecido, 
ensombrecidos por uma expresso dolorosa.
No era prprio dele 
desviar-se de um caminho que decidira tomar. A morte de Tanya tinha de 
ser vingada, e aquele era, sem dvida, o melhor modo.Resmungando 
algo baixinho, ele olhou para o rosto apoiado em seu peito, com traos 
de lgrimas ainda visveis na pele.
Hope abriu os olhos, 
recuperando de imediato a conscincia e virando a cabea com um 
movimento abrupto. Uma onda de alvio invadiu seu corpo tenso quando 
viu que estava s. Hesitante, afastou o lenol e deslizou para a 
beirada da cama. Lembrava-se vagamente de ter se levantado na noite 
anterior, depois de... Franziu a testa, tentando recordar exatamente o 
que acontecera, arregalando os olhos  mediada que as lembranas 
voltavam.
 Ah, voc est acordada!
Hope gelou quando a porta 
se abriu e Alexei entrou, alto e gil numa camisa de algodo e 
jeans.
 Caf da manh  ele lhe disse, indicando a bandeja 
que trazia. Colocou bandeja sobre uma mesinha e veio se sentar na 
beirada da cama, enquanto ela virava-lhe o rosto.  No h sentido 
em ficar de mau humor, Hope. No ser sempre como ontem  noite. O 
que sofreu no foi o pior do que sofreria nas mos de Montrachet. 
Talvez at menos, embora eu duvide que possa acreditar nisso 
agora.
 Mas ele teria se casado comigo  Hope insistiu, ignorando 
a ltima frase dele.
Como podia ele falar do que acontecera com 
tanta calma? Ficara chocada com a invaso de sua privacidade e a 
violao de seu corpo. No podia aceitar a intimidade indesejada 
da situao. No podia suportar a idia de que aquele homem 
no s possuir seu corpo, cimo tambm parecia conhecer 
profundamente seus sentimento e emoes. Sentia-se como se no 
tivesse mais nada que pudesse chamar de seu, nenhum canto de sua alma em 
que pudesse se esconder dele, e isso a amedrontava.
-Hope.  Alexei 
segurou-a pelos ombros, franzindo a testa ao senti-la esquivar-se. 
Adivinhando a causa dessa tenso, ao ver a luz do sol danar sobre a 
curva nua do ombro feminino, levantou-se, foi at o quarto de vestir e 
voltou trazendo um robe de seda transparente.  Sente-se e vire  
mandou, sentando-se atrs dela e vestindo-lhe o robe enquanto ela 
obedecia, cheia de relutncia.  agora, tente entender  disse, 
atando com firmeza as fitas que fechavam a frente da vestimenta.  Aos 
olhos das pessoas que se importam com voc como gente, o fato de 
termos sido amantes no significa nada. Eles a julgaro pelo que 
voc , Hope. Sua virgindade ou a falta dela s tem importncia 
para o seu pai, porque ele a encara como algo que pode vender. As 
mulheres, hoje em dia, no trocam mais sua inocncia por um 
casamento. Agora voc pode achar estranho o que estou lhe dizendo... 
mas um dia talvez me agradea pelo que fiz.
 No minta!  
Zangada, Hope empurrou-o para longe.  Ontem  noite, voc me 
disse que sua irm era amante de meu pai e que ele no se casaria 
com ela...
 Por ela no ter dinheiro, no por no ser mais 
virgem. E no foi porque minha irm resolveu se dar ao seu pai que 
eu trouxe voc para c, foi por causa do modo como ele a tratou 
depois. Agora, acho melhor voc tomar o caf e se vestir.
 Com 
o qu? No tenho nada escarlate...
Ele riu, enfurecendo-a mais 
ainda, aparentemente mais divertido que aborrecido com o comentrio. E 
logo replicou com malcia: 
 Mesmo com as roupas de uma puta 
voc se pareceria exatamente com o que , ma petite: uma inocente 
ostentando a mgoa interna e externa de sua violao.
 Quando 
vamos para o Caribe?
 Quando voc perder essa cara de criana 
violada e se tornar uma mulher.
 Isso nunca acontecer!  Hope 
garantiu com raiva, odiando-o ainda mais quando ele enrolou uma mecha de 
seus cabelos no dedo indicador, rindo novamente.
 Au contraire, ma 
jolie. E isso vai acontecer mais cedo do que pensa. Muito mais 
cedo.
Inclinou-se para a frente, deslizando a mo para o queixo de 
Hope, mantendo-a prisioneira enquanto esfregava a lngua em seus 
lbios. Beijou-a, afastando-se em seguida para estudar-lhe as faces 
coradas e os cabelos despenteados, com expresso pensativa. Por um 
instante,Hope pensou que fosse toca-la novamente, mas para seu alvio 
nada fez, limitando se a dizer:
 Agora, tenho que inspecionar os 
vinhedos. Se quiser, pode explorar a casa e o ptio interno, mas no 
poder sair. A ponte continuar erguida, e lembre-se de que Pierre 
no pode ajuda-la. Siga meu conselho e aceite o inevitvel, Hope. 
No h vergonha em achar prazer na sexualidade de sue corpo, apesar 
do que as freiras lhe ensinaram.
 Como posso encontrar prazer, 
quando odeio voc?  Hope jogou-lhe na car, observando as linhas de 
riso se aprofundarem em torno dos olhos verdes.
 Voc ver  
ele prometeu, caminhando para a porta.  Tome seu caf. Vejo voc 
 noite.  Desapareceu antes que ela pudesse pensar numa boa 
resposta, deixando-a sozinha com seus pensamentos.

  Que homem 
complexo era ele! Um lado de sua natureza era apaixonadamente russa, 
ansiando pela vingana que seu orgulho exigia e decidido a consegui-la 
a qualquer custo, mesmo prejudicando outras pessoas. E, no entanto, 
havia nele outro lado quase que completamente oposto: o lado que vir 
aquela manh. Mas no ia cometer o erro de subestimar nenhum deles, 
decidiu, com um certo tremor. No tinha condies de escapar e, 
mesmo que tivesse, j era tarde demais. No fundo, saia que o que ele 
lhe contara a respeito dos planos de seu pai era verdade, e ele faria 
com ela exatamente o que dissera e nada o desviaria do caminho 
traado. E quando essa sede estivesse satisfeita...
Hope 
arrepiou-se, gelada, lutando para aceitar o eu acontecera e o que seria 
sua vida, dali em diante. No convento, a vida fora calma e tranqila, 
no exigindo dela mais que obedincia. Mas deixara de ser criana 
e de algum modo teria que traar seu prprio caminho. Os planos de 
Alexei para ela eram algo que teria que agentar at conseguir 
escapar... E quando isso acontecesse...Mordendo o lbio inferior, 
Hope se perguntou o que seria dela, provada bruscamente da aceitao 
passiva que j se tornara uma segunda natureza. Teria que achar um 
emprego. Centenas de garotas da sua idade sobreviviam sozinhas. Centenas 
tinham casos amorosos com outros homens, fora do casamento. Centenas 
aprendiam a se cuidar, como ela teria que aprender.    Sentir pena de si 
mesma no levaria a nada.
O caf estava frio quando terminou de se 
lavar e vestir. Ao descer, encontrou a cozinha, dando com Pierre em p 
junto a pia, descascando batatas. Ele levantou a cabea com ar 
cauteloso, e Hope percebe que Alexei devia t-lo prevenido a seu 
respeito.  A cafeteira estava sobre a mesa, e ela a pegou, imitando o 
gesto de encher a xcara. Entendendo, Pierre tirou-a das mos dela e 
encheu-a de gua e caf, colocando-a pra funcionar. Em seguida, 
abriu a geladeira e indicou o contedo. Vendo que ele achava que ela 
queria comer alguma coisa, Hope meneou a cabea, incapaz de suportar a 
idia de comida.   Quando terminou o caf, Hope foi para o 
ptio, onde se ps a vagar de um lado para o outro. Um estbulo 
ocupava um dos lados, mas as baias estavam vazias. Olhando por cima do 
muro, viu a gua do fosso brilhar l embaixo, com vrios patos 
mergulhando  procura de alimento. Estava quente o bastante para lhe 
dar vontade de se sentar ao sol, mas sentia-se tensa demais para 
relaxar.Contra a vontade, voltou ao chteau e ficou vagando de 
cmodo em cmodo. Durante vrios minutos esteve a estudar o 
retrato de Tanya, dirigindo-se depois a biblioteca, atrs de algo para 
ler.   Por acaso, pegou Guerra e paz de Tolstoi, que ainda no 
lera, na esperana de esquecer seus medos e a si mesma ao longo da 
historia.    uma hora, Pierre lhe trouxe um almoo leve  
omelete, caf e frutas de sobremesa. O cheiro fez com que percebesse o 
quanto estava faminta, e a omelete estava to boa quanto parecia. 
Quando levou a bandeja para a cozinha, Pierre olhou seu prato limpo com 
ar de aprovao.
   Passou o resto da tarde lendo, a tenso 
aumentando cada vez mais, at no ser mais capaz de fingir que o 
livro prendia sua ateno. Fechando-o, foi at a janela e olhou 
para o lago. Os patos continuavam a mergulhar na gua verde-clara e de 
repente, inquieta ela foi  cozinha buscar po para alimenta-los, 
pensado que isso poderia distrair sua mente, ainda que s por alguns 
momentos.No viu sinal de Pierre, mas encontrou a cesta de po e 
tirou um pedao, dirigindo-se  pequena abertura que notara no muro 
do ptio. Por vrios minutos divertiu-se com as cabriolas das aves, 
chagando a sorrir ao ver as tentativas desajeitadas das mais novas.   
O som forte de madeira e maquinrio se movendo chamou sua ateno, 
e voltou-se a tempo de ver o carro de Alexei entrar no ptio. Ele 
desceu, hesitante ao dar com ela, para depois cham-la com voz 
spera, a testa franzida numa expresso que parecia de zanga.   
Automaticamente, Hope entrou em pnico e recuou enquanto ele 
avanava para ela. Encolhendo-se instintivamente, no percebeu 
quanto estava perto da beirada do muro e escorregou, perdendo o 
equilbrio. Foi de encontro com  gua fria do fosso, que encheu 
sua boca e narinas, silenciando seu grito apavorado. Sabia nadar, mas o 
choque de cair fez com que se assustasse e comeasse a lutar ao 
sentir-se agarrada pelo brao de Alexei e ver as feies zangadas 
surgirem  sua frente.
   Mais tarde, lembrou-se de ter pensado que 
Alexei queria afog-la, embora logo percebesse que isso era 
impossvel. Afinal, ele no poderia exibi-la na frente de seu pai se 
a afogasse. Mas na hora essa idia fez com que lutasse contra ele, a 
conscincia indo e vindo at sentir as pedras aquecidas pelo sol 
debaixo do seu corpo.   Alexei estava a seu lado, com as roupas 
encharcadas e a boca apertada, visivelmente contrariado. Murmurou algo 
em russo, enquanto se inclinava para pag-la, e Hope viu Pierre junto 
dele. Alexei deve ter lhe dito algo,porque o homem apressou-se em voltar 
para a casa.   Mon Dieu!  Alexei exclamou, quando levava Hope 
para dentro.  `assim que voc pensa, sua tola? A morte antes da 
desonra?  Hope queria dizer-lhe que a queda fora acidental, que se 
assustara com o ar de fria dele, mas no conseguiu.   `a 
segunda vez que tenho que lhe dar banho, ma petite  ouviu-o dizer 
pouco depois, enquanto colocava de p, no banheiro.  Reconheo 
que o papel de bab no  totalmente sem atrativos, embora desta 
vez...  Hope estremeceu, recuperando a conscincia por completo e 
percebendo como estivera perto de morrer.
  -Eu no me joguei...  
Alexei estava de costas para ela, enchendo a banheira de gua, as 
roupas molhadas agarradas ao corpo alto e forte. Hope mordeu o lbio. 
O que levara a dizer aquilo? Vontade de mostrar que no era bem a 
criana fraca e tola que ele pensava?   Foi um acidente  
acrescentou com voz rouca.  Eu estava dando po aos patos, voc 
me assustou e...   -... e voc preferiu cair no poo a agentar 
minha companhia? Deus do cu, mas voc  to criana! E est 
decidida a me colocar no papel de vilo. No lhe passou pela 
cabea que poder viver sua prpria vida quando se livrar de mim, 
em vez de ter a vontade de outra pessoa imposta a voc? Porque, no 
se engane, Hope, como esposa de um Montrachet voc no teria 
escolha. Voc no tem ambio? No tem desejos prprios? 
No quer nada da vida?  ele perguntou com impacincia, 
praguejando baixo antes de endireitar o corpo e virar-se para ela.  
Voc  um ser humano inteligente, Hope. `capaz de me dizer, com 
toda honestidade, que seria feliz com o tipo de vida que Montrachet pode 
lhe dar?   Alexei suspirou, parecendo cansando, de repente, e Hope 
refletiu que ele devia ter levado um susto enorme ao v-la cair. 
Afinal, sua morte o privaria de obter vingana. No era de admirar 
que tivesse lutado tanto para salv-la.   Tire essa roupa 
molhada, Hope. Pierre est lhe fazendo uma tisane. Pensei em jantarmos 
fora esta noite, mas desse jeito...  Fitou-a com ar de 
dvida.
Hope agarrou-se ao que ele lhe dissera como um naufrgio 
ao salva-vidas. Sem sombra de dvida, preferia jantar fora a ficar 
ali, sozinha com ele, odiando a hora em que teria que ir para a cama. 
  No... Por favor, eu gostaria muito de sair.
   Alexei 
estudou-a por um momento, depois deu de ombros e olhou com desgosto para 
a cala encharcada que vestia. Sem querer, Hope fez o mesmo, fascinada 
pelos msculos potentes to bem delineados pelo tecido grosso.   
 Entre no banho, Hope.  ouviu-o dizer, num tom inesperadamente 
duro.  E no demore muito. Posso sentir vontade de lhe fazer 
companhia, e algo me diz que voc no est pronta para esportes 
aquticos... ainda.  Com o rosto em chamas, Hope olhou para a 
porta, tremendo sob o impacto da sensualidade que havia por trs 
daquelas palavras. Por um instante, pensou que fosse ficar. Mas depois 
de olhar para a gua ele se moveu na direo da porta, dizendo 
aspereza:   Duvido que d para voc se afogar nessa gua, 
mas em dez minutos eu volto. Por isso, se no quer que eu lhe faa 
companhia,  melhor se apressar.  Quando Alexei voltou, usando um 
roupo e enxugando os cabelos midos, Hope estava sentada numa 
cadeira, enrolada numa toalha e tomando a tisane que Pierre trouxera. 
Observando-o, ela sentiu uma estranha emoo. Um sentimento frgil 
e hesitante, que fez seu pulso se acelerar, esquentando seu corpo. Algo 
to inesperado que ela recolocou a xcara no lugar e fixou os olhos 
num ponto  frente, sem nada enxergar.   Hope? Hope, voc 
est bem?  A voz impaciente de Alexei interrompeu seus 
pensamentos.
  Hope ergueu os olhos, percorrendo as pernas dele, 
bronzeadas e cheias de plos escuros. Sentiu uma vontade 
inexplicvel de estender a mo e toc-las, de descobrir se aqueles 
plos seriam to speros de encontro a seus dedos quanto tinha 
sido de encontro a suas coxas, na noite anterior. Mas logo atrs desse 
desejo veio a percepo do que estava pensando., e uma 
exclamao abafada escapou-lhe dos lbios. Apertando os punhos com 
fora, forou-se a fitar Alexei, para ver se ele percebera sua 
reao.   Ele a olhava por entre as plpebras semicerradas, com 
um leve sorriso, e Hope sentiu o rosto queimar.    Coitadinha! `
tudo to confuso e doloroso, no ? Mas nem sempre ser assim. 
Beba a sua tisane e descanse por uma hora.  Viu-a olhar para a cama e 
suspirou, continuando com um tom mais suave:  Que bicho papo 
voc faz com que eu me sinta, criana! Mas no precisa olhar para 
a cama como se fosse um lugar de tortura. Acredite em mim quando lhe 
digo que logo pensar nela como um lugar de prazer.  Hope teve 
certeza de que Alexei ria dela. De imediato as emoes que vinha 
sufocando durante todos aqueles anos explodiram numa onda de raiva que 
teria feito seu pai lembrar da mo dele, uma McDonald ruiva das Ilhas, 
cujo temperamento combinava s mil maravilhas com a cor dos cabelos. 
Com o rosto corado e os olhos tempestuosos, ela se virou para encarar 
seu carrasco.

   Eu nunca vou ter prazer com voc  gritou 
furiosa, presa a uma raiva que fazia ter vontade de arranh-lo at 
tirar sangue, ou qualquer outra coisa que varresse do rosto dele aquele 
sorriso frio e malicioso.  Voc acha que sabe tudo, mas est 
redondamente enganado. No importa o que me faa, no importa a 
resposta que consiga de meu corpo, minha mente sempre vai odi-lo. 
Voc fala do meu pai me usar como mercadoria, mas  exatamente isso 
que est fazendo.   Voc est ficando histrica.  
Alexei replicou com frieza.  Se no parar vou...  -... bater em 
meu rosto?  Hope provocou com amargura, os olhos brilhando de raiva e 
sofrimento.   De repente no mais zangado, Alexei meneou a 
cabea, sorrindo.    No, chrie, voc sentiria o peso da 
minha mo em outra parte de sua anatomia. E  claro que depois eu 
estaria mais que disposto a curar a parte machucada com beijos... se 
voc me pedisse.  O olhar chocado de Hope mostrou a Alexei que 
tinha vencido a batalha, e ela foi forada a admitir para si mesmo 
que, em qualquer briga entre os dois, a vantagem seria sempre dele.  
A ss, Hope levou as mos ao rosto corado, que ainda traa sua 
reao chocada ao comentrio provocante e ao brilho divertido que 
vira nos olhos dele, enquanto falava. Alexei era um demnio, um 
demnio frio e detestvel, e ela o odiava!    Tem certeza 
de que quer sair para jantar?   Alexei estava em p na porta do 
quarto de vestir, colocando abotoaduras nos punhos da camisa branca. 
Hope fez que sim. J estava vestida, terminando de aplicar a 
maquilagem. A camisa de Alexei estava aberta at a cintura, e ela 
seria capaz de jurar que ele sabia o quanto a afetava v-lo de peito 
nu. De novo experimentou a mesma estranha sensao nascer na boca de 
seu estmago. Ele estava abotoando a camisa, enfiando-a na cala com 
um descuido que mostrava claramente que no considerava estranho que 
algum testemunhasse tal intimidade.
   Algo em seu rosto deve ter 
revelado o que sentia, pois ele parou de abotoar a camisa para fit-la 
com ar pensativo, atravessando logo em seguida o quarto.        
Deteve-se atrs dela, e Hope ficou parada ao v-lo pegar a escova de 
cabelo. Seu olhar assustado encontrou-se no espelho com o de Alexei, 
enquanto ele passava a escova suavemente por seus cabelos, repetindo o 
movimento at ela se sentir relaxar.    Eu entendo que o que 
aconteceu foi um choque para voc, ma jolie.  No espelho, os olhos 
verdes ainda prendiam os dela e, mesmo querendo quebrar o contato, Hope 
no conseguiu.  Mas voc  uma criana inteligente, que j 
deve ter percebido que sempre falo srio. Assim sendo, no tem nada 
a ganhar com um desafio sem sentido. S vai acabar se magoando mais do 
que  capaz de me magoar. Tente encarar isto como outro perodo de 
aprendizagem depois do qual estar livre para seguiu sua prpria 
vida.   Livre para ser o brinquedo de outro homem  Hope rebateu 
com raiva.  O que vou aprender com voc so coisas que s 
deveria aprender com meu marido!   Lagrimas tremulavam em seus 
clios, e uma onda de desolao invadiu-a ao se lembrar dos avisos 
severos das freiras sobre o destino das garotas que eram tolas o 
bastante para se comportarem mal. E agora aquele homem, que a 
tirara calmamente do santurio do convento, lhe dizia com a mesma 
tranqilidade que o que fizer a beneficiaria.    Voc est 
exagerando como uma menininha. A vida na  toda em preto e branco. 
Existem muitas tonalidades de cinza no meio, e j se foram os dias em 
que uma mulher media seu valor em termos de sua virgindade. Na verdade, 
voc se diminui fazendo isso. No mundo moderno, uma mulher  
avaliada pelo modo como as valoriza, e a beleza fsica sem 
compaixo, humor e inteligncia no  nada. Ningum a 
julgar desfavoravelmente por ter sido minha amante, Hope. `s na 
sua imaginao juvenil que mulheres cadas existem.
  -Se 
isso fosse verdade, voc no estaria planejando se vingar do meu pai 
do jeito que est  ela replicou com desdm. Por acaso ele pensava 
que no tinha inteligncia?   A escova parou. Inclinando-se para 
a frente at estar com o rosto ao nvel do dela, Alexei segurou-lhe 
o queixo e obrigou-a a encar-lo.   Minha querida criana  
disse, num tom perigosamente frio  seu pai  um homem muito 
sofisticado para dar o menor valor  sua virgindade, a no ser como 
uma mercadoria vendvel.    Eu odeio voc! No sei como a 
madre superiora me deixou sair na sua companhia.    Muito simples. 
Eu falsifiquei a assinatura do seu pai, e de qualquer modo, as freiras 
j estavam ficando preocupadas com voc. Sentiram-se aliviadas 
demais ao descobrir que, afinal, sir Henry no era o pai indiferente 
que julgavam, para questionar minha autoridade com mais cuidado. Ah, 
outra coisa!  ele acrescentou, percebendo o que ia na cabea dela 
com uma facilidade que a assustou.  Nem pense em fugir. Estou com o 
seu passaporte e pretendo ficar com ele. Voc no tem dinheiro nem 
amigos por aqui, e esta parte da Frana ainda  feudal em muitos 
aspectos. Minha famlia est aqui a sculos, com os mesmos 
arrendatrios vivendo em nossas terras. A menos que me d sua 
palavra de que no tentar escapar, direi a todos que voc sofre 
de uma doena mental, que a faz pensar que  vitima de um compl 
para rapt-la... Alexei ainda a observava, e Hope percebeu que ele 
falava mais srio que nunca.  Deus do cu, como gostaria de fazer 
alguma coisa... Qualquer coisa para atravessar aquela mascara 
implacvel, ferindo-o e destruindo-o como ele fizera com ela!
    
-Mudei de idia. No quero mais sair para jantar.  Hope deu-lhe 
as costas, recusando-se a fit-lo, embora soubesse que ele agora 
caminhava para o quarto de vestir.    Est bem. Darei ordens a 
Pierre para lhe preparar alguma coisa.    Hope levou vrios 
segundos para entender as implicaes do que Alexei dissera. Ele 
iria jantar fora, enquanto ela comeria sozinha. E logo em seguida veio a 
percepo de uma espcie de... desapontamento? No, simplesmente 
de um anticlmax, buscou garantir a si mesma. Anticlmax porque seu 
oponente sara da arena, na atitude de uma pessoa que sabe que no 
poder vencer. Mas esse foi um pensamento que no a convenceu pois, 
se havia um homem que sabia exatamente como vencer, esse homem era 
Alexei.   Pierre levou seu jantar para a biblioteca, colocando a 
bandeja sobre uma mesinha junto  lareira. Era um cozido, e Hope viu 
que ele tambm trouxera uma garrafa de vinho, com uma guia e o nome 
de Alexei impresso no rtulo.  Provou-o cautelosamente, descobrindo 
que, embora tivesse sido ensinada a reconhecer as grandes safras e a 
selecionar o vinho correto para uma refeio, poucas vezes tomara um 
to bom quanto aquele.   O liquido que derramou em seu copo era de 
um amarelo-plido, seco e encorpado ao paladar, ressaltando o aroma do 
cozido com seu molho delicado. O mundo, que lhe parecer um lugar cinza e 
sem esperana ao entrar na biblioteca, assumiu um aspecto menos 
opressivo. Na verdade, bem podia entender por que as pessoas bebiam, 
pensou, decidida a servir-se de mais um copo.   Metade do terceiro 
copo j tinha ido quando Pierre apareceu para tirar a bandeja e servir 
o caf. Hope estava certa de que a nvoa morna, ligeiramente 
atordoante, que a envolvia era muito melhor que a infelicidade 
assustadora que vinha experimentando desde que soubera dos planos de 
Alexei. Reconhecendo que estava um pouco bbada, ela contemplou o 
caf pensativamente e resolveu que seu atual estado de esprito era 
infinitamente melhor do que a sobriedade.
As freiras ficariam chocadas 
se pudesse v-la! Sem que soubesse se por qu, pensar no convento 
foi to desagradvel que tomou mais alguns goles de vinho.  Depois, 
quando tentou se levantar, surpreendeu-se ao descobrir que a biblioteca 
girava loucamente em torno dela.    Seu nico pensamento claro, 
enquanto se dirigia ao quarto com passos inseguros, foi que seria 
poupada da vergonha de ter Alexei testemunhando sua tolice. No fundo, 
sabia que no tinha escapatria, e a sensao gostosa, dada pelo 
vinho, comeou a diminuir quando abriu a porta e deu com a cama. No 
havia chave na porta, e na certa Alexei a traria de volta, se fosse para 
outro quarto.   Um pequeno soluo quebrou o silncio do cmodo 
escuro.   Eram apenas dez horas, mas ela se sentia muito cansado. 
To cansada que quase dormiu no banho. Mas afinal ela se viu seca e 
usando uma das camisolas de seda que odiava, o corpo perdido na 
vastido da cama feita para dois. Por um instante, exatamente quando 
os olhos se fecharam, sua mente se desanuviou e ela teve a ntida 
percepo do que seria sua vida dali em diante, com a alma em 
perptuo tormento... A menos que, como Alexei havia sugerido, 
encontrasse um meio de conviver com o que acontecera, de construir e 
crescer a partir daquilo...   Teria ele razo? O mundo no era 
claramente dividido em branco e preto, bom e mau, como as freiras tinham 
lhe ensinado? No podia enfrentar Alexei fisicamente, mas sua mente 
ainda era sua, continuava inviolada, e poderia mant-la desse 
modo...

CAPTULO IV 

   Hope teve um sonho estranho. 
Estava deitada numa praia, com o sol acariciando seu corpo to 
relaxante que a fazia ter a sensao de estar diluindo ao calor, 
tornando-se fluida e sem forma. Mas todo o tempo, no fundo de sua mente, 
estava o medo de que o sol lhe fosse tirado e no pudesse mais sentir 
o prazer langoroso dado pelos raios quentes.   Em meio quela 
caricia deliciosa, seu medo foi aumentando,  medida que o calor ia 
sendo barrado por uma ou outra nuvem. At que uma nuvem enorme 
lanou uma sombra sobre a areia, privando-a de todo o prazer. A sombra 
tomou forma humana. Seu corao comeo a bater forte, a boca ficou 
seca de medo, enquanto lutava para reconhecer a pessoa diante dela. 
Sabia que poderia dar um nome quelas feies... Ento, do fundo 
de seu subconsciente, isso nome surgiu. Forou caminho por entre seus 
lbios, at acord-la, revelando-lhe os braos de Alexei 
envolvendo seu coro, num gesto possessivo.    Hope? Voc est 
bem?   A esperana de que via fosse imaginao terminou quando 
Hope reconheceu a impacincia na voz masculina.    Eu estava 
sonhando  disse baixinho, sentindo a mo de Alexei espalmada em sua 
barriga e o calor do corpo dele de encontro s costas. O mesmo calor 
delicioso com que estivera sonhando, quando...    Voc chamou 
seu pai. Por qu? Estava sonhando em ser sala por ele?
   O calor da 
mo de Alexei parecia penetrar em seu corpo, e Hope abafou um murmuro 
de protesto quando ele a transferiu para seu ombro, virando-a de forma a 
encar-lo.    No me lembro do que estava sonhando  mentiu 
com voz rouca.  Mas no  natural que eu queira meu pai, que eu 
sonhe que ele est me ajudando?    Completamente natural. Mas 
voc gritou o nome dele com dor e rejeio,  Hope, e as lgrimas 
vieram depois, no antes. Em resumo voc estava chorando por causa 
de seu pai, no por ele.   Ela gostaria de negar, mas toda sua 
energia estava concentrada em encontrar uma explicao para suas 
emoes. Quando a cabea morena de Alexei inclinou, nada fez para 
evit-la, aceitando passivamente os lbios dele nos seus.    
Pierre andou lhe dando o vinho Serivace, no? Sinto o gosto na sua 
boca.  Traou o contorno dos lbios de Hope com a lngua. 
Lentamente, algo frgil e trmulo adquiriu vida dentro dela. Anda 
devia estar sob o efeito do lcool que consumira, refletiu atordoada. 
No reagindo nem quando Alexei removeu sua camisola. Sabia que 
deveria, mas estava fraca demais para fazer qualquer coisa alm de 
deixar-se levar pelo movimento das mos fortes e morenas. O luar 
delineou o corpo rijo de Alexei quando ele afastou o lenol e se 
deitou, apoiando num dos cotovelos estudando suas curvas em 
silncio.   Enquanto ele a observava, Hope foi tomada pela mesma 
sensao que tivera durante o sonho. S que dessa vez a emoo 
vinha de dentro dela, espalhando-se langorosamente por seu corpo. O 
lcool relaxava suas angustias e minara suas defesas de tal modo que 
registrou o movimento vagaroso da mo de Alexei mais com curiosidade 
do que com pnico. Sua pele percebeu que o contado dos dedos 
masculinos era mais agradvel que doloroso, e sua mente notou, ter a 
mesma vontade de se esticar e aproveitar a carcia lenta.
   Se 
fechava os olhos, a vontade se tornava ainda maior, aguando seus 
sentidos a ponto de perceber a diferente textura de suas peles. De 
repente, sentiu a respirao presa a garganta. A mo de Alexei 
alcanara seus seios e envolvia um deles gentilmente, criando nela o 
desejo de arquear o corpo para cima, presa de uma emoo to 
intensa que a teria assustado em outras circunstncias. Mas, no 
momento, limitou-se a abrir os olhos, surpresa e confusa. Nem o olhar 
brilhante de Alexei conseguiu alert-la para o perigo iminente.   
S quando ele retirou a mo e ela olhou para baixo, vendo o 
enrijecimento pouco familiar dos prprios seios, foi que voltou a 
conscincia. Repudiou, em pnico, a percepo de que estava se 
mostrando a Alexei como uma... uma escrava resolvida a provocar e 
excitar seu amo.   Instintivamente, soube que os movimentos 
insinuantes de seu corpo tinham assumido uma atitude provocante, 
atraindo de propsito o roar da mo masculina. E, sem poder 
suportar tal idia, adquiriu uma rigidez horrorizada.   O olhar de 
Alexei procurou seu rosto e, de imediato, as mos dele agarraram seus 
ombros, prendendo-a de encontro  cama, acariciando e acalmando-a 
at o pnico ceder lugar ao langor de antes. Assim, mesmo revoltada 
contra a fraqueza de seu corpo, Hope admitiu a prpria incapacidade de 
fazer algo a respeito.   Quando a boca de Alexei tocou-lhe a base do 
pescoo, o corpo de Hope j era uma massa trmula e suscetvel 
 vontade dele. Arrependida por ter bebido tanto vinho, ela abafou um 
gemido de prazer quando as caricias avanaram para a orelha depois 
para os lbios.
   Com o hlito quente de encontro a seu rosto, 
ele traou o formato de sua boca, provocando-a com beijos leves. Hope 
sentia-se assustada com as respostas de seu corpo queles beijos, 
resposta que se intensificaram quando ele a puxou de encontro a si, 
aprofundando os beijos at que nada mais existisse.   Vagamente, 
Hope percebeu a mo de Alexei em sua coxa e respirou fundo. Ondas de 
sensao explodiram em seu intimo quando ele comeou a mordiscar o 
lbulo de sua orelha, uma das mos segurando-a com firmeza junto ao 
corpo, enquanto a outra...   Com uma exclamao abafada ela 
enrijeceu novamente, lutando para se afastar numa tentativa de impedir 
que a mo dele separasse suas pernas. O choque e a indignao 
rapidamente foram sobrepujados por sensaes que gostaria de negar. 
Seus olhos se arregalaram, pasmos, quando fitou o rosto atento de 
Alexei, tomado de uma emoo primitiva expressa no seu olhar 
sombrio. O contato dos dedos masculinos fez com que se agitasse, 
ofegante, odiando-o por toc-la de um jeito to intimo. O que ele 
lhe fazia agora era pior, muito pior do que o que fizera na noite 
anterior. E, no entanto, ela se via incapaz de impedir que seu corpo 
reagisse de forma quase delirante s caricias deles.    Pare com 
isso... Pare...  pediu com voz insegura, enterrado as unhas nas 
palmas das mos.
   Alexei empurrou sua cabea para trs at 
expor todo o pescoo ara seus beijos intercalados de murmrios. Um 
misto de fria e desespero tomou conta de Hope. Sem perceber o que 
fazia, abriu as mos e colocou-as nos ombros de Alexei, deixando 
escapar pequenos gemidos de prazer por entre os lbios cerrados, o 
corpo seduzido pelo toque masculino. Uma estranha urgncia crescia em 
seu ventre no mesmo ritmo que as ondas de sensao a faziam tremer 
violentamente.   Aos poucos, o toque de Alexei foi se tornando mais 
suave, causando-lhe um leve desaponto, enquanto ela continuava muito 
confusa para poder reunir as defesas que lhe sobravam. Quando a boca de 
Alexei deslizou para o ombro, estava exausta demais para protesta e, 
no se movendo nem ap sentir as mos dele envolver-lhe os seios.  
 Ento, a lngua quente passou por um de seus mamilos e ela voltou a 
ter a sensao de antes, uma tenso na boca do estmago, e 
depois o amolecimento vagaroso dos msculos rgidos. Um calor 
atordoante tomou conta de seu ser incitando-a a abandonar-se por 
completo a esse sentimento e ao homem que o criava.   Ouviu o 
murmrio rouco e satisfeito de Alexei, quando se esticou de encontro a 
ele, mas foi um som que se misturou ao seu prprio grito de prazer, ao 
toque dos lbios viris em sua pele. Alexei cerrou os olhos, e o luar 
revelou a cor que lhe coloria o rosto excitado, levando-a a experimentar 
um desejo que no foi satisfeito, pois ele a soltou.
   Hope 
estremeceu ante a rejeio. O que Alexei fazia estava errado, mas 
seu corpo rebelde queimava por um contato mais intimo com a virilidade 
masculina.    Hope, abra os olhos.Contra a vontade, ela 
obedeceu, consciente das mos dele em seus ombros, do corpo rijo de 
encontro ao seu.    Eu no sabia que o vinho fazia isso com 
voc, pequena, seno teria pensado em lhe dar um pouco, ontem  
noite.Havia humor nos olhos verdes, alm de alguma outra coisa, que 
a levou a tomar plena conscincia de onde estava e o que fazia.   
 No me toque... Eu odeio voc... Odeio o que faz comigo... 
Eu...    Voc se odeia por corresponder s minhas carcias? 
 ele sugeriu secamente, sacudindo-a de leve.  Ma belle, isso era 
praticamente inevitvel. Seu corpo est pronto para a maturidade, 
mesmo que sua mente no esteja. Debaixo das convenes ensinadas 
pelas freiras, voc tem uma natureza sensual.  Vendo-a cora, 
zangada, ele riu baixinho.  No acredita em mim, mas eu lhe garanto 
que  verdade. Esta noite, quando cheguei, voc se enrodilhou em 
meus braos como se estivesse acostumada a dormir neles. Por pouco eu 
no a acordei e... Mesmo agora, quando voc olha com raiva para mim, 
seu corpo anseia pela satisfao fsica. Como o meu  
acrescentou, os olhos fixos no seio de Hope, que desviou, apressada, seu 
olhar da evidencia que comprovava a excitao masculina.
   Ela 
tentou enrijecer o corpo contra o dele, e por um instante o medo criado 
pela dolorosa possesso da noite anterior ajudou-a. No entanto, 
sensaes estranhas logo se espalharam de novo por todo seu ser. 
Quando Alexei mudou a posio, separando suas pernas com facilidade, 
o peso do corpo msculo despertou prazer no seu, fazendo com que se 
lembrasse das emoes que ele criara com os dedos, momentos atrs. 
E foi com o desejo crescendo cada vez mais em seu intimo que o sentiu 
mover-se de encontro a ela preparando-se a j conhecida dor.   
Relaxe... no precisa mais ter medo  Alexei falou junto  sua 
boca, separando-lhe os lbios com a ponta da lngua, induzindo-a a 
se descontrai como antes, mas, dessa vez, ela ardia por alguma coisa a 
mais, por...   Como se tivesse traduzido sua necessidade em palavras, 
Hope senti a pulsante virilidade de Alexei dentro do seu corpo. A dor 
no veio, e essa constatao lhe trouxe ondas e mais ondas de um 
prazer estonteante, at que o mundo se despedaou em milhares de 
cristais brilhantes, as lgrimas descendo-lhe pelo rosto, enquanto seu 
corpo inteiro tremia no clmax da satisfao total.   Hope 
voltou  realidade para descobrir que ainda estava nos braos de 
Alexei e que, estranhamente, era l que desejava ficar. Tinha os 
lbios pressionados  pele quente e salgada do pescoo masculino, 
e o corpo enroscado no dele, enquanto sua mente se esforava para 
compreender o que acontecera. As freiras nunca tinham mencionado aquilo 
quando falavam do ato sexual O prazer pertencia ao homem; a mulher 
encontrava o dela nos filhos que procriava.
   Mas... atrs do 
prazer, veio a dor e o auto-desprezo. Como pudera se portar de uma 
maneira to depravada? Tentou se afastar, mas Alexei limitou-se a 
aumentar a presso dos braos.   Que triunfante ele devia estar, 
a certa rindo de sua ingenuidade e capitulao! Lgrimas 
vieram-lhe aos olhos, e ela levantou a mo para sec-las, 
enchendo-se de tenso ao sentir Alexei encostar a boca a seus clios 
e lamber, com a ponta da lngua, cada um delas.    Odeio voc 
pelo que me fez!  disse-lhe, numa voz tremula e baixa.   Ele se 
imobilizou, mas depois beijou-a de leve, antes de segurar-lhe o rosto 
entra ambas as mos e for-la a encar-lo.    No 
pequena. Na verdade, voc se odeia por responder a mim. Isso  
natural, e passar com o tempo. No h vergonha em sentir prazer 
com as caricias de algum. Eu mesmo no tenho vergonha de admitir 
que mal posso esperar o dia em que seus lbios e sua mo 
exploraro meu corpo com tanto prazer quanto senti explorado o seu. 
 `chocante, no ? Mas eu lhe garanto que isso vai passar, e 
um dia voc no se sentir mais embaraada ou humilhada pela 
sensualidade de seu corpo, encontrando s prazer na capacidade que tem 
de corresponder s caricias de um amante.    Voc no  
meu amante! Voc  s um homem que me possui porque quer se vingar 
de meu pai!
   -E  por isso que voc est zangada, no ? 
Porque no existe amor entre ns? 3 vezes duas pessoas podem se 
amar e no serem capaz de partilhar o prazer fsico que acabamos de 
experimentar. O amor e a satisfao sexual nem sempre andam juntos, 
ma petite, e, dos dois, eu prefiro o ltimo.   Sujeito cnico 
e odioso, Hope pensou com amargura. Sua pele, no entanto, ardia 
quando pensava no modo como ele a tinha tocado e em como havia 
respondido. Gostaria de fugir para longe, mas ele no deixaria, e seu 
corpo traidor queria continuar enroscada no dele. Sentia-se nauseada ao 
pensar no que acontecera. Devia ser culpa do vinho, pois jamais 
permitiria que ele fizesse o que fizera se no tivesse bebido. Ele, 
antes, havia falado em partilharem prazer. Mas naquele momento, pelo 
menos, tinha seu orgulho e auto-respeito, enquanto agora...   
Estremecendo, disse a si mesmo que precisava dormir um pouco, embora 
no soubesse como ia conseguir isso pois, a cada respirao do 
homem deitado a seu lado, seu corpo entrava em contato com o dele.
   
-Acorda, dorminhoca! Trouxe seu caf e os jornais. Desculpe acordar 
voc to cedo, mas tenho que partir em uma hora.   Tonta de sono, 
Hope abriu os olhos e tentou se sentar, lembrando-se, tarde demais, de 
que estava completamente nua. Lanando a Alexei um olhar zangado, em 
que o desafiava a fitar seu corpo, buscou a proteo dos 
lenis.   H quanto tempo estaria ele acordado? As linhas do 
terno formal e da camisa branca que usava enfatizavam-lhe as linhas 
poderosas do corpo. Contra a vontade, Hope se viu relembrando aquela 
noite, e o sangue subiu a seu rosto.    Hope, voc precisa 
aprender que no h motivos para ter vergonha do que aconteceu entre 
ns, a noite passada. Talvez a culpa seja minha, por no ter 
percebido o quanto s freiras a mantiveram desinformadas. Aposto que 
nunca pensou que pudesse sentir o que sentiu. `ou no ?   
Desejando que ele tivesse a mil quilmetros de distancia, Hope se 
perguntou como Alexei podia permanecer to indiferente enquanto lhe 
fazia perguntas to intimas, cuja simples sugesto bastava para 
faz-la corar mais ainda.    As freiras ensinam que o homem 
que... que... sente... prazer...  conseguiu murmurar afinal, pois 
sabia que ele s sairia quando recebesse a resposta desejada.    
E voc acreditou nelas?
   Alexei sentou-se na cama. Hope procurou 
se afastar, mas, antes que pudesse, as mos dele estavam em seu 
ombros, forando-a a se sentar. Levada pelo instinto, ela cruzou os 
braos sobre o lenol com que se cobrira.    Eu... eu no 
sei...    Hum... Acho que voc quer dizer que j tinha lido 
que nem sempre  assim, mas nunca imaginou que pudesse sentir prazer. 
Na certa achou que s um determinado tipo de mulher  capaz de 
chegar ao clmax sexual, no ?   Ele adivinhara seus 
pensamentos to bem, que Hope s pde confirmar, atordoada.   
 Eu devia ter conversado mais com voc, preparado voc para o que 
sentiria, embora algo me diga que no teria acreditado em mim. 
Portanto, talvez tenha sido melhor assim... Tente no se odiar muito, 
Hope. Ficarei fora por vrios dias, e Pierre tem ordens de no deixa 
que saia do chteau. Mas minha biblioteca est  sua 
disposio. Todos os dias, recebo jornais e revistas de Paris. 
Talvez descubra mais sobre o mundo em que vai entrar, se os ler. Assim, 
no sofrer um choque cultural to grande.    Voc vai 
embora?  Hope abismou-se com a sensao de pnico que a 
assolou, com a vontade que teve de agarrar-se ao homem  sua frente e 
implorar-lhe que ficasse. Para se punir dessa fraqueza to idiota, 
acrescentou com amargura:  Pensei que no perderia tempo em me 
levar para o Caribe e me exibir para meu pai. O que foi? No quer mais 
saborear sua vingana?
   -A vingana, como os vinhos finos, 
amadurece com a espera.  Alexei sorriu.  mas voc anda longe de 
estar pronta para ser exibida a seu pai, como diz. S quando 
estiver recebendo minhas caricias com alegria  que iremos atrs 
dele.    Quero que ele saiba que voc veio para mim de vontade 
prpria.    Nunca!   Alexei tornou a rir, levantando-se da 
cama.    Sim, com toda a certeza. E eu admito que, quando o fizer, 
meu prazer no ser devido apenas ao fato de estar mais perto da 
minha vingana. Voc est se mostrando um bnus inesperado, 
chrie. Ontem  noite, ouvindo por que est aqui, preso  
satisfao de t-la nos braos. V tomar seu banho, que eu 
sirvo seu caf.  Erguendo os olhos, ele riu da expresso 
feminina.  Ah, no, voc est a salva essa manh! No tenho 
a inteno de lhe fazer companhia, mas talvez em outra data... se me 
pedir direitinho...   O riso masculino seguiu-a at o banheiro, 
reforando sua raiva. Alexei a humilhara, sujeitando seu corpo ao 
desejo fsico, raptando-a e mantendo-a prisioneira, e ainda tinha o 
desplante de rir. Mas ela ainda lhe mostraria! Enquanto estivesse 
sozinha, daria um jeito de armar sua defesa contra ele. O que acontecera 
na noite passada no ia se repetir.   Quando Hope voltou do 
banheiro, Alexei olhou-a, indicando a cadeira diante dele. Sentindo-se 
em desvantagem por estar de roupo, enquanto ele se achava formalmente 
vestido, Hope sentou-se e pegou a xcara de caf, inalando o rico 
aroma da bebida e aproveitando para estud-lo discretamente enquanto o 
via ler o jornal.    Fazendo um inventrio?  ele perguntou 
num tom indolente e divertido.
   -Eu s estava pensando  mentiu, 
desviando o olhar depressa.   Ele fitou-a e Hope corou quando ele 
exclamou:    Mentirosa!  Antes que ela pudesse protestar, 
Alexei lhe passou um dos jornais, e sua ateno se voltou 
automaticamente para as noticias. Conhecimentos da atualidade figuravam 
no currculo da escola, mas eram sempre dados de um modo seco e 
distante, e ela sentiu seu interesse crescer enquanto lia os artigos da 
primeira pgina.   Voc tem inteligncia, Hope  Alexei 
comentou, enquanto os servia de mais uma xcara de caf.  Se a 
usar, encontrar nela uma fonte constante de alegria.  A 
expresso do olhar, mais do que as palavras masculinas, tornaram Hope 
consciente do leve trao de cinismo que havia na natureza de Alexei. 
Um cinismo saliente pela zombaria contida no sorriso com que ele a 
fitava. No devia ser fcil viver com aquela mistura de sangue 
francs e russo. Na certa, havia pocas em eu uma guerra era 
abertamente declarada entre o teimoso cinismo francs e a ardente 
paixo russa. Nem precisava lhe perguntar que lado exigira dele a 
vingana contra seu pai. Mas fora o sangue francs que planejara a 
natureza da vingana, no o russo.    Preciso ir.  Alexei 
lanou um olhar para o relgio e franziu a testa.  Seu passaporte 
vai comigo, Hope, e no vou deixar o carro. Lembre-se voc me deu 
sua palavra de que no tentaria fugir.
   Seria tarde demais, no 
acha? Meu pai no pode mais me casar com Alain de Montrachet, se bem 
que eu o pouparia da humilhao de me ver com sua amante, se fugisse 
agora.    Voc tem duas escolhas, Hope. Ou fica aqui como 
minha... convidada... andando livremente ela casa, ou darei ordens a 
Pierre para mant-la trancada neste quarto, at eu voltar. A escolha 
 sua. Pode ser tratada como adulta ou criana.    E voc 
aceitar a minha palavra?  Hope quis saber, num misto de ironia e 
curiosidade.   O que poderia responder? Que ele no podia confiar 
em sua palavra? Mordendo o lbio, Hope olhou para outro lado.    
No , Hope?  Alexei repetiu.    `droga! No precisa 
dizer a Pierre para me trancar. Afinal, no tenho nenhum lugar para 
ir, tenho? Segundo voc, agora meu pai no me dar nem o quarto 
dos fundos para morar, e eu no creio que as freira me aceitem de 
volta.   -Pobre garotinha indesejada! Voc sempre ser querida... 
por algum, Hope. Mas primeiro ser bom aprender a gostar de si 
mesma, a se aceitar como um ser humano.  Ele se levantou, beijando-a 
de leve nos lbios e despenteando-lhe os cabelos com um sorriso, antes 
de abrir a porta.  Pense em mim esta noite, pequena  murmurou, 
detendo-se por um instante -, dormindo sozinho, sem a tentao do 
seu corpo nos meus braos.
   Alexei se foi antes que ela pudesse 
dar uma resposta apropriada e, embora pouco depois ouvisse a motor do 
carro no ptio, Hope no se levantou da cadeira, forando-se a 
terminar o caf.
   Uma hora mais tarde, vestida e com a cama feita, 
ela se ps a juntar automaticamente a loua do caf. Pierre 
apareceu quando ia para a cozinha, e ela lhe dirigiu um sorriso 
tmido, enchendo-se de uma alegria irracional ao ser correspondida. 
  As horas se estendiam interminavelmente  sua frente, e Hope franziu 
a testa, impaciente cm o prprio tdio. Era inteligente, Alexei 
dissera, e essa inteligncia agora lhe falava que a culpa de seu 
tdio, assim como qualquer tentativa de alivi-lo, estavam dentro 
dela mesmo. Um dia se livraria do pesadelo em que sua vida se 
transformara, mas, por enquanto, o que iria fazer?   Mordendo o 
lbio, caminhou para a biblioteca, pensando na vontade que sempre 
tivera de abraar uma carreira em que pudesse usar as lnguas que 
sabia. Faria, ento, o que costumava fazer na escola, decidiu 
impulsivamente. Pensaria, falaria e leria numa lngua diferente a cada 
dia, comeando naquele dia com o russo, que era a mais difcil e na 
que possua menos fluncia.Como esperava, encontrou muitos livros 
russos na biblioteca. Selecionando uma coleo de contos de 
Tchekhov, forou-se a se concentrar-se nas palavras escritas.
   
Pierre encontrou-a totalmente absorta, na hora do almoo, e 
indicou-lhe, por gestos, que a comida estava pronta. No querendo 
comer sozinha, Hope seguiu-o at a cozinha. Depois de comer, imaginou 
se lhe seria possvel ver as adegas e o local de engarrafamento de 
vinhos, que Alexei lhe apontara. Seria agradvel sair para uma longa 
caminhada, mas Pierre poderia se enganar com seus motivos, e ela decidiu 
que o melhor era se contentar com a explorao dos jardins.     O 
cativeiro estava comeando a irrit-la. Se no tivesse dado sua 
palavra a   Alexei... Mas, se no tivesse, ele sem duvida teria dado 
ordens a Pierre para guard-la dia e noite, pois estava realmente 
resolvido a se vingar e seu pai.   Como teria sido Tanya? No retrato, 
ela aparentava uma grande semelhana com o irmo, embora com 
feies bem mais suaves. Havia tambm nela uma certa 
vulnerabilidade, que Alexei no possua, e Hope estremeceu, 
lembrando-se de que a moa tirara a prpria vida. Tanya devia ter 
amado seu pai profundamente, e ele... Seria possvel que ele no 
tivesse previsto como a jovem reagiria se terminasse o 
relacionamento?   De muitos modos, seu pai lhe era mais estranho que 
Alexei. Uma realidade desconcertante, mas na qual Hope se viu pensando 
cada vez mais,  medida que os dias passavam.   Na quarta manh 
da ausncia de Alexei, Hope estava na cozinha lendo a tira em 
quadrinhos de Claire Bretcher, no L Nouvel Observateur, quando 
ouviu o barulho de um carro l fora. Ficou tensa de imediato, mas 
forou-se aos pouquinhos, no porque estivesse com vontade, mas 
porque isso a impedia de se levantar de um salto e correr para a janela 
que dava para o ptio.
   Passadas masculinas e um tom de voz grave 
preveniram-na da chegada de    Alexei, antes que a porta da cozinha se 
abrisse.    Bonjour, ma petite. Sentiu minha falta?   O 
Bronzeado de Alexei estava mais intenso, e Hope se arrepiou ao fit-lo 
no rosto. Teria ido ao Caribe? Provavelmente sim, para preparar a cena 
do grande final. Correspondeu  saudao friamente e viu o sorriso 
dele se alargar, mostrando os dentes muito brancos, enquanto se 
inclinava para ela murmurava junto ao seu ouvido:   Dirigi acima do 
limite de velocidade, do aeroporto at aqui, na esperana de 
encontr-la ainda na cama. Mas Pierre me contou que voc tem se 
levantado cedo na minha ausncia. Foi porque achou nossa cama 
solitria, sem minha companhia?    No  a nossa cama,  a 
sua cama. E se me levantei cedo foi porque no tinha vontade de ficar 
num ligar que s me lembra coisas desagradveis!   Hope tivera 
trs dias para reunir suas defesas contra ele, e foi com 
satisfao que o viu apertar os lbios, deixando de sorrir. A 
resposta sensual de seu corpo s caricias dele ainda era algo que 
tinha o poder de chocar e perturb-la, e sua inteligncia j a 
fizera ver que no podia confiar em si mesma para resistir-lhe 
fisicamente de criar uma barreira entre eles. E, j que no lhe 
podia impor uma barreira fsica, teria que resistir mentalmente. Por 
mais que ele a torturasse com a vulnerabilidade de seu corpo, sua mente 
teria que permanecer distante e hostil.
   Pierre entrou com caf 
fresco e pezinhos quentes, e Hope observou Alexei se servir de uma 
xcara e comear a comer. Ele parecia contente com a vida e sorria 
de leve, como se estivesse se lembrando de algo  ou algum  com 
quem partilhara algum prazer. Qual seria a ocupao dele quando 
no estava tentando se vingar de seu pai? Ele era um homem 
sofisticado, que lhe mostrara em varias conversar que no passava o 
ano todo naquela propriedade, cuidando dos vinhedos. Ao mesmo tempo, 
dera a entender que estava longe de ser um rico playboy, livre para 
viver uma vida de prazer e ociosidade. E, de qualquer modo, essa era uma 
vida que jamais o atrairia, pois tinha a mente aguada demais para 
no us-la. Um exemplo disso era os jornais e revistas que chegaram 
diariamente ao chteau, cobrindo uma enorme variedade de assunto.   
 Voc est muito pensativa.   Hope ergueu a cabea, 
encontrando o olhar dele.    E isso o surpreende?
   A divertida 
indulgncia nos olhos verdes encheu-a de raiva, e ela continuou:   
 Sua viagem parece ter melhorado no s seu bronzeado, como 
tambm seu humor. O que foi que achou no Caribe? Meu pai est em 
maiores dificuldades financeiras do que esperava?    No Caribe? 
Por que acha que estive l?  O bom humor sumira dos olhos de 
Alexei.  Est se comportando como uma criana, Hope. No lhe 
passou pela cabea que posso ter uma vida diferente da que contm 
meus sentimentos por seu pai? Estive em Napa Valley, onde tenho um 
vinhedo. `um novo emprego de capital para mim, e nele investi muito 
dinheiro. Se o meu humor, como diz, lhe parece melhor, deve ser 
devido ao fato de agora saber, com certeza, que meu investimento foi 
bom. No sou um homem rico nos termos em que seu pai e os amigos dele 
definem riqueza...    E inveja os que so?  Hope rebateu com 
ironia.   O rosto de Alexei ensombreou.    No, Hope, no 
invejo. Quando tiver um pouco mais de maturidade, saber que os homens 
do mais valor ao que conseguem ganhar por si mesmos. Pessoalmente, 
no consigo pensar em nada pior que herdar ou ser dono de um vasto 
imprio financeiro. Todos precisam de uma meta na vida, algo por que 
possam trabalhar e esperar. Minha meta... ou uma delas, pelo menos,  
restituir ao chteau o que tinha antes. Isso, e produzir em meus 
vinhedos de Napa Villey um vinho que um dia possa se igualar aos que 
produzimos aqui, na Frana. Minha viagem a Califrnia vinha sendo 
adiada h muito tempo, e em conseqncia tenho muito trabalho 
atrasado a fazer.
   -Aqui?  Hope fez a pergunta com relutncia, 
pois no queria se envolver na vida de Alexei. Sua vontade era se 
manter a distante de tudo que se relacionasse com ele, mas, apesar 
disso, estava interessada.    Aqui, em Beaune, onde fao parte 
de um comit que mantm as velhas tradies desta rea, e em 
Paris, onde tenho interesses numa casa de corretagem de vinhos.    
No entendo como um homem to ocupado quanto voc arranjou tempo 
para... para me raptar e planejar uma vingana contra meu pai!  
Hope disse, com o que esperava ser uma boa dose de ironia. Mas foi seu 
rosto que corou, e no o de seu oponente, que continuou calmamente a 
se servir de mais caf.    Voc deveria aprender a manejar 
melhor o florete antes de atacar um perito, ma petite  ele zombou, 
servindo-a de mais uma xcara.  Ainda tem mais perguntas a me 
fazer? Mais alguma coisa que queira saber sobre minha vida?    
No h nada!  ela rebateu com veemncia. Veemncia demais, a 
julgar pela expresso divertida de Alexei.   Fitando-o, Hope pensou 
nas mulheres que partilhavam a vida dele. Como seriam? Como estariam 
encarando sua presena no chteau? Ressentiam-se da ausncia de 
Alexei quando ele vinha para junto dela? Que tipo de  relacionamento 
tinham, a ponto de permitir que Alexei fizesse o que fazia?  Seria ele 
to distante e provocador com as outras quanto era com ela?
   
Tantos pensamentos se atropelando nessa cabecinha!  Levando a 
xcara aos lbios, ele terminou o caf.  Posso saber o que foi 
que trouxe essa expresso apreensiva ao seu rosto?     Eu s 
estava pensando. Voc anda gastando um tempo comigo...  Hope 
deixou escapar a verdade sem pensar, e interrompeu-se de imediato, 
ciente de que entrara num terreno perigoso. Mas j era tarde.    
E...  Alexei pressionou-a, os olhos zombeteiros desafiando-a fazer as 
perguntas que, com certeza, j sabia quais eram.    Ela o satisfez, 
dizendo com voz firme e queixo erguido:    Eu estava pensando que 
no sou to ingnua a ponto de achar que leva uma vida como um... 
um monge  conseguiu explicar, odiando a cor que subia ao rosto.  
E, na certa, isso deve causar s suas...    Amantes?  ele 
sugeriu, fitando-a por entre as plpebras, como que ordenando-lhe que 
abandonasse as perguntas e se deixasse vencer pelo embarao.   Mas 
isso ela no ia fazer. Com o queixo mais erguido ainda, continuou:  
  Voc deve faze-las sofrer muito, quando as abandona para ir 
atrs de... outros interesses...    Isso poderia acontecer elas 
fosse as adolescentes tolas que voc imagina.    Mas eu sempre me 
relaciono com mulheres sofisticadas o bastante para...
... no se 
importar com o modo como as trata.  Hope terminou com raiva, 
estremecendo ao ver o reflexo de sua zanga nos olhos de Alexei.    
Eu no sou bicho, Hope, apesar de voc estar decidida a me ver como 
um. Nunca encorajei uma mulher a esperar de mim mais do que posso lhe 
dar. Voc ainda est cheia de iluses romnticas. Talvez eu 
tambm estivesse, na sua idade, mas acho que cresci um pouco mais 
depressa. Com o tempo e a experincia, vem a capacidade de se 
distanciar das prprias emoes, de deixa-las de lado e se lembrar 
de que h outras coisas na vida.   E ele, por acaso, j tivera 
capacidade de fazer outra coisa na vida? Hope tentou imagina-lo como um 
adolescente desajeitado e seguro de si, mas logo desistiu. Era demais 
para sua imaginao.    Voc j amou algum... alm de 
Tanya?    Na minha opinio, essa  uma pergunta que no devo 
responder  ele disse baixo, quase com gentileza.   Mas Hope 
percebeu que entrara num assunto proibido, e seu corao disparou. 
Estranhamente, a idia de Alexei amando uma mulher lhe pareceu mais 
difcil de aceitar que a frieza distante que lhe exibia.    Acho 
que j discutimos esse assunto por muito tempo  ouviu-o dizer com 
firmeza, logo depois.  Minha vida pessoal no  algo com que se 
deva preocupar...
   No h duvida.  ela concordou, abafando um 
soluo  Eu s gostaria de saber o que diriam suas amantes, se 
soubessem da verdade. Se soubessem o que voc pretende fazer com meu 
pai.    Muitas me aplaudiriam.  Vendo-lhe a expresso 
chocada, ele sorriu.  `verdade. Seu pai no  um homem 
popular, e eu no sou o nico com motivos para odi-lo.   Hope 
reconheceu a intensidade da emoo de Alexei escondida debaixo 
daquela fachada fria, estremecendo ao pensar nos sentimentos que ele 
abrigava e que, uma vez fora de controle, seriam difceis de se 
conter.   Instintivamente, rezou para que esses sentimentos nunca fossem 
liberados contra ela.   Como que adivinhando seu medo. Alexei se 
ps a falar da visita que fizera  Califrnia, do novo tipo de 
vinho que estavam experimentando, dirigindo-se a ela como se fosse 
algum que tivesse o dever de entender.   O que, sem dvida, 
devo ser, Hope pensou com amargura.   Levou um choque quando ele 
mudou de assunto, e vrios segundo se passaram antes que entendesse o 
que era dito.    Pierre me disse que voc quer conhecer a adega 
e o local de engarrafamento  Alexei repetiu, com pacincia.   
 Foi voc mesmo que me lembrou que tenho crebro. Apesar de ter 
aprendido a reconhecer as grandes safras, no convento, conheo muito 
pouco do processo de fabricao de vinhos.
   E menos ainda dos 
perigos de beb-los  ele comentou, com ironia.  Mas voc 
est com sorte, tenho que ver Jules est manh. Poe vir comigo, se 
quiser.    Obrigada, eu gostaria muito.   Hope percebeu que sua 
resposta fria no era bem o que Alexei esperava. Na certa ele achava 
que ia se jogar ao pescoo dele, em lgrimas, implorando por sua 
liberdade. Mas, por baixo da obedincia e dependncia que aprendera 
a ter no convento, possua uma independncia teimosa, que estava 
comeando a vir a tona. Lendo os jornais e revistas de Alexei, 
descobrira que ele tinha razo ao dizer que havia muitas tonalidades 
de cinza no mundo exterior, que homens e mulheres no casados viviam 
abertamente juntos, e ningum pensava mal deles por isso. Estava 
comeando a achar eu talvez fosse possvel construir sua prpria 
vida, depois que Alexei terminasse com ela, mas um instinto mais forte 
que a lgica e o aprendizado aconselharam-na a se proteger dele ao 
mximo. Fisicamente isso era impossvel, mas mentalmente nunca se 
renderia.    No que est pensando? Parece to longe.    
Estava pensando em quanto tempo ainda vai demorar para eu ficar livre.   
 Quando pretende sair?
   Alexei olhou para o relgio, e pela 
primeira vez Hope notou linhas de cansao em torno dos olhos 
verdes.    Preciso de um banho, por isso... Dentro de uma hora, eu 
diria, a menos que voc queira me fazer companhia.  Fitou-a de alto 
a baixo, avaliando-a sensualmente.   Hope sentiu aquela emoo 
estranho renascer em seu corpo. Achara difcil dormir sozinha naquela 
cama enorme, mas dissera a si mesma que isso era porque estava ali como 
prisioneira, contra sua vontade.    No? Fica para outra vez 
ento  Alexei falou com ar indiferente, levantando-se  `
melhor voc colocar jeans para a visita  adega, pequena. L  
escuro e poeirento.   Na biblioteca, entre outro livros, Hope 
encontrara a historia da famlia Serivace. Nela, havia vrios 
captulos dedicados ao vinho que comearam a fazer comercialmente no 
sculo XIX, quando Napoleo lhes devolvera o chteau e as terras, 
depois da revoluo. Mas, por mais fascinante que o livro fosse, era 
pelo lado russo dos antepassados de Alexei que Hope tinha maior 
interesse. Sentia que ai estava a chave para entender a personalidade 
dele.   Quando ela subiu para se trocar, encontrou a porta do 
banheiro fechada e ouviu barulho de gua correndo. S levou cinco 
minutos para trocar o conjunto de seda que usava e colocar um short de 
brim verde-esmeralda e a camiseta combinando, que comprara em Sevilha. O 
short ajustava-se a seus quadris com perfeio, e Hope estudava-se 
no espelho quando ouviu a porta do banheiro se abrir.
   Alexei no 
se vestira, e a toalha que enrolara nos quadris e traiu a ateno 
dela para o estomago chato e musculoso, muito moreno contra a brancura 
da toalha, e os plos das coxas e do peito, ainda midos do 
banho.   Meu short  quase da cor dos olhos dele., Hope 
pensou atordoada, desejando que seus sentidos no reagissem com tanta 
intensidade  presena fsica de Alexei. Podia sentir o cheiro 
fresco e limpo da pele dele, e seu corpo pulsava de excitao. No 
sabia se devia atender ao instinto que a mandava fugir, colocando a 
maior distancia possvel entre ela e a intimidade que, agora sabia, 
pressagiava perigo, ou se cedia  tentao de esticar a mo e 
tocar o corpo msculo e bronzeado.    Hope?   Estremeceu 
quando os olhos de Alexei se enterraram em seus braos, incapaz de 
dizer a expresso sombria dos olhos dele era devia  zanga ou  
ironia.    Este no  um melodrama vitoriano  ouviu-o 
continuar  No precisa ficar com cara de quem vai desmaiar, todas 
as vezes que me olha. No tenho poderes sobre-humanos para voc 
focar me olhando com ar de quem espera que eu me transforme numa 
abbora. Eu sou humano...
   Humano at demais, Hope pensou 
te-lo ouvido acrescentar, enquanto deslizava a mo em seus ombros e 
depois por suas costas, levando-a de encontro ao corpo mido. O calor 
da pele masculina queimava atravs de sua camiseta, enquanto ele a 
segurava junto de si, murmurando algo que lhe pareceu um palavro. Em 
seguida, ele colou a boca  sua, num gesto duro e determinado.   
Atordoada, Hope percebeu que no era um beijo igual aos outros, mais 
foi capaz de apontar a diferena exata. No entanto, achou que o 
daquele momento tinha traos de zanga e no fazia concesses  
sua inexperincia. Quando   Alexei a soltou, estava com os lbios 
intumescidos e sensveis, alm de uma inexplicvel vontade de 
chorar.    `melhor voc me esperar l embaixo  ele lhe 
disse com secura.  Quero me vestir e no estou com disposio 
para satisfazer a sensibilidade delicada de uma adolescente puritana. 
  Abalada pelo beijo quase brutal, por um instante Hope no conseguiu 
se mover.    Pelo amor de Deus, Hope!  ele acrescentou com 
selvageria.  Se tem idia do que  bom para voc, no vai 
escolher esse momento para me desafiar. Falando com franqueza, estou 
mentalmente exausto para participar desse joguinhos, e agora, a nica 
coisa que me interessa a meu corpo  que voc  mulher. Por isso, 
trata de sair daqui antes que ele vena mina mente. Entendeu?
Hope 
ainda tremia quando terminou de descer as escadas, perturbada pela 
mudana inesperada de Alexei. Sem saber bem o que pensar, ficou 
imaginando que motivos podiam existir por trs de tal mudana. Teria 
o lado russo dele dominado o francs, e agora estava ficando 
impaciente com a demora na execuo da to esperada vingana? 
  Meia hora depois, quando apareceu na biblioteca, Alexei era de novo o 
homem educado e sofisticado que ela vira no escritrio da madre 
superiora, sem nada da tenso e da contrariedade que sentira nele, 
minutos antes.Eles foram de carro ao local de engarrafamento e 
adegas. Alexei ia indicando as vinhas que cresciam junto  estrada e 
descrevendo seus vrios estgios de desenvolvimento.    A seu 
modo, cada um desses estgios  crucial  disse, tomando a alia 
que levava aos edifcios que mostrara a ela no dia em que chegaram 
juntos.  Este ms, lanamos os pesticidas e, como todo o resto, 
 importante que isso seja feito na hora certa. A famlia de Jules 
trabalha na fabricao de vinho h quase tento tempo quanto a 
nossa. Venha  chamou, depois de estacionar o carro diante de um dos 
edifcios.  Jules no est nos esperando, mas com certeza o 
acharemos na adega.
   Docilmente, Hope o seguiu, evitando as galinhas 
que ciscavam no cho. Ao entrar num dos edifcios, demorou alguns 
instante para se acostumar com a falta de luz que encontrou. Em meio ao 
barulho das mquinas, um homem jovem, de cabelos castanhos, os 
cumprimentou. Expressou uma leve surpresa ao ver     Hope, mas continuou 
a falar com Alexei, explicando que houvera um problema com as 
mquinas, e que, felizmente, j fora solucionado.    Como 
estava a Califrnia?  acrescentou.  Os negcios vo bem?  
 Com a conversa que se seguiu, Hope aprendeu um pouco mais a respeito de 
Napa Valley, ouvindo com interesse a discusso dos dois sobre as 
diferenas entre as duas industrias de vinho.    Hope est 
passando uns tempos comigo Alexei comentou eventualmente.  O pai dela 
... um amigo meu.   Enquanto Alexei os apresentava, Hope lutava 
para entender o porqu daquela mentira. Ser que ele achava que o 
outro condenaria o que estava fazendo? Ou simplesmente no confiava em 
que ela mantivesse a palavra dada? Ou, ainda, achava que ela poderia 
pedir ajuda a Jules e esse era seu modo de det-la?Fosse qual fosse 
o caso, no havia como se enganar com a franca admirao presente 
nos olhos do francs. Ele sorriu abertamente para ela, e Hope reagiu 
de forma bastante feminina, sorrindo com ar provocante, at perceber o 
modo como Alexei fitava e sentir a presso da mo dele em seu 
brao.
   Jules se ofereceu para mostrar-lhe as adegas, e, embora 
Hope tivesse vontade de aceitar, Alexei lembrou o rapaz de que havia 
trabalho a ser feito e acompanhou-a ele mesmo. De suas leituras, ela 
aprendera o bastante para estar realmente interessada. Alexei 
indicou-lhe vrias prateleiras empoeiradas, explicando que continham 
garrafas de suas melhores safras.    Estas  ele disse, 
apontando uma das prateleiras  so as garrafas que meu pai 
armazenou na poca em que completei vinte e um anos, para celebrar os 
vinte e um de meu filho. `costume armazenar vinho no ano do 
nascimento de um filho, para abrir quando ele atingir a maioridade. Mas 
os primeiros anos depois da guerra no produziram um bom vinho, por 
isso...   Ele continuou falando, mas Hope deixou de ouvi-lo.   O 
filho de Alexei... Ele se referia ao filho de maneira to natural, 
que, dava para imaginar se j no estava nos planos de se casar. 
Provavelmente sim, seno o nome da famlia morreria com ele. Quem 
seria escolhida para usar seu nome?   Uma das mulheres elegantes e 
sofisticadas que costumava escolher para companhia ou algum 
inocente... intocada... num casamento arranjado como o seu tria sido? 
Mas o que lhe importava? Por que se preocupar com Alexei, quando suas 
vidas no se tocariam mais que por um breve tempo?   Jules esperava 
por eles, quando voltaram. Contou-lhes que a me acabava de assar uns 
pes, acrescentando que h muito tempo ela no via Alexei.
   
Acatando a insinuao, Alexei guiou Hope at a casa da fazenda. A 
porta abria-se diretamente na cozinha, um cmodo espaoso, de cho 
de pedra, dominado por uma enorme lareira e uma comprida mesa de madeira 
lavrada.   A me de Jules era uma mulher pequena e cheia, de olhos 
escuros que examinaram Hope, antes de se voltarem para Alexei. Vendo-os 
se abraarem,   Hope estava consciente de ser uma intrusa e, como se 
tivesse percebido seus sentimentos, Jules murmurou:    Mame foi 
bab de Alexei, quando ele era pequeno. De certo modo, ela ainda o 
considera to filho quanto eu. Voc vai ficar muito tempo no 
chteau?    No sei ainda.    Talvez eu consiga 
permisso para sairmos juntos. Se estiver de acordo, posso falar com 
Alexei.    Se ela estiver de acordo com o qu?  Alexei quis 
saber, obviamente tendo ouvido a ltima parte da conversa.    Eu 
estava perguntando a Hope se posso lev-la para conhecer nossa 
regio enquanto ela estiver no chteau.   Alexei ergueu as 
sobrancelhas escuras.    Pensei que voc estivesse ocupado 
demais com os vinhos para ter tempo de folga, Jules. Sua me acaba de 
me dizer que Marie Claire anda se queixando de no v-lo.   
Corando levemente, o rapaz deu de ombros.    Tenho estado ocupado, 
 verdade, mas agora, com as mquinas em ordem...
   -Ter tempo 
para visitar Marie Claire  Alexei completou  Quando vai ser o 
casamento? Depois da vindima?   Era evidente que Jules deveria estar 
noivo da tal Marie Claire e que Alexei queria que ela soubesse disso. 
Ser que ele achava que estava pensando em escapar, usando Jules? 
Suspirou.   Madame Duval serviu-lhes grossas fatias de bolo feito em 
casa, e Hope descobriu que esta com fome o bastante para comer todo seu 
pedao, o que lhe valeu um olhar de aprovao da boa senhora. 
Alexei, no entanto, mal tocou no dele. Tomou somente o caf.   No 
caminho de volta ele se manteve em silncio, e um diabinho levou Hope 
a dizer casualmente:    Jules  muito simptico. Eu teria 
gostado de sair com ele.    No duvido, mas nem a me dele nem 
Marie Claire teriam gostado. Voc  uma garota muito bonita, Hope, e 
Jules  um rapaz impressionvel. Marie Claire  prima dele em 
segundo grau, e eu desconfio que esse casamento  mais desejado por 
Marie Claire e os pais de Jules do que pelo prprio. Madame   Duval 
no me agradeceria por aumentar ainda mais as dvidas do filho, 
permitindo que ele negligenciasse o trabalho e a noiva para sair a 
passeio com voc.  Alexei fez uma pausa, depois continuou:  
Tenho que ir a Beaune esta tarde. Quer ir comigo? `uma cidade muito 
antiga, com muitas coisas interessantes. Podemos at jantar l.   
 No, obrigada.  Muito ereta no banco, Hope tinha os olhos fixos 
na estrada.

CAPTULO V  


   Alexei no mostrou nada 
divertido quando no dia seguinte, Jules estacionou no ptio e anunciou 
que teria que ir a Beaune, convidando Hope para ir junto.Para 
surpresa de Hope, Alexei no fizera a menor tentativa de toc-la, na 
noite anterior. Quando ele subira, ela j estava na cama, tensa, 
incapaz de dormir, com a mente e o corpo alerta para o menor movimento 
da parte dele. Mas nada acontecera, e, deitada de costas para ele, Hope 
o sentira amolecer o corpo, no inconfundvel relaxamento do sono. De 
manh, levantara inexplicavelmente irritada, algo que atribuir  
presena masculina, depois de passar tantos dias sozinha.   E foi 
essa irritao que se transformou em raiva quando Alexei recusou o 
convite de Jules, alegando que ela no poderia acompanh-lo porque 
iria com ele para Paris.   Hope esperou at Jules ir embora, antes 
de manifestar seus sentimentos.    Por que mentiu para Jules? N 
no vamos a Paris e...    Ns vamos, sim  Alexei corrigiu-a 
calmamente.  Samos hoje.    Mas... mas por qu?    
mente de Hope voltou a lembranas de uma amiga de escola contando do 
cimes de um rapaz que conhecera durante as frias. Desde o 
primeiro instante em que me viu com Tom, Gary teimou em nos manter 
afastados um do outro, a garota dissera.   Mas era impossvel 
que Alexei estivesse com cime do relacionamento que pudesse ter com 
Jules, que, alm de tudo, estava noivo de outra garota. Ainda assim, 
ele a impedira de ter a companhia do rapaz, com a maior frieza e 
deliberao.
   -Por qu?  as sobrancelhas se ergueram.  
Porque eu acho necessrio, ma petite. Mas, se quer outra razo, 
vamos dizer que, como um jardineiro que coloca uma flor na estufa para 
for-la a desabrochar, cheguei  concluso de que meus planos 
se adiantaro mais em Paris.   Hope esperou que ele continuasse, 
desconfiada, mas Alexei limitou-se a sugerir que ela poderia poupar 
Pierre do dever de lhe fazer a mala.    Na verdade  acrescentou 
despreocupado -, voc poderia fazer a minha mala tambm.   Hope 
ficou contente por ele lhe dar as costas e no ver o sangue lhe subir 
no rosto. Ainda achava qualquer referencia a sua intimidade 
embaraaste, principalmente porque essa intimidade lhe fora 
forada.   Mais tarde, j no quarto, teve dificuldade em se 
manter fria e objetiva, enquanto dobrava e guardava as roupas de Alexei 
nas malas que encontrara no armrio. Estava quase no fim quando ele 
entrou, fitando-a com ar divertido.    No  preciso deixar 
meu armrio vazio. Eu facilito minha vida deixando algumas roupas no 
apartamento de l. Por isso, no precisa fazer mais que uma mala. 
  Ento ele tinha um apartamento em paris? Hope no sabia se ficava 
alegre ou triste por no irem para um hotel. De um lado, seria 
embaraante ver seu relacionamento tornado pblico, mas, por outro, 
ficar num hotel seria menos intimo que partilhar um apartamento.
   
No sou o monstro que voc gostaria de acreditar  Alexei comentou 
ironicamente, observando as emoes que se sucediam no rosto dela. 
 E no  s minhas caricias que voc faz objeo, , 
Hope?    a  O olhar dele endureceu, e o sorriso assumiu um 
ar de desdm.   Se eu no quisesse estar na estrada em meia 
hora, teria grande prazer em lhe provar que est errada... para nossa 
mtua satisfao. Seja honesta com voc mesma, Hope, mesmo que 
no possa ser honesta comigo. Seu corpo responde prontamente ao meu... 
o que duvido que fizesse com Alain de Montrachet.    Por que 
no? Como voc acaba de dizer,  o meu corpo que responde, e no 
eu. Portanto, responderia do mesmo jeito ao marido que meu pai tinha 
escolhido para mim.   Hope no sabia se isso era verdade, mas era 
algo que a vinha atormentando desde a segunda noite que passara com 
Alexei. Talvez houvesse alguma coisa errada com ela. Talvez fosse o tipo 
de mulher que respondia a todo e qualquer homem.   O riso spero de 
Alexei ressoou pelo quarto, e a expresso nos olhos dele era de deixar 
qualquer um apreensivo.    Pensa mesmo assim? Ento j est 
na hora de eu lhe falar um pouco mais do homem que seu pai escolheu para 
voc.   Hope percebeu que Alexei estava furioso, mas no entendeu 
por qu. Ele no lhe parecia do tipo que precisava se gabar das 
prprias experincias sexuais para se sentir bem, ento, o que 
dissera para deix-lo to zangado?
   -Montrachet tem vinte e 
cinco anos de idade, e Tanya me contou que, embora poucos saibam disso, 
foi expulso da escola particular que freqentava devido a um incidente 
envolvendo outros alunos e uma garota da cidadezinha local. Voc no 
 to ingnua a ponto de no entender o que estou dizendo, 
?    Ele... ele a violentou?    `um modo de dizer, 
embora, do meu ponto de vista, destruir seja uma palavra melhor 
para expressar o que aconteceu. Ou at mesmo assassinou, porque 
a pobre garota se matou depois. E no foi s uma travessura de 
adolescente. Montrachet  bem conhecido em certos crculos por 
seus... gostos, e eu lhe garanto que a me dele sabe disso. Seno, 
por que estaria tramando este casamento juntamente com seu pai? No 
vou dizer que Alain no tenha condies de arranjar uma noiva. Na 
verdade, ele  rico o bastante para arranjar at doze. Mas os 
franceses tm muito cuidado com o futuro das filhas. A reputao 
dele se espalhou, e, para conseguir o tipo de noiva que o nome 
Montrachet exige, a famlia teve que abaixar o padro um pouco. Isso 
responde  sua pergunta ou ainda acredita que teria encontrado, nos 
braos dele, o mesmo prazer que encontrou nos meus? Eu lhe prometi que 
no descontaria o dio que sinto por seu pai em voc, e tenho 
mantido minha promessa.  Segurou-a pelo queixo, forando-a a 
encar-lo.  No duvide, nem por um minuto, que eu mostrei o 
cu. E no me faa achar que voc saiu mais a seu pai do que 
pensei, dizendo que no  verdade.  Vendo os olhos dela se 
encherem de lgrimas, ele franziu a testa  Sinto ter sido to 
duro, mas no admito ser comparado a um animal como Montrachet.
   
-No foi isso  disse num tom muito baixo.    No? Ento o 
que foi? Ainda est aborrecida por no ter deixado que sasse com 
Jules?   De novo Hope meneou a cabea, ainda abalada demais pelo 
que ouvira sobre    Alain Montrachet para pensar no que dizia.    
Pensei que eu deveria ser... pensei que meu corpo fosse capaz de 
responder a qualquer homem, no importa se eu o amasse ou odiasse.  
 Alexei ficou visivelmente tenso e ela imaginou que ele iria rir-se 
dela. Como pudera ser to tolo a ponto de se agir daquele modo? Sempre 
que Alexei estava por perto, perdia o controle das prprias 
emoes. Mas ele no estava rindo dela. Na verdade, foi uma 
expresso incrivelmente seria que se sentou na cama, puxando-a para se 
sentar junto dele.    Foi isso mesmo que pensou? Que era uma 
ninfomanaca em potencial? Estou vendo que foi  Alexei murmurou, 
respondendo por ela.  Em certos momentos, pequena, voc faz com que 
eu me sinta um velho... e culpado. Se voc respondeu a mim, com 
certeza no foi porque responderia a qualquer homem. E mesmo enquanto 
seu corpo vibra, sua mente luta contra mim, no ?    Ento, 
por que respondo?  Hope arriscou-se a perguntar, esperando a resposta 
com a respirao suspensa.
   -Talvez o maior motivo seja o mesmo 
que faz uma cativa se voltar para seu captor, pois at certo ponto na 
sua vida est sob o meu controle. Alm disso, seu corpo est 
pronto para a maturidade, mesmo que voc no esteja. Mais tarde, 
quando conhecer melhor o mundo, ter mais controle sobre suas 
emoes e reaes fsicas. H sempre um relacionamento 
especial entre uma mulher e seu primeiro amante. No fazia parte do 
meu plano transformar essa experincia em algo desagradvel para 
voc, Hope, e quando atingir minha idade saber o bastante para ser 
capaz de diferenciar.  Ele fez uma pequena pausa depois continuou: 
 Eu mesmo reconheo que fiquei surpreso como o modo como nossos 
corpos de afinaram. Isso  algo raro. Mesmo que quisesse, eu no 
poderia fazer o relgio voltar, Hope. E minha vontade de fazer seu pai 
pagar pelo que fez por Tanya  muito antiga e profunda, para isso. 
Tudo que posso fazer  repetir que no a magoarei de propsito. 
  Durante toda a viagem a Paris, Hope ficou com essa conversa na 
cabea Estranhamente, no que ele dissera sobre Alain de Montrachet, 
pos sabia, por instinto, que Alexei no se rebaixaria a ponto de 
mentir para ela. E foi a conversa que tinham tido que lhe deu coragem 
para fazer o pedido que estava em sua mente h vrios dias.    
Alexei?   Ele se voltou para fit-la, com um brilho desconcertante 
nos olhos verde.    Eu estava pensando... enquanto eu estiver com 
voc... gostaria de me preparar par depois. No d para eu fazer 
um curso de secretariado ou qualquer outra coisa que me ajude a arranjar 
um emprego quando... quando tudo terminar?   Como j esperava, seu 
pedido irritou-o. Os olhos dele endureceram, e foi num tom seco e 
impaciente que replicou:
   Voc no alimenta nem um pouco meu 
ego, com essa historia de j estar pensando no futuro. Por mais 
admirvel que seja sua vontade de ser independente, no estou a 
ponto de... deix-la na rua da amargura, como se diz.    No vamos 
ficar em Paris o tempo suficiente para voc freqentar um curso, e 
no Caribe isso ser impossvel. Quando tudo terminar, no entanto, 
voc poder fazer os cursos que quiser. E eu farei o possvel para 
lhe arranjar um bom emprego.    No!  Hope surpreendeu-se com 
a prpria veemncia, incapaz de entender o porqu daquela repulsa 
em aceitar que Alexei pagasse por sua educao e, mais tarde, 
pedisse a um dos amigos para empreg-la.  No quero sua caridade, 
Alexei. Eu tenho algum dinheiro.  Era mentira, mas ele no ficaria 
sabendo.  S achei que, se tivesse algum tempo livre...    
Mas no vai ter.    No vou ter ou no seria elegante 
para voc ter uma amante estudando?     Por que toda ver que sentia 
haver alguma possibilidade de gostar dele, algo acontecia para fazer 
surgir aquela animosidade dela e perturbar sua paz de esprito?   
 Nunca tive uma que estudasse, realmente. Nenhuma delas teve 
necessidade... E, j que estamos falando nisso, no gosto da palavra 
amante.   Ns somos companheiros, Hope, que partilha uma ocupao 
mutuamente agradvel.
   Essas palavras bastaram para fazer o rosto 
de Hope queimar. Sim, eles eram companheiros, como Alexei queria, 
e no havia nada que ela pudesse fazer para apagar as lembranas 
to profundamente gravadas em sua mente e em seu corpo, lembranas 
de suas reaes ardentes, da sensao do corpo dele de encontro 
ao seu, do modo como ele a tocara e excitara. Alm do mais, era 
evidente que nenhuma das outras mulheres de Alexei tivera necessidade de 
estudar. Sem dvida todas sabiam o que havia para saber, sobre a vida, 
sobre os homens, sobre tudo. Enquanto que ela...   Hope mordeu o 
lbio, numa agonia de mortificao. No era de admirar que s 
vezes sentia que Alexei ria dela. Ser que tambm fazia 
comparaes, lamentando, quando a tinha nos braos, que no 
fosse uma das mulheres mais velhas e experiente, que ele obviamente 
preferia?    Eu no lhe pedi que me levasse para a cama, Alexei 
 murmurou com amargura, um pouco chocada com a prpria ousadia.  
  No, e eu lhe garanto que, se tivesse pedido, eu no a teria 
levado.  Vendo-lhe a expresso, ele acrescentou com secura.  
Garotas de sua idade tem muitos sonhos romnticos e se voc fizesse 
um convite desses, na certa seria porque se imaginava apaixonada por 
mim, um complicao que...   -... dificilmente acontece com as 
mulheres sofisticadas que voc prefere.   Tenho pena de voc, 
Alexei. `to cnico, to... frio e materialista.    
Enquanto voc, minha cabecinha quente, est longe de ter qualquer 
uma dessas qualidades. Mas elas viro com o tempo, voc ver.   
Hope silenciou, reconhecendo que no ia conseguir venc-lo. Logo 
seus pensamentos tomaram o rumo mais comum nos ltimos tempos, ou 
seja, o que costumava chamar a vida real de Alexei, a vida que ele 
levava quando no estava fazendo o possvel para se vingar de seu 
pai.
   A capacidade que Alexei tinha de se manter distante dela e do 
que fazia com ela s vezes a assustava. Ele era sempre assim? As 
outras mulheres na vida de   Alexei tambm no partilhavam sua 
sensao de que ele sempre mantinha uma parte de si remota e 
distante?   Inconsciente do caminho perigoso que seus pensamento 
haviam seguido, Hope continuou a divagar.   Alexei no se 
preocupava com a possibilidade de prejudicar os prprios negcios 
devido ao tempo que andava passando com ela? Ele mesmo lhe dissera que 
tinha duas propriedades para dirigir e interesses em outras coisas. 
Ser que havia tomado providencias em relao a eles ao fazer seus 
planos? 3 vezes, Hope se amedrontava com o cuidado que ele mostrava 
por detalhes, o fanatismo que tinha em relao a seu pai. Esse, ela 
desconfiava, no era um lado de Alexei que muitos conheciam. Devia ser 
o lado russo, aquele que seu pai fizera vir  tino ao rejeitar Tanya, 
um lado profundamente secreto e oculto, revelado a poucos. Era 
possvel conhecer Alexei durante anos e no ter idia do que ele 
escondia sob o verniz de um bom comportamento. Mas ela sabia. Ele lhe 
mostrara o quanto sofrera e se torturara com a morte da irm, e isso 
criara entre eles um lao profundo e potencialmente perigoso.
   
Hope estremeceu apesar de no estar com frio, dizendo a si mesma que 
no tinha motivos para ter medo de Alexei, que ele j lhe mostrara 
isso inmeras vezes. Mas o que sentia era medo por ele. Por qu? Por 
qu? Com a boca cada vez mais seca, tentou analisar os prprios 
pensamentos. A intensidade do desejo de vingana de Alexei traa uma 
compulso que o enfraquecia perigosamente. Se seu pai conseguisse 
escapar inclume... Estremeceu novamente, sem saber o motivo. Na 
certa, no estava sentindo pena de Alexei.    Depois do que ele lhe 
fizera, como poderia sentir pena dele? No entanto... era o que sentia. 
Ele amara Tanya profundamente.    Voc est franzindo a testa. 
Por qu?   Hope se assustou. No percebera que estava sendo 
observada.    Estava pensando em Tanya  admitiu, sem pensar -, 
e no quanto voc a amava...    E?   Hope lanou-lhe um 
rpido olhar. Depois, apelando para toda sua coragem, continuou 
medrosamente:    E estava imaginando por que, se voc a amava 
tanto, s sente desprezo pelo... pelo resto do sexo feminino.    
Desprezo: O que lhe deu tal idia?    Voc...  Ela 
comeou a responder, acalorada, detestando a expresso divertida nos 
olhos dele  voc usa as mulheres e depois, quando no se 
interessa mais por elas, simplesmente... as pe de lado
   Muito 
dramtico, mas no inteiramente verdadeiro. O sexo feminino  
to culpado de usar o masculino quanto voc diz que eu uso o 
feminino, Hope.  Estendendo o brao, Alexei segurou seu rosto e 
forou-a a fita-lo.  Voc ainda  muito criana, ma petite, 
mas no lhe far mal aprender cedo, como eu aprendi, o perigo de 
confiar demais na existncia e na Constancia de emoes efmeras 
como o amor. Essa  uma palavra que usamos, na maioria das 
vezes, para expressar desejo fsico  declarou com toda a calma.  
Eu sei que no acredita em mim. Eu tambm era to ingnuo quanto 
voc foi, quando tinha sua idade.  Um leve sorriso tocou-lhe os 
lbios.  Uma vez voc me perguntou se eu j havia amado 
algum...    E voc no quis me dizer  Hope lembrou, sem 
saber por que estava com aquela sensao estranha na boca do 
estomago.    E continuo sem querer, mas vou lhe dizer que sempre 
chega o dia em que todos ns temos que pr de lado nossos sonhos 
romnticos, nosso idealismo, e aceitar a vida como ela . Devido ao 
meu sangue russo, aprendi cedo que no era inteiramente aceito por 
meus companheiros, e que no  ruim ter uma fachada para esconder 
nossos verdadeiros sentimentos e pensamentos. Ser aberto demais s 
leva  vulnerabilidade.   Alexei, vulnervel? Difcil de 
acreditar, apesar da sinceridade presente na voz dele. E ela mesma no 
tivera um problema semelhante no convento por ser a nica inglesa 
entre tantas garotas latinas? No tivera tantas vezes a sensao 
de ser algo estranho? Uma verdadeira curiosidade?
   Eles chegaram a 
Paris Pouco depois das cinco horas da tarde. Apartamento de Alexei 
ficava na elegante Avenue Foch, num edifcio que, segundo ele lhe 
contou enquanto subiam pelo elevador, j pertencera a um prncipe. 
Desceram num saguo quadrado, de corado ao estilo rococ, com 
vrias figuras femininas pintadas no teto.   A porta do apartamento 
se abriu antes que a alcanassem, e eles foram recebidos por um criado 
muito diferente de Pierre. Aparentemente, estava acostumado a ver seu 
patro acompanhado por mulheres, pois no deu o menos sina de se 
espantar com a presena de Hope.   Para sua surpresa, Hope recebeu 
um quarto s para si, com banheiro conjugado. E, embora ali a 
decorao rococ fosse um pouco atenuada, ela teve impresso de 
ter regredido no tempo. Alexei lhe comunicou que jantariam ali no 
apartamento, j que era sua primeira noite em Paris.   Andr, o 
criado, preparou a refeio, servindo, em vez dos pratos franceses 
que Hope esperava, um blinis escaldante e absolutamente delicioso, 
seguido por frango ao molho de creme de leite.
   -Minha me sempre 
preferiu a cozinha russa  Alexei explicou  E Andr, como minha 
me, tambm tem sangue russo.   Recusando um doce, Hope se ps 
a saborear seu vinho, enquanto observava discretamente Alexei. Ele era 
dono de uma fora de vontade admirvel,  principalmente por se 
manter sob controle to rgido. Intuitivamente, ela sabia que era 
raro o lado russo domina-lo como vinha acontecendo desde a morte de 
Tanya. Havia outro retrato da moa naquela sala, e Hope ergueu os 
olhos para ele.   Qual seria a reao de Tanya se soubesse dos 
planos que Alexei fizera para vinga-la? Ela aplaudiria ou mostraria 
simpatia pela vitima do irmo, entendendo os medos que a assolavam? 
   Tanya me falava muito de voc  Alexei comentou, chocando-a 
com a capacidade que parecia de ler-lhe os pensamentos.  Ela achava 
errado seu pai deixa-la na escola, nunca indo visita-la. Acho que Tanya 
sempre teve a esperana de que seu pai acabasse casando com ela. 
Quando descobriu que estava grvida, na certa pensou que ele desejaria 
a criana tanto quanto ela.     Tanya me contou que gostaria de dar a 
ele um filho...    Sua irm estava grvida?!
   -Estava. Por 
isso, seu pai no me tirou apensas uma irm, Hope. Ele me tirou um 
sobrinho ou sobrinha, tambm. Pobre Tanya... No sabia que os homens 
no se sentem to ligados aos filhos que ainda no nasceram, como 
as mulheres se sentem. Seu pai mandou-a se livrar da criana. Acho que 
foi isso, principalmente, que a levou a se matar. Ela esperava que a 
criana os unisse.    Sempre me falava no quanto gostaria que vocs 
todos constitussem uma famlia. Ela pediu muitas vezes a seu pai 
que a deixasse visitar voc. Tanya tinha um forte instinto maternal e 
queria que voc se tornasse to filha dela quanto era de seu pai. 
  Hope sentiu os olhos se encherem de lgrimas. Como gostaria de ter 
conhecido Tanya. Certamente teriam gostado uma da outra. No era de 
admirar que Alexei estivesse to cheio de amargura. Na verdade, se ele 
no a estivesse usando como meio de alcanar vingana, ate lhe 
mostraria mais simpatia. Mas do modo como eram as coisas...    Por 
que me colocou num quarto separado?  perguntou de repente, sem 
pensar.   Porque agora estamos em Paris, e os parisienses adoram uma 
intriga. Se eu trouxesse para c simplesmente como minha amante, no 
haveria o menos comentrio. Mas, quando o povo descobrir que tenho uma 
garota jovem e bonita vivendo sob o meu teto e, aparentemente sob meus 
cuidados, se deliciar com o inusitado da situao e comear 
a falar.
   Mais tarde, Hope se recordaria daqueles dias em Paris como 
a poca em que comeara a amadurecer. E,  medida que os dias se 
sucediam, ela ia entendendo o que quisera dizer com aquela historia de 
criar uma atmosfera de estufa para forar seu 
desenvolvimento.   Para comear, ele a levou a vrios costureiros 
famosos, fazendo inmeros pedidos, ignorando suas escolhas em favor de 
modelos mais sofisticados, que, exatamente por serem assim, realavam 
ainda mais sua imaturidade. As roupas de baixo, por exemplo, eram feitas 
de renda e seda como as compradas em Sevilha. No entanto, ficaram melhor 
no corpo de mulheres maduras que buscassem provocar seus amantes do que 
no de uma garota no desabrochar da vida.   Eles receberam muitos 
convites para sair, indo a festas, ao bal, e a um jantar na Embaixada 
Americana, onde Hope aprendeu mais sobre o envolvimento de Alexei com a 
crescente industria vincola da Califrnia. Durante todo o tempo ela 
sabia que estava sendo avaliada e discutida.Numa festa, Hope escapou 
para o andar superior a fim de evitar a constante curiosidade de quem 
era a vitima, e estava sentada num quarto s escuras, entre vrios 
casacos, quando ouviu duas mulheres falando a seu respeito, do lado de 
fora.
   Ela  muito jovem  disse uma delas, que Hope reconheceu 
como sendo madame Latour, a esposa do advogado de Alexei.  To 
jovem como uma flor em boto. Fico imaginando se Alexei tem noo 
do que anda fazendo.    No creio que ela seja menor de idade, 
se  nisso que est pensando.  veio a resposta divertida, na voz 
rouca da mulher que Alexei apresentara como viva de um velho 
amigo.   Mas Hope havia percebido as mensagens silenciosas trocadas 
pelos dois e deduzira que, em outra poca, o relacionamento entre eles 
tinham sido bem mais intimo que uma simples amizade.    Voc  
cnica demais. lise  madame Latour replicou.  No  disso 
que eu falava. A menina tem uma vulnerabilidade que me preocupa. Alexei 
diz que ela  filha de um amigo, mas eles esto sozinhos no 
apartamento dele, o que me faz pensar...   -... se eles dormem 
juntos? No creio que existam muitas mulheres capazes de resistir a 
Alexei quando ele resolve usar o charme que tem. Alm do mais, ele  
um excelente amante.   Havia um tom de satisfao relembrada na 
voz rouca, e Hope estremeceu, apreensiva e insegura, assustada com a dor 
que sentiu.
   Alexei no a tocava desde que tinham chegados a 
Paris, No inicio, ela ficara contente, mas depois... Estavam em Paris a 
cinco dias, e o alivio do comeo comeava a ser substitudo por 
outra emoo.    Alexei mudou muito depois da morte de Tanya 
 madame Latour continuou.   Ficou mais duro e raramente ri. Ele 
deveria se casar, lise, pelo menos por causa do titulo.   -J 
falamos nisso, mas se eu me casar de novo perco o direito  minha 
herana. Foi uma coisa que George estipulou quando fez o testamento. 
Em resumo, no pretendo perder tudo que ganhei, e Alexei diz que no 
se casar sem amor. O lado russo dele, com toda certeza.    Os 
pais de Alexei se amavam muito, e quando eu o vi com Hope, tive 
esperana...   -... de que ele tivesse apaixonado por aquele 
nen?  lise riu.  Helne! Alexei  um homem, no um 
garoto. E a mulher que ele escolher ter que ser uma mulher, no uma 
criana meio crescida. J falou com ela? Ela no tem conversa, 
no tem charme...    E mesmo assim dorme com ele?
   -Eu no 
acabo de lhe dizer que Alexei  um homem! Mas venha, precisamos 
voltar. Carlo j deve estar sentindo minha falta.    Carlo? `
o seu ltimo?    E muito italiano  lise concordou, 
comeando a se afastar.   Hope permaneceu por muito mais tempo no 
quarto s escuras, lutando para aceitar a mudana em sua vida e a 
noticia de que Alexei estivera, e provavelmente ainda estava, apaixonado 
por lise. E quem poderia culpa-lo? A francesa era tudo o que ela 
no era  elegante, morena, chique, e possuidora de uma sensualidade 
sutil que se revelava em tudo que dizia e fazia. Pobre Alexei, devia ter 
sido horrvel descobrir que lise se recusava a desistir de que 
herdara por ele. Ouvira algum dizer que o marido dela fora um grego 
fabulosamente rico, mas muito mais velho que ela e com um casal de 
filhos de um casamento anterior. No conseguia imaginar Alexei 
apaixonado, com o controle fsico e mental sobrepujado pela 
intensidade das prprias emoes, e estremeceu de repente, 
sentindo-se muito s.   Quando voltou para a festa, Alexei no 
deu mostras de ter percebido que estivera ausente. Ele conversava com 
trs homens que, segundo pde perceber pela conversa, tambm eram 
vinhateiros. Quando os dedos dele se fecharam em torno de seu pulso, ela 
viu que os trs haviam notado e interpretado a seu modo aquele 
gesto.
   Por um momento de loucura, pensou em procurar madame Latour 
e lhe contar toda a verdade, pedindo-lhe que a ajudasse. No entanto. 
Alexei ainda tinha seu passaporte e na certa inventaria uma 
explicao para sua conduta. Obviamente, madame Latour se sentiria 
mais inclinada a creditar num homem que conhecia, e que sem dvida era 
um cliente importante para seu marido, do que numa garota estranha.   
Em sua ltima noite em Paris, Alexei levou-a para jantar no Maxims. 
lise e Carlo se uniram a eles, e Hope se sentiu em franca desvantagem 
em relao  outra, que usava um vestido esvoaante, de seda 
vermelha, uma moldura perfeita para uma morena.   Apesar de lise 
estar na companhia de Carlo, durante toda a refeio Hope esteve 
ciente da inconfundvel atrao sexual existente entre a moa e 
Alexei.  Uma atrao to intensa, que ela teve certeza de que s 
o orgulho ou o amor de  Alexei por uma outra mulher os impediriam de 
retomar seu caso amoroso.   Conhecendo-o j um pouco melhor, Hope 
pde apreciar a fora do temperamento que no o deixava aceitar 
mesmos do que queria. E, no caso de  lise, ele a queria como esposa. 
Isso ficara evidente na conversa que ouvira entre lise e madame 
Latour e, como a moa obviamente no tinha a inteno de 
desistir da fortuna que herdara, Alexei decretara o fim de seu 
relacionamento amoroso.
   Ser que ele pensava em lise quando 
fazia amor com outras mulheres?    Quando fazia amor com ela, por 
exemplo? De certo modo, duvidada. Alexei era dono de um orgulho que 
no lhe permitiria se auto-iludir. Ele lhe dissera que estar 
apaixonado nem sempre levava automaticamente  harmonia sexual. Mas, 
observando as curvas sedutoras de lise sob a seda vermelha, ela 
desconfiou e que ele falara aquilo mais para avisa-la do que por 
experincia prpria.   Apesar da comida excelente, Hope no 
conseguiu comer. Antes de sarem, Alexei lhe dissera que partiriam na 
manha seguinte com destino  ilha de st. Marguerite, no Caribe 
Francs. Talvez fosse a idia de se encontrar com seu pai, como 
amante de Alexei, que tivesse lhe tirando o apetite. Mas, ao levar o 
garfo a boca e ver o olhar de lise lanava a Alexei, ela soube que 
a razo de sua falta de apetite no era exatamente essa. Estava com 
cimes do    relacionamento entre os dois. Mas... por qu? Por no 
ter ningum em sua vida com que pudesse trocar um olhar semelhante? 
No sabia, s sabia que ver lise sorrir para Alexei e ser 
correspondida causava-lhe uma dor intensa, que nunca antes.
   Foi 
lise quem sugeriu que fosse a um clube noturno. Hope teria preferido 
voltar para o apartamento. Carlo fazia o possvel para entret-la, 
tendo se mostrado alegre ao descobrir que ela falava italiano, mas a 
ateno dele se desviava para lise e Alexei quase tanto quanto a 
sua.   Para desgosto de Hope, Alexei concordou de imediato, sugerindo 
um clube que conhecia. Como Carlo e lise tinham ido para o 
restaurante de txi, os quatro foram juntos no carro de Alexei. O 
porteiro cumprimentou pelo nome Alexei, e eles foram levados para uma 
mesa com tima visai do pequeno palco, mas no to prxima da 
pista de dana a ponto de perderem a privacidade.    Lisa 
Bouchard vai se apresentar esta noite  lise comentou, quando o 
garon trouxe suas bebidas.   -Lisa canta chansons  Alexei 
explicou a Hope -, uma espcie de historia em versos. Os franceses 
gostam muito desse tipo de conto.    Foi o que me ensinaram na 
escola.  Hope concordou num tom gelado.   Como Alexei se atrevia a 
trata-la daquele modo, na frente de lise? Ser que achava que Hope 
era uma tola, que no sabia nada? Que ela o aborrecera com sua 
resposta era evidente, pelo modo como comprimia os lbios. lise 
parecia apenas divertida.    Ento a sua gatinha tem garras 
Alexei? Precisa tomar cuidado para no chegar muito perto dela, mo 
ami.
   A cantora terminou o primeiro ato e as luzes diminuram. 
Casais comearam a encher a pista de dana, flutuando ao ritmo da 
msica, as notas sedutoras e melanclicas brincando com as 
emoes, at Hope ter a impresso de que o ambiente se fechava 
em torno deles.    lise se voltou para Alexei com um sorriso.   
 No vai danar comigo, Alexei, mon coeur?    se Carlo 
permitir...   Carlo deu de ombro com um sorriso e, gelada como uma 
esttua, Hope viu Alexei levar lise para a pista superlotada. 
Perguntava-se por que sofria tanto e se era mesmo necessrio para a 
outra se colar daquele modo a Alexei, ou para ele demonstrar tanto 
prazer. Os dois formavam um par extraordinrio, os passos combinados 
de tal forma que pareciam se mover sem esforo. Hope no pde 
deixar de imaginar como Carlo se sentia diante da bvia preferncia 
de    lise pela companhia de Alexei.   Apesar dos dois 
permanecerem na pista por apenas duas danas, os minutos pareceram se 
arrastar. Se era possvel fazer amor danando, isso acabava de 
acontecer, Hope pensou cheia de infelicidade. Quando eles voltaram para 
a mesa, lise estava radiante, e Alexei observava-a com ar 
indulgente.
   -Carlo, voc deveria ter tirando l petite para 
danar  lise repreendeu o namorado.   Hope sentiu a raiva 
queimar por dentro diante daquela observao. E mais irritada ficou 
com o olhar de Alexei lhe lanou.    Hope danar comigo  
Alexei declarou, aparentemente sem notar o brilho raivoso em seus olhos. 
Segurou-a pelo pulso e a obrigou a ficar em p junto dele.   Ela 
usava um de seus vestidos novos, cinza-prateado e extremamente simples. 
A parte da frente cobria-a do pescoo aos joelhos, e tinha mangas 
longas terminando em ponta nas costas da mo. Mas, na parte de trs, 
havia um decote quase indecente, que revelava a linha pura de sua 
coluna. Um vestido provocante que jamais escolheria por si mesma, mas no 
qual Alexei insistira.   Foi uma sensao desgastante ter a mo 
dele espalmada em suas costas nuas, puxando-a para mais perto do que 
gostaria, enquanto se moviam ao ritmo da msica. Hope tinha uma 
noo natural de ritmo e em outras circunstncias teria se 
divertido. Naquele momento, porm, estava muito constrangida para 
relaxar, mas, mesmo assim, no conseguia evitar que se arrepiasse de 
prazer cada vez que seus corpos se tocavam. Tinha as mos nos ombros 
dele  no enlaadas ao pescoo, como lise  e, apesar de 
guardarem uma certa distncia, estavam perto o bastante para que 
sentisse a respirao masculina em sua pele.    Relutando contra 
seus sentidos, achava que a msica  que a fazia se sentir to 
estranha, mole e fraca.
   Hope lanou um olhar a Alexei, mas logo 
se arrependeu. Seus olhos foram atrados pelo contorno da boca forte, 
fazendo com que seus lbios se entreabrissem, numa reao que 
no estava preparada para admitir, muito menos para definir.   Hope 
estremeceu e sentiu Alexei enrijecer, com a expresso alterada. Ela 
errou um passo e no pode deixar de ficar aliviada pelo fato da 
escurido esconder seu rubor. Teria ele adivinhado seus pensamentos? 
Ou estava simplesmente aborrecido, desejando que pudesse trocar o 
instrumento de vingana que tinha nos braos pela mulher que 
amava?   Hope no se surpreendeu quando Alexei sugeriu, 
abruptamente, que voltassem para a mesa. E tambm no se espantou 
quando, meia hora depois, ele declarou que j era hora de irem 
embora.    Temos que pegar um avio amanh cedo  ele 
explicou a lise, quando ela fez beicinho.   Na rua, lise 
sugeriu que Alexei levasse Carlo primeiro, passando depois pelo 
apartamento dela, para deixa-la. Para desgosto de Hope, Carlo no 
protestou e, alm disso, ela se viu sentada no banco de trs, ao 
lado dele, enquanto lise se sentava junto de Alexei.
   O hotel de 
Carlo no ficava longe e, depois que o italiano desceu, Alexei disse a 
Hope, olhando-a pelo espelho retrovisor:    Voc est dormindo 
em p, ma petite. Como meu apartamento  mais perto, vou deixa-la 
primeiro e depois levo lise.   Hope sabia que deveria ficar 
contente mas, inexplicavelmente, outra emoo a dominou, levando-a a 
imaginar se lise e Alexei no teriam planejado aquilo com 
antecedncia. Talvez ele no tivesse uma fora de vontade to 
grande quanto pensara. Ou talvez fosse o amor que sentia por lise que 
o tornava vulnervel a ela.   Hope j estava na cama h mais de 
uma hora quando o ouviu chegar. Estivera lendo, incapaz de dormir, 
nervosa com a viagem para o Caribe e a dor cruciante que experimentara 
ao ver lise nos braos de Alexei.   A luz de seu quarto ainda 
estava acesa, e ouviu Alexei parar junto a porta.  Quando ele a chamou, 
no respondeu. Logo depois, a porta se abriu e ele estendeu a mo 
para o interruptor de luz, detendo-se ao v-la acordada.    
Pense que voc tivesse adormecido com a luz acesa.  Fitou-a com ar 
cansado, a camisa de seda desabotoado no pescoo.   Provavelmente 
ele no se dera o trabalho de abotoa-la de novo, ao deixar lise. 
Era um verdadeiro esforo fsico no imagina-lo nos braos da 
francesa, no permitir que a raiva e... o cime que sentia 
crescessem at explodir com uma fora primitiva e incontrolvel. 
Embora tivesse admitido seu sentimento, parecia-lhe impossvel que 
pudesse sentir cime de lise. Deveria ser grata  moa, pois 
Alexei nunca viria da cama dela para sua. De qualquer modo, ele no 
desejava realmente a cativa relutante que trazia consigo. E a prova 
disso era a atitude que vinha adotando em relao a ela desde que 
estavam em Paris.
   -O que aconteceu? No conseguiu dormir?  A 
expresso e o sorriso que acompanharam essas palavras pareciam 
insinuar que ele sabia muito bem por que ela no conseguia dormir.  
 Olhando-o ali parado, to arrogante e seguro de si, Hope perdeu o 
pouco autocontrole que ainda tinha. Seus olhos escureceram para a cor de 
ametista, e com os lbios comprimidos ela no sabia o que 
responder.    Sai do meu quarto!  ordenou, finalmente, tentando 
parecer fria e desdenhosa. Alexei no se impressionou com aquela 
reao, pois sua voz soara infantil e desafiante.    Ora, ora! 
Posso saber a que vem isso?  Em vez de sair ele avanou ainda mais, 
parando junto ao p da cama e observando-a com ar critico.    Eu 
s no quero voc aqui. No quero que venha da cama de lise 
para a minha.   Hope esperava surpreende-lo com sua franqueza, mas em 
vez disso ele lhe pareceu simplesmente zangado. Mais zangado do que 
jamais o vira, na realidade.    No me diga! E desde quando  
voc que faz as regras entre ns? O que voc quer ou deixa de quer 
no vem ao caso. Ou existe outro motivo por trs dessa exploso? 
 Estreitando os olhos, Alexei avanou para ela, fitando-a de um 
modo que a fez achar que ela era capaz de ler todos os seus pensamento 
 E essa violncia? Por que tudo isso?
   -Foi voc que me 
trouxe a Paris, para que eu pudesse amadurecer. Na certa no achou que 
eu no ia perceber o seu relacionamento com lise, no ?   
 Quer dizer que, se eu a levei para casa, tenho tambm que ter 
feito amor com ela?    Pouco me importa se voc fez ou no! 
 Hope mentiu, em desespero. Estava perdendo o controle da conversa e 
s queria que Alexei sasse o mais depressa possvel.  O que eu 
quero  que voc me deixe em paz! Eu te odeio!   Ele se moveu 
to depressa que Hope no teve tempo de escapar. Num momento estava 
diante dela, no outro a comprimia de encontro ao colcho com o peso do 
corpo, prendendo-lhe os braos acima da cabea.    io... 
Voc nem sabe o significado dessa palavra. Mas tem me desafiado muito 
ultimamente, ma belle. Amanh darei mais um passo para destruir seu 
pai... como ele destruiu minha irm... e esta noite estou com 
disposio para celebrar a vitria... com voc.  ele 
acrescentou cruelmente.    No!
   Hope podia sentir o calor 
que emanava do corpo dele, via-lhe os olhos escuros de raiva e desejo. 
Mas lise tinha... E se Alexei tivesse se controlado, sabendo que 
lise no estava pronta a desistir da herana do marido por ele? 
Seriam raiva e frustrao que o motivavam agora, queimando no fundo 
dos olhos que examinavam seu rosto, sem d nem piedade?   Alexei 
olhava para sua boca, e era evidente que pretendia beija-la. Zangada 
consigo mesma pela sensao de fraqueza que sentia espalhar-se por 
seu corpo,   Hope virou a cabea para o travesseiro, enrijecendo ao 
perceber que ele puxava os lenis com uma das mo enquanto a 
segurava com a outra. Segundos depois, os laos que prendiam sua 
camisola nos ombros estavam desfeitos, e a boca masculina escorregava 
por seu pescoo.   Tentou girar o corpo, fugir dos lbios dele, e 
, quando Alexei soltou-lhe os braos, chegou a pensar que havia 
conseguido. Mas, em vez de levantar, ele se limitou a jogar longe as 
cobertas que ainda estavam sobre a cama, e suas tentativas agitadas de 
fugir s tiveram o resultado humilhante de expor ainda mais seu corpo, 
fazendo a parte de cima da camisola escorregar para a cintura.    Alexei 
impediu-a de recoloca-la no lugar, prendendo-lhe os pulsos, ficando 
ento livre para admirar, sem pressa, o movimento dos seus seios.   
lise tinha um corpo bem mais cheio que o seu, e, enquanto se debatia 
nas mos dele, Hope no pde deixar de imaginar se Alexei no as 
estariam comparando. De propsito, alimentos a raiva contra ela, pois 
sabia instintivamente que a fria era sua melhor arma contra a 
fraqueza que a invadia, tirando-lhe a vontade de resistir:
   -Eu 
no sou lise, Alexei  disse-lhe com amargura.  se me tocar, 
s vai fazer com que eu o odeie ainda mais. Ficou doente s de 
pensar em voc fazendo amor comigo.    `mesmo?Assim que 
viu os olhos dele, Hope percebeu que tinha ido longe demais. A ira de 
antes no era nada em comparao com a que via agora nos olhos 
verdes, que pareciam queimar ao descer por seu corpo, seguindo a mo 
que arrancava sua camisola.    Acho que j  hora de algum 
ensina-la a no dizer coisas que no pode sustentar, Hope.   
Presa de fascnio e horror, ela o viu tirar a camisa com a mo 
livre, mais com irritao do que impacincia, cada movimento 
motivado por uma crueldade que acabou por leva-la ao pnico. Ele parou 
ao chegar ao cinto e, por um instante, ela achou que mudara de idia. 
Mas seu alivio transformou-se em incredulidade, quando o escutou 
dizer:   Voc tira para mim, Hope. Hoje em dia, a mulher 
tambm pode tomar a iniciativa. Na verdade,  excitante saber que 
uma mulher nos deseja o bastante para fazer isso.   Mas eu no 
desejo voc! Eu no o tocaria espontaneamente nem...  Hope parou 
de falar, avisada pela expresso dele de que havia ultrapassado, e 
muito, seus limites.
  -Ah, mas voc vai me tocar e muito mais, Hope 
 ouviu-o falar por entre os dentes cerrados.  Tambm vai me 
dizer o quanto quer que eu a toque, vai implorar para me tocar...   O 
que acontecera ao homem frio e educado que lhe garantira que no 
queria mago-la? Era sua a responsabilidade de liberar aquela raiva 
que ameaava destru-la? Era aquele o lado de Alexei que o levara a 
jurar vingana contra seu pai?  Muito tensa, Hope sentiu-o baixar o 
corpo sobre o seu, a lngua explorando a forma delicada de sua orelha, 
antes de comear a se mover. Mantendo o resto de lado, ela mordeu o 
lbio. No podia permitir que ele a beijasse, pois sabia que, se 
isso acontecesse, no teria mais condies de resistir.   
Alexei pousou a mo em sua coxa, os dedos morenos espalmados sobre a 
pele clara. Algo se agitou em seu intimo, e seu corpo queimou com a 
lembrana da vergonha e do prazer que sentira quando ele a tocara, 
fazendo-a experimentar uma emoo to grande, que tudo em torno 
deixara de existir. Seria essa a inteno dele?   Os lbios de 
Alexei se moviam vagarosamente por seu colo, e Hope no precisou olhar 
para saber que seus seios enrijeceram em razo  langorosa 
carcia. Sentiu-se fraca de alvio quando ele passou a mo de sua 
coxa para a cintura, mas o alvio durou pouco. Logo, Alexei prendeu 
seus braos ao longo do corpo, imobilizando-a com o prprio peso, 
enquanto beijava a curva sensvel de seu ombro. Um arrepio de prazer 
percorreu-a, seguindo por uma vontade intensa de toc-lo com as mos 
e os lbios.
   Como mudara! Trs semanas atrs, teria se 
horrorizado com a direo de seus pensamentos, mas naquele instante 
no conseguia pensar em nada mais agradvel do que abandonar o 
orgulho e dizer a Alexei que ele vencera. Uma coisa que no podia 
fazer, de jeito nenhum.   Mexeu-se, resistindo  suave persuaso 
dos lbios masculinos, tentando se afastar e descobrindo que seus 
movimentos aflitos no a tinham feitos avanar mais que alguns 
centmetros. O suficiente, no entanto, para colocar a cabea dele ao 
nvel de seus seios. Continuava presa sob o corpo de Alexei, enquanto 
ele se via livre para explorar suas curvas com uma lentido que 
ameaava, cada vez mais, faz-la perder o autocontrole, mantido a 
to duras penas.   Quando a lngua de Alexei tocou um de seus 
mamilos, estava mais do que pronta a admitir a derrota e abandonar a 
luta, e protestou com voz rouca:    Alexei, por favor...    
Por favor o qu? Isto?  ele zombou, consciente das ondas de choque 
e prazer que a assolaram, quando prendeu um dos mamilos de Hope entre os 
dentes.  Ou isto?  A mo dele tornou a descer para sua coxa.
  
 Hope estremeceu, imaginando o prazer que viria, seu gemido de 
satisfao transformando-se num pedido aflito, ao mesmo tempo que o 
abraava pelos ombros.   -Alexei...    Implore, Hope  
ouviu-o dizer com voz rouca.  Implore...   A cabea dele ainda 
estava junto a seus seios, mas essas palavras destruram seus prazer, 
lembrando-a de que aquilo era uma punio. Alexei percebeu de 
imediato sua mudana, pois xingou baixinho, erguendo-se para fit-la 
com raiva e afastando-se ligeiramente. Ela comeou a rolar para o 
lado, mas ele a pegou antes que chegasse  beirada da cama, 
aprisionando-lhe os quadris com as mos. Desceu a cabea morena de 
encontro a seu ventre, ignorando os dedos que lhe puxavam os cabelos, 
enquanto lhe beijava a pele, as mos j descendo para suas coxas. 
  Nem todos os movimentos de protestos de Hope conseguiram remov-lo. 
Ela j estava com as pernas adormecidas por sustentar-lhe o peso, e 
Alexei continuava a passar a boca por sua pele, explorando a curva de 
seus quadris, a linha suave de suas coxas. Com as mos ele forou 
suas pernas a se separarem, vencendo-lhe completamente a resistncia 
atravs de beijos cada vez mais ntimos.   Hope o queria e sabia 
que no seria capaz de calar. Na verdade, as palavras j tremiam em 
seus lbios, quando ele se moveu e seu prazer foi substitudo por 
choque e incredulidade. Um grito agudo de protesto escapou de sua 
garganta, enquanto se debatia e lutava para escapar de uma intimidade 
que nem em cem mil anos poderia imaginar que existisse.
   Sua mente 
revoltou-se contra o contato sensual da lngua masculina com uma  
parte to intima de seu corpo, enquanto esse mesmo corpo mostrava-se 
incapaz de resistir s ondas de prazer que a percorriam. Seus 
soluos de protestos alternavam-se com lutas febris, mas Alexei no 
a deixou escapar, e de repente ela percebeu que era quilo que ele se 
referia, quando dissera que ainda imploraria para toc-lo.   Hope 
sentiu seu corpo se contrair numa evidente ondulao de prazer. 
Sabia que Alexei havia sentido sua reao tambm,e se viu incapaz 
de fit-lo quando ele mudou de posio e olhou para ela. Todo 
prazer morreu em meio  vergonha que a invadiu, e foi numa voz quase 
inaudvel e totalmente inexpressiva que admitiu sua derrota:    
Se quer que eu implore para tocar voc, Alexei, eu imploro. Eu fao 
o que voc quiser, mas no...  estremeceu violentamente, virando 
a cabea para no ter que fit-lo -... no faa isso de 
novo.  Ela sabia que estava em lgrimas envergonhada, e no 
conseguiu entender a expresso de Alexei, quando ele se sentou a seu 
lado. Esperava triunfo, no aquele... cansao.   Hope...  
Vendo que ela no olhava para ele, Alexei levantou-a como se fosse 
criana, cobrindo-a com sua camisa enquanto a puxava para o colo.  
Desculpe,   Hope  murmurou com um suspiro.  Perdi a pacincia 
com voc, deixei que meu lado impulsivo me dominasse. No  sempre 
que acontece, e se voc me conhecesse melhor no teria piorado a 
situao me provocando como fez. Sinto muito se a... aborreci. Na 
minha raiva, eu me esqueci do quanto...   -... eu sou ingnua?
   
-Inexperiente, eu diria. Mas no vai acontecer de novo, a menos que 
voc queira.  Pousou a mo no rosto dela, e Hope teve certeza de 
que ele podia sentir o sangue queimando atravs de sua pele.  Pobre 
Hope!   Ela teve a impresso de que ele sorria, mas no havia 
riso na voz masculina, quando Alexei continuou:    Talvez seja 
melhor ns falarmos do que aconteceu. O que mais a aborreceu,   Hope? 
O que eu estava fazendo? Ou o que voc sentiu?    Foi... 
foi...    Odioso?  Alexei sugeriu, de novo com um sorriso.   
Foi esse sorriso que a fez responder com determinao.    Isso 
mesmo!  Sabia, no entanto, que no estava sendo sincera, pois, 
embora sua mente tivesse ficado chocada com o que ele fizera, seu corpo 
sentiu um prazer enorme.    O que ns estvamos fazendo  
perfeitamente natural.   Ns estvamos fazendo? Tentando 
dominar a vergonha e aparentar calma, ela replicou:    Talvez 
fosse, mas voc estava querendo... me castigar com aquilo...  Olhou 
para cima e viu que ele franziu a testa.  Voc queria me chocar 
porque eu o desafiei.    Em parte voc est certa, mas esse 
no foi meu nico motivo nem o mais importante. Mas agora  melhor 
voc dormir um pouco. Temos que embarcar cedo amanh.  Alexei a 
colocou sobre a cama, e Hope sentiu uma vontade completamente ilgica 
de lhe pedir que continuasse a segur-la, que no sasse dali. Seu 
corpo estava em agonia, e ela sabia que, se ele se aproximasse, no o 
rejeitaria. Mas, em vez de se aproximar, ele se levantou e caminhou para 
a porta. Obviamente, tinha tanta conscincia quanto ela da inutilidade 
de tentar substituir lise, mas isso no a impediu de desejar que 
ele a quisesse por si mesma.No entanto, antes que sua mente tomasse 
conscincia total desse pensamentos, j havia 
adormecido.

CAPTULO VI 
   Hope acordou cedo e sentou-se na 
cama, com as mos em volta dos joelhos, atenta ao silncio do 
apartamento e observando o cu avermelhar-se sobre os telhados de 
Paris. Um rpido olhar para o relgio fez com que estremecesse.    
Em quatro horas estariam saindo para o aeroporto. Suas malas estavam 
feitas, cheias com as novas roupas que Alexei lhe comprara. Roupas que 
refletiam a pessoa que era agora, a pessoa em que ele a transformara. 
  No pensaria nunca mais no que acontecera na noite anterior. Fizera 
essa promessa a si mesma, antes de adormecer, mas imagens e 
sensaes continuavam a se insinuar em sua mente com toda clareza, 
ignorando seus esforos para sufoc-las. De repente, um murmrio 
rouco de protesto escapou de seus lbios.   No podia ir para o 
Caribe com Alexei, no poderia permanecer um minuto a mais naquele 
apartamento, com ele. Febrilmente, tomou um banho e se vestiu, o tempo 
todo ignorando a vozinha que lhe perguntava se estava mesmo fugindo de 
Alexei ou... de si mesma. Odiara o que ele lhe fizera na noite anterior 
e sentira-se enojada. Ou no? Com uma objetividade cruel, seu 
crebro lembrou-a do prazer intenso que havia experimentado.    
No!   De novo um protesto angustiado ecoou no silncio do 
quarto. No ficaria ali para encarar Alexei, para ser ainda mais 
atormentada por ele, para encontrar seu pai como amante dele. Mas para 
onde poderia ir? No tinha dinheiro, no estava com seu 
passaporte... Mordeu o lbio, pensando, desesperada, em ir  
embaixada britnica. Mas o que diria a eles? Que Alexei a tomara  
fora?    Mesmo a seus ouvidos a histria parecia oca. No entanto, 
devia haver algum capaz de acreditar nela.   Foi ento que lhe 
ocorreu. Evidente! A famlia Montrachet possua uma casa em Paris. 
Lembrava-se de ter ouvido Alexei falar nisso. Paris era onde se situava 
o quartel-general do vasto imprio bancrio que tinham.
  O 
esprito de luta que as freiras a tinham ensinado a conter e controlar 
voltou  vida, dentro dela. Pegando o casaco de l e a bolsa que 
Alexei lhe comprara, passou na ponta dos ps pelo quarto dele. O 
apartamento ainda estava s escuras e no havia sinal de Andr. Ao 
chegar  calada, conseguiu finalmente soltar a respirao.   
Agora que estava livre, no entanto, o que faria? No tinha idia do 
endereo dos Montrachet. Mordendo o lbio, tentou pensar com 
clareza, e a viso de um txi que passava aguou sua capacidade de 
raciocnio. Naturalmente! O nome  Montrachet era conhecido, bastaria 
que parasse um txi e perguntasse ao chofer se conhecia o endereo 
deles.   O resultado de sua idia foi timo. O chofer no s 
conhecia o endereo como, depois de um exame cuidadoso de sua pessoa, 
concordou em lev-la at l. Meia hora aps, ela estava diante 
de uma impotente manso que, segundo o chofer de txi, j fizera 
parte do htel de um rico aristocrata.    Ele perdeu a cabea 
e o htel durante a revoluo  o chofer acrescentou com 
satisfao, enquanto Hope pagava, alarmada com os poucos francos que 
lhe sobraram.   Embora nada tivesse lhe faltado durante aquelas 
semanas, Alexei nunca lhe dera mais que alguns fracos de uma vez, e ela 
era muito orgulhosa e consciente do fato de que ele a estava sustentando 
para pedir mais.   Enquanto Hope avanava para apertar a campainha, 
outro txi parou diante da casa e trs rapazes, completamente 
bbados, desceram.
   -Ei, Alain  um deles chamou. Uma das 
suas amiguinhas veio lhe fazer uma visita. Pena que no tenha trazido 
mais duas amigas. Agora eu entendo por que voc estava to aflito 
para voltar para casa, meu velho!   Hope corou de medo e vergonha 
quando o rapaz acrescentou uma coisa um tanto maliciosa a respeito de 
sua presena ali.   Se um daqueles rapazes havia sido chamado de 
Alain, isso s podia significar que era Alain de Montrachet, o homem 
com quem seu pai pretendia casa-la.   Disfaradamente, Hope 
estudou-o altura mediana, plidos olhos azuis, compleio morena e 
cabelos castanhos. Mas as feies dele eram grosseiras, e os olhos 
continham um cinismo que lhe mostrou que Alexei no mentira. E agora 
aqueles olhos plidos se voltavam em sua direo, estudando-a com 
um apetite sexual explicito. Quando ele deu alguns passos e parou diante 
dela, Hope pde sentir-lhe a respirao azeda de vinho.    
Boa noite, meus amigos  despediu-se dos companheiros, sem tirar os 
olhos dela  Parece que tenho outros negcios a tratar.   Nenhum 
dos outros rapazes protestou, e Hope arrepiou-se de medo, comeando a 
ser afastar. Era tolice se apavorar. O que tinha a fazer era bater na 
porta e pedir para falar com madame Montrachet. Mas no pde evitar 
de estremecer ao ver o modo como Alain a olhava.
   -No sei o que 
trouxe  minha porta a esta hora, ma chrie  ele disse, 
estendendo a mo para tocar-lhe os cabelos que caiam pelos ombros e 
observando seu gesto de rejeio com um sorriso desagradvel.  
Quem a mandou? Sophie? Como ela conhece meu gosto, embora eu tenha que 
reconhecer que voc  uma novidade...    Monsieur  Hope 
comeou, hesitante -, est havendo um engano. Eu vim ver sua 
me.    Minha me.  Ele jogou a cabea para trs e riu. 
 Essa  boa! Nessa hora, pequena, minha me est em nosso 
chteau, no Loire, e todos sabem disso. Qual o problema? Ficou com 
medo?  Com uma das mos j na porta, virou-se e agarrou o pulso 
de Hope.    Por favor... por favor, em solte.  Hope pediu, com 
os olhos ardendo. Ao que parecia, em sua pressa de escapar, tinha pulado 
da frigideira para o fogo, e j sabia qual era o menor dos males.   
No entanto, era tarde demais para desejar o calor e o conforto de seu 
quarto no apartamento de Alexei. Pelo menos Alexei fora honesto e  a 
maior parte do tempo  tratara-a com polidez. Mas aquele homem... Seu 
corao bateu mais forte. Mesmo sem a descrio que Alexei 
fizera dele, saberia, por instinto, que tipo de homem era. Estava 
evidente na fraca sensualidade das feies, e ela estremeceu, 
consciente de que teria que se livrar dele. Sua chance veio quando Alain 
ergueu a mo para bater na porta e diminuiu a presso em seu pulso, 
dando-lhe condies de se soltar com um safano e descer a rua 
correndo, sem nem olhar para trs, para ver se era perseguida.
  O 
pnico dava-lhe foras em sua fuga, seus pulmes ardiam por ar, 
at que eles e um lado de seu corpo pareciam prestes a arrebentar de 
dor.   A distncia, ouviu um carro parar com um chiado de pneus e 
uma porta batendo. Mas s parou quando Alexei gritou seu nome, e 
voltou-se a tempo de v-lo atravessar a rua e correr em sua 
direo. Seu alvio foi to grande que correu tambm para ele, 
chamando-o por entre soluos, procurando um conforto. Porm, em vez 
de abrir os braos para recebe-la, Alexei limitou-se a segura-la pelos 
ombros e sacudi-la, furioso.    Hope, mom Dieu! O que foi que 
aconteceu?  perguntou. E prosseguiu logo em seguida, com uma certa 
ironia:  Voc correu para mim como uma criana corre para o 
pai... Uma reao bem diferente da que eu esperava, quando acordei e 
descobri que voc tinha fugido do apartamento durante a noite. Sua 
tola! Existem coisas piores, na vida, do que o que acha que foi 
forada a agentar ontem. Para onde ia?  casa dos Montrachet?  
  Como... como adivinhou?!    No foi difcil, ma petite. 
Era para c ou para a embaixada britnica. O que aconteceu?   
Hope estremeceu da cabea aos ps.    assim que meu txi foi 
embora, Alain de Montrachet chegou com uns amigos. Ele pensou... eu... 
ele... eu tentei lhe dizer que tinha vindo ver sua me, mas ele...
  
-Ele lhe disse que ela estava no Loire?  Alexei terminou com 
serenidade.      Voc est branca como um lenol. E no se 
esquea pequena, pequena, ele  o homem que seu pai escolheu para 
voc.    Eu sei.  Hope estremeceu de novo, sentindo-se de 
repente com muito frio e cansao.  Voc estava certo em tudo que 
disse a respeito de Alain  admitiu numa voz sem a menor emoo 
 Consegui escapar enquanto ele esperava que algum abrisse a 
porta.   Tomando-lhe o brao, Alexei atravessou a rua, agora bem 
mais movimentada do que quando chegara. Vendo o Ferrari, Hope percebeu 
de onde tinha vindo o barulho de pneus chiando, que ouvira momentos 
atrs.    Alexei...   Ele abriu a porta do Ferrari e ela 
entrou, sentindo-se como uma criana levada punida por suas artes.  
 Alexei...   Alexei a fitou por um instante, antes de se inclinar 
para prender seu cinto de segurana.    Sinto muito...  Assim 
que acabou de falar, Hope j estava arrependida. Que motivo tinha para 
pedir desculpas a ele? No fora ele que a tirara do convento, que a 
seduzira deliberadamente e que, na noite passada...quando Alexei 
sentou-se a seu lado, tinha uma expresso sria e um pouco amarga. 
Prendeu o prprio cinto de segurana e ento, numa voz que Hope 
mal reconheceu, disse:
   -Eu tambm ma petite.  Acariciou-lhe o 
queixo com o polegar, fazendo-a se arrepiar com estranhas sensaes 
que ela achou que s podiam ser de alvio, por ter conseguido 
escapar de Alain de Montrachet.  Teremos que partilhar nosso mtuo 
remorso... e talvez ele acabe nos servindo de aviso.     Alexei... 
 Hope umedeceu os lbios secos, esforando-se para no revelar 
o medo que sentira, ao perceber o que Alain de Montrachet pretendia.  
E se eu no tivesse conseguido escapar... se Alain...    -... 
tivesse conseguido violentar voc?  Alexei terminou com calma, o 
rosto muito srio.  Nesse caso, eu teria que me casar com voc. 
 Vendo-lhe a expresso, ele explicou:  Comigo voc 
experimentou o prazer de se tornar mulher. Como eu lhe disse antes, 
nunca tive inteno de magoar ou traumatizar voc. Mas a sua 
maturidade no  to grande a ponto de poder agentar os 
Montrachet desta vida, e foi por minha culpa que voc foi  casa 
dele. Portanto, se algo tivesse acontecido, seria mais do que justo que 
a reparao viesse de mim.    Hope estava pasma demais para 
falar. Alexei se casaria com ela? Levou vrios segundos para entender 
o por qu.    H crueldade em engaiolar um pssaro que pode 
voar livre, mas, quando este pssaro est ferido, incapaz de voar, 
precisa da proteo de sua gaiola.
Ela estava assustada enquanto o 
ouvia. Aquele era o lado russo de Alexei, o lado que vivia em meio a 
paixes forte e um cdigo de tica que exigia olho por olho. 
Naquela manh, descobrira que ainda no estava pronta para deixar a 
gaiola que ele preparara para ela, e que Alexei, apesar dos defeitos que 
tinha e do medo que s vezes lhe causava, era ainda prefervel a 
Alain de Montrachet.    E o nosso vo?  Hope perguntou a 
Alexei meia hora depois, quando entravam no apartamento.    H 
outro amanh. Um dia no vai fazer diferena;    Alexei, e 
se... e se meu pai no acreditar... que somos amantes e...   Ele 
meneou a cabea, fazendo pouco de suas dvidas.    Uma mulher 
que j fez amor, que conhece os segredos e prazeres da carne, tem um 
certo ar, um certo qu que no tem nada a ver com a idade, e que 
talvez voc ainda no tenha adquirido por completo. Mas, antes de 
nos encontrarmos com seu pai, voc o ter, ma petite. Quando nos 
vir, ele ter certeza de que j dormimos juntos.  Vendo a 
expresso dela, Alexei riu baixinho.  Voc teve uma manh 
agitada, pequena, e uma noite talvez at pior, indo de choque em 
choque, e o resultado  que est bem batida. `melhor voltar para 
a cama e descansar. Seu pai no a dar mais a Alain, eu lhe garanto. 
E agora talvez voc j esteja em condies de acreditar em mim, 
quando lhe digo que existem coisas piores do que o que passou comigo. 
   Sem poder negar, Hope acompanhou-o com o olhar enquanto se afastava, 
consumida por uma exausto tanto fsica quanto mental. Fugira do 
apartamento e daquele homem porque acreditara que no poderia 
agentar outro momento com ele. Mas quando se vira na rua, e o vira, 
sua reao tinha sido automtica, e seu nico desejo fora estar 
nos braos dele.
   Hope ainda tentava analisar a importncia 
disso quando o sono a venceu. Uma hora depois, quando Alexei abriu a 
porta do quarto, ela ainda dormia.  Aproximou-se da cama, e ali 
permaneceu durante algum tempo, com olhos sombrios, estudando-lhe o 
rosto plido e abatido. No era sempre que perdia o controle de si 
mesmo, mas aquela manh, ao acordar e descobrir que ela se fora...  
 Com gestos rpidos, pegou o cobertor que estava sobre a cama e 
cobriu-a, observando uma ruga se formar na testa dela ao seu toque, a 
alisando-a com dedos gentis at Hope relaxar novamente num sono 
profundo.   J era quase hora do almoo quando Hope acordou. O 
sono a descasara, e uma vontade nova de viver um dia de cada vez, uma 
hora atrs da outra, sufocou sus costumeira cautela. Alexei ia leva-la 
para o Caribe, um lugar de beleza e encanto. Era uma oportunidade que 
poderia nunca mais ter e, como no tinha condies de alterar nem 
fugir de seu relacionamento, o melhor seria aprender a agentar a 
amadurecer, para encontrar a coragem necessria para comear do onde 
estava.   Essa deciso ajudou-a a passar o dia. Durante o almoo, 
Alexei mostrou-se amvel, no fazendo a menor referencia ao que 
acontecera. Hope estivera lendo um livro sobre viticultura, e ele 
respondeu a suas perguntas com a maior boa vontade, falando com tanto 
conhecimento do causa que ela no pde deixar de tomar conscincia 
da prpria ignorncia.    Voc ainda tem muita coisa a 
aprender  Alexei concordou, quando ela comentou a respeito  , mas 
tambm tem a inteligncia e o tempo necessrio para isso.  
Depois acrescentou:  Voc tem todas as qualidades que tornam eterna 
a atrao de uma mulher, Hope. Pode ser que algumas ainda precisem 
de refinamento, mas daqui a dez anos poucos homens sero capazes de 
resistir a voc, e eu na certa me considerarei privilegiado por 
t-la conhecido. Hoje mesmo voc aprendeu uma lio valiosa. 
Voc tem orgulho e coragem, chrie.
   Hope ficou to surpresa 
que no pde dizer mais nada, limitando-se fit-lo, sem saber se 
tinha ouvido direito.   Durante a tarde Alexei trabalhou, enquanto 
Hope se entretinha com uns livros sobre o Caribe, que ele comprara para 
ela. Foi um dos dias mais descasados que passou na companhia de Alexei, 
e no conseguiu entender as inquietao que a dominou aps o 
jantar, quando ele se fechou novamente no escritrio, alegando que 
precisava terminar de escrever um artigo para uma revista de 
viticultura. Sozinha, Hope andou de um lado para outro da elegante sala 
de estar, acabando por se deter diante dos livros que enchiam as 
estantes de cada lado da lareira.   Um livro e poesia chamou sua 
ateno, e ela o pegou, imaginando por que eram sempre homens os 
autores doas poesias de amor mais emotivas. Os versos ali impressos 
tinham sido traduzidos de um original persa, e os sentimentos que 
descreviam eram de uma profundidade que a espantou. Com um leve suspiro, 
ela j o ia devolvendo  prateleira, quando viu o nome de Alexei 
escrito na primeira pgina. Algum o dera a ele de presente? 
lise, talvez? No, no podia imaginar a francesa dando um 
presente daqueles. lise no era desse tipo.   Enquanto 
recolocava o livro na prateleira, uma grande ansiedade a dominou.  Eram 
mais de dez horas da noite, mas relutava em ir para a cama sem ver 
Alexei... Uma coisa ridcula, naturalmente, mas era como se o que 
acontecera aquela manh tivesse criado nela uma dependncia, um 
lao emocional que a unia a ele e que no tinha poderes para 
destruir.
   Suspirando, Hope foi para seu quarto. 1uela hora, no 
dia seguinte estaria no Caribe, vendo o que qualquer garota da sua idade 
daria a vida para ver. Mas o encontro com seu pai no lhe saia da 
mente, e ao adormecer ela se viu sonhando de novo com a sombra escura 
que ameaava sua felicidade. S que dessa vez a sombra acabou 
virando duas  a de seu pai e a de Alain de Montrachet. Elas a 
perseguiam pela praia lisa e branca. De certo modo, sabia que, se 
pudesse ganhar mias distncia delas, encontraria um refgio, mas, 
quanto mais corria, maiores elas se tornavam, e em seu desespero chamou 
pela nica pessoa que poderia ajuda-la.    Hope... Hope...   
Acordou com Alexei sacudindo-a gentilmente, sentando  beira da cama, 
a mo em seu ombro, o rosto quase invisvel no quarto ainda 
escuro.    Voc chamou por mim. Eu j ia me deitar...   
J ia de deitar? Hope lanou um olhar para o relgio. Eram mais de 
duas horas. E quando seus olhos se acostumaram com a escurido, 
percebeu que ele estava cansado.    Voc terminou seu artigo? 
 quis saber. E logo acrescentou:  No poderia ter deixado para 
terminar no avio?    Poderia, mas o trabalho s vezes ... 
teraputico. Impede que a mente se fixe em outras coisas.   Hope 
teve vontade de saber se ele se referia a lise, se lamentava o fato 
de o marido dela ter-lhe deixado tanto dinheiro. Afinal, se isso no 
tivesse acontecido, lise j estaria casada com ele.
   Sua mo 
ergueu-se para ele, num gesto instintivo de conforto que o sobressaltou, 
levando-o a contrair aos msculos do brao. Ela sentiu o movimento 
sob seus dedos, achando que ele estava repudiando seu toque.    
Por que me chamou?  Alexei tornou a perguntar.    Eu estava 
tendo um pesadelo.  Ela franziu a testa, rememorando pedaos de seu 
sonho, de sua fuga pela areia, de sua certeza de que havia um refugio 
 frente, do nome de Alexei escapando de seus lbios.    E eu 
fui a causa do seu pesadelo?  Alexei praguejou baixinho, afastando-se 
dela.  Nem mesmo em sonhos voc consegue escapar de mim, no ? 
Sou o monstro que eu j devia ter aprendido a controlar h muito 
tempo.    Algo nos olhos dele levou-a a corrigir o comentrio, sem 
poder abandonar sua honestidade.    No, no foi voc que me 
assustou. Eu gritei o seu nome porque...    Por qu?  ele 
insistiu, observando-a com ateno.    Porque queria que me 
ajudasse.  De repente, Hope sentiu um calafrio. Que sonho estranho! E 
por que correra de seu pai para Alexei?  Mas eu estou bem, agora. 
Sinto muito se o perturbei.    Sente? A maioria das mulheres 
gosta, quando tem esse efeito sobre o meu sexo.   Hope corou.
   
-Eu... eu no estava referindo a esse tipo de perturbao.   
 Mas talvez eu estivesse.  O olhar atento foi o rosto corado para 
os lbios femininos, enchendo-a de nervosismo.  Voc  capaz de 
imaginar o que senti est manh, quando acordei e vi que tinha ido 
embora? Principalmente sabendo que eu  que a levara a tomar essa 
atitude e me perguntando para onde voc teria ido?   Ela 
estremeceu, um tremor que e intensificou quando o sentiu deslizar as 
mos por seus ombros.    Est com frio?    No... 
estou... eu...  seus pensamentos transformaram-se numa confuso 
catica.    Alexei inclinou a cabea e comeou a explorar, com 
os lbios, o local por onde passara as mos, brindando-a com 
carcias to leves e delicadas que mal pareciam tocar sua pele, mas 
que a fizeram arder por algo mais. Num gesto automtico, ergueu a 
cabea quando Alexei levantou a dele, arrepiando-se ao senti-lo 
deslizar a boca por suas plpebras, entreabrindo os lbios para 
receber o beijo que viria.   Mas o beijo no veio. Em vez disso, os 
lbios masculinos continuaram a atormenta-la com contatos leves por 
todo o seu rosto, evitando habilmente o contato que ela desejava. Em sua 
ansiedade, Hope nem percebeu o momento em que ele desceu as alas de 
sua camisola, desnudando-lhe os seios e envolvendo-os com as mos. 
Enquanto ele continuava a roar a boca por sua pele, agora to 
sensibilizada ao toque dele, ela sentia que at a presso do 
hlito masculino contra ela parecia aumentar seu tormento.
   
-Alexei!  exclamou sem perceber, todos os seus sentimentos 
concentrados na vontade de se entregar  possesso da boca 
sensual.   A leve carcia dos polegares que roavam seus mamilos 
exercia, sobre seu corpo,o mesmo efeito que os lbios dele tinham 
sobre sua mente, atormentando-a at quase enlouquece-la com aquele 
jogo provocante.   Arqueando o corpo em direo  fonte de seu 
tormento, ela o segurou pelos cabelos, usando a lngua para 
traar-lhe o contorno da boca, enquanto tentava mostrar sua 
necessidade. O efeito foi instantneo e incrivelmente satisfatrio, 
e seu gemido de prazer perdeu-se sob o calor dos lbios que se abriram 
sobre os seus, aproveitando-se da vantagem conseguida para aprofundar a 
carcia com a lngua.   Alexei passou as mos de seus seios 
para os ombros, ao mesmo tempo em que a forava a se deitar, sem tirar 
a boca da sua, voltando depois a explorar e excitar os mamilos rosados 
que havia exposto com tanta habilidade.   Devagarzinho, os olhos 
estudando a expresso atordoada e o rosto de Hope, corado pelo desejo, 
ele soltou sua boca, embora seus lbios de colassem aos dele como se 
nunca mais quisessem se desprender. De imediato, ela comeou a tremer, 
preocupada e confusa com a gravidade de suas aes e as emoes 
que havia experimentando.   Como se soubesse o que Hope sentia, 
Alexei puxou-a para mais perto, fazendo-a apoiar o rosto no ombro dele e 
envolvendo-a com os braos, permitindo que o bater acelerado de seu 
corao se acalmasse. Roava os lbios por sua cabea e 
proporcionava-lhe um conforto que ela jamais pensara que pudesse 
existir.
   Timidamente, impelida por uma necessidade que no seria 
capaz de explicar, Hope pousou os lbios no pescoo de Alexei, 
sentindo, maravilhada, os msculos dele se contrarem. Beijou-o de 
novo, encantada com a descoberta de como era bom explorar a pele 
masculina com a boca, como era agradvel inalar o aroma que dela se 
desprendia.   Hope...  Ele agarrou seus cabelos, puxando-os com 
tanta gentileza que ela foi forada a fit-lo.  Eu entendo sua 
vontade de experimentar  prosseguiu com voz rouca -, mas, a menos que 
esteja preparada para aceitar as conseqncias, esta no  uma 
boa hora para isso...   Depois, Hope no conseguiu entender por que 
no ouvira o conselho dele. Mas naquele momento a inquietude de 
algumas horas antes havia se transformado numa dor estranha que parecia 
ter se espalhado por todo o seu corpo, s diminuindo quando Alexei a 
tocava e beijava. Fitando-o em silncio, introduziu os dedos pela 
abertura entre os botes da camisa, admirando-se um pouco com a 
sensao da pele coberta de plos escuros sob seus dedos, ao mesmo 
tempo que sentia os msculos dele se contrarem novamente.   Era 
a primeira vez que o tocava por vontade prpria, e o seu nome, que 
Alexei murmurou em tom de aviso, nem chegou a atingir sua conscincia. 
Passando os lbios devagarinho pelo pescoo dele, puxou com 
impacincia os botes que a impediam de prosseguir, murmurando 
satisfeita ao conseguir se livrar dessa barreira e embarcar na viagem 
ttil que buscava.
  Um tanto espantada, se deu conta da reao 
de Alexei a sei toque, do modo como o corao dele disparou quando 
passou a mo pelos plos que lhe cobriam o peito. A presso dos 
braos em volta de seu corpo aumentos, e ela fez a estonteante 
descoberta de que os plos do corpo do seu parceiro, roando seus 
seios, despertavam em seu ntimo uma sensao muitssimo 
agradvel. A presso de seu ombro, e encontrando o lugar, em seu 
pescoo, em que poderia provocar o caos de suas emoes, 
incitando-a a fazer o mesmo. Hope no estava vendo nada de alarmante 
naquela carcias, at ele gemer baixinho:    Eu no sou um 
garoto, Hope. Eu sou um homem que j passou, h muito, de estgio 
dessas brincadeiras. Se continuar me tocando assim, vou fazer amor com 
voc...   Era a primeira vez que Alexei dava a chance de escolher, 
e com isso ele a fez perceber o que fazia. Hope afastou-se dele como se 
tivesse sido queimada, corando ainda mais sob o olhar divertido e 
irnico com que ele a fitou.    De qualquer modo, estou quase 
fazendo isso, e dessa vez sei que no seria contra sua vontade. 
Ento, Hope, no tem coragem suficiente para admitir a verdade?   
Se ele no tivesse dito essas palavras, Hope o teria deixado fazer 
amor com ela. Queria que isso acontecesse, mas o modo como ele falou 
estragou tudo, forando-a a tomar conscincia da realidade.    
E ento?
   Entorpecida, ela meneou a cabea, ainda com 
esperana de que Alexei ignorasse sua deciso e a tomasse nos 
braos. Em vez disso, no entanto, ele se limitou a ticar sua boca com 
o polegar, friccionando a pele macia de seus lbios at que abrissem 
e o tocasse com a ponta da lngua. Quase de imediato, ele retirou o 
dedo, observando-a por um instante, com os olhos semicerrados, antes de 
se levantar.    Boa noite, pequena. Bons sonhos. E no se 
esquea de que, se me chamar novamente, eu posso achar que foi porque 
mudou de opinio e no apenas porque teve um pesadelo. Voc sabe o 
tipo de homem que sou, Hope, e voc  uma mulher extremamente 
desejvel.    Desejvel o bastante para que se esquea do 
motivo que oi fez me trazer para c?  Hope perguntou com amargura, 
j sabendo a resposta. Era claro que no. E seria uma tola se 
tentasse se iludir. Estava ali apenas como instrumento de vingana. E 
a companhia de Alexei era algo que tinha que suportar. Ento, por que 
teve aquela agora sensao de perda quando a porta se fechou 
silenciosa, mas firmemente, atrs dele?
   -No fique nervosa. 
No h motivos, eu lhe garanto.   Hope lanou a Alexei um 
sorriso forado. Voara muitas vezes quando era criana, mas nunca 
sentira aquela ansiedade. Com uma das mos apoiadas de leve em seu 
ombro, Alexei indicou, sobre a pista um avio semelhante ao que 
tomariam. A atitude dele era mais fraternal que amorosa, mas ela estava 
consciente de sua proximidade com cada nervo do corpo.   
Concentrando-se na cena do lado de fora das janelas da sala de embarque, 
Hope procurou banir de sua mente a lembrana do corpo msculo e 
moreno sob seus dedos e lbios, esforando-s para no corar. Ao 
acordar, aquela manh, pensara que no seria capaz de encarar 
Alexei, mas ele se mostrara to frio e polido que conseguira se 
esquecer do modo como tocara e reagira ao corpo dele, alm do tempo 
que ficara acordada depois que ele se fora, desejando algo que no se 
atrevia a definir.    `a nossa vez, Hope. Esto chamando para 
o nosso vo  Alexei lhe disse.  Como eu j expliquei, no 
h motivo para ter medo.   Hope sorriu de leve, imaginando quanto 
de seu nervosismo era devido ao vo e quanto era causada pela 
perspectiva do encontro que a esperava, no Caribe.   Suas passagens 
eram para a primeira classe, e a aeromoa sorriu calorosamente para 
Alexei, enquanto os conduzia a seus lugares. Hope j se acostumara com 
o jeito que as mulheres o fitavam e com o modo despreocupado com que ele 
aceitava esse interesse. Uma mulher precisa ter mais que aparncia e 
sensualidade para conservar um homem como Alexei. Mas por que pensava 
nisso? Aborrecida consigo mesma, ela ignorou o oferecimento de Alexei 
para ajuda-la com o cinto de segurana, cuidando de tudo sozinha 
enquanto ela a fitava com ar sombrio.
   -Eu no posso violentar 
voc aqui, Hope  ouviu-o comentar, s para seus ouvidos.  
No precisa agir como uma herona vitoriana, pois ns dois sabemos 
que seria puro fingimento. Ontem  noite, voc teria me recebido de 
braos abertos.  Enfurecida e embaraada pela lembrana de 
acontecimento que preferia esquecer, Hope replicou com secura:    
Como um viciado recebe sua prxima dose.   Ela lera, nos jornais, 
sobre o problema das drogas no mundo ocidental, e sentiu-se orgulhosa de 
sua comparao, imaginando Alexei em p de igualdade com aqueles 
que cinicamente destruam outras vidas para satisfazer sua 
ganncia.    Est dizendo que se viciou no meu toque, pequena? 
 Rindo baixinho, ele inclinou mais para ela.  Que seu corpo  
sacudido por tremores incontrolveis quando no o tem? Voc fez 
uma comparao bastante clara, e eu desconfio que pretendia me punir 
com a idia de que s pela fora posso possuir seu corpo. Mas isso 
no  verdade, e ns dois sabemos disso. Eu entendo o quanto  
duro para voc  acrescentou, quando as luzes que alertavam os 
passageiros para apertarem os cintos e no fumarem se acenderam  Se 
voc fosse mais experiente e menos inteligente, acharia tudo mais 
fcil. Mas passou a maior parte de seus anos de formao numa 
sociedade fechada, onde as garotas aprenderam que seu primeiro dever  
para com Deus, e o segundo, para com o seu marido. Como seu corpo  
rebelde o bastante para responder ao meu, voc estpa achando difcil 
se perdoar. Mas eu j lhe disse, e repito, que no tem motivos para 
se envergonhar disso.   Hope deixou escapar uma exclamao de 
susto, ao sentir o avio se erguer no ar.    No?  replicou 
depressa, tentando sufocar a apreenso.  E o que me diz do homem 
que vou amar um dia? Ele tambm vai ser to compreensivo quando eu 
lhe explicar que foi s o meu corpo que respondeu ao seu.
  
 Voc j ter se esquecido de mim h muito tempo, quando 
fizer uma coisa to tola quando se apaixonar por algum.  Mas 
voc me disse que uma mulher nunca se esquece de seu primeiro 
amante.   O sorriso que ele lhe dirigiu no continha qualquer 
trao de humor.    Voc est aprendendo depressa demais, 
mais petite, e eu comeo a entender o susto que levam os pais quando 
vem as filhas se transformando em mulheres. Um dia voc ser 
trs formidable, e encontrar um homem...   -... que no se 
importe de ficar com as suas sobras  Hope completou, sem saber por 
que falava assim. Afinal, aquele era um assunto que j haviam 
discutidos.    Mon Dieu, mas voc acaba com a pacincia de 
qualquer santo! E a linguagem que est usando! Voc s ser 
minha sobra, como diz, se se considerar um objeto em vez de um ser 
humano. `voc que estabelece seu valor, Hope, no eu. Voc  
uma pessoa, por direito prprio.  Alexei fez uma pausa quando a 
aeromoa se aproximou com o carrinho de bebidas, fazendo o pedido para 
ambos, sem se dar ao trabalho de consultar Hope.   Surpresa ao ver o 
copo de gua mineral que ele lhe passava, Hope ergueu as sobrancelhas 
com ar interrogativo.    O lcool tem um efeito desidratante, 
que aumenta e s vezes  at a causa do que se conhece jet lag, ou 
seja, a desregulagem do horrio biolgico do seu corpo. Mas se 
voc preferir outra coisa...
   Ela fez que no, tomando a gua 
e imaginando por que essas trocas de palavras com Alexei sempre a 
deixavam to cansada mentalmente. Com aquela lgica fria, ele dava 
ns em seu raciocnio, deixando-a incapaz de enfrenta-la.       Mas, 
por mais que seu primeiro amante fosse um homem a quem amasse. Um homem 
a quem amasse e que fosse to experiente e apreciasse seu corpo tanto 
quanto... quanto Alexei.    No sei no que est pensando  
ele disse de repente  mas est com cara de quem acaba de descobrir 
uma profunda verdade.   Talvez tivesse descoberto, Hope admitiu 
mentalmente, ainda sem se confortar com a imagem que fizera de Alexei, 
como seu verdadeiro amor. E o pior era reconhecer que o queria e sentia 
cime de lise, que podia enfrenta-lo de igual para igual. No 
queria ser tratada como um simples instrumento de vingana. Queria, 
afinal, que ele a desejasse como mulher.    Embora nunca tivesse 
considerado uma pessoa particularmente corajosa, ela lutou para aceitar 
a enormidade de seus pensamentos, recusando-se a ceder  tentao 
de afasta-los e examinando-os com a maior frieza possvel. E, enquanto 
assim fazia, uma parte de seu crebro reconheceu, ironicamente, que 
sua vontade de raciocinar, em vez de simplesmente aceitar ou ignorar um 
fato, j era um resultado do que Alexei lhe ensinara.   O almoo 
foi servido quando j estavam no ar h trs horas e, embora a 
comida estivesse deliciosa, Hope mal tocou na sua. Alexei tambm comeu 
pouco, e durante a tarde, quando era exibido um filme cmico moderno, 
Hope notou que ele dormia, os clios escuros formando pequenos 
crescentes sobre os malares e dando-lhe um aspecto quase vulnervel. 
Seu corao se apertou com uma dor repentina e agridoce, e a frase 
ento isso  o amor emergiu de seu subconsciente.
   Mas 
que coisa ridcula, pensou de imediato, o rosto queimado enquanto 
tentava prestar ateno no filme. No podia estar apaixonada por 
Alexei! Era que se sentia sexualmente atrada por ele, mas isso no 
queria dizer que o amava. No entanto, uma simples atrao sexual 
no explicava sua vontade repentina de aninha-lo nos braos ou 
alisar as ruguinhas que o marcavam nos cantos da boca.   Isso  
resultado da proximidade entre ns, argumentou consigo mesma, 
desesperada. Uma conseqncia de estar sempre na companhia dele. Com 
que nitidez ainda se lembrava do primeiro momento em que o vira, de medo 
que havia sentido. Teria sido porque notara, ainda que de forma 
inconsciente, o efeito devastador que ele exercia sobre sua vida?
   
Era quase noite quando aterrissaram na Martinica. St. Marguerite ainda 
no tinha aeroporto internacional, Alexei lhe explicou enquanto 
esperavam a bagagem no hall de chegada, molhados de suor.    E 
este  um dos motivos por que o hotel de seu pai no tem tido tanto 
sucesso quanto ele e os scios esperavam. Atualmente, eles esto 
tentando obter permisso para construir um aeroporto internacional na 
ilha. Mas os ilhus, como muita gente rica que tem villa por l, 
preferem que St Marguerite continue como est, livre do assdio de 
turistas.    E meu pai no sabia disso quando investiu no 
hotel?    Claro que sabia, mas seu pai  um jogador, Hope. Ele 
achou que estava com a carta vencedora, que conseguiria persuadir o 
governador da ilha a dar a permisso para a construo do 
aeroporto.    E o que aconteceu?  Hope perguntou, j sabendo 
que ouviria algo negativo a respeito de seu pai.    Houve uma 
mudana na poltica local e o novo governador no se mostrou to 
receptivo s propostas de seu pai quanto o outro. Alem disso, tambm 
no  homem de encarar com indiferena tentativas de corrupo 
de funcionrios do governo, e , se o hotel j no estivesse 
pronto, eu duvido que seu pai e os scios deles conseguissem 
permisso para constru-lo. Atualmente, eles so donos de um hotel 
enorme, com capacidade para quase oitocentas pessoas, mas no tm 
como levar essas pessoas a St. Marguerite. Ah... aqui est nossas 
malas.
Um carregador sorridente pegou-as para eles, e Alexei lhe disse 
algo numa mistura cantada de francs e creole, antes de informar Hope 
de que o vo inter-ilhas sairia dentro de meia hora.    Por aqui 
voc vai descobrir que o tempo no tem o mesmo significado que para 
ns. Muitos consideram isso uma atrao a mais, e eu mesmo me 
incluo entre eles, embora seja obrigado a reconhecer que  algo 
irritante no que se refere aos negcios.   Hope arrepiou-se ao ver 
o aviozinho que os levaria a St. Marguerite, mas Alexei estava to 
tranqilo que teve vergonha de manifestar seu medo diante dele. O 
vo levou pouco mais de quarenta minutos. Alexei lhe disse que, se 
ainda fosse dia, teriam tido uma viso magnfica do Caribe e suas 
ilhas, mas Hope achou timo no ter que se debruar na janelinha 
para ver o mar l embaixo.   O aeroporto da Martinica, que ela j 
achara um tanto primitivo, no era nada em comparao com o de St. 
Marguerite. Um barraco com telhado de zinco era a melhor 
descrio para o edifcio junto  pista de aterrissagem, e o 
saguo de chegada, sem ar-condicionado, aumento ainda mais sua vontade 
de tomar um banho.    No controle de passaportes, Alexei foi 
reconhecido, e ela tentou no corar sob o olhar francamente 
apreciativo que lhe lanou o encarregado de examinar os documentos. 
Ele dirigiu um comentrio qualquer a Alexei, e os dois riram 
abertamente.    Pela sua aparncia, ele acha que voc ainda 
vai me dar muito prazer  Alexei explicou com ar zombeteiro, quando 
j tinham ultrapassado a barreira.  Pelo menos, essa  a 
traduo delicada do que ele disse. Mas venha...  Alexei a levou 
para um jipe pintado de amarelo-vivo, sorrindo ao ver sua expresso. 
 Esta  a forma mais comum de transporte por aqui. Nem ns nem os 
ingleses deixamos estradas prprias para os carros modernos. A selva 
acaba com elas, mal acabam de ser abertas, e St. Marguerite  to 
pequena que se pode dar a volta nela em um dia, num desses jipes.
   
Alexei colocou as malas na parte de trs do jipe, os msculos 
contraindo e relaxando sob a camisa. S quando ele terminou  que 
Hope percebeu que estivera prendendo a respirao e que seu corpo 
doa de um jeito que nada tinha a ver com o longo vo que fizera. 
  A ida para a villa de Alexei foi feita em silncio. A estrada era 
esburacada e sem iluminao, e Hope deixou que ele se concentrasse 
na direo, enquanto tentava aceitar os prprios sentimentos.   
 A cidade principal fica do outro lado da ilha, o do Atlntico  
Alexei comentou, depois de vencer uma curva bastante perigosa.  Os 
donos de plantaes preferiam este lado porque  mais fresco. Foi 
s durante o sculo passado que os europeus comearam a apreciar 
os benefcios do sol.   `luz dos faris, Hope viu a 
vegetao fechada que cobria os dois lados da estrada, e Alexei 
explicou que estavam num trecho da ilha que era uma verdadeira floresta 
tropical.    Mais para baixo fica as plantaes de banana e as 
aldeias dos ilhus.Saindo da estrada principal  se  que 
aquele pedao de asfalto esburacado e mal conservado merecia esse nome 
 Alexei entrou num caminho to ruim que mais parecia uma trilha, 
indo parar num ptio de terra batida, junto a uma villa cor de 
pssego clarinho.   `medida que seus olhos e ouvidos se 
acostumavam com o novo ambiente, Hope foi percebendo que o barulho que 
ouvia s podia ser do mar. Estrelas, com um brilho bem mais intenso do 
que podia ver do convento ou de Paris, cintilavam num cenrio que 
parecia ter sado das paginas de uma das mais caras revistas sobre 
viagens. `sua esquerda, atravs de um grupo de palmeiras, ela 
vislumbrou uma praia de areias brancas, onde as ondas vinham se quebrar 
em meio a uma espuma prateada pelo luar.  direita, a vegetao 
era a mesmo que ladeava a estrada por onde tinham vindo.
   -Vai ficar 
a noite inteira aqui?   Ela no percebera que Alexei j tinha 
descido do jipe e, muito sem graa, levou a mo  porta, 
surpreendendo-se ao ver como estava rgida e dolorida. Ele a pegou 
quando ela tropeou, os braos quente fechando-se em torno de seu 
corpo, e Hope cerrou os olhos, ciente do quanto gostaria de permanecer 
em meio quele circulo protetor. Mas Alexei a colocou no cho de 
imediato, rumando para a villa.   L, a escurido era total.   
Alexei abriu a porta e ascendeu as luzes, fazendo Hope piscar com a 
sbita claridade. A porta ligava uma varanda recoberta de trepadeiras 
a uma espaosa sala quadrada, ladrilhada no estilo espanhol, frio e 
austero, com tapetes de cores brilhantes espalhados por toda parte. As 
paredes eram brancas, e os mveis, quase todos de cana-da-ndia.  
  Neste clima, mais cedo ou mais tarde, tudo acaba por apodrecer  
Alexei disse, abrindo uma porta que levava a um corredor interno, para 
onde se abriam muitas outras portas.  a villa tem quatro quartos, mas 
voc vai ter que ficar no meu, pequena. Bertha, a mulher que limpa e 
cozinha para mim,  uma fofoqueira inveterada, e eu no quero que 
seu pai oua que dormimos separados.  Levou-a para cima, indicando 
um quarto decorado em tons de verde e azul, com um luxuoso banheiro 
conjugado.  Eu pedi a Bertha para nos deixar uma refeio fria na 
geladeira. Voc deve estar querendo tomar um banho. Por esta noite, 
usarei o outro banheiro.   Hope olhou-o com uma expresso de 
alvio e interrogao ao mesmo tempo, e Alexei acrescentou 
sorrindo:
   -Eu sou humano, chrie, e vos longo so conhecidos 
pelo efeito exaustivo que exercem. No tenho vontade nem energia para 
agentar seus protestos e mau humor esta noite.   Imaginando por 
que ficara to ofendida com esse comentrio, Hope tomou um banho de 
chuveiro e colocou um vestido simples de algodo, com a saia justa e a 
parte de cima em frente nica. Alexei estava recolocando o fone no 
gancho quando ela entrou no salo. Virando-se para fita-la, ele ergueu 
as sobrancelhas.    Mas que rapidez! Fuou com medo de que eu 
mudasse de idia?  Riu baixinho quando ela corou, continuando em 
seguida:  Ou a pressa foi para se punir, por ter desejado que eu 
mudasse? Telefonei para o hotel e fiquei sabendo que seu pai est na 
Martinica, provavelmente tentando levantar mais capital para o hotel. Em 
todo caso, no fim da semana j deve estar voltando.    Daqui a 
trs dias...   Hope s percebeu que havia feito o comentrio em 
voz alta quando Alexei disse baixinho:    E eu pretendo aproveitar 
ao mximo esses dias. Quando seu pai chegar, ningum mais ter 
duvidas de que voc  minha.   Hope ficou pensando, mais tarde, 
que aquele era um comentrio bastante estranho, se levasse em conta 
que partia de um homem que havia declarado, com tanta firmeza, que as 
mulheres eram gente e no objetos. Deitada na cama, ela tentava 
desesperadamente adormecer, imaginando quanto tempo ainda se passaria 
antes que Alexei terminasse o que estava fazendo l embaixo e viesse 
se juntar a ela.

CAPTULO VII 
   Por um momento, quando 
abriu os olhos, Hope se sentiu totalmente desorientada. Na certa uma 
conseqncia de tantas mudanas de ambiente em to pouco tempo, 
imaginou, quando seu crebro se livrou do restinho de sono e ela se 
lembrou de sua chegada  villa, na noite anterior.   Mesmo sem 
olhar para o lado, soube que estava sozinha na enorme cama de casal. 
Isso era algo que jet lag algum conseguiria impedi-la de perceber. Sua 
percepo da proximidade de Alexei parecia estar impressa em cada 
sentimento de seu corpo.   Ela se levantou, parando ao vislumbrar a 
vista magnfica que tinha da janela. A enorme extenso de gua 
verde-azulada fascinou-a, e seu olhar deslizou para a faixa dourada de 
areia e para a grama, que comeava a crescer logo abaixo da janela e 
ia at as palmeiras. A faixa dessas rvores altssimas demarcava o 
fim do gramado e o inicio de uma praia particular, em forma de lua 
crescente. As outras janelas do quarto abriam-se para a varanda e, 
pensando na delicia que seria tomar o caf da manh com aquela 
viso do Caribe, Hope foi para o banheiro.   No fazia idia de 
onde Alexei estava e no queria que ele voltasse e a encontrasse em 
p diante da janela, usando apenas uma fina camisola de algodo. O 
sangue subiu-lhe ao rosto, quando se lembrou do modo zombeteiro como ele 
rira, na noite anterior, ao se deitar ao seu lado e perceber que ela 
vestia. Segundo ele, uma vestimenta to frgil no lhe servira de 
obstculo, se quisesse que ela o intimasse e dormisse nua.   No 
entanto, embora visse que ela estava acordada, no a tocara. E Hope 
sabia que se sentia inquieta no s por medo do que essa atitude 
dele no se repetisse, aquela noite, como tambm por temor que se 
repetisse. Porque a verdade era que queria que ele fizesse amor com 
ela.
   Insatisfeita com os prprios pensamentos, Hope abriu mais a 
torneira de gua fria, esperando que o banho frio afastasse as imagens 
perturbadoras invocadas por seu crebro. Imagens de Alexei partilhando 
com ela a carcia fresca da gua, sorrindo enquanto passada as 
mos por seu corpo mido...    No!  ela exclamou com 
veemncia, saindo do chuveiro e enrolando uma toalha no corpo.   Um 
passeio pela praia talvez acalmasse sua inquietude, dando-lhe 
condies de enfrentar Alexei sem trair seus sentimentos. Ou ele 
j sabia deles? Mordeu o lbio, sentindo-se de repente terrivelmente 
cansada da batalha constante em seu ntimo, do incessante vaivm de 
emoes e pensamentos, e um desejo desesperado de escapar dele 
assolou-a Talvez o barulho hipntico das ondas quebrando na areia a 
ajudasse a conseguir a paz e a tranqilidade que sempre invejara nas 
freiras, no convento.   Mesmo com a brisa que soprava do mar, Hope 
sentiu o calor do sol. Agora sabia onde Alexei conseguia aquele 
bronzeado curtido e imaginava quanto tempo sua pele levaria para 
comear a tomar cor. Estava apenas com um conjunto de short e camisa, 
feito de algodo leve, listrado de branco e rosa.   Alexei lhe 
comprara esse conjunto em Paris, antes de viajarem. Embora ela estivesse 
embaraada com o tamanho reduzido do short, no havia ningum para 
v-la na praia e era gostoso sentir o calor do sol na pele. Melhor 
ainda era poder tirar os sapatos e caminhar na areia molhada, onde as 
ondas se quebravam.
   Um cachorro apareceu quase que do nada, 
surpreendendo Hope ao passar correndo por ela, enquanto latia 
histericamente para as ondas. Era um bichinho magro, castanho-escuro, 
com um rabo peludo e olhos chorosos, que se fixaram nela com ar 
implorativo ao se aproximar com uma varinha na boca.   Bichos de 
estimao eram proibidos no convento, mas Hope adorava animais.  
Assim que venceu seu medo inicial, comeou a gostar da brincadeira de 
jogar a vara para ele ir buscar, enquanto caminhavam ao longo da praia. 
Alexei lhe dissera que havia uma aldeia ali por perto, e o cozinho 
provavelmente vinha dela. Ele tinha uma grande dose de energia, apesar 
da magreza e do ar abatido.   Mais uma vez, o cachorrinho se 
aproximou com a vara, derrubando-a aos ps de Hope. No entanto, quando 
ela pegou para joga-la novamente, o animalzinho a abocanhou do outro 
lado, puxando com fora, o rabo peludo espalhando areia por todos os 
lados, enquanto lutava para recuperar seu prmio.   Mole de tanto 
rir, Hope estava a ponto de desistir quando ouviu Alexei chamar eu nome, 
num tom inconfundvel de comando. De imediato, soltou a vareta, 
virando-se a tempo de v-lo nadando em sua direo.  O 
cozinho ouviu-o tambm e fugiu com o rabo entre as pernas, apesar 
dos chamados de Hope. Alexei estava agora em guas mais rasas, o peito 
moreno  mostra, o calor do sol j secando seus ombros e fazendo 
brilhar os grozinhos de sal que o cobriam. Enquanto o esperava, Hope 
tentou permanecer indiferente  masculinidade que via nele, imaginando 
que tipo de poder tinha ele para torna-la to sensvel a tudo que 
lhe dizia respeito, em to curto espao de tempo. Um exclamao 
de surpresa escapou de seus lbios, quando percebeu que ele estivera 
nadando nu. Desviou os olhos, embaraada, mas Alexei estava zangado 
demais para dar importncia a seus sentimentos.
   -Sua tola! 
Censurou, ao pisar na areia morna  Isso aqui no  a Inglaterra 
nem a Espanha. Aquele cachorro pode estar com raiva.    Ele foi 
amigvel  Hope respondeu, ressentida por Alexei se portar como se 
estivesse totalmente vestido. Ela estava extremamente constrangida por 
v-lo exibir, para quem quisesse ver, sem a menor inibio, mais 
de um metro e oitenta de magnfica nudez masculina.  E ele no me 
mordeu  acrescentou, recusando-se a fita-lo, apesar de saber que 
estavam a um passo um do outro.  S estvamos brincando...   
 Brincar  para crianas. E voc no precisa ser mordida, 
para pegar raiva. Um simples lambida basta. Deixe-me ver suas mos. 
   Hope j ia desobedecendo e escondendo as mos atrs das 
costas, quando Alexei deu um passo  frente e segurou-as, examinando 
com cuidado as palmas e os dedos finos e longos, antes de vir-las e 
examinar o outro lado.    Hum... No h cortes. Ainda bem, 
pois se voc tivesse um corte e o cachorrinho a lambesse...  Alexei 
empalideceu.   Hope sentiu o sangue fugir de seu rosto, ao pensar na 
possibilidade de contrair raiva. A Medicina se desenvolvera muito e a 
raiva j no levava necessariamente  morte, mas morrer daquele 
modo, completamente enlouquecida, ainda era um dos grandes pesadelos da 
humanidade. O sol deu a impresso de diminuir, e o cenrio escureceu 
enquanto o barulho das ondas se quebrando na areia aumentava, 
obliterando tudo a sua volta.    Hope!
   Mas nem a voz dele 
pde afastar a escurido. E, como se estivesse longe, ela o ouviu 
dizer, em russo, algo que no conseguia entender. No instante 
seguinte, estava sentada na areia, com a cabea entre os joelhos e 
Alexei mandando que respirasse devagar e fundo. A voz continuava vindo 
de muito longe, e s ao endireitar o corpo ela percebeu que ele estava 
junto a suas costas, emanando um calor gostoso, que lhe deu vontade de 
se recostar nele e se deixar envolver pela vitalidade daquela energia 
mscula.    Melhorou? Voc esteve a ponto de desmaiar. A minha 
reao foi um pouco exagerada, ma belle, e eu lhe peo desculpas 
por t-la assustado. Mas  que aquele cachorrinho pode estar 
infectado, e com raiva no se brinca.    Eu s estava 
brincando com ele...Ele me lembrou a minha infncia. Ns tnhamos 
um cachorrinho, mas...    Eu sei, eu sei...  a voz sedosa 
acalmou-a, enquanto os dedos morenos friccionavam a pele arrepiada de 
seus braos, puxando-a para trs de modo a que se apoiasse no peito 
forte.    Voc me assustou, aparecendo desse jeito...    
Desse jeito, como?  O divertimento insinuou-se na voz dele.  
Est reclamando porque resolvi nadar como a natureza me fez? Esta  
uma praia particular, e eu no teria me negado este prazer, mesmo que 
soubesse que voc estava aqui. Voc  que deveria ter ido me fazer 
companhia. A gua est quente, parece seda lquida. `at um 
crime no sentir a caricia de um mar assim em todo nosso corpo.   
 No... no, eu no estava falando disso. Foi s que no 
esperava ver voc  Hope explicou, no querendo reconhecer o 
quanto a afetara v-lo sair do mar, como um deus grego da antiguidade. 
No o deus Netuno, mas talvez Apolo, tomando a forma humana como nas 
melhores lendas gregas.
   -Se est se sentindo bem,  melhor 
voltarmos para a villa. Bertha logo estar l para preparar o caf 
da manh. No est com fome? Pois, do jeito que comeu ontem  
noite, deveria estar. Ou est pensando em se matar de fome antes de 
nos encontrarmos com seu pai?    Como voc, meu pai s me 
encara como algo que pode usar em proveito prprio  Hope disse 
baixinho, contente por ele no poder ver a dor em seus olhos, devido 
 posio em que estavam.  No sou to boba assim, Alexei. 
Pelo menos uma coisa eu aprendi com voc. E essa coisa foi s posso 
confiar em mim. `mais seguro desse jeito.  Levantando-se, ela se 
afastou depressa.    Hope!  Alexei a alcanou, agarrando-a 
pelo pulso e forando-a a encara-lo. Ele cheirava a mar e ar fresco, 
um cheiro que se misturava com um aroma que era s dele.   Hope 
comeava a desconfiar que esse aroma ficaria gravado em sua memria 
para sempre.    Seria horrvel, na idade em que voc est, 
buscar a segurana, correndo para o santurio do convento e tudo que 
as freiras lhe ensinaram, a cada vez que se sentir ameaada. Esquea 
o futuro, Hope. Viva apenas o presente, como agora.   Ela sentiu a 
fora e o calor da mo espalmada em suas costas, subindo por sua 
pele para enroscar-se em seus cabelos, puxando-os at que arqueasse o 
corpo para trs. Com a outra mo, Alexei colou seu corpo o dele, 
aproximando os lbios frios e salgados dos seus.    Eu fiquei 
com medo por voc  ele explicou baixinho.  Fiquei com medo de 
que aquele cachorro...
   -... prejudicasse seu valioso instrumento de 
vingana  Hope completou com ironia. Com que rapidez estava 
aprendendo! Com que facilidade dissera cada palavra  procura de seu 
verdadeiro significado.   No, droga!  Os dedos de Alexei 
enterraram-se na cintura feminina.  Com voc tudo tem que ser 
branco ou preto, no , Hope? Bom ou mau... O cinza no existe. 
Ser que no d para voc acreditar que no quero v-la 
prejudicada em nada?    Aes falam mais alto que palavras  
ela replicou com calma, enfrentando o olhar zangado que prendeu o seu 
por uma infinidade de tempo.    Maldio, Hope! E maldito seja 
o modo como voc foi criada. J  hora de eu lhe mostrar que  
humana. `pecado mentir, ma belle, e por um pecado desses voc 
poderia arder no purgatrio um milho de anos.   A boca masculina 
desceu sobre a de Hope, de uma forma dura e deliberada, machucando-lhe 
os lbios vulnerveis, forando-os a se separarem para obriga-la a 
dar o que no queria. A tempestade de emoes que a envolveu, 
quando Alexei venceu sua resistncia, fez com que se esquecesse dos 
passos que a tinham levado quela situao e ao desejo que a 
assolava. Suas mos adoraram a liberdade de poder toca-lo sem a 
barreira das roupas, e foi com impacincia mal disfarada que 
esperou que Alexei levantasse sua camisa e fechasse as mos em torno 
de seus seios.   O passado, o futuro... tudo cessou de existir. S 
havia o agora, o bater apressado de seus coraes parecendo ecoar o 
clamor das ondas, e a reao primitiva de seu corpo  proximidade 
de Alexei, Ele deslizou a mo de seus seios para o queixo, mantendo 
sua boca presa  dele, devorando sua doura mida... Logo em 
seguida os dois estavam deitados na areia morna, Alexei removeu-lhe a 
camisa e inclinando-se para examinar a curva plida de seus seios. E 
ela no sentiu vergonha, observando, com ele, o modo como seus mamilos 
floresceram sob o poder do desejo, transformando-se em botes duros e 
eretos.
  De repente, o instinto avisou-a de que Alexei ia se afastar, 
e ela, sem parar para pensar, agarrou-se a ele, beijando-o no ombro e 
sentindo a reao imediata do corpo musculosos ao passar as unhas, 
devagarinho, pela barriga dele.    Hope!   Ele comeara 
aquilo como uma lio, mas Hope no queria que parasse. Se o que 
estava fazendo levava ao purgatrio eterno, valia a pena, seu corpo 
lhe sussurrava, gritando uma satisfao que abafava qualquer voz em 
contrrio.   Logo, as mos de Alexei estavam em seu ombro, e ela o 
ouviu murmurar:    Agora diga que no me quer, se tem 
coragem!   Desde o inicio, Hope sabia que estava sendo punida. Mas a 
verdadeira punio no estava em ser forada a admitir que o 
queria, mas em no atingir o ponto final o qual Alexei havia preparado 
seu corpo.   Enlaado o pescoo dele com as mos, ela ergueu a 
cabea at seus olhos estarem no mesmo nvel.    Eu quero 
voc, Alexei  admitiu, tocando com a lngua a pele seca dos 
lbios. Ento, como uma pessoas em transe, inclinou-se para a 
frente, repetindo o movimento sobre os lbios dele.
Imvel como 
uma esttua, Alexei continuou a fit-la. Magoada com essa 
indiferena, Hope fechou os olhos, fugindo  frieza dos olhos 
esverdeados, que pareciam zombar de sua ineficincia em excita-lo. 
Seus dedos exploraram os cabelos espessos e o formato do crnio, com 
vida necessidade, enquanto sua lngua continuava traando, 
devagarinho, o formato dos lbios viris.   De repente, Alexei 
enrijeceu e afastou suas mos, empurrando-a at que ela estivesse 
com as costas na areia. Manteve-a nessa posio com o peso de uma 
coxa, beijando-a avidamente.    Voc me fora demais, ma 
petite. Brincou com fogo e agora ns dois vamos arder por causa disso. 
Beije-me, Hope  gemeu de encontro aos lbios dela, descendo a mo 
para se livrar do short que impedia seu acesso ao corpo feminino.
   
Hope respirou fundo, descendo a mo para protestar. Quando ele retirou 
o short e inclinou a cabea em direo a seus seios, parou um 
instante para dizer com voz rouca:    Acho que eu  que estou 
louco.   Ela estremeceu profundamente, arqueando o corpo enquanto 
Alexei acariciava um de seus mamilos com o polegar, as sensaes 
fora de controle. Toda modstia e timidez foram esquecidas  medida 
que cedia a emoes to velhas quanto Eva.   Hope sentiu a 
resposta instintiva de Alexei a seu convite, e reconheceu, tremula, o 
forte desejo masculino que o levou a substituir o polegar pela boca, 
movendo-a de forma compulsiva sobre seus seios, enquanto descia as 
mos at os quadris.   O que ela sentiu enquanto o observava, as 
ondas de prazer que a assolaram enquanto ele sugava seus mamilos, 
obrigaram-na a se perguntar, meio entorpecida, se um desejo to 
intenso era normal.    Mon Dieu, eu no deveria estar fazendo 
isso  Alexei murmurou roucamente, explorando com a lngua o vale 
entre seus seios, as mos inclinando-a um pouco mais, para melhor 
pressiona-la ao prprio corpo.    Por que no?  Hope 
surpreendeu-se com a prpria audcia em fazer essa pergunta.  
No  diferente de que... do que voc fez antes...   Um sorriso 
sem alegria apareceu nos lbios dele.    O fato de voc pensar 
assim, Hope,  uma tima razo para eu parar aqui mesmo. Mas a 
verdade  que ns j avanamos demais, para eu parar agora.   
 Alm disso, agora no d para voc ir at lise, atrs 
da satisfao total que no consegue comigo  Hope jogou-lhe na 
cara, doente com a idia de que era s a necessidade fsica que o 
fazia toca-la. Em primeiro lugar, era um instrumento de vingana e, em 
segundo, era algum para ser usada em vez da mulher que ele realmente 
amava.    lise...?  a tenso nele era inegvel.  O 
que tem ela a ver com isso?
   -Voc a ama, no ? Ela  a 
mulher que voc quer...    Mas  voc que est em meus 
braos  Alexei respondeu com crueldade.  Foi voc que excitou 
meu corpo a um ponto que no admite recusas. E desta vez, chrie, 
no vou pedir desculpas se a magoar. Nem por isso nem pelas marcas de 
paixo que na certa j estaro manchando a sua pele.   De 
imediato, Hope arrependeu-se de ter comeado tudo aquilo. Mas Alexei 
j a empurrava contra a areia, apoiando-lhe a cabea nos braos e 
reacendendo, com o peso do corpo, o ardor de momentos atrs. De novo 
desejando a invaso intima de sua parte mais feminina, ela arqueou o 
corpo para o dele.   Desta vez Alexei no fez concesses  sua 
inexperincia, e no foi dor que ela sentiu sob o roar febril do 
corpo masculino, mas sim um prazer intenso. Um prazer to grande que a 
liberou para corresponder, meio delirante, ao desejo que sentia latejar 
dentro dele. Partilhava com ele um xtase to brilhante que 
rivalizava com a exploso de uma estrela cadente, experimentando uma 
satisfao to profunda que, olhando para o corpo que cobria o 
seu, no pde deixar de se sentir saciada e relaxada.    Outra 
lio que voc no deve esquecer  Alexei comentou com 
seriedade, quando j havia se acalmado um pouco.  Um homem excitado 
nem sempre se lembrava de ser um cavalheiro. Eu no pretendia que isso 
acontecesse, Hope. Da prxima Vaz que tiver vontade de fazer 
experincias,  melhor me avisar com antecedncia.    Foi 
voc que comeou!  Oh por que ele tem que estragar tudo, 
analisando o que aconteceu nos menores detalhes?, ela continuou em 
pensamento.    `verdade Alexei respondeu enquanto os dois se 
levantavam, e notando que desta vez ela no desviava os olhos do corpo 
dele.  E reconheo que meu autocontrole no foi o que deveria 
ser, mas voc tambm me provocou.  Segurando-a pelo queixo, 
forando a fit-lo.  Foi ou no foi?
   -Foi.  Havia um 
curioso prazer em admitir a verdade, uma estranha satisfao que se 
espalhou por todo seu corpo, e ali, em p diante dele, Hope teve a 
percepo de que o amava e que, por mais que a vida pudesse lhe 
reservar outros caminhos, nunca outro homem se igualaria quele.   
 Agora  Alexei declarou num tom rouco  eu posso leva-la at 
seu pai e dizer: Esta mulher  minha. E nenhum homem pensar 
em negar.  soltou-a afastando-se.   Hope seguiu-o com os olhos, 
perguntando-se se teria apenas imaginado a expresso levemente amarga 
que vira no olhar dele. Por um momento, quase chegara a pensar que 
Alexei sentia desgosto por si mesmo. Talvez por ter feito amor com ela, 
uma garota que no desejava nem amava, uma garota que no eram mais 
que um peo num jogo de vingana, do qual ele participava porque a 
honra assim o exigia.   Estremecendo, ela tambm se ps a 
caminhar em direo  villa, indagando-se por que a vida sempre 
parecia proporcionar os momentos de maior alegria junto com os de dor 
mais intensa.   Alexei passou a tarde mergulhando com seus 
equipamentos apropriados. Ele convidara Hope para ir junto, mas estar 
fisicamente to perto, e to longe, mentalmente, era muito doloroso 
para ela. Hope preferiu tomar banho de sol.
Bertha preparara para eles 
uma refeio fria. A criada era nativa da ilha, e tiveram uma 
conversa animada quando Hope insistira em ajud-la depois do caf da 
manh. Ela aprovara Alexei inteiramente, e Hope se sentira bastante 
envergonhada ao ouvi-la anunciar que ele ainda daria lindos filhos a 
alguma mulher. Bertha mesmo tinha seis filhos e de pais diferentes, de 
acordo com o costume da populao nativa. A monogamia no era 
praticada nas ilhas, e as garotas se tornavam sexualmente maduras muito 
cedo, freqentemente j tendo trs ou quatro filhos ao sair da 
adolescncia. Bertha tinha trs do primeiro marido e trs do 
homem com quem vivia nos ltimos anos.    Um timo sujeito  
ela dissera a Hope com um sorriso aberto  Muito amoroso...   
Uma qualidade que ela dificilmente encontraria em Alexei, Hope refletia 
com tristeza, enquanto tomava sol e tentava se concentrar no livro que 
comprara no aeroporto. Mas a todo momento sua ateno se desviava 
para Alexei, que tinha, inegavelmente, um carter bem mais 
interessante que os do personagens do livro.   Depois do jantar, Hope 
comeou a sentir os efeitos de seu longo vo. Alexei no protestou 
quando ela disse que queria ir para a cama.   V indo, que eu 
vou depois. Eu trouxe algum trabalho comigo. St. Marguerite  o 
nico lugar em que tenho tempo para me concentrar.   Hope j 
estava na porta, quando comentou com angstia:    lise... ela 
no...
  -lise  uma parisiense.  De repente, os olhos 
esverdeados adquiriram um ar extremamente alerta e que demonstrava 
conhecer muito bem a pessoa de quem falava.  Ela acharia St. 
Marguerite aborrecida demais. Mas por que esse sbito interesse? Hoje, 
 a segunda vez que voc fala nela.  Colocando de lado os papeis 
que havia tirado da escrivaninha, Alexei fitou-a com ateno.   
Mais um minuto e ele adivinharia a verdade. A garganta de Hope 
contraiu-se num n doloroso. Aquela humilhao era algo que no 
poderia suportar.    `natural que eu esteja interessada em 
lise, uma mulher to linda e inteligente o bastante para segurar um 
homem como voc. Talvez eu possa aprender mais, observando-a, do que 
vivendo na sua companhia.     Voc nunca poder ser como 
lise.   A crueldade dessas palavras chocou Hope e, com uma 
exclamao abafada, ela abriu a porta e fugiu, magoada demais para 
dar importncia ao que Alexei pudesse pensar de seu comportamento.  
 Ela ainda estava acordada quando ele subiu. Estava com o corpo tenso e 
extremamente consciente de cada movimento que ele fazia. Ouviu-o fechar 
a porta do banheiro atrs de si, ordenando a si mesma que adormecesse 
antes daquela porta se abrir novamente. Mas, quando Alexei se deitou ao 
seu lado, ainda estava acordada. O fato de ele adormecer com facilidade 
no lhe serviu de consolo, e horas se passaram antes que sucumbisse 
 exausto de seu corpo.   Seu sono foi povoado de pesadelos, e os 
movimentos irrequietos de seus membros acabaram por acord-lo.
  -O 
que foi, pequena?  Alexei perguntou.  Dormir com voc  como 
dormir com um potrinho inquieto. Voc  s pernas e braos, toda 
movimento.   Hope abafou o comentrio desdenhoso que j tinha na 
ponta da lngua, sobre ter certeza de no ser uma substituta 
satisfatria para lise. Alexei no era tolo, e, se no queria 
que ele soubesse de seus sentimentos, o melhor era pensar bem antes de 
falar.    Como  doida essa passagem de criana a mulher  
ele murmurou.  Num momento uma mulher provocante, no outro uma 
criana precisando do apoio da me. Isso eu no posso dar, mas 
talvez assim voc se sinta melhor.  Puxou-a para junto de si, pela 
primeira vez sem dizer nada sobre a camisola que ela usava.  agora, 
durma  mandou, quando j a tinha aconchegado ao corpo.  Se no 
me engano, pessoas que compram um cachorrinho so sempre aconselhas a 
colocar um relgio no lugar onde ele vai dormir. O tique-taque se 
parece com o bater do corao da me dele, e assim ele se sente 
reconfortado durante a noite, no incomodando ningum com seu uivo 
choroso. Voc pode no uivar, ma petite, mas est atrapalhando meu 
sono com a sua inquietude. Espero que o bater do meu corao lhe 
d o mesmo conforto que o relgio d aos cachorrinhos. Voc 
estava chorando enquanto dormia... por qu?   O que poderia 
responder? Que chorava porque sabia que nunca teria o que realmente lhe 
importava? E porque ele lhe ensinara que a vida no pra, que teria 
que encontrar foras para aceitar isso e construir um mundo se ele? 
   No acha que tenho motivos para chorar?  replicou, 
surpreendendo-se ao senti-lo enrijecer.
   -Ah, sim, a minha 
patifaria, tirando a sua inocncia. Eu estrago sua viso de tudo se 
lhe disser que aquilo no me deu o menor prazer?   Foi a vez de 
Hope enrijecer, arrependida de ter se exposto a novas mgoas. Mas 
Alexei tinha razo ao pensar que se acalmaria, ouvindo os batimentos 
do corao dele. Ela logo adormeceu, s acordando muito mais 
tarde, ainda na mesma posio.   De imediato Alexei abriu os 
olhos, completamente alerta.    Paz?  perguntou num tom 
indolente, levando a mo dela  boca e mordiscando a ponta de um dos 
dedos. Ele riu, um riso satisfeito de caador, quando ela tentou puxar 
a mo. E foi com um brilho diablico nos olhos que prosseguiu:  
`claro que podemos nos dedicar a outras... hostilidades...    
Lembrando-se do modo como se entregara completamente a ele na praia, no 
dia anterior, Hope respondeu depressa:    No... no... 
paz...    A qualquer preo?  Alexei passou os lbios pelo 
rosto dela, indo explorar, com a lngua, os contornos da orelha mais 
perto de si.  Fique quieta  mandou, quando ela tentou fugir.  
Ainda temos que selar nosso acordo.   Hope ainda tentou resistir, mas 
com ele usando os lbios e a lngua para minar sua resistncia seu 
esforo foi em vo. Cada movimento era um langoroso incitamento de 
seus sentidos, e logo ela s desejava ser possuda por ele. No 
havia duvida que Alexei conhecia tudo sobre sexualidade feminina, foi 
forada a admitir, enquanto ele levava sua excitao a um ponto de 
ardor frentico. As caricias intimas a que a submetia no eram mais 
um ato chocante de sensualidade, mas um estimulante poderoso, que 
afastava suas inibies e a fazia gemer de desejo e prazer.
   
Alexei s ps fim a seus tormento quando implorou, com palavras 
incoerente e alucinadas, para ser possuda. E foi s quando ele 
fritou seu nome, no memento final de prazer, que Hope percebeu que ele 
perdera o autocontrole.   Depois, Hope adormeceu, quando Alexei a 
sacudiu gentilmente.    Eu trouxe o seu caf.   Ele estivera 
nadando e ainda esta com o corpo cheio de gros de sal. Sem parar para 
pensar, Hope se inclinou para lambe-lo, adorando o arrepio que o 
percorreu.    Eu calculei mal quando fiz meus planos  Alexei 
gemeu com a boca colada em seus cabelos, tomando-a nos braos e 
excitando-a ainda mais com o contado de seus corpos nus.  Voc vai 
acabar comigo. Eu tenho trinta e quatro anos e no dezessete, Hope, e 
no momento s preciso de um banho. Quando foi que isso aconteceu?  
perguntou gentilmente, levantando-se e levando-a com ele, permitindo que 
deslizasse pelo corpo dele at tocar o cho, mas sem deixar que se 
separassem.  quando foi que abandonou toda aquela historia de branco 
e preto e optou pelo prazer?  Com um gesto quase terno, empurrou os 
cabelos dela para trs.  Voc  to sensual, e ainda nem sabe 
disso. Sua pele brilha como pssego e tem gosto de mel. Eu me lembrei 
de ontem, quando estava saindo do mar e vim correndo para...    
Pense que voc quisesse tomar banho  Hope disse, incapaz de 
acreditar que ele admitira que a queria.    Eu quero...  Alexei 
concordou, enterrando o rosto em seu ombro, mordiscando a curva suave, 
toda gentileza transformando-se em paixo ao senti-la corresponder 
cegamente.
   Muito depois, Alexei realmente foi para o chuveiro, 
levando Hope junto, acariciando seu corpo com um toque leve e vagoroso, 
estudando seu rosto corado com um olhar divertido, antes de lev-la de 
volta para a cama.    Voc  to quente  murmurou, ainda 
a observ-la.  Mon Dieu, como teria sido desperdiada, com 
Montrachet!    Mas no,  claro com um conhecedor como voc? 
 Hope sugeriu, detestando o ar distante cm que ele a estudava, como 
se fosse algo debaixo de um microscpio.  Pode ser que lhe d 
prazer me tratar como... como uma odalisca... mas agora eu estou com 
fome e quero meu caf.  Tentou levantar, mas Alexei impediu-a.   
 Como minha odalisca,  seu dever agradar seu amo e satisfazer 
todos os desejos  Alexei disse baixinho, observando a raiva colorir o 
rosto dela.  Foi voc que escolheu o termo, e no eu, ma 
belle.    Seu... seu manaco sexual!   Ele se defendeu com 
facilidade do golpe com que Hope tentou atingi-lo, e segurou-a, 
dando-lhe at impresso de que poderia escapar, enquanto lutava nos 
braos dele. Mas depois murmurou:    Voc quer escapar tanto 
quanto eu quero que escape.   E ela foi obrigada a reconhecer que 
isso era verdade, enquanto seus msculos se contraiam de prazer e sua 
raiva se transformava em paixo, sob o toque masculino.
   A no 
ser por Bertha, durante trs dias eles permaneceram completamente 
isolados do resto do mundo. E durante todo esse tempo Hope repetiu a si 
mesma que no estava sendo gananciosa, que s tenta conseguir o 
bastante para ajud-la a suportar os anos de solido que viriam 
depois. Alexei era uma amante hbil e cheio de imaginao, e ela 
comeou a achar que ele estava certo, quando lhe dzia que era 
sensual.   Rememorando, ela mal se reconhecia na garota tmida e 
embaraada, que costumava chorar de vergonha e angustia ao ser tocada 
por Alexei. Agora, conhecia o corpo dele to bem quanto ele conhecia o 
seu. Alexei a ensinara a gostar da virilidade dele, e j era capaz de 
provocar e excit-lo quase to bem quanto ele a excitava.   Eles 
nadavam juntos no mar diante da pequena praia, e, embora Alexei logo a 
despisse, preferia que ela tomasse banho de sol com o biquni. A 
principio, Hope pensou que fosse por causa de Bertha, mas percebeu seu 
erro quando sua pele comeou a adquirir um tom dourado. No frescor de 
seu quarto, na hora mais quente do dia, Alexei lhe mostrou, com as 
mos e os lbios, o quanto achava erticas aquelas faixas mais 
claras de pele, que mostravam que os segredos de seu corpo eram s 
para os olhos dele.   No terceiro dia, tudo mudou. Hope dormiu demais 
e, quando acordou, no viu    Alexei com o caf da manh, 
prometendo com o olhar que ainda se passaria um bom tempo antes que 
deixassem o quarto. Em vez disso, s foi v-lo l embaixo, no 
escritrio, completamente vestido. De repente, ali estava um estranho, 
com o cenho franzido.    Seu pai chegou  ele lhe disse sem 
rodeios.  Hoje  tarde, vamos para o hotel. Reservei um quarto para 
ns. Jantaremos l e depois...    Depois voc vai me exibir 
na frente dele. Meu Deus...!    Por que isso, agora? Voc sabia 
qual era a minha inteno. Eu nunca fiz segredo de nada.
   No, 
mas ela fizera de seus sentimentos. E tambm da esperana, cada vez 
mais forte em seu intimo, de que Alexei talvez mudasse de idia, de 
que talvez viesse a gostar dela o bastante para isso. Ele no tinha 
noo do sofrimento que lhe afligia? Aparentemente, no. E a 
angustia a fez revidar, erguendo entre ambos uma barreira de raiva ao 
comentar com acidez:    Estou admirada por voc no t-lo 
convidado para vir ao nosso quarto, ver tudo com os prprios 
olhos...    Que comentrio mais rude e sem propsito  
Alexei a censurou friamente.     -Talvez eu tenha me enganado a seu 
respeito, Hope. Talvez voc no tenha a fora de carter que 
pensei...    `fcil, para voc, falar assim. Mas  isso 
mesmo o que est fazendo! Voc pode no querer que meu pai o veja 
me possuindo, mas quer que ele saiba o que me fez. Voc  doente, 
Alexei! Doente e depravado.   Mas ela  que se sentia doente, e uma 
frase Bblia veio-lhe  cabea: Console-me com mas, pois 
eu estou doente de amor. Era a Cano de Salomo, no era? 
  E, sem mais nada para fazer, Hope foi para o escritrio de Alexei e 
tirou da estante uma Bblia, folheando-a at encontrar o que queria. 
As palavras fascinaram, to novas e emocionantes agora quanto no dia 
em que tinham sido escritas, sem dvida uma das grandes homenagens ao 
amor. Ainda estava entretida com elas quando Alexei entrou, e por um 
momento seus olhos refletiam a dor que sentia.   Ele tirou o livro de 
suas mos e estudou o trecho com ateno, antes de dizer 
baixinho:
   -Um dia haver um homem na sua vida, para quem essas 
palavras expressaro a verdade, Hope.    Existe mulher assim 
para voc?  ela perguntou, cheia de infelicidade, cerda da 
resposta. lise era essa mulher.    Talvez  Ele fechou a 
Bblia, citando com suavidade:  O meu amado est em mim como 
um cacho de Chipre nas vinhas de Engedi. Ns sairemos depois do 
almoo  acrescentou com frieza.  Voc na certa vai querer 
tomar um banho e se trocar, antes de jantar.   Hope ficou sozinha, 
imaginando por que Alexei teria escolhido aquela mensagem. Por mais 
angustia que isso pudesse trazer, tinha que aceitar o fato de que ele 
amava lise. E mesmo assim, de certo modo, estava contente por 
am-lo. Sentia-se contente por ter aprendido o que era amar e se dar a 
algum, embora soubesse que provavelmente nunca mais tornaria a viver 
algo semelhante.   Mais tarde, Hope associaria a mudana de Alexei 
com aquele dia. Quando eles partiram para o hotel, ele j era 
novamente o estranho que fora busc-la no convento, incapaz de lhe 
oferecer conforto ou apoio durante a fase dura que iam enfrentar. Isso a 
levou a pensar que talvez pudesse encontrar seu pai, antes, e contar-lhe 
o que Alexei tinha em mente.

CAPTULO VII 
O hotel causou 
uma espcie de choque em Hope. Mais tarde, ela chegaria  
concluso de que j deveria estar preparada, pelo que Alexei lhe 
dissera. Mas a sbita apario de um vasto grupo de edifcios de 
concreto armado, em meio  vegetao luxuriante, causou-lhe uma 
impresso muito desagradvel.    Ao contrrio das outras 
ilhas, St. Marguerite no estabelece limites para a altura de seus 
novos edifcios. A maioria das ilhas que lida com turismo viu o que 
aconteceu na Europa e na Florida, e tem leis que probem a 
construo de prdios com mais de dois andares. `por isso que 
quase todos os complexos tursticos consistem em chals, em meio a 
jardins informais, ou pequenos blocos de apartamento, separados do 
prdio principal do hotel. Seu pai conseguiu convencer o governo 
anterior de que ganhariam mais dinheiro com um hotel ao estilo europeu, 
e este  o resultado. Mas agora o antigo governo se foi, e, embora os 
novos governantes no possam desfazer o que foi feito antes de seu 
tempo, esto tentando no aumentar o dano, recusando permisso 
para a construo de um novo aeroporto.   Hope olhava-o curiosa 
pelas informaes que ele lhe dava, e Alexei continuou:    
Ouvi dizer que os investidores, aqueles que sei pai atraiu para o 
negcio, no esto contentes com a situao. Esta pilha de 
concreto representa muitos milhares de dlares. E, com apensa um 
tero dos quartos ocupados, a maioria por amigos de seu pai e 
convidados da imprensa, a selva no levar muito tempo para invadir 
tudo. Neste clima, o grande inimigo  o mofo. O calor mido encoraja 
sua formao, e, como voc j deve ter notado, as estradas no 
resistem  mata se no tiverem manuteno adequada.  Terminou 
de falar quando chegavam  entrado do hotel.   Uma barreira 
eletrnica e duas guaritas, com guardas, impediam seu avano, e 
Alexei explicou que, com a metade da populao da olha praticamente 
morrendo de fome, os hotis caros e seus hospedes ricos tinham que ser 
protegidos.
   -Estas ilhas foram privadas dos investimentos certos 
muitos anos, vitimas de um sistema corrupto de governo. As pessoas 
vinham para ganhar dinheiro, usando a terra frtil e a mo-de-obra 
barata, e depois voltavam para seus pas de origem, levando o que 
tinham conseguido. Sem dvida no preciso lhe falar dos abusos que 
eram cometidos naquela poca. Os nativos no passavam de escravos, e 
mesmo hoje em dia eles continuam escravizados pela pobreza em que vivem. 
O Caribe inteiro  um solo frtil para o consumismo.   Um guarda 
negro e serio levantou a barreira, e Alexei comentou, enquanto passavam 
por ela:    Ele deve ganhar mais ou menos quarenta francos por um 
ms de trabalho, e seu pai e os scios na certa se congratularam 
pela mo-de-obra barata que conseguiram. Uma pena que eles no 
enxergam o quanto isso pode sair caro, a longo prazo.   O caminho 
levava  parte de frente do hotel, cuja entrada principal ostentava 
enormes portas de vidro fum, escondendo seu interior. Um porteiro 
avanou para pegar a mala que Alexei mandara Hope preparar, e logo 
eles estavam no saguo, onde os aparelhos de ar-condicionado mantinham 
uma temperatura deliciosa, depois do calor l de fora. Alexei lhe deu 
seu nome. Observandoos, Hope chegou  concluso de que as 
mulheres sempre sorriam para ele, independente de sua raa ou cor.  
 Alexei voltou com uma chave e uma brochura de capa brilhante.    
Um guia do hotel. De acordo com a publicidade, ele tem todo o luxo 
conhecido pelo homem. Ns estamos no segundo andar.    Quando ele 
abriu a porta do quarto, Hope pensou que houvesse um engano.   Estavam 
numa sala de estar luxuosamente mobiliada, decorada em tons de rosa e 
verde. Os mveis de cana-da-ndia eram pintados para combinar com o 
esquema de cores, e as almofadas tinham sido estofadas com o mesmo 
tecido de cores rosa e verdes cortinas. No cho, havia um tapete 
cor-de-rosa de vrios centmetros de espessura, e Alexei fez uma 
careta ao v-lo.
   -Eles ainda vo ver que este  um erro que 
vai sair caro. Ningum tem tapetes, neste clima. Se a umidade no 
acabar com eles, as traas acabam.  Percebendo a expresso de 
Hope, ele riu.  No se preocupe, por enquanto voc est a 
salvo. Estamos na poca da seca.    Isso no  um quarto  
ela comentou, imaginando, cheia de nervosismo, se  Alexei no a teria 
levado para a rea reservada seu pai.    No, mas faz parte da 
nossa sute. O quarto fica ali.  Ele indicou uma porta que ela 
no notara.  Hope abriu-a, arregalando os olhos ao ver o luxo do 
local. O mesmo esquema de cores da sala de estar fora usando ali, com um 
mesmo tecido preso a um circulo de metal, no teto, e caindo em dobras 
at envolver toda a cama. O tapete tinha o mesmo tom de rosa, e os 
mveis tambm eram de cana-da-ndia, pintados de rosa muito 
claro.   Alm do quarto ficava o banheiro, com as paredes 
espelhadas para tirar o mximo proveito do espao reduzido, peas 
obviamente caras.   Hope achou impossvel imaginar uma situao 
em que Alexei precisasse de estimulo sexual. Mas um pensamento leva ao 
outro, e e questo de segundos ela estava fazendo o possvel para 
no pensar nas muitas mulheres que tinham encontrado o mesmo prazer 
nos braos dele, principalmente lise, que ele   amava.   Uma 
batida na porta assustou-a Alexei foi ver o que era, e ela ouviu-o 
dizer:    Coloque aqui, por favor.   Depois, a porta se 
fechou.   Hope entrou na sala. Sobre a mesinha de cana-da-ndia 
havia duas taas de cristal e um balde de gelo, com uma garrafa de 
champanhe dentro.    Muito bem, Hope  Alexei murmurou, tirando 
a rolha e enchendo as duas taas com o liquido borbulhante.  O jogo 
comeou. Voc vai beber ao meu sucesso ou vou ter que beber 
sozinho?   Esforando-se para no tremer, ela pegou uma das 
taas e declarou baixinho:
   -No vou beber a isso, Alexei, mas 
beberei em homenagem a Tanya e para voc encontrar a paz de 
esprito.   Por um momento, uma sombra terrvel caiu sobre as 
feies de Alexei.    Sim... a Tanya, minha linda e tola 
irm.   Enquanto tomava o champanhe, Hope imaginava quando a 
confrontao teria lugar. Alexei no lhe dissera nada nesse 
sentido, na certa pensando que seria mais vantagoso agir de surpresa. 
Afinal, seu pai no fazia idia do que acontecera, julgando, sem 
duvida, que ela ainda estava no convento. E o perodo escolar s 
terminaria em julho, dali a vrias semanas. Alexei planejara tudo 
muito bem.   Pegando a brochura dada pela recepcionista, Hope tentou 
fixar nela sua ateno. O hotel tinha mesmo todos os luxos 
possveis. Possua uma praia particular, com vrios tipos de 
barcos a motor e a vela, para-sailing, Wind-surfing, hand-glinding, 
surf-boards e at mesmo um lindo iate para excurses regadas a 
champanhe, com parada numa praia local e depois jantar a bordo.    
Alm disso, havia tambm duas piscina, vrias quadras de tnis, 
um campo de golfe, um sofisticado ginsio de esportes, coberto, e um 
cinema. Sem contar a meia dzia de bares, trs luxuosos restaurantes 
e um pequeno cassino.
   -Quer dar um passeio?   Hope aceitou quase 
que depressa. A tenso entre eles j estava crescendo, e talvez uma 
caminhada pelos jardins, que a brochura descrevia como lindamente 
planejados, a ajudasse a relaxar um pouco.   A brochura no mentia. 
Os jardins eram mesmo lindo, com hibiscos e primaveras em flor 
espalhados por toda a parte. Havia um riacho que ia terminar numa 
cascata e um belssimo lago, onde nadavam peixes de todas as cores, 
cujas escamas brilhavam como se fossem iluminadas, sob a superfcie da 
gua.     O paraso na terra.  Alexei comentou com ironia, 
quando Hope inclinou para examinar os peixes mais de perto.    Com 
meu pai no papel de serpente.  ela respondeu, endireitando o corpo. 
 E se este  o paraso e meu pai  a serpente, eu devo ser a 
ma. Essencial para os acontecimentos, mas a quem no se permite 
o luxo de ter opinio.  Ela falou sem rancor, fitando Alexei para 
ver que tipo de reao suas palavras despertariam.  Ele examinava 
um hibisco em flor, com uma expresso quase de mgoa nos olhos 
esverdeados. No que estaria pensando? Em Tanya? Nos pais? Em lise? 
   J  tarde demais, Hope  ele disse, afinal.  No h 
jeito de voltar. E voc pode, com toda a honestidade, chamar o 
perodo que passou comigo de... desagradvel?    No.  
Ela mesma se surpreendeu com a firmeza de sua resposta.  Mas isso 
no altera o fato de que no foi por minha escolha.    Voc 
tem o resto de sua vida para escolher livremente... se  que tal coisa 
existe. S os muito jovens acreditam que a vida nos d algo sem 
cobrar. Pegue o que voc quer, dizem os deuses. Pegue... e pague 
por isso.   Hope arrepiou-se, apesar do calor da tarde. Que preo 
ter que pagar por amar Alexei?
   Depois de percorrerem os jardins, 
Alexei perguntou a Hope se ela gostaria de ir at a praia ou mesmo 
at a piscina, mas ela no quis. Fora bom demais nadar na praia 
diante da villa, e ela no queria estragar as lembranas que tinha. 
A praia do hotel no a atraia de jeito nenhum, principalmente quando 
ainda podia fechar os olhos e sentir os grozinhos de areia sobre sua 
pele, enquanto fazia amor com Alexei.    Vamos jantar no 
Restaurante Tobago  ele lhe disse, quando voltavam para a sute. 
 Seu pai janta l e no poder deixar de nos ver, na mesa que 
reservei. No h dvida de que voc fez todos os seus 
planos com muito cuidado. Eles tambm incluem o que devo vestir?   
 Por qu? Por sua escolha voc usaria roupa de luto? No, Hope, 
eu no vou lhe dizer o que usar. No importa o que vista, seu pai 
entender a verdade.   Sendo assim, ela devia a si mesma se 
apresentar da melhor maneira possvel. Podia ser do conhecimento de 
tos que era amante de Alexei, mas eles tambm iam saber que no se 
envergonhava disso!   Hope passou um bom tempo se aprontando, 
primeiro imersa numa banheira de gua perfumada com essncia de 
marfim vegetal, depois passando um creme com o mesmo aroma por todo o 
corpo. O vestido que escolhera era de um modelo simples, de jrsei 
preto, que se colava  sua pele, e sob o qual no usaria nada a 
no ser um teddy de seda e renda, atravs do qual sua pele brilhava 
como prola.   Ela saiu do banheiro usando apenas o teddy. Alexei, 
que estava deitado na cama, totalmente vestido e com a cabea apoiada 
nas mos, virou-se ao ouvir sua aproximao, examinando-a com 
olhos cada vez mais sombrios.
   -Espero que voc no esteja 
pensando em usar s isso  comentou, afinal.  O que est 
querendo, Hope? Que eu me envergonhe do que lhe fiz?   Por acaso 
isso  possvel? De qualquer maneira, mrtires normalmente no 
se cobrem de seda e renda. Vou usar aquele vestido  ela apontou para 
o vestido dependurado na porta do armrio -, e no posso pr muita 
coisa debaixo dele. Foi uma coisa que a vendedora me recomendou, quando 
o comprei.    Vestida assim voc  o sonho de setenta e cinco 
por cento da populao masculina do mundo. A inocncia vestida de 
prostituta, com uma roupa que mais revela que esconde seu corpo. E quem 
 o responsvel por essa deliciosa viso?     Levantando-se, 
Alexei foi at onde ela estava.  Ns dois conhecemos a resposta, 
no , Hope? Tire isso, antes que eu ou qualquer outro arranque essa 
droga de seu corpo! Pelo amor de Deus, Hope  ele praguejou quando ela 
continuou imvel, chocada demais para obedec-lo.  Acha mesmo que 
eu posso fazer o que tenho que fazer, com voc sentada ao meu lado, 
usando isso? O que a mulher que lhe vendeu essa coisa pensou que voc 
era?  As feies dele eram a imagem da violncia.   Em meio 
 sua dor Hope ouviu-se responder:    Ela sabia o que eu era, 
Alexei. Ela sabia que eu era sua amante...    E vestiu voc de 
acordo... com um pedao de renda negra e um palmo de seda. Para 
mostrar que voc est sexualmente disponvel. Hope? `isso? `
isso que esta querendo me dizer?    Eu s vim buscar meu 
vestido. Eu nem sabia que voc estava aqui...    Mas perfumou a 
sua pele, e ela agora brilha como mel debaixo desse... desse...    
Teddy. O nome disso  teddy e...  Como poderia explicar a ele que o 
perfume era sua proteo, que fizera tudo que podia para aumentar 
sua coragem e manter o orgulho?  Se eu tirar o teddy, no tenho 
mais nada para usar debaixo do vestido.
    Para seu horror, Hope viu 
que estava  beira das lgrimas. Testou afast-las, piscando, mas 
uma delas caiu, e depois outra, e lego os soluos sacudiam seu corpo 
inteiro. Ouviu Alexei xingar violentamente em francs, antes de mudar 
para expresses na certa do mesmo tipo, em russo. Ento, ele 
segurou-a pelos ombros, aconchegando sua cabea ao ombro. Ela se 
sentiu como uma criana, segura novamente, depois de enfrentar a raiva 
incompreensvel de um adulto.    Desculpe. Hope. Eu no 
deveria ter dito o que disse. Pode usar o teddy.  Afastou-a de si, 
estudando as curvas delicadas de seu corpo sob o tecido transparente. 
  Hope viu o reflexo de ambos nas portas espelhadas do armrio. Alexei 
poderia esmag-la com as mos nuas, se quisesse. Com medo da zanga 
que despertara, ela estremeceu da cabea aos ps.    Eu no 
pus para... para...   -... Me seduzir  Alexei completou secamente, 
dando um passo para trs.  Eu sei que no.  Virou-se e 
caminhou para a porta, murmurando algo.Hope teve a impresso de 
t-lo ouvido dizer:  E o pior  que eu quase gostaria que 
tivesse. Mas ele falou to baixo e era to pouco caracterstico 
dele expressar um sentimento desse, que ela deduziu que ouvira mal.   
Mas se suas roupas de baixo no tinham merecido a aprovao de 
Alexei, o vestido mereceu. Hope viu a admirao no rosto dele, ao 
entrar na sala totalmente vestida, com os ps calados em 
sandlias de salto alto que enfatizavam ao mximo a sofisticao 
de sua roupa. O jrsei negro colava-se a cada curva de seu corpo, e 
ela prendera os cabelos num dos estilos que o cabeleireiro de Paris lhe 
ensinara, aplicando uma maquilagem leve para iluminar os olhos, que 
brilhavam como ametistas sob a luz artificial. Esmalte incolor cobria as 
unhas, e brincos de prola enfeitavam suas orelhas.
   Alexei estava 
impecvel num dinner jacket branco, com uma camisa de seda e calas 
escuras, que lhe realavam a musculatura das pernas. Ele se levantou 
da poltrona em que estivera sentado, e estudou-a por um segundo antes de 
tomar-lhe a mo e lev-la aos lbios.   O beijo que ele 
depositou na palma da sua mo despertou a emoo que ela vinha 
lutando para sufocar, o dia inteiro, e Hope se apavorou com a idia de 
que ia chorar de novo.    Minhas desculpas e parabns  Alexei 
disse baixinho.  Eu deveria ter pedido outra garrafa de champanhe. 
Temos mais que a minha causa a brindar. Esta noite, Hope, voc se 
tornou uma mulher. Uma mulher linda e, desconfio, de muita coragem. 
Ainda est zangada comigo por criticar seu teddy? Confesso que o olhar 
que voc me lanou, quando entrou por aquela porta, fez com que eu 
me lembrasse da minha me, em seu aspecto mais principesco.     
Por que voc ficou to zangando?    Por que pensei que voc 
estivesse usando o teddy para me mostrar o que pensava de si mesma e do 
nosso relacionamento. Achei que era um gesto de desafio, um modo de me 
lembrar que eu a roubei do claustro e transformei a inocncia em 
sensualidade.    Quando a verdade razo era bem mais mundana. 
Engraado, geralmente so as mulheres que procuram motivos 
escondidos. Os homens costumam aceitar todo pelo valor aparente.   
 Nem todas as mulheres e homens  Alexei corrigiu.  Esta noite, 
Hope, voc  uma mulher completa, orgulhosa e sem a menor vergonha 
de si mesma. Uma transformao e tanto!
   -Voc  um bom 
professor. Como disse, o que minha vida vai ser depende nica e 
exclusivamente de mim. Se eu comear tendo vergonha de mim mesma, 
terei vergonha o resto da vida, e afinal...  No h vergonha 
em sentir o que sinto, ela ia dizer. Alexei, no entanto, a 
interrompeu, declarando quase com secura:    ... Afinal, voc 
no tem culpa de nada, no , ma petite? Toda a culpa e 
arrependimento so meus.   O restaurante tinha uma decorao 
to fina quando a da sute, e vrias mesas j estavam ocupadas, 
quando Hope e Alexei entraram. De imediato o mitre se postou ao lado 
de Alexei, tratando-o com a deferncia que, Hope j notara, as 
pessoas sempre o tratavam. Eles foram levados  mesa previamente 
reservada e receberam os menus.   Os dedos de Alexei roaram os de 
Hope quando ele se inclinou para lhe perguntar o que queria, e por um 
momento ela se lembrou daquelas mos sobre seu corpo, acariciando-o 
at faz-la arder de desejo.    Alexei... Mon Dieu, eu no 
sabia que voc estava aqui!   Os dois se voltaram, Hope com o 
corao batendo forte, para ver um homem baixo, de meia-idade, 
levantar-se da mesa vizinha e vir para a deles.    Alexei, mona 
mi... E quem  esta linda senhorita?   Ele era francs e Hope 
percebeu que estava interessadssimo em saber quem ela era, pois 
examinava-a totalmente.    Hope ...  Alexei sorriu para ela 
com ar indolente, dirigindo-se depois ao recm-chegado.  ... 
minha.    Ah, sim!  O francs riu.  Foi o que pensei, e 
voc escolheu bem, meu amigo. Mas no vai nos apresentar? No 
precisa ter medo de competio. Estou com Isabelle.  Olhou para a 
elegante mulher que estudava a carta de vinhos, sentada  mesa de onde 
viera.    Hope, este  um velho conhecido meu, Philippe 
Montrachet. Philippe, est  Hope.   Montrachet, ela disse 
mentalmente. Isso queria dizer que era parente de Alain. Olhando para a 
esposa dele, deduziu que deviam ser os pais do rapaz. Teria Alexei 
recebido informao de que eles estariam ali? Alain lhe dissera que 
os pais estavam no chteau que possuam no Loire...
   -Mas o que 
o trouxe at aqui, mon viex?  Phillipe Montrachet perguntou a 
Alexei, cheio de curiosidade.  Alem da linda Hope,  claro.   
 Negcios... Eu tenho uma villa nesta ilha. E voc?   O 
francs deu de ombros.    Foi idia de Isabelle. Ns viemos 
como convidados do sir Henry Stanford.Montrachet corou de repente, e 
Hope deduziu que ele devia ter se lembrado da conexo de Alexei com 
seu pai.    Ah, sim eu conheo o sir Henry  Alexei comentou, 
suavizando o momento desagradvel.    Mais tarde, posso ter o 
privilegio de danar com Hope, mona mi?    Talvez... se ns 
ainda estivermos aqui.   Phillipe passou do rosto divertido de Alexei 
para o de Hope, muito corado, e sorriu com malicia.    `
claro... Eu entendo, meu caro.    E eu tambm, Hope pensou 
desanimada, enquanto esperava que Alexei pedisse os pratos que tinham 
escolhidos. O jogo comeara. Os Montrachet j sabiam que era amante 
dele.    Voc sabia que eles estariam aqui?  perguntou 
baixinho, quando seu coquetel de frutos do mar j tinha sido 
servido.    No. Fiquei to surpreso quanto voc.    
Parece um bom pressgio para sua causa. Agora, meu pai nunca mais 
poder convencer os Montrachet de que sou pura. Eles so os pais de 
Alain, no so?    So. Como adivinhou?    Pela 
descrio que voc fez de madame Montrachet e pela censura no 
rosto dela, quando olhou para ns. Mas o pai de Alain me pareceu uma 
pessoa agradvel.    Ele , mas no pense em lhe pedir 
ajuda, ma belle. Phillipe  um francs, antes de tudo, e sem duvida 
lhe Dara ajuda. Mas cobrara um preo, e no vai ser o casamento com 
o filho dele. Se no me engano, ele tem um lindo apartamento na Avenue 
Niel, s para as... amigas. Madame dirige o lar e...
   -Ela j 
sabe que somos amantes.   O garom trouxe o vinho, e Alexei mandou 
que enchesse os dois copos, sem se dar ao trabalho de prov-lo.   
 Dependendo do restaurante, provar o vinho  pretensioso. Qualquer 
garom de valor sabe que vai servir, cheirando a rolha. Boas safras 
no precisam ser testadas de outro modo, e elas so muito conhecidas 
para que algum se engane.   Ele levantou o copo, e com o canto dos 
olhos Hope viu que Phillipe Montrachet a observava. Lembrando-se das 
palavras de Alexei, ela ergueu o prprio copo, saudando-o em silencio, 
enfrentando corajosamente seu medo de deixar o francs soubesse que 
pertencia a ele.    Por que isso?  Alexei quis saber, momentos 
depois.    No tenho vontade de acabar na Avenue Niel.    
Voc sabe, Hope...  ele comeou a sorrir, mas logo parou, ao 
olhar para a porta do restaurante.
   Hope estava de costas para l, 
mas soube, s pelo modo como os cabelos de sua nuca se arrepiaram, que 
seu pai acabava de entrar. Suas mos comearam a tremer, e ela as 
juntou no colo, sob a mesa, forando o rosto a adquirir a expresso 
serena, ensinada pelas freiras.    Isabelle, Philippe...  Seu 
pai cumprimentava os Montrachet, com muito charme.   Humilhada, Hope 
se perguntou por que nunca notara a tendncia  subservincia que 
ele tinha. Na certa, por ser muito jovem. Ele mudara bastante, desde a 
ltima vez em que o vira. Estava agora com uma ligeira corcunda e os 
cabelos mais ralos e grisalhos. Apesar da Bonhomie e da animao 
exagerada, por sinal. Sob a mesa ela cruzou os dedos, apertando-os com 
toda a fora. A qualquer instante ele se viraria e a veria. O que 
faria, ento?   Sir Henry se voltou, afinal, enrijecendo ao ver 
Alexei, quase rosnando como um co que encontra o adversrio.   
 Sir Henry...   O mais breve dos sorrisos  uma formalidade 
polida, mais nada  acompanhou a saudao fria de Alexei. Hope 
percebeu que seu pai no queria retribuir o cumprimento e sentiu-se 
doente ao ver o medo por trs do ar de desafio que ele tentava 
aparentar. Se ainda tinha alguma dvida sobre o que Alexei lhe contara 
a respeito de Tanya, essa dvida morreu ali. E enquanto encarava o 
pai, depois de uma separao de dois anos, tudo que conseguiu sentir 
foi um enorme senso de vazio e decepo, alm de uma vaga surpresa 
por Tanya t-lo amado.
   -Conde...  A saudao foi curta, e 
logo em seguida os olhos de um azul plido se voltaram para Hope, 
estudando-a com um ar absorto.   Hope sentiu a histeria borbulhar 
dentro dela. Seu pai no a reconhecera, no fazia idia de quem 
ela era. Mas, tambm, j no tinha nada a ver com a adolescente 
desajeitada de dezesseis anos, que ele vira da ltima vez em que fora 
ao convento.   Hope imaginava a frustrao de Alexei e teve 
certeza de que os mesmos pensamentos lhe passavam pela cabea. Pobre 
Alexei, ter ido to longe e gasto tanto para ser privado da vitria, 
no ultimo momento. Olhando para ele, ela viu a expresso de derrota e 
dor que ensombreou os olhos cor de esmeralda.    Ouviu-o murmurar: 
Tanya... me perdoe, e rapidamente percebeu o que deveria fazer. 
Quando seu pai estava para lhe dar as costas, disse com frieza:    
Oi, papai, no vai falar comigo? Eu disse a Alexei que no, mas ele 
tinha tanta certeza de que voc j havia me perdoado por ser to 
m...  Hope fez uma careta, juntando os lbios num gesto amuo e 
lanando a Henry um olhar zombeteiro, que era a imagem da 
sofisticao.  Afinal... tal pai, tal filha... e eu no fiz 
nada pior que voc, fiz? Alexei, querido, acho que voc estava certo 
 continuou, desviando o olhar do rosto estupefato do pai e sorrindo 
calorosamente para Alexei. Sabia que a ateno de todo o restaurante 
estava fixos neles, principalmente a dos Montrachet, e quase podia 
sentir o olhar de Isabelle perfurar seu crnio.  Papai, vai me 
deserdar. Vamos subir e jantar no nosso quarto.
   Pronto, estava 
feito. Seu pai que tentasse convencer os Montrachet de que era uma 
virgem inocente, criada em colgio de freiras. Fitou Alexei, incapaz 
de entender a expresso que surgia nos olhos dele. Ele parecia 
zangado, mas por qu? No era aquilo que queria?     Sua 
vagabunda!  A imprecao saiu num tom grave e arrastado da 
garganta de seu pai, cujos msculos se contraiam convulsivamente 
enquanto ele falava.  Voc  igualzinha  sua me. Ela 
tambm era uma vagabunda... Casou-se comigo esperando o de outro 
homem. O filho do amante... meu prprio irmo... S que ele j 
estava morto. Tombou na Malsia, o meu herico irmo mais velho, 
antes que pudesse se casar com ela. E meu pai me mandou tomar o lugar 
dele, porque a leviana da sua me podia estar esperando o herdeiro da 
famlia. S que ela no estava esperando um filho homem, no 
, Hope? Era voc que ela estava esperando! Uma traidora ordinria 
que no  digna de usar nosso nome! Tome cuidado para no acabar 
do mesmo jeito que sua querida me. Ele no vai se casar com voc, 
se isso acontecer.   Enjoada com o maldoso desabafo e consciente do 
vido interesse com que todos o ouviam. Hope s queria fugir dali. 
Aquilo era algo que nunca passara por sua cabea, nem nos piores 
pesadelos. Mas sem dvida explicava muita coisa. O afastamento de seu 
pai, a mgoa da sua me... De repente, uma alegria enorme por Henry 
no ser seu pai a invadiu-a. esse conhecimento acabava com seus 
ltimos vestgios de culpa, livrando-a do dever de uma lealdade que 
jamais conseguiria sentir.
   -Do mesmo jeito que voc se recusou a 
casar com Tanya  ela replicou, num tom surpreendentemente calmo.  
Eu sei de tudo a esse respeito... e tambm sei dos planos que fez para 
mim...  Lanou um olhar para Isabelle de Montrachet e viu, pela 
fria no rosto dela, que Alexei no mentira. Enquanto tinha sua 
virtude e inocncia poderia ser tolerada como noiva de Alain, mas 
agora...  Eu conheci Alain de Montrachet  continuou, dirigindo-se 
ao pai.  Um casamento com ele seria a pior forma de prostituio. 
Quando Alexei me falou de seus planos, pensei que estivesse sendo levado 
s pela ganncia e tentei entend-lo. Mas Alexei no sabia de 
tudo, no ? No era s ganncia, era dio tambm. io 
de mim, por causa de minha me...    Sua vagabunda! Quando penso 
no dinheiro que me custou mandar voc para aquela maldita escola, 
fazer com que a educassem...   -... Com to pouca liberdade quanto 
uma novia.  Hope sorriu, sem alegria.  Tenho certeza de que 
Alexei apreciou o resultado. Quanto ao que lhe custou...  
Levantou-se, encarando-o com firmeza, permitindo-lhe olhar uma garota 
esbelta, num vestido preto que lhe dava uma aparncia incrivelmente 
frgil, os cabelos brilhantes sob a luz artificial, os olhos parecendo 
ametistas escuras em contraste com o tom dourado da pele.  No se 
preocupe que vou lhe pagar at o ultimo centavo que gastou comigo.  
   Do mesmo modo que pagou pelo vestido que est usando, as 
prolas que tem na orelha e os lenis macios em que dorme,  
noite? Como eu j disse, voc  igualzinha  sua me!
   
Hope no viu Alexei se mover, mas num momento seu pai estava diante 
dela, e no outro a seus ps, passando a mo no queixo e olhando, 
furioso, para Alexei.    Eu posso mandar voc para a cadeia, por 
isso  Henry ameaou.    No duvido  Alexei concordou -, 
mas ser que pode se dar ao luxo? Venha, Hope, vamos embora.  E 
dirigiu-se novamente a si Henry:  Pode mandar nossa bagagem por um 
mensageiro. Eles tm meu endereo na recepo.   Alexei se 
afastou to depressa que Hope quase teve que correr para 
alcan-lo. Ao enfrentar o homem que sempre julgara seu pai, sentira 
morrer em seu intimo a esperana pequenina que tinha de v-lo abrir 
os braos para ela e dizer-lhe que ainda era sua filha querida, apesar 
de que Alexei lhe fizera. Mas a vida real era muito diferente da 
sonhada, e aquela noite ela aprendera uma lio que nunca 
esqueceria. Em uma hora, tinha se transformado de criana a adulta, de 
romntica em cnica.    Por que vamos embora?  perguntou 
ofegante.   Alexei parou e fitou-a, o rosto parcialmente iluminado 
pela lmpadas bruxuleantes da rea de recepo, o que 
intensificou a austeridade de suas feies. Tinha um ar cruel, que 
Hope reconheceu, apreensiva, como a expresso de seu lado russo.   
 Voc quer ficar? Quer voltar para l e ouvir mais? J sabia de 
sua me?   Ela meneou a cabea.    No, mas acho que  
verdade. Ele foi muito amargo e violento para no ser. Estou quase 
contente... contente por ele no ser meu pai. Foi at engraado... 
o rosto dele, dos Montrachet...
   -No foi engraado  Alexei 
interrompeu-a bruscamente, segurando-a pelo brao e lavando-a para 
fora.  Foi uma droga!   O calor do lado externo era sufocante, e o 
barulho de grilos e outras criaturas noturnas enchia a escurido.   
 Por que fez aquilo, Hope?    Por qu?  sua voz soou 
agora, e ela percebeu que seu autocontrole chegara ao fim.  Se quer 
mesmo saber, digamos que foi por noblesse ablige... ou talvez por eu ser 
to tola a ponto de achar que, no fim. Laos de sangue so mais 
fortes que o dinheiro. Voc deve estar feliz por ver a sua viso 
cnica da vida comprovada. Isso, alm de ter conseguido o que 
queria. Espero que a sua alma encontre a tranqilidade, agora.   
 No  para a alma de Tanya que voc deveria estar desejando 
paz?   Na escurido, Hope sorriu, desanimada.    Tanya no 
sentiria a menos satisfao com o que voc fez . S Deus sabe o 
por qu, mas ela amava meu pai...    E por isso voc o perdoa 
por t-la destrudo? O que sabe do tipo de amor que  um tormento 
para quem o sente?    Nada  ela mentiu.  E voc o que 
sabe?   Parando ao lado do jipe, Alexei virou-se para fit-la.   
 Muito  disse com voz rouca.  Nossa famlia  amaldioada 
com ele, e eu no sou exceo.   Hope sentiu um bloco de gelo 
envolver seu corao; Ele se referia a lise. lise, que o 
amava, mas que amava ainda mais a riqueza do falecido marido.   
Durante todo o caminho de volta, Hope manteve o tipo de conversa chique 
e polida que aprendera nos sales de Paris. Alexei respondia por 
monosslabos.       Qualquer um diria que ele fora mais afetado pela 
cena no restaurante do que ela, mas Hope tinha conscincia de que 
aquela conversa animada era um escudo por trs do qual se escondia. 
Sua vontade era chorar, mas prometeu a si mesma que no haveria 
lgrimas, nem agora nem nunca. Alexei conseguira o que queria. Logo, 
ele lhe diria que estava livre. Livre!   Hope abafou um soluo.
  
 -O que foi?  Na escurido, Alexei virou-se para ela.    
Nada. O que poderia haver?   Eles estavam se tratando como inimigos, 
o desgosto e a suspeita pontuando os silncios em sua conversa. 
Amantes e inimigos... Uma perigosa combinao.    Prefiro 
dormir sozinha esta noite, Alexei  Hope disse, muito tensa, quando a 
villa apareceu por entre as rvores.  O que Bertha possa pensar 
no tem mais importncia. Os Montrachet j sabem muito bem o que 
eu sou...    Como quiser.   Alexei estacionou e Hope desceu, 
caminhando para a villa com as costas eretas de coragem e dor. Ele 
comeou a segui-la, mas depois parou. E porque ela no se virou, 
no o ouviu murmurar: Meu Deus, o que foi que fiz?, nem viu a 
expresso que surgiu nos olhos dele, antes que recomeasse a 
caminhada.Hope no esperava dormir, mas dormiu. No momento em que 
acordou, lembrou-se de tudo e teve a impresso de ser feita de um 
vidro to frgil que no suportaria o toque de outro ser humano, 
to doloroso seria esse contato. Eu seu intimo, foi obrigada a 
reconhecer que o que queria realmente era fugir dali, escondendo-se num 
lugar em que ningum a acharia. Mas se fizesse isso mostraria o quanto 
ficara magoada, o que no queria que ningum soubesse. Se havia 
prazer em saber que sir Henry no era seu pai, havia tambm 
sofrimento em reconhecer que ele nunca a amara, que nunca tivera 
ningum, que estava absolutamente s!   Ela se levantou 
ligeiramente nauseada, mas no se surpreendeu com isso. O mal-estar 
devia ser uma reao  cena do restaurante. Todos os detalhes do 
que se passara estavam vivamente gravados em sua memria. E, embora 
no se arrependesse do que fizera, sabia que aquilo fora a morte de 
qualquer esperana que pudesse ter tido, de que seu pai ou Alexei se 
importassem com ela o bastante para a colocarem na frente do dio que 
alimentavam um pelo outro.
   Hope era a vitima e fora sacrificada, 
mas, como fnix, sobrevivera s chamas, tornando-se imune ao fogo e 
s fraquezas do amor. Amava Alexei, mas nunca mais seria to tola a 
ponto de sonhar que ele, ou qualquer outro homem, poderia corresponder a 
seu amor.   Quem havia dito que o amor era um sentimento que no 
fazia parte da vida do homem dissera a verdade. Quem fora mesmo? Byron? 
No se lembrava, mas era um comentrio com o cinismo 
caracterstico de Byron, provavelmente feito quando o caso que tinha 
com lady Caroline Lamb chegava ao fim. Pobre Caroline, que arriscara 
todo e tudo perdera, enquanto ele nada arriscara e nada perdera!   Um 
exemplo que o sexo feminino faria bem em lembrar.   Hope no foi a 
praia  no queria ver Alexei. O jipe estava do lado de fora, mas 
ela o ignorou, enveredando pela trilha que levava  baia vizinha. 
Gastou uma hora para chegar l. Maior que a deles, a baa vizinha 
exibia uma pequena aldeia, em agrupamento de cabanas de madeira com um 
ancoradouro, no qual vrios garotos maltrapilhos estavam reunidos para 
pescar. Villas parecidas com a de Alexi pontilhavam a colina logo 
atrs, e Hope parou para estud-las, com ar distrado e pouco 
interessado.    Oi! De onde  que voc veio?   Ela girou 
nos calcanhares, dando com um rapaz loiro, magro e bronzeado, mais ou 
menos da sua idade. Ele sorria, enquanto apreciava suas pernas longas e 
douradas, que o short deixava  mostra.     Voc no  da 
aldeia, ? Nunca a vi por aqui,    Eu sou de outra baa  
Hope respondeu com frieza.  Se bem que isso no  da sua 
conta.    No ... mas eu gostaria que fosse. Ninfas do mar 
com longas pernas e olhos cor de ametista no so comuns por aqui. 
Eu sou Hal George.  Ele estendeu a mo.  Meus pais tm uma 
villa ali.  Indicou um ponto vago, na encosta da colina.  Eu 
estava a caminho do ancoradouro. Est vendo aquele barco?  Apontou 
para a lancha branca, que balanava docemente, ao sabor das ondas.  
 meu.
   Hope sentiu orgulho na voz dele, e no pde deixar de 
pensar que um dia fora assim... jovem... cheia de iluses... De 
repente, uma enorme sensao de ter sido injustiada invadiu-a. 
Eles a tinham provado disso. Alexei e seu pai. Eles haviam roubado e 
destrudo sua juventude no fogo de seu dio mtuo.    Meu 
pai dirige a marinha local. Vm barcos de todos os tipos para c. 
Iates fantsticos... embarcaes pequenas. Papai me deu o Seabell 
de presente quando completei dezoito anos.
     Quantos anos voc 
tem?    Dezoito  Hope replicou, sem expresso. Ele fazia com 
que se lembrasse de um cachorro novo, brincalho e cheio de 
entusiasmo, sem noo da prpria fora.  Onde fica a 
marina?    Do outro lado da prxima baia. Que dar uma olhada? 
Podemos ir at l no Seabell. Espere s at Lucy ficar sabendo 
de voc. Ela  minha irm  ele explicou com um sorriso  e 
vive me dizendo que nenhuma garota bonita  capaz de olhar duas vezes 
para mim. Que tal mostrarmos a ele que est errada? Nessa hora, ele 
j est na marina, com papai. Voc pode almoar conosco?   
 Obrigada, mas no posso.    E amanh? Podemos levar um 
lanche e passar o dia fora. Conheo uma ilhazinha, perto daqui. Lucy e 
eu costumvamos ir at l, quando ramos crianas, para 
brincar de Robison Cruso.   De repente, Hope foi tomada por uma 
vontade irresistvel de partilhar daquela alegria de viver, to 
jovem e sem complicaes. Ela dever ser como ele... mas sentia-se 
to mais velha. De qualquer modo, por que no poderia ir com eles? 
Por que no poderia se sentir jovem e livre, pelo menos uma vez na 
vida? Alexei no sem importaria. Ningum se importaria.
   -Est 
bem  concordou, respirando fundo.  Encontro voc aqui, 
amanh.    Grande! Qual o seu nome?    Hope.  
Respirando fundo novamente, ela acrescentou com firmeza:  Hope 
Stanford.   Afinal, era verdade. Seu pai fora o irmo mais velho do 
sir Henry... ela era filha dele... nada poderia mudar isso.   OK, 
Hope Stanford, combinado. Mas eu vou ter que trazer junto a chata da 
minha irm, s para provar a ela que voc existe. No esquea 
o mai. A ilha tem uma praia perfeita para surfe. Fica logo depois da 
laguna Voc vai adorar.     Por onde foi que voc andou? 
  Alexei estava plido e tenso, e um brilho de zanga surgiu em seus 
olhos quando Hope zombou:    Fui dar um passeio. O que pensou que 
eu tinha feito? Me jogado do penhasco mais prximo?  Meneou a 
cabea, com ar de reprovao.  Voc  um bom professor, 
Alexei. E me ensinou a ser uma sobrevivente... ou j se esqueceu? De 
qualquer modo, por que eu haveria de querer seguir o exemplo de Tanya? 
Ou o de minha me, por falar nisso? Nunca vou amar um homem a pondo de 
dar a ele o poder de me ferir. Nunca!  Enquanto passava por ele e 
seguia para a villa, j sabia que mentira. O que dissera no era 
verdade. J amava daquele modo. Era daquele modo que amava Alexei.  
  Quando se sentaram para comer, ela se limitou a brincar com a comida, 
incapaz de engolir mais do que alguns bocados.    Quando vamos 
embora?  Tinha que fazer essa pergunta, apesar do medo que sentia da 
resposta. Vivera seu breve idlio, a calmaria antes da tempestade, e 
agora tudo acabado, exatamente como seu relacionamento com    Alexei 
estaria acabado quando voltassem para a Frana.    Est com 
tanta pressa de ir embora?    No h mais motivo para 
ficarmos. Voc j conseguiu o que queria.   Cus com que calma 
falava! Alexei tinha um ar furioso, como se no gostasse de sua 
indiferena. Mas... por qu? Afinal, ela era o que ele fizera dela, 
refletiu com amargura, afastando o prato intocado.
   Hope estava a 
ponto de ir para a cama, quando Alexei lhe disse bruscamente:    
Voc pode ficar naquele quarto...   Como o rosto dele estava nas 
sombras, Hope no teve jeito de saber se expressava alvio ou 
simplesmente indiferena. De qualquer modo, o que esperava? Ele a 
desejara por um breve momento, mais tinha sido um desejo alimentado por 
uma sede de vingana, pelo fato de representar um instrumento a ser 
usado contra sir Henry... Agora, com essa sede saciada, no era 
natural que o desejo tambm tivesse sido saciado?

CAPTULO IX 


   No havia sinal de Alexei quando Hope se levantou na manh 
seguinte, o que tornou mais fcil ela sair para o encontro com Hal 
George, sem lhe dizer nada a respeito. Seu confronto com sir Henry ainda 
a deprimia, e ver Alexei fazia com que se lembrasse de tudo que 
acontecera.   Hal esperava por ela no ancoradouro, sozinho.    
Lucy no pode vir. Algum problema, se formos s ns dois? Eu 
prometo que no haver nada de mais  garantiu, ao ver sua 
expresso.  Se eu estou sozinho e voc tambm, por que no 
podemos ser amigos?    No h nada contra. Mas  s isso 
que vamos ser, Hal. Amigos.    Voc  bem fechada, no?  
ele comentou dez minutos depois, quando remavam em direo ao 
Seabell.  Ainda no me contou o que est fazendo na ilha nem com 
quem est.   Hope sentiu um frio na boca do estmago. No 
queria mentir, mas tambm no podia dizer a verdade. Concordara em 
vir porque desejava passar um dia com algum sem complicaes, 
algum que afastasse os problemas de sua mente, sem se intrometer em 
sua vida. E agora Hal lhe fazia perguntas.    Estou aqui de 
frias  disse, afinal.   Como poderia falar de Alexei? De 
imediato, Hal tiraria a concluso errada, e no queria ver o 
companheirismo, nos olhos dele, mudar para malicia e desprezo, como vira 
nos de seu pai. Alexei lhe dissera que um homem que a amasse no 
ligaria para o que acontecera entre eles. Mas e as outras pessoas com 
quem entraria em contato? Ela amava Alexei e sempre amaria, mas no 
suportaria expor a fragilidade desse amor ao desprezo e zombaria de 
estranhos.    Pronto!  Hal prendeu o barquinho antes de subir 
agilmente para o convs de seu iate, inclinando-se para dar a mo a 
Hope, que subia com mais dificuldade.
   Meia hora depois, Hope j 
conhecia o barco de ponta a ponta. Alm de um salo, ele tinha duas 
cabines, com banheiros conjugados, e uma cozinha muito bem equipada.  
 No  fantstico?  Hal perguntou, cheio de entusiasmo.  
Eu queria ir com ele at a Flrida, mas papai no deixou. Disse 
que s Posso ir acompanhado, e ele est muito ocupado para viajar 
comigo, nesta poca do ano. Mas prometeu me arranjar uma 
tripulao para mim, assim que puder.   O iate era um brinquedo 
caro para um garoto da idade de Hal. Mas Hope logo viu que ele deveria 
seguir os passos do pai, nos negcios da famlia, e que 
provavelmente passara a metade da vida a bordo de embarcaes como 
aquela.  A habilidade dele, nos controles, era inegvel.    Mas 
eu gostaria mesmo  de entrar numa daquelas corridas de barco. Aquilo 
sim. `um teste de capacidade nutica. Com este barco aqui, voc 
s precisa saber ler as cartas nuticas e conhecer um pouco de 
mecnica.   O orgulho que Hal sentia pelo barco era evidente, 
apesar do pouco caso que mostrava. Ele tambm provou ser uma boa 
companhia, contando histrias interessantes dos primeiros 
colonizadores franceses a chegar  ilha, enquanto se dirigiam  
abertura no recife de cora e  ilha que ficava um pouco mais 
alm.    A maioria era gente que tinha cado em desgraa, na 
Frana, e precisava fugir de l. Encontraram uma boa vida, por 
aqui.   Depois do recife de coral, a cor do mar se tornou mais 
intensa, e o brilho do sol, danando nas ondas, fez com que Hope se 
arrependesse de no ter trazido um chapu e culos escuros. O 
balano do barco tambm lhe dava um certo mal-estar, e ela se 
lembrou, apreensiva, do enjo que sentira aquela manha, ao se 
levantar. Podia ter comido algo que lhe fizera mal... ou talvez ainda 
estivesse com os nervos abalados pelo confronto com o pai.
   -Voc 
est bem?  Hal franziu a testa, mostrando a Hope que o mal-estar 
dela no era imaginrio.  Est to plida! No est com 
enjo, no ?  Olhou para o mar.  O mar est um espelho, 
Ningum enjoa num dia assim.   Mas ela enjoava, Hope admitiu para 
si mesma, quando afinal o enjo passou, deixando sua pele fria e 
mida de suor.    Eu devo ter comido alguma coisa que me fez 
mal, mas agora j estou bem  explicou com ar despreocupado, 
torcendo para que essa fosse a verdade.    A ltima vez que vi 
algum ficar verde como voc ficou, num mar calmo como esse, foi no 
ano passado, quando a mulher de um dos nossos clientes estava grvida 
 Ele riu, depois parou bruscamente, muito corado.  Voc...  
 No, eu no estou grvida  Hope negou com firmeza.    
Claro que no!  Hal sorriu, aliviado.  Deve ter sido alguma 
coisa que voc comeu, mesmo. No quer se deitar um pouquinho?   
 No, obrigada, eu j estou bem.   Na verdade, o enjo 
passara, mas fora substitudo por uma sensao muito pior. 
Grvida! Tentando se ressegurar, ela levou as mos ao ventre, 
completamente chato. Era evidente que no podia estar... Por que 
no?, uma vozinha perguntou em seu intimo. Sua chances de conceber 
era to grande quanto a de no conceber. Maior, at. As freiras 
tinham sido claras a esse respeito. Mas havia jeitos e jeitos...   
Raciocinando febrilmente, Hope tentou se lembras das coisas que ouvira 
as outras garotas dizerem. Sem dvida Alexei...   Deus do cu, e 
se estivesse grvida? O que faria? Uma onda de aflio invadiu-a, 
e seus olhos encheram-se de lgrimas. Pelo amor de Deus, No era 
mais criana! No podia simplesmente se pr a chorar. Alm do 
mais, que bem faria isso? Se estava mesmo grvida, o choro no 
consertaria nada.
   A amargura cresceu dentro dela. Quando fizera 
planos para uma vida sem Alexei, nunca pensara num filho. De repente, um 
sensao gelada se espalhou por todo o seu corpo. Seria possvel 
que Alexei a tivesse engravidado de propsito? Seria aquilo outra 
parte da vingana que ele planejara? Estremeceu da cabea aos ps, 
horrorizada. Ele lhe dissera para no se preocupar com o futuro, que 
no a abandonaria por completo. Mas um filho...   No, no fora 
de propsito! Tinha certeza disso. Alexei era orgulhoso demais para 
permitir que um filho seu nascesse sem nome. E ela estava se deixando 
levar pela imaginao. Provavelmente nem estava grvida. Alexei 
nunca...   Mordeu o lbio, lutando contra o desespero. Estava com 
dezoito anos, uma mulher adulta, e j era tempo de se tornar 
independente, tomar conta da prpria vida. E o primeiro passo seria se 
afastar de Alexei, decidiu febrilmente. Ele conseguira o que queria e 
no a desejava mais por perto. Isso ficara mais do que claro. Mas para 
onde poderia ir, e como? No tinha dinheiro, e Alexei ainda estava com 
seu passaporte.   Os pensamentos viraram e reviraram em sua mente de 
tal modo que Hope s percebeu a passagem do tempo quando Hal 
comentou:    Falta uma hora para chegarmos  ilha. Podemos 
lanar ncora e comer aqui ou esperar...    `melhor 
esperarmos  S de pensar em comida, ela sentiu a nusea 
voltar.Deus do cu, se estivesse mesmo esperando um filho de 
Alexei, o que poderia fazer? Sua mente entrou em pane. O que poderia 
fazer?! Passagens dramticas, de livros que lera, voltaram-lhe  
memria. No era nesse ponto que a pobre herona decidia acabar 
com tudo? Mas ela no queria morrer, queria viver! E no seria a 
primeira garota a dar  luz um filho ilegtimo.
   Talvez fosse 
melhor seguir o exemplo de sua me e... Um soluo nasceu em seu 
peito, mas ela o sufocou. No, assim, no. Ainda se lembrava de uma 
manh, no convento, quando as freiras tinham encontrado um beb 
junto a porta, numa cestinha de vime. A escola inteira fervilhava de 
excitao, e uma das garotas mais velhas dissera que a criana era 
filha de uma das moas solteiras da aldeia mais prxima, que a 
deixara ali para que as freiras lhe dessem um lar.   Mas ela sabia que 
jamais daria seu filho para adoo. Seu filho, se  que estava 
mesmo esperando um, ficaria com ela. Daria um jeito... De algum 
modo...   No entanto, apesar de sua deciso, foi doloroso encarar a 
certeza de que no poderia se voltar para Alexei, de que no poderia 
confiar nele ou pedir-lhe conselhos. Apesar de ambos serem 
responsveis por aquela concepo, ela sabia que a criana era 
sua, e isso fez com que se sentisse dez anos mais velha do que o garoto 
despreocupado, sentando  sua frente.   A ilha no eram mais que 
alguns metros de areia e grama, com meia dzia de palmeiras. Hal 
explicou-lhe que o iate teria que ficar ancorado um pouco longe, onde as 
guas eram mais profundas.   Ns podemos nadar at l ou 
usar uma jangada inflvel. O que voc prefere?   Hope escolheu a 
jangada, com medo de no conseguir nadar toda aquela distncia, e 
Hal sorriu, bom-humorado.    Est certo, Vamos pegar nosso 
lanche e brincar de Robinson Cruse.A me de Hal conhecia o 
apetite do filho, Hope refletiu, sonolenta, uma hora depois, quando j 
tinham devorado uma enorme quantidade de salada e frutas, regada a vinho 
branco.    Pela minha me, ns s teramos suco de laranja 
 Hal falou, sorrindo.  Ela ainda acha que sou um garotinho. Seus 
pais tambm a tratam assim?   Foi uma pergunta casual, mas Hope 
enrijeceu.    Hum... No sei de voc, mas eu pretendo dormir 
por uma hora, Depois, podemos ir pescar. Qual tal jantarmos um peixe 
grelhado?
   Com os olhos quase fechado, Hope seguiu o exemplo de Hal 
e deitou-se sobre a toalha,  sombra de uma das palmeiras. Seu enjo 
desaparecera, e j estava quase certa de que no tinha nada a temer, 
que se deixara levar pela imaginao. Quando acordou, o sol j se 
punha no horizonte e no havia sinal de Hal, embora o iate ainda 
estivesse ancorado ao largo.    Grande, voc acordou! Sabe que 
dormiu por trs horas?  Hal censurou-a, saindo de trs de umas 
palmeiras.  Pronta para ir pescar?    No est na hora de 
voltarmos?  Hope olhou para o relgio que trazia no pulso, 
assustando-se ao ver que eram mais que quatro horas. Com o tempo que 
levaria para voltar a St. Marguerite, provavelmente chegaria atrasada 
para o jantar. O que diria Alexei quando no aparecesse?    Hum, 
acha que voc tem razo. Vamos voltar para o barco, ento.   
Meia hora depois, ele saia da cada das mquinas com um ar desanimado e 
apreensivo.    Temos um problema, Hope. O motor no quer pegar, 
e o rdio no funciona no sei como isso foi acontecer!    
Quer dizer que estamos presos aqui!?    At que algum nos 
ache. A nica coisa  que no disse a meus pais para onde ia, e 
eles s vo comear a se preocupar depois do jantar. `comum eu 
passar o dia inteiro fora, no Seabell.  Vendo a cara de Hope, ele 
continuou, bem pouco convincente:  Olhe, todo vai dar certo. Lucy 
sabe que viemos para c. Ela vai contar, e meu pai adivinhar o que 
aconteceu. Tivemos alguns problemas no Seabell, antes, mas eu pensei que 
j tivessem sido resolvidos. E quanto a voc? Seus pais...    
Ningum sabe que estou aqui  Hope respondeu de um jeito 
inexpressivo, pensado que, mesmo que soubessem, ningum se 
importaria.
   Com o motor em pane, nada a bordo do iate funcionava, e 
foi desagradvel ficar sentada na cabine pouco espaosa, observando 
o sol se pr, consciente de que no poderiam sair dali at que 
algum os achasse.    Poderia ser pior  Hal comentou, 
apologeticamente, quando a escurido caiu.  Pelo menos, temos 
comida e um lugar para dormir. E papai estar aqui amanh cedo, o 
mais tardar.    Tem certeza de que no  capaz de consertar o 
motor?   Hope estava com a boca seca de tenso. O que pensaria 
Alexei quando descobrisse sua ausncia? Sem ter idia de onde ela 
poderia estar, ele ficaria preocupado. Se no por nada, pelo menos por 
ainda se considerar responsvel por seu bem-estar. Talvez ele pensasse 
que tinha ido  procura do pai. Apertou os lbios com fora. 
No, dificilmente ele pensaria uma coisa dessas.    Pena que 
voc no tenha dito a ningum que vnhamos para c.   A voz 
de Hal chegou at ela em meio  escurido, e Hope, reprimindo um 
suspiro ao notar o tom de censura com que ele falava, disse:    Se 
eu soubesse que isso iria acontecer, teria dito. O pior que no 
podemos nem ler... ou jogar carta.    Eu sei um jeito de passarmos 
o tempo.
   Ela enrijeceu, a mente instantaneamente alerta ao perceber 
a insinuao por trs daquelas palavras.    Ns somos s 
amigos, lembra-se?  replicou, contente pela falta de luz esconder o 
nervosismo em seus olhos. O que poderia fazer, se ele se recusasse a 
aceitar o que dizia?    Ora, vamos, Hope! Voc conhece a jogada. 
E que mal h nisso? Aposto que no sou o primeiro cara a querer 
voc.   Com o corao batendo forte, Hope tentou achar um meio 
de sair daquela situao, sem antagonizar Hal ou se fazer muito 
vulnervel.    Eu gosto muito de voc, Hal, mas...    
... Existe outro?    n.. Isso mesmo, existe outro.    Que 
falta de sorte, a minha! Ficar preso numa ilha deserta com uma garota 
linda, mas que tem outro. Como ele ?   Percebendo que o momento de 
perigo passara, Hope procurou satisfazer a curiosidade de Hal, s 
notando que descrevera Alexei ao terminar de falar.    Que idade 
tem esse homem?  Hal interrompeu-a, de repente.  Ele no se 
parece com ningum que eu conheo. Ou voc prefere dos tipos mais 
maduros?    Ele ...
   -Psiu! Espere um pouco, acho que ouvi 
alguma coisa.   Prestando ateno, eles conseguiram ouvir ao 
longe um barulho de outro iate.    Um barulho que foi se tornando cada 
vez mais alto, enquanto os dois, prendiam a respirao.    
Parece que vamos ser salvos, querendo ou no  Hal murmurou.  E 
depois de todo o trabalho que tive, para ficarmos presos aqui...  Ele 
riu cinicamente, ao ver a cara de Hope.  Parece que minha irm me 
fez um favor, desta vez. Ela ficou furiosa quando eu no quis 
traz-la conosco. Na certa resolveu se vingar, contando tudo a meus 
pais.    Ento ns...   -... S estamos sem gasolina. Eu 
dei ordens ao pessoal da marinha para vir nos buscar amanha cedo. No 
sei como voc no percebeu.`o truque mais velho do mundo. Ora, 
vamos!  Hal exclamou zangado, quando Hope no disse nada.  No 
achou que eu ia trazer voc aqui s para um piquenique, no ? 
Isso  coisa de criana!    Se voc tivesse me dito qual era 
sua inteno, no teria desperdiado o seu tempo  Hope 
respondeu, entre dentes.   O que mais poderia ter dito, ela nunca 
soube, pois naquele momento foram abordados pelo outro iate, pilotado 
pelo pai de Hal. Que ele estava zangado no houve dvida, pelo olhar 
que lanou a ambos, quando mandou que passassem para seu iate.   
 Seu tolo!  xingou o filho  Sua me est fora de si, de 
to preocupada. Se no fosse por Lucy...
   -A linguaruda!  Hal 
teve a vergonha de corar.  Ela tinha que ir contar.    Quanto a 
voc, mocinha...  Foi a vez de Hope sentir o olhar zangado do pai 
de Hal sobre ela.  Seu pai ficou chocadssimo quando soube onde 
voc estava.    Meu pai!?    Lucy contou  sua me com 
quem voc estava  o sr. George continuou, dirigindo-se ao filho. 
 Naturalmente, ns entramos em contato com o pai da moa, achando 
que ele estaria to preocupado quanto ns.   E da?  Hal 
quis saber, irritado.   Da, sir Henry lhes disse para me 
procurarem.   Alexei!  Hope mal percebeu que havia pronunciado 
o nome dele, mas viu muito bem o olhar de desprexo que o sr George lhe 
lanou, antes de se voltar novamente para o filho.    Voc 
andou se intrometendo num campo perigoso, Hal. Pena que no tenha 
pensado em conhecer um pouco melhor sua nova amiga, antes de desaparecer 
com ela.  Com uma fria que fez Hope estremecer, ele se virou para 
ela.  Quanto a voc, mocinha...    O senhor pode deixar Hope 
por minha conta  Alexei interrompeu  o, polidamente.  No, 
no quero falar sobre isso agora  acrescentou, dirigindo-se a 
Hope.   Hope, que j ia abrindo a boca para falar, desistiu.   
 `ele, no ?  Hal murmurou para ela, com o canto da boca. 
 Mas por que voc veio comigo? Andou brigando com ele, por 
acaso?   A viagem de volta foi um pesadelo de dor e desolao. O 
sr. George parecia culp-la por tudo que acontecera, e , cada vez que 
ele a olhava, era com uma expresso de intenso desprezo e antipatia no 
olhar. Alexei s falou para agradecer a sr. George, quando chegaram 
 marina, mantendo um dos braos nos ombros de Hope, enquanto a 
levava para o jipe.
   O caminho para a villa foi coberto por um 
silncio to profundo quanto a escurido tropical que os envolvia. 
Uma vez em casa, Alexei indicou a Hope que se sentasse na poltrona.   
 Muito bem  ele disse.  Pode me dar uma explicao, afora? 
Por que foi com o rapaz, Hope? Para provar para seu pai que tinha 
razo e que  igualzinha sua me?   As palavras cruis 
atingiram-na com fora, provocando uma dor insana que invadiu seu 
corpo. Como minha me, como Tanya, como toda mulher que j 
amou, teve vontade de gritar. Mas conseguiu se conter.    Eu 
s queria escapar... fugir de tudo por algum tempo  explicou, 
cansada.  Isso  to ruim assim?    Se acha que vai 
conseguir sua liberdade fazendo sexo a torto e a direito, , sim. A 
sra. George est certa de que voc seduziu seu filho. Ela foi falar 
com sir Henry. Ao que parece, a irm do garoto lhe disse o seu nome. E 
depois ela veio at aqui... para me contar que a minha vagabunda 
tinha sado com seu precioso filho.   Hope se encolheu sob o golpe 
daquelas palavras speras e sem piedade. No era de admirar que o 
pai de Hal a tivesse olhado com tanto desprezo, refletiu, cheia de 
dor.    No foi assim  defendeu-se.  Eu no sabia... 
Pensei que ele s queria amizade... No achei...  Estava 
chorando, as lgrimas escorrendo pelo rosto, a raiva que sentia por 
Alexei se sobrepondo ao choque de ter ficado presa na ilha e depois 
descoberto que Hal fizera aquilo de propsito.
   -Pois deveria ter 
achado! Onde est o seu senso de sobrevivncia? No percebeu o que 
ele estava querendo? No  possvel que seja to cega a ponto de 
achar...    ... Que ele gostava de mim como pessoa?  ela 
praticamente gritou, no se importando com mais nada.  Pois foi 
isso mesmo que achei! E agora sei que fui uma tola, pensando que ele 
s queria a minha companhia. Eu deveria ter visto logo, no ? 
Deveria ter visto que ele s queria meu corpo. Pelo menos isto eu j 
devia ter aprendido com voc!    Hope...    No fale 
comigo! Voc j fez mais que o suficiente.  Tentou empurr-lo 
para sair da poltrona, mas ele a impediu, agarrando-a pelos ombros e 
levantando-a, ao mesmo tempo em que a sacudia com fora.    
Ser que voc no entendeu o que poderia ter lhe acontecido?   
A preocupao raivosa de Alexei foi a ltima gota. Rindo 
histericamente, Hope jogou a cabea para trs, de modo a poder 
v-lo melhor.    O qu?  perguntou com amargura.  O que 
poderia ter me acontecido que j no aconteceu? O que mais 
existe?    Quer mesmo saber?  Os olhos esverdeados e 
enfurecidos prenderam os dela, ameaando consumi-la com seu ardor.  
Pois bem, eu vou lhe mostrar! J est na hora, mesmo. Estou cansado 
de ser tratado como um bicho-papo.    Apertou os braos em torno 
dela.   Hope, no entanto, estava cansada demais para protestar. 
Fizera-o perder o autocontrole e tremia de medo, mas tambm era 
orgulhosa demais para se retratar e pedir desculpas.   Apesar de 
subir a escada com ela nos braos, Alexei ainda respirava com 
facilidade ao abrir a porta do quarto e jog-la sobre a cama, ela se 
arrastou ara o lado e tentou fugir, levada por um medo primitivo que 
bloqueou toda a sua capacidade de raciocnio.
   -Ah, no! Isso 
no! Voc j me insultou demais, ma belle, j me acusou demais 
com esse seu olhar magoado, Est na hora de eu lhe dar algo de que 
possa me acusar mesmo, algo com que possa comparar o que pensa que  a 
minha crueldade.   No houve jeito de escapar ou det-lo. As 
mos que s tinha conhecido como gentis foram quase brutais ao 
impedir suas tentativas de fuga. O cheiro de excitao do corpo 
masculino atordoavam seus sentidos enquanto lutava, no s contra 
ele, mas tambm contra si mesmo. Cheia de vergonha, tomou 
conscincia de que no poderia escapar, que mesmo daquele modo o 
queria. O desejo que ele havia despertado e alimentado explodiu numa 
conflagrao que no tinha condies de controlar, e, muito 
antes de Alexei remover seu short e camiseta, j sabia que no 
continuaria a lutar.   Ainda mantendo-a presa, Alexei olhou-a, 
examinando o suti de rendas, que mal lhe cobria os seios, e a 
calcinha que tambm pouco escondia da feminilidade de seu corpo. Hope 
trocara de roupa no iate, depois de nadar, e seu biquni e toalha 
ainda estava l. No que a perda de algumas roupas pudesse 
preocup-la, diante da perda do auto-respeito que estava sendo 
obrigada a suportar, naquele momento.    Olhe para mim, Hope  
Alexei ordenou entre os dentes.   Quando ela obedeceu, no havia 
calor nem desejo nos olhos dele. S uma fria determinao que a 
fez gelar.    Se era variedade que queria  ele continuou -, 
deveria ter me dito. No creio que aquele rapazinho tenha 
experincia para...
   -Hal no me tocou  Hope disse depressa, 
recusando-se a desviar os olhos do dele, cheio de um desprezo 
humilhante.    No?    No. Eu disse a ele que... que 
tinha outra pessoa...    E isso o deteve?!  Alexei riu, 
incrdulo, cobrindo o corpo de Hope com o dele, separando suas coxas 
sem gentileza, observando-a como um falco observa a pomba.   Hope 
recusou-se a ceder ao pnico. Percebeu que ele queria que lutasse, mas 
no fez isso, tentando no demonstrar nada quando ele a possuiu de 
forma quase brutal, sem preocupao ou ternura. Em silncio, seus 
msculos tensos protestaram, uma parte de seu ser gritando contra a 
crueldade do que ele lhe fazia, a outra parte se submetendo, numa 
autopunio.   Quando tudo terminou, Alexei zombou com frieza: 
   Nenhum comentrio?    O que eu poderia dizer?  Hope 
alegrou-se com a escurido, que o impedia de v-la  Nada, a no 
ser que voc mentiu. Pode ser que existam pessoas que me julgaro 
por mim mesma, como voc disse, Alexei, mas ainda no encontrei 
nenhuma. Sir Henry, Hal, os pais de Hal... todos me julgaram em 
relao a voc. Eu mereci o que voc acaba de me fazer. Seria 
esse o veredicto, se eu tentasse lev-lo a julgamento por ter me 
violentado, no ?  Ela riu com amargura.  At voc me 
julga, sabendo da verdade. Aposto que teria acreditado que no fiz 
amor com Hal, depois de apenas dois encontros, se eu no tivesse 
dormido com voc. Eu sou o que permiti que voc fizesse de mim, e 
no posso me defender. As freiras me ensinaram que temos que pagar por 
todos os nossos crimes, omisses e pecados, mas as mulheres pagam um, 
preo mais alto que os homens...    Hope...    No dizem 
que as aes falam mais alto do que as palavras, Alexei? Pois 
ento! Apesar de tudo que andou me dizendo, voc acaba de me mostrar 
que as freiras tinham razo, que existem mesmo dois tipos de mulheres: 
as que os homens respeitam e aquelas que eles no respeitam.    
Hope...
   -No, eu no estou discutindo com voc  Hope 
continuou, com profunda tristeza.  Estou contente por ter me mostrado 
o quanto me acha desprezvel.       Na escurido, ela gelou 
quando ele fez um gesto de se aproximar.  No, no me toque! Vou 
para o quarto... No quero mais falar disso, Alexei.   Alexei no 
tentou impedi-la de sair, mais Hope j sabia que no tentaria. O que 
acontecera entre eles abrira seus olhos para a verdade. Apesar de todos 
os protestos e grandes frases, ele no era diferente de Hal, dos pais 
de Hal ou mesmo de sir Henry. Como poderia ser, quando pensara que ela 
havia encorajado Hal, deliberadamente? No pensaria mais no mundo frio 
como ele a possuir, no modo como usara seu corpo, ignorando seus 
sentimentos.   E foi naquele momento que percebeu, com um 
conhecimento muito alm de seus anos, que, se ficasse, se permitisse a 
si mesma continuar na companhia de Alexei depois do que acontecera, um 
acabaria por destruir o outro.   J vira o desprezo meio escondido 
nos olhos dele, tanto por ela quanto por si mesmo. Ele conseguira a 
vingana que queria, e agora, se ficasse,e s serviria para 
lembr-lo de um passado cheio de dor. O amor verdadeiro, amor adulto, 
significa colocar a pessoa amada acima de ns mesmo. Gostaria de ficar 
com Alexei, de pedir aos gritos, de implorar a ele que permanecesse com 
ela, aceitando quaisquer migalhas que a culpa e o remorso o fizesse 
jogar eu sua direo. Mas por quanto tempo agentaria viver assim? 
Precisava ir embora. Tinha que ir embora, pelo bem de Alexei e por seu 
prprio bem. Estava acabado. 
   Dali em diante, Alexei na certa 
retomaria as rdeas da prpria vida, permitindo que Tanya 
descansasse em paz. Se ficasse, s estaria contribuindo para manter o 
passado vivo. Ele amava lise, e no ela. O que acontecera entre 
eles, o que haviam partilhado, forjara laos profundo entre ambos, e 
Alexei provavelmente no a deixaria partir, enquanto achasse que 
precisava dele. O que significava que ela pe que teria que encontrar 
foras, de algum modo, para partir.    No entanto, se resolvesse 
ficar... Quanto tempo se passaria, antes que ele viesse a se ressentir 
dela e desprez-la por completo? Quanto tempo se passaria, antes que 
deixasse de ser uma responsabilidade e se tornasse um peso? No, o 
melhor seria acabar de vez com tudo, dando a Alexei a oportunidade de se 
livrar do passado. Ele conseguira o que planejara, e em seu amor Hope 
queria torn-lo independente de novo, libertando-o das correntes que o 
prendiam a ela, correntes forjadas de dio e amargura, mas das quais a 
conscincia dele no permitiria que se livrasse. Alexei lhe ensinara 
tanto... E ali estava sua oportunidade de lhe mostrar como aprendera bem 
as lies de auto-dependncia, auto-respeito, amor-prprio e... 
e amor, a mais poderosa das emoes humanas. Alexei nunca pretendera 
que se apaixonasse por ele, nunca poderia acus-lo disso, e muito 
menos sobrecarreg-lo com seus sentimentos indesejados.    Antes 
que fosse tarde demais e Alexei adivinhasse a verdade, teria que arrumar 
um jeito de deixar a ilha. Ainda no sabia como, mas arranjaria um 
meio. E seria um meio que no envolveria seu corpo ou seu 
auto-respeito na transao.   Hope acordou cedo, ainda 
cansada, depois de uma noite entremeada de pesadelos. No momento em que 
saiu da cama, sentiu voltar a nusea do dia anterior, acompanhada por 
uma estranha fraqueza, uma curiosa sensao de desmaio. Quase tinha 
se esquecido... E agora, como descobrir se estava ou no esperando um 
filho de Alexei? O mais simples seria procurar um mdico. Devia haver 
um, na cidade principal.
   Se Hope tinha levantado cedo, Alexei se 
levantara mais cedo ainda. Ela encontrou um copo vazio  geladeira, 
com vestgios de suco de laranja no fundo. O jipe estava do lado de 
fora, o que mostrava que ele provavelmente sara para a natao 
matinal.   Vagando sem rumo pela casa, Hope passou pelo escritrio 
dele e lembrou-se de seu passaporte. Se pretendia deixar a ilha, teria 
que encontr-lo.Tentando no se sentir muito culpada, abriu a 
escrivaninha, dando logo com o documento. As chaves do jipe tambm 
estava l, e ela as pegou. No convento, aprendera a dirigir um 
furgozinho que era usado para socorrer os camponeses mais pobres. Se 
fosse at a cidade principal da ilha, poderia consultar um mdico e 
descobrir o melhor modo de partir dali.   Embora no admitisse, 
ainda no descartara por completo a possibilidade de procurar sir 
Henry. Uma entrevista com ele seria humilhante, mas ainda era sua 
sobrinha, a nica herdeira da famlia, que um dia seria dona de 
Broadvale e todas as terras que a cercavam. Orgulhosamente, ergueu o 
queixo. Se estava grvida, precisaria de um certo grau de segurana 
e lutaria pelos direitos de seu filho, mesmo que no pudesse lutar 
pelos seus. Depois de todos os anos de infelicidade que a fizera 
suportar, sir Henry lhe devia alguma coisa.   Uma rpida folheada 
da lista telefnica lhe deu os nomes e endereos de trs 
mdicos. Anotando-os numa folha de papel, foi atrs do jipe, morta 
de medo de se encontrar com Alexei. Felizmente, no o viu em lugar 
algum, pois no teria suportado um encontro, depois da noite anterior. 
Seu corpo anda doa, e tinha manchas roxas nos braos, mais isso 
no era nada, em comparao com sua angstia mental.   Embora 
o mdico no pudesse confirmar sua gravidez de forma absoluta, no 
se surpreendeu ao ouvi-lo dizer que era bem provvel que estivesse 
mesmo esperando um filho. Ele examinou-lhe o rosto plido com uma 
certa simpatia, tendo j reparado na falta de uma aliana de 
casamento, e clareou a garganta enquanto fitava sua linda cabea, 
inclinando para o colo.
   Uma garota to bonita, pouco mais que 
uma criana...  No tempo dele...  Suspirou.   Se voc no 
quiser essa criana, talvez possamos...   Hope ouviu, chocada, o 
mdico dizer que talvez pudesse lhe arranjar um aborto. O que ele 
propunha era pecado  pelo menos as freiras consideravam  e embora 
ela pudesse entender a necessidade disso em determinadas 
circunstncias, queria ficar com seu filho. E foi o que declarou, 
vendo o rosto do mdico perder o ar sombrio.    Muito bem. 
Ento voc precisa voltar e me ver outras vezes. Est muito magra, 
e este clima no  bom para os europeus.    Eu no vou ficar 
muito tempo aqui  Hope falou, esperando que fosse verdade.   Na 
rua, o sol era cegante, fazendo seus olhos cederem enquanto caminhava de 
volta para o jipe. Esbarrou em algum e pediu desculpas 
automaticamente, enrijeceu ao ouvir uma voz familiar exclamando:   
 Hope! Hope,  voc, no ?   A mulher  sua frente era 
vagamente familiar, e ela apertou os olhos, at que a outra riu, 
dizendo com suavidade:    No se lembra de mim? Bianca. Fui 
expulsa do convento.    Bianca! Claro que eu me lembro de voc. 
Mas o que anda fazendo aqui?    Filmando  Bianca explicou, com 
o mesmo sorriso dos tempo de escola, to em desacordo com sai 
aparncia glamurosa.  Faz dois anos que trabalho em Hollywood. 
Primeiro, foi um filme gua-com-acar  ela fez uma careta -, 
mas que serviu para tornar meu rosto conhecido, sem que eu tivesse que 
tirar a roupa. Agora, estou estrelando um longa-metragem. E voc?   
Hope tentou sorrir, sabendo o quanto estava plida e sentindo que as 
lgrimas ameaavam escorrer a qualquer instante.    Meu 
anjo...  Bianca comeou baixinho, segurando-a pelo pulso. O que 
foi, Hope? Olhe, ns estamos filmando em uma locao perto daqui. 
J terminei minha parte e vou para os Estados Unidos amanh, por 
isso  melhor conversarmos agora. H um caf logo ali  
acrescentou, indicando um predio atrs delas.   Sem resistir, Hope 
permitiu que a amiga a levasse para o caf e pedisse bebida para 
ambas.    Agora, me conte tudo.
   -Eu estou grvida.  Mal 
acabou de falar, Hope j estava arrependida.  Chocara Bianca, e 
percebeu isso com o rosto em chamas.    Oh, meu bem... Eu sinto 
tanto! Logo voc, entre todas as garotas.  Bianca tomou a mo de 
Hope entre as suas.  No, no me olhe assim. Eu no estou 
condenando nada. `s que voc sempre foi uma menina to 
inocente... to protegida. No quer me falar a respeito?   Hope 
descobriu que queria. E encontrou um certo alvio em se abrir com a 
amiga, que a ouviu em silncio, com ateno, sem interromper uma 
nica vez.    E voc ama esse tal Alexei, no , querida? 
 perguntou afinal, quando Hope se calou.    Eu o amo, mas ele 
no me ama, Bianca. `por isso que tenho que ir para longe dele.  
  Tem mesmo, meu anjo. Esse homem deveria ser fuzilado. O que ele 
pretendia, engravidando voc quando...  Bianca interrompeu-se por 
um instante, continuando depois, num tom excitado:  Hope, j sei o 
que voc vai fazer. Voc vai para Hollywood comigo. No, escute! 
Preciso de uma amiga, Hope. Hollywood  um lugar solitrio. Eu posso 
ser uma atriz de sucesso, mas tambm sou uma mulher s. No 
precisamos uma da outra. Sempre nos demos bem, na escola. Agora, voc 
precisa de um refgio... e eu preciso de apoio. Vamos nos ajudar. 
Dar certo, voc vai ver.    Mas h o beb  Hope 
lembrou, ainda sem acreditar que Bianca falava srio  No vou 
fazer um aborto nem...    Querida, mais um filho ilegtimo, em 
Hollywood, no vai despertar a menor ateno.  Um sorriso 
repentino iluminou o rosto da atriz.  Na verdade, muita gente vai 
achar que o beb  meu. Eu falo srio, Hope. Quero mesmo que volte 
comigo. Eu no teria um momento de paz, se a deixasse aqui. Quando 
estava na escola, eu sempre pensava no quanto seria gostoso, se fossemos 
irms. Agora, podemos ser. Nenhuma de ns tem outra pessoa. Voc 
vai precisar de algum, Hope... e eu gostaria de ser esse algum. Eu 
lhe garanto que as vantagens no vo estar s do meu lado.  Ela 
sorriu novamente.
   Hope sorriu-lhe tambm, comeando a se 
interessar pela proposta da amiga.    Quero ver a cara de Dale, 
quando ele descobrir que arranjei uma guardi  Bianca continuou. 
 Dale  meu produtor. Ele quer ir para a cama comigo, e eu tenho 
medo de acabar cedendo. As velhas lies custam a ser esquecidas, 
Hope, e eu o amo demais, para ser o programa de uma noite. At agora, 
minhas recusas no tm sido muito convincentes. Com voc para me 
dar novas foras, pode ser que eu o convena de que meu interesse 
nele  puramente de negcios.    Mas... mas eu no vou 
atrapalhar?  Por mais que desejasse aceitar o oferecimentos, Hope 
no queria prejudicar a amiga.     Olhe, eu acabo de comprar uma 
manso de dez quartos... Voc no vai me atrapalhar. Para falar 
com franqueza, voc pode me ajudar de muitos modos. Preciso de uma 
secretria para organizar meus negcios. J tenho um contador, mas 
no  o bastante. Esto sempre me procurando para fazer endossos e 
comerciais. Tenho um filme a ser feito na Itlia, e voc fala 
italiano. Apesar de eu ter nascido na Itlia,  uma coisa que eu 
no fao. No vai ser um arranjo casual, Hope, eu lhe darei casa, 
comida e um ordenado. E no se preocupe com o beb. Eu lhe garanto 
que ningum, vai estranhar nada, em Hollywood.
   Bianca conseguiu 
uma passagem para Hope no mesmo vo em que iria para os Estados 
Unidos. Dale Lawrence, seu produtor, ficaria para finalizar a filmagem, 
s se encontrando com elas dlia dez dias.    O que  tempo 
mais que o suficiente para voc se instalar, querida  Bianca disse 
a Hope.  Est mesmo decidida a ir comigo? No vai se arrepender 
depois?   Hope fitou-a, muito sria. Encontrara um rapaz para levar 
o jipe de volta  villa e entregar um bilhete a Alexei, onde dizia que 
estava bem, mas que no o veria de novo.    Ele mentiu para mim 
 murmurou num tom inexpressivo, ignorando a pergunta da amiga.  
Ele me disse que o que aconteceu centre ns no teria a menor 
importncia.  Seus olhos encheram-se de lgrimas.    E ele 
tinha razo, Hope. Na importa, mesmo. No imposta para mim... nem 
para os amigos que far, daqui em diante. Nem para o homem que 
eventualmente se apaixonar por voc. E pelo que me disse do seu 
Alexei, creio que para ele tambm no ter importncia.    
Ele, no  meu Alexei... Ele ama lise. E para ele tem 
importncia. Seno nunca... nunca teria feito o que fez.   Bianca 
suspirou.    Hope, muitas vezes as pessoas so levadas a fazer 
coisas de que mais tarde se arrependem. Ele pode estar zangado por achar 
que voc encorajou Hal de propsito, ou ento por sentir culpado, 
ou at mesmo cimes. Isso mesmo, ele pode estar com cimes! Por 
que  evidente que ele queria voc.    O que Alexei queria era 
vingana. Ele nunca ligou para mim, seno teria tomados providencias 
para que eu no engravidasse.    Eu concordo, mas h uma coisa 
que eu acho estranha, em tudo isso. Hope, voc...  Bianca 
interrompeu-se de repente, ao ver a amiga, exausta, inclinava a cabea 
sobre a mesa, j adormecendo. O que era a melhor coisa para ela. 
Coitadinha, quem diria que um dia Hope se veria numa situao to 
difcil! Graas a Deus, tinham se encontrado. Sempre gostara dela e 
estava mesmo precisando de algum para ajud-la a manter Dale a 
distncia.
    Dale era um cnico, que no fazia segredo de que 
a desejava. Ela tinha fama de nunca rejeitar um homem, mas Dale, se 
algum dia se tornasse seu amante, seria o primeiro. Um leve sorriso 
curou-lhe os lbios. O que acharia ele disso, o diretor arrogante e 
mando, que pensava que conhecia tudo a seu respeito?    Mas querer 
descobrir j era uma fraqueza de sua parte, e ela resolveu seguir o 
exemplo de Hope, que dormia pacificamente, dizendo a si mesma que no 
se poderia esquecer de levar a amiga para uma consulta com seu mdico 
particular, assim que chegasse em Hollywood.


CAPTULO  X

 
  Hollywood e a costa do Pacifico foram um choque cultural para Hope, 
mas ela era jovem e forte, e Bianca estava decidida a no deixar a 
amiga entrar em depresso. Sua primeira atitude, depois que se 
instalara, foi telefonar para seu mdico e pedir o nome de um obstetra 
competente, e Hope encontrou no dr. Friedman no s um mdico, 
como tambm um amigo.   Paul Friedman era completamente diferente 
de Alexei, tendo apenas um metro e setenta, cabelos castanhos e um jeito 
polido que no escondia uma natureza bondosa. Alm da clientela 
particular, ele atendia tambm nas comunidades de imigrantes pobres, 
ao longo da costa, e nele Hope achou um homem que a aceitava por si 
mesma. Alm das coisas de interesse mdico, ele nada quis saber a 
respeito de seu passado ou do pai do beb, e por isso ela se sentia 
profundamente grata.   Seu ltimo gesto, de deixar St. Marguerite, 
fora escrever para Alexei, dizendo que partia com uma pessoa amiga e que 
o absolvia de toda responsabilidade, em relao a ela.   E agora, 
deitada ao sol, junta  piscina de Bianca, Hope no pde impedir 
que sua mente se voltasse para Alexei, imaginando se ele ainda se 
lembrava dela.   De vez em quando. Ali, naquele ptio murado, no 
tinha vergonha de sua gravidez. Paul lhe dissera que estava muito magra, 
e na certa era por isso que sua barriga de seis meses lhe parecia to 
grande. Com carinho, colocou a mo sobre o lugar onde o beb chutava 
sem parar, como que impaciente por estar preso em seu corpo.    
Oi, Hope.
   Hope sentou-se ao ouvir a voz de Dale, estendendo a mo 
para o roupo. O produtor de Bianca era um encanto, mas ainda no 
conseguia se sentir completamente  vontade com ele. Com o filme do 
Caribe terminado, Bianca estava agora numa srie para a televiso, 
no qual fazia o papel de Hilary Dawlish, uma viva rica e bonita. Para 
surpresa e divertimento da atriz, Hope se tornara f incondicional da 
srie, e boa parte do seu tempo era gosto respondendo cartas que 
Bianca recebia, como a rica viva.   O ms que passara numa 
escola, aprendendo a usar uma impressora e fazendo cursos de 
datilografia e taquigrafia, tinha dado a Hope a condio de 
trabalhar como secretria de Bianca. Desde o comeo, ela insistira 
para que Bianca no a tratasse como amiga quando estivessem em 
pblico. A atriz no gostara, mas acabara concordando. Se bem que 
nenhuma secretria jamais recebera acomodaes to luxuosas, 
pois nisso Bianca no cedera, obrigando-a a aceitar uma das melhores 
sutes da casa.   No inicio, Bianca tentara atrair Hope para a 
intensa vida social que levava, mas Hope se negara. Ela anda no se 
sentia completamente  vontade com sua gravidez, embora cada vez mais 
se convencesse de que no era a nica a estar naquela situao, 
pois no se passava praticamente um dia sem que alguma atriz 
anunciasse que estava  espera de um filho do amante. Hope reconhecia 
que era ela que estava fora dos tempos e, apesar de no lamentar 
inteiramente sua gravidez, muitas vezes se preocupava com a reao 
que a criana poderia ter, quando entendesse que s tinha um dos 
pais.    Onde est Bianca?  Dale perguntou, caminhando para 
ela.   O produtor era um homem alto e bronzeado, de cabelos loiros e 
olhos cinza-prateados, e Hope no se admirava da amiga ach-lo 
atraente. Mas Bianca estava fazendo um jogo perigoso com ele. Ela o 
amava e, como todas as mulheres, era vulnervel por causa desse amor. 
Quanto a Dale... O que sentia ele por sua linda amiga de cabelos de 
fogo?
   Hope abafou um suspiro. No tinha a menor dvida de que 
Dale a desejava. E Bianca tambm sabia disso. Ela no havia 
exagerado ao dizer que precisava de uma guardi, e era por isso que 
Hope se sentia to pouco  vontade sempre que via Dale. Ele era 
muito inteligente para no ter percebido a manobra de Bianca e, embora 
no demonstrasse, devia achar irritante que a atriz continuasse se 
recusando a fazer amor com ele para no ferir a sensibilidade de Hope. 
Um simples olhar para a barriga de Hope era mais que suficiente para 
destruir a alegao de Bianca de que a amiga, tendo sido criada em 
colgios de freiras, ficaria embaraada ao saber que ela e Dale eram 
amantes.    Bianca foi ao cabeleireiro, em Beverly Hills  Hope 
respondeu, sombreando os olhos com a mo.  Que tomar alguma 
coisa?    Usque com gua, por favor. Sabe, estou comeando 
a achar que Bianca  capaz de adivinhar os meus passos com 
antecedncia. Ela nunca est quando eu venho. Daria para eu me 
sentir desanimado, se no tivesse certeza de que ela anda fugindo de 
medo.    Ela... ela no est evitando voc, Dale  Hope 
mentiu, sentindo-se corar.Na verdade, Bianca andava mesmo evitando 
Dale, embora tivesse dito, naquela mesma manh, que comeava a se 
cansar daquilo.     Eu quero Dale, Hope  admitiu baixinho -, 
mas no para ser mais uma de suas conquistas, e  isso que ele tem 
em mente.   Dale esperou que Hope preparasse seu drinque e o trouxe 
do barzinho  beira da piscina, indicando ento a cadeira ao seu 
lado.    Sente a, Hope, e converse um pouco. O que est 
achando dos Estado Unidos? Faz quanto tempo que chegou?   -Quatro 
meses. E eu estou gostando muito daqui.
   -Mas sente uma falta louca 
do sujeito responsvel pelo jnior, no ? Olhe, querida  ele 
continuou, quando viu Hope empalidecer -, eu no a condeno por nada. 
Bianca me falou um pouco a seu respeito e eu sei que enfrentou uma 
situao difcil. No que diz respeito a Bianca, voc agora  
um item permanente na vida dela, e , como eu tambm pretendo ser, j 
 tempo de voc aprender a no dar pulos de cindo metros de altura 
toda vez que eu apareo. Em primeiro lugar, no pode ser bom para 
seu filho, e em segundo, eu no como menininhas como voc no caf 
da manh, apesar do que Bianca andou dizendo.    Ela nunca me 
disse que voc comia.    Mas ela disse algumas coisas.    
S que voc quer ser amante dela.    E...?   A pergunta 
pedia uma resposta que Hope tinha condies de dar. Por isso, ela 
disse com firmeza:    E se eu me sinto to pouco  vontade 
quando voc aparece,  porque sei que preferia que eu ainda 
estivesse em St. Marguerite.    Dale riu, inclinando-se para frente e 
despenteando-lhe os cabelos, como faria uma criana.     Ento 
 isso! E eu pensando que fosse o meu tremendo charme! Olhe, querida, 
Bianca pode arranjar uma dzia de guarda-costas, todos eles mais 
eficientes que uma garotinha como voc, que no vai adiantar. Eu 
percebi o jogo dela e estou deixando que continue, mas no vai ser 
para sempre, Hope.Vendo Dale se levantar, Hope percebeu que ele tinha 
a mesma potente virilidade de Alexei. Como Alexei, ele era um homem que 
no admitia que lhe negassem algo que queria, no se desviando nunca 
do caminho traado, e ela sentiu uma pontinha de medo pela amiga.   
 Quando Bianca chegar, pea para ele me ligar, est bem? Nosso 
filme est sendo cogitado para o Festival de Cannes. Isso talvez 
aquea um pouco aquele corao gelado que ela tem. Ah, e eu vou 
levar vocs duas para jantar, esta noite.  Ele citou um restaurante 
de elite, que fez Hope abrir a boca para recusar o convite.  No, 
no diga no. Vou levar um amigo, uma pessoa que eu quero que voc 
conhea.
   Hope abaixou a cabea e Dale suspirou, agachando-se al 
lado dela e tomando-lhe as mos.    Olhe, meu anjo  ele 
disse, com uma seriedade que a convenceu de que era sincero, embora 
tivesse exagerado um pouco a verdade -. Eu tenho suficiente para ser seu 
pai. Sei que voc foi muito magoada e quero que entenda que admiro 
pelo modo como tem se portado e ajudado Bianca. Mas, quando no nen 
vier, voc vai querer mais segurana, um lugar que seja seu... `
um instinto natural, e eu creio que posso ajud-la.    Como?  
 Dale riu da expresso incrdula no rosto dela.    Um amigo 
meu faz comerciais de alta classe, em vdeo, e tem uma cliente que 
quer promover artigos para beb. `de uma loja nova, que est 
sendo aberta em Los Angeles e Beverly Hills, e se especializa em artigos 
europeus. Esse meu amigo est procurando algum para usar nos 
comerciais, e eu acho que voc seria a pessoa ideal. Ele paga muito 
bem, e voc s teria que aparecer nos comerciais, grvida, e 
depois com o beb, quando ele chegar. No garanto que o emprego seja 
seu, mas eu disse a Roy que ele jamais encontraria uma grvida com 
mais classe que voc, e ele quer v-la. Agora, aceita meu convite 
para jantar?    `muita bondade sua  Hope comentou com voz 
tremula. Nem para Bianca admitira o quanto estava preocupada com o 
futuro. Seu trabalho era bom pago, mas Dale tinha razo ao dizer que 
haveria de querer um lar seu e estabilidade para o beb, quando ele 
chegasse.    Ah, eu no sou to bonzinho assim  Dale 
retrucou, rindo  No se esquea de que Bianca tambm est 
includa, no convite para jantar.
   Bianca no gostou quando 
soube do convite, s se animando ao ouvir a parte sobre o Festival de 
Cannes. Hope tambm lhe falou do amigo de Dale e do emprego que 
poderia arrumar.    Roy? Deve ser Roy Grundberg. Ele e Dale foram 
colegas de universidade. Voc vai gostar dele  Bianca comentou, 
saboreando a Martini que Felipe, o copeiro, havia preparado para ela. 
  Felipe e os pais adoravam Bianca, e Hope sabia que a amiga lhes pagava 
salrios acima da mdia, alm de permitir que vivessem no 
apartamento em cima da garagem. Felipe era o mais velho de cinco filhos, 
todos ainda em idade escolar. Ele cursava a faculdade de medicina e 
fazia frente s despesas, trabalhando nas horas vagas. A famlia de 
mexicanos era s mais um exemplo da generosidade de Bianca, da 
compaixo que tinha pelos pobres e desvalidos.    O que 
mais Dale disse?  Bianca perguntou, num tom casual.   Mas Hope 
no se deixou enganar. Ergueu os olhos para a amiga, recostada numa 
poltrona nas cores verde e branca, to linda como aquela pele perfeita 
e os cabelos vermelhos caindo pelos ombros.    Ele disse que 
pretende ter voc... por bem ou por mal  respondeu sem rodeios, 
vendo uma expresso zangada surgir no rosto de Bianca.
   -O maldito 
convencido!  Olhou rpido para Hope, mas, ao ver que ela no 
parecia chocada, sorriu.  Voc madureceu maldito desde que nos 
encontramos, Hope. Antes, teria corado s de me ouvir dizer uma coisa 
dessas. Mas olhe o que eu lhe trouxe de Beverly Hills. At parece que 
adivinhei que amos sair.Hope pegou a sacola que Bianca lhe jogou, 
tirando dela um vestido de algodo enrugado, justo no busto e caindo 
em preguinhas at a barra. Ele era branco e enfeitado com delicadas 
tiras prateadas, e Hope riu, de imediato, que devia ter custado uma 
fortuna.    Bianca...  comeou, mas a amiga lhe passou a 
frente.    Eu no vou aceit-lo de volta, Hope. Primeiro, 
porque no posso devolv-lo  loja, e segundo, por que no 
pretendo us-lo. Eu sei que voc se acha um caso de caridade, mas 
no . Eu nunca tive uma secretria to conscienciosa, que 
mantivesse minha correspondncia to em ordem. Quanto ao seu 
salrio, eu o deduzo do imposto de renda. Jeff, o meu contador, me 
disse que achou um artigo muito interessante sobre investimentos livre 
de imposto, que vai me fazer economizar pelo menos dez vezes o seu 
salrio. Alm disso, voc  minha amiga. Hope, a nica que 
tenho. E isso significa muito para mim, principalmente numa cidade como 
Hollywood.  Bianca fez uma ligeira pausa, depois continuou:   
Voc sabe como me sinto a respeito de Dale... Na verdade, voc  a 
nica pessoa que sabe... e vendo o seu estado, vendo que o que lhe 
aconteceu pode me acontecer tambm, tem me dado foras para resistir 
a ele.    Talvez voc esteja errada, Bianca. Pode ser que ele se 
case com voc.
   -No. Dale j foi casado uma vez e passou por 
um divorcio muito amargo. Foi quando estava no comeo da carreira. Sua 
esposa era atriz e o abandonou por um colega de trabalho, levando a 
filhinha e quase todo o dinheiro de Dale junto. Hoje em dia, ele  
totalmente contra o casamento ou qualquer outra forma de relacionamento 
desse tipo. Mas o pior foi que a mulher dele costumava negligenciar 
Debbie, a garotinha, e ela acabou morrendo num desastre de carro, dois 
anos depois que os pais se separaram. Dale se culpa por isso, achando 
que deveria ter lutado mais para ficar com a custdia da filha. Ele 
diz que sabia que Myra no cuidaria direito da menina.   Hope levou 
a mo  barriga, num gesto protetor. Tinha muita pena de Dale e de 
Bianca.    Eu no sou to tola a ponto de achar que uma 
certido de casamento o prenderia a mim  Bianca continuou -, mas 
pelo menos seria uma prova de boa inteno. Dale me quer, mas querer 
no  amar.   Sem saber, ela repetiu o que Hope dissera a si 
mesmo, em Paris. Desde essa poca, Hope pensara muito a esse respeito, 
chegando  concluso de que querer estava mesmo longe de amar, mas 
era muito, muito mais que o nada que tinha agora.    Mas chega de 
tristeza por um dia. Vamos subir e colocar nossos trapos de festa  
Bianca convidou.  Ento Dale acha que vai acabar vencendo, no 
?Vendo o brilho nos olhos verde-claros da amiga, Hope disfarou 
um sorriso. Dale no ia conseguir tudo do jeito que queria. De modo 
algum. 
  Roy revelou-se um homem agradvel, de quarenta e poucos 
anos, que examinou Hope com ar pensativo, durante toda a refeio. 
Mesmo no sabendo ao certo se aceitaria o emprego, se ele lhe fosse 
oferecido, ela se sentiu bastante nervosa.   Depois do jantar, Roy 
explicou o que envolveria a campanha de promoo, que duraria um ano 
e mostraria desde roupas para grvidas at os mais variados artigos 
para bebs, todos de fabricao europia.
   -Voc seria 
ideal  ele confirmou, quando estavam no caf.  Pelo que Dale me 
disse, ainda tm trs meses de gravidez, o que nos daria tempo para 
filmar alguns comerciais com roupas para grvidas e artigos de quarto 
para bebs. Quando o seu filho nascesse, recomearamos, filmando 
vocs dois juntos at ele completar uma ano. Meus clientes vo 
gastar uma fortuna com esta campanha.  Ele citou a somo que Hope 
receberia, se fosse escolhida, o que a deixou boquiaberta.  Mas tudo 
o que for gasto ser recuperado com juros, se a campanha for um 
sucesso. No sei se voc reparou, mas est havendo um grande 
aumento de bebs em Hollywood, e meus cliente preferem usar uma mulher 
desconhecida nos comerciais, para que ele s possa ser associada com a 
maternidade e o nome de sua loja. Voc tinha razo  ele 
acrescentou, virando-se para Dale -, ela tem mesmo um ar quase que de 
madona.    `a calma e a serenidade que as freiras tanto lutavam 
para instalar em ns  Bianca interrompeu, fazendo uma careta ao 
ouvir a resposta de Dale.    S que, no seu caso, sem o menor 
sucesso, meu doce. Voc  a imagem da turbulncia. Precisa 
arranjar uma vlvula de escape para toda essa energia nervosa.   
Nada mais foi dito, mas Hope percebeu que a batalha entre eles ganhara 
mais fora ainda, se  que isso era possvel, e no se 
surpreendeu ao ouvir Dale sugerir que fossem at sua casa, depois do 
jantar.
   -Roy e Hope podem continuar a conversa a respeito dos 
comerciais, e ns dois...  Sorriu com ar indolente. Tomou a mo 
de Bianca e a levou-a aos lbios, beijando-a com uma presuno que 
Hope achou admirvel num americano.  Bem, podemos falar de nossa 
viagem a Cannes, na primavera.   Para surpresa de Hope, a casa de 
Dale no ficava num daqueles subrbios preferidos pelos grandes do 
cinema, mas um pouco afastada, ao longo da costa. Era uma construo 
em estilo espanhol, com piscina e um ptio central, mobiliada de forma 
austera, sem nada que pudesse lembrar luxo ou ostentao.     
A penitncia de Dale  Bianca comentou, ao ver a surpresa de Hope. 
 Acho que, no fundo, ele  um mrtir em potencial.   Dale 
retribuiu o olhar zombeteiro que ela lhe lanou, dizendo baixinho:  
  O auto-sacrifcio sempre torna o prazer final mais doce. Voc 
deve experimentar, qualquer dia.   Imaginando se ele acreditava mesmo 
naquelas histrias sobre os muitos amantes de Bianca, Hope seguiu-o 
at o salo principal, todo decorado em branco, com cho de 
madeira polida, mveis slidos e confortveis, e tapetes mexicanos 
espalhados a esmo. Que Dale pudesse dar crditos quelas histrias 
era algo que nunca lhe passara pela cabea, e ela franziu a testa, sem 
saber se Bianca tinha conscincia disso.   Quando terminaram o 
caf e j fora combinando que Hope iria ao estdio de Roy no dia 
seguinte, para um teste, Roy ofereceu-se para lev-la para casa. Hope 
lanou um olhar para Bianca, que disse calorosamente para Dale a 
respeito de uma coisa qualquer.
   -Venha, vamos deixar esses dois 
discutirem em paz.  Roy sugeriu, com um sorriso. No precisa se 
preocupar com Bianca. Ela sabe tomar conta de si mesma, e Dale no  
do tipo que obriga uma mulher a fazer o que no quer. Ele no 
precisa disso.   Mesmo assim, esperando a volta da amiga, Hope s 
foi adormecer no final da noite.   Quando Francisca trouxe seu 
caf, da manh, confirmou que Bianca ainda no chegara. Mas a 
mexicana no parecia preocupada, e Hope ficou sem saber o que fazer. 
Uma consulta  agenda de Bianca e mostrou que a atriz s tinha um 
compromisso  uma da tarde, para provar algumas roupas. Hope, no 
entanto, tinha uma consulta marcada com Paul Friedman.   O mdico 
cumprimentou-a com um sorriso caloroso, quando Jos, o marido de 
Francesca, deixou-a no consultrio dele.   Voc est com 
tima aparncia. Agora, vamos ver como vai o nen.   Quando 
Hope disse que tinha chance de conseguir outro emprego e explicou o que 
Roy exigiria dela, Paul submeteu-a um exame mais cuidadoso, concluindo, 
afinal:    Do ponto de vista de sade, no h motivos para 
voc recusar esse emprego.    Se eu conseguir, vai ser bom, pois 
no dependerei mais de Bianca. Poderei at comprar uma casa para 
mim... no campo, talvez.    Pense em Napa Valley  Paul sugeriu. 
 Dale pode lev-la para conhecer esse lugar. Ele tem um vinhedo, 
l.   Napa Valley, a regio da Califrnia onde se cultivavam 
vinhedo e faziam vinhos. De repente, Hope percebeu que gostaria de viver 
l, que queria que o filho de Alexei crescesse em meio a pelo menos 
uma parte da sua herana.  Talvez nunca pudesse lhe falar do pai, mas 
ele viveria junto  terra, s vinhas, ao lado francs de Alexei. 
   Quando saiu do consultrio, Jos levou-a diretamente ao 
estdio de Roy. O teste a que se submeteu no foi duro. Todos da 
equipe foram muito amigveis, principalmente a assistente de Roy, Kate 
Harding.
   -Voc nasceu para isso  ela garantiu, ao terminarem. 
 `a que se saiu melhor nos testes, mas muita coisa depende de 
nossos clientes. Em todo o caso, voc no ter que esperar muito 
pelo resultado, pois Roy vai falar com eles amanh. Para quando  o 
sei beb?   Hope lhe disse e ela, por sua vez, contou que tinha 
filhos gmeos, e que o marido era cameraman, no estdio de Dale. 
Depois, sugeriu que almoassem junta e Hope concordou, pensando na 
rapidez com que os americanos faziam amizade e em como estava se 
adaptando bem ao estilo de vida deles.   Estava amadurecendo. Agora 
mais devagar, talvez, mas o relacionamento entre as pessoas comeava a 
lhe ensinar que nada na vida  simples. Na amargura, aprendera a 
aceitar Alexei e at sir Henry. J percebera tambm que Alexei 
tinha razo ao lhe dizer que a maioria das pessoas a julgaria por ela 
mesma, embora tivesse descoberto, duramente as ltimas horas em que 
haviam convividos, que ele no podia julg-la com essa 
imparcialidade.   Deixara de ter vergonha de sua gravidez, e sua vida 
adquirira um novo significado. Tornara-se dona de si mesma, uma pessoa 
completa, capaz de se sustentar e confiar no julgamento que fazia dos 
outros e das situaes. Era livre... E pela primeira vez tomou 
conscincia disso ao pisar na calada, de volta para o carro. No 
tinha mais medo dos outros e da vida e, embora seu corao ainda 
sofresse pelo amor que jamais partilharia com Alexei, alegrava-se com o 
carinho que recebia dos amigos.   Paul lhe dissera que gostaria de 
sair com ela, censurando-a gentilmente quando se recusava. Na opinio 
dele, no podia afastar todo o sexo masculino de sua vida, por causa 
de um nico homem. Fizera bem ao seu ego saber que Paul a achava 
atraente, embora estivesse certa de que ele jamais poderia ser mais que 
um amigo.   Ao chegar em casa, alegre e animada, Hope encontrou 
Bianca tensa e de mau humor. Ela ainda estava com as mesmas roupas da 
noite passada e andava de uma lado para o outro do ptio, com a 
energia de uma leoa inquieta.    Bianca, voc...
   -Eu estou 
bem e ainda sigo intacta  Bianca completou com ironia.  Mas foi 
por pouco. Meu Deus, nunca pensei que pudesse ser to tola! Deve ter 
sido o vinho que tomei, Quase passei a noite com Dale. E o pior  que 
eu queria... Deus  testemunha... Mas quando ele me olhou e disse, com 
aquela voz arrastada, que ficava feliz em ser, afinal, aceito como um 
dos meus amantes, vi que no podia, eu no teria condies de ir 
at o fim e conservar meu auto-respeito, por isso sai de l e passei 
o resto da noite dirigindo para cima e para baixo, ao longo da costa, me 
odiando por no ter ficado...    E agora, como se sente?   
 Ah, meu corpo ainda me odeia, mas minha mente est feliz.  
Cansada, Bianca se jogou numa espreguiadeira. Acho que vou para o 
quarto, Se Dale telefonar... No, ele no vai. No depois de ontem 
a noite. No vou lhe contar do que ele me xingou, quando sai, mas sou 
obrigada a reconhecer que tinha toda razo...


Trs dias 
depois, Kate ligou para Hope, confirmando que ela fora escolhida para os 
comerciais.    Nossa cliente deu uma olhada no seu vdeo clip e 
decidiu de imediato. Agora, ela quer ver voc, Hope. Sugeriu que 
jantem juntas essa noite, no hotel em que est hospedada. `o 
Beverly Wilshire. D para voc vir? Roy tambm estar l.   
Hope quis recusar, mais Bianca no deixou, e, um pouco antes das 
oitos, cheia de nervosismo, ela partiu para o Beverly Wilshire, na 
limusine da amiga.No precisava ter se preocupado. Helen Warfam 
recebeu-a com muita gentileza, dizendo logo o quanto gostara do teste 
que vira.     Roy ainda vai demorar alguns minutos  anunciou, 
depois que o maitr as acomodou numa das mesas.  O que ele lhe 
falou das minhas lojas?
   -Se que voc se especializa em artigos 
para beb, de fabricao europia.    Isso mesmo. So 
artigos de luxo, e creio que h mercado para eles, aqui. Tenho duas 
lojas em Nova York, e elas vendem muito bem. Eu vou  Europa duas 
vezes por ano, fazer compras. O que eles fazem na Espanha e na Itlia 
so verdadeiras maravilhas.  Lanando um olhar cheio de 
curiosidade a Hope, ela perguntou:  Voc  inglesa, no ? 
   Sou. Bianca e eu freqentamos a mesma escola. No sei se Roy 
lhe disse, mas eu no sou casada e...    Ele me disse, mas isso 
no tem importncia. Se precisarmos retratar uma famlia 
tradicional, Roy arranjar algum para fazer o papel de pai. 
Isso a preocupa? O fato de no ser casada, eu quero dizer.    De 
certo modo, sim. Mais pelo beb do que por mim. Eu sei que isso agora 
est na moda, mas e daqui a dez ou quinze anos?    Bem, 
acontea o que acontecer, seu filho no ser o nico com uma 
me solteira. Atualmente, h uma quantidade enorme de mulheres na 
sua situao... e a maioria por escolha prpria. Ah, ai vem 
Roy!   Enquanto Roy cumprimentava Helen, Hope pensava no que acabara 
de ouvir. Era um alvio saber que a nova-iorquina no tinha nada 
contra o fato de ser me solteira. Bianca lhe dissera que no era 
preciso tocar nisso, mas ela quisera ser honesta desde o inicio. Seus 
pensamentos voltaram-se para Alexei, como sempre acontecia. O que 
estaria ele fazendo naquele momento? Estaria com lise? Ainda se 
lembraria dela, de vez em quando?
   -Hope, por onde voc anda?  
Roy brincou.  Eu estava dizendo que podemos comear a trabalhar nos 
comerciais. Quando o beb deve chegar? Janeiro? Ento, podemos 
planejar a parte principal da campanha para a primavera. Mas isso  
timo.   Ele parecia to contente consigo mesmo, que Hope rompeu 
num riso gostoso, s ento percebendo h quanto tempo no ria. 
Seu corao se apertou, enquanto ouvia Roy e Helen discutirem a 
campanha e o beb, o filho que Alexei jamais saberia que tinha.   
J era tarde quando voltou, mas Bianca ainda estava de p, andando 
de um lado para o outro, com o rosto muito corado.    Dale acaba 
de sair  anunciou com raiva.  Aquele homem  o fim!    Por 
que vocs brigaram desta vez?   Hope j acostumara com as brigas 
dos dois. Dale era um produtor exigente, e Bianca reagia ferozmente  
menor crtica. Mas o profissionalismo de ambos era admirvel. 
Durante as horas de trabalho, a atriz jamais permitia que seu amor por 
Dale afetasse seu comportamento.    H uma cena de amor com os 
protagonistas nus, num dos prximos captulos da srie. Eu j 
disse a Dale que no vou faz-la.  Com os olhos claros e 
marejando, Bianca se virou para Hope.  Nunca fiz uma cena dessas e 
no pretendo comear agora, no importa o que Dale diga!    
E o que Dale diz?   Lutando para se controlar, Bianca revelou a 
verdadeira causa da sua zanga:    Ele diz que j vivi essas 
cenas tantas vezes na minha vida particular que no preciso me 
preocupar com falta de autenticidade...   Hope encheu-se de pena pela 
amiga, que agora a fitava com os olhos brilhantes de lgrima. E j 
ia condenar Dale, quando uma idia lhe passou pela cabea.    
Ser que Dale pode estar com cimes, Bianca?
   -Cimes!? Para 
ter ciumes ele precisaria gostar de mim, e  evidente que no gosta. 
Seno, no viria me dizer para fazer cenas de sexo explicito na 
frente de uma cmera!    Por que no? Voc tambm no o 
provoca a toda hora, com frases irnicas a respeito do passado?  
Hope notara que a amiga sempre fazia referencias  reputao de 
Dale e ao fato de ele viver escoltando mulheres lindas, a todo lugar. 
 Ora, vamos, Hope! Dale no  nenhum garotinho tmido. Se ele 
sentisse alguma coisa por mim, s teria que me dizer.    E ele 
sabe disso? Olhe, voc mesma me disse que ele a quer. No  to 
difcil assim que sinta algo mais que desejo por voc.   Bianca 
fez uma careta, dirigindo-se para a porta.    Falar sobre isso  
pura perda de tempo. Ah!  Antes de sair, ela se virou.  Contei a 
Dale que voc esta interessada em comprar uma casa, no Napa Villey.    
Ele  scio de um vinhedo, naquela regio, e sugeriu que passemos 
um fim de semana l, para voc dar uma olhada. No agora, que  
a poca mais ocupada do ano para ele. Mas depois, talvez quando o 
beb j estiver aqui...    Mais um terminado. O que acha, 
Kate?  Roy perguntou  assistente, passando a mo pelos 
cabelos.   Eles vinham trabalhando h quase um ms naqueles 
comerciais, e Hope prendeu a respirao, esperando a resposta da 
outra.    Me parece bom, Roy. Se ele for lanado um pouco antes 
do Natal, em tempo para a abertura das novas lojas, creio que dar 
timos resultados.   O primeiro comercial mostrava Hope andando 
pela loja, examinando artigos de quarto para beb, e uma das cenas 
exibia, inteligentemente, prateleiras com bichinhos macios, bonecas e 
outros presente de Natal, inclusive uma seleo limitada de cavalos 
de balano, feitos  mo, na Inglaterra.
   -O prximo ser 
lanado depois do Natal, no ?  Kate perguntou, checando a 
lista.  l vai ser o primeiro, depois que Hope tiver o beb. 
Vamos comear com uma cena dela saindo de carro. O modelo para fazer o 
papel de pai j foi escolhido? Vamos precisar dele nesse comercial. 
Depois, filmaremos o quarto do beb, mas no podemos escolher nada, 
enquanto no soubermos se  menino ou menina.   Kate virou-se 
para Hope.    O que voc quer, Hope? Ou no se importa?   
Hope no se importava, embora tivesse certeza de que seria um menino. 
Um ar sombrio tomou conta de suas feies. Ele cresceria para 
odi-la, por ter deixado que nascesse? Pelo menos aquela campanha lhe 
daria um comeo seguro de vida. Dale estava certo de que ela no 
teria dificuldade em encontrar uma rea pequena, no vale, pois muitas 
vezes os donos de grande propriedade adquiriam as menores, conservando 
as terras e colocando  venda as casas, que de nada lhes serviam.   
A preocupao com o futuro preenchia quase todos os momentos de 
Hope,  medida que sua gravidez avanava, protegendo-a, 
misericordiosamente, da dor de amar Alexei sem ser retribuda. Ela 
j decidira, que assim que comprasse uma casa, comearia a trabalhar 
como secretria free-lancer, talvez para as vrias vincolas do 
vale. Se bem que prometera a Bianca ficar com ela, pelo menos at o 
Festival de Cannes.   Faltavam poucas semanas para o Natal, quando 
deixou o estdio de Roy e foi para casa com Jos, lutando para no 
ceder  sensao de solido que ameaava tomar conta dela. 
Encontrou a amiga com a mesma disposio, apesar da data alegre que 
viviam.
   -Olhe s para ns  Bianca exclamou, durante o 
jantar.  No sei por que o Natal sempre me deixa triste. Pensei em 
ir para a Sua, mas no consegui me entusiasmar. O Natal  
coisa de famlia... uma coisa que nenhuma de ns tem.   Ergueu os 
olhos para Hope.  Voc ainda sente muita falta dele, no ? 
No d para esconder certas coisas. Eu andei observando-a, nos 
ltimos meses, e fiquei abismada com o tanto que pe vulnervel. Mas 
o pior foi descobrir que sou to vulnervel quanto voc. Se Dale 
sumisse da minha vida, amanh, eu passaria o resto dos meus dias com 
um vazio que ningum poderia preencher.   Hope sentiu os olhos 
arderem. Bianca descrevera exatamente o que tambm se passava em seu 
corao. Mas aquela dor sofrida, sem esperana, no podia 
continuar para sempre. No podia! Uma hora ela teria que comear a 
diminuir.Dale convidou-as para passar o dia de Ao de Graa 
com ele, mas Bianca recusou.    Eu no agentaria  ela 
explicou a Hope depois que ele se foi.   Para o Natal Bianca havia 
planejado uma grande festa, sem incluir Dale entre os convidados. Quando 
ele apareceu para discutir um script, Hope notou que ambos estavam a 
ponto de explodir.    Tome  disse com secura, jogando-a para 
Bianca.  `melhor ou lhe dar agora. Vou passar o Natal e o Ano-novo 
no vale,  s a verei em janeiro.Antes que Bianca pudesse abrir a 
boca, ele saiu, e Hope no pode deixar de sentir pena da amiga.   
 Eu no comprei nada para ele  ela murmurou angustiada.  
Temos brigado tanto, ultimamente.    Dale deve estar magoado 
porque voc no quis passar o dia de Ao de Graa com ele nem 
o convidou para a sua festa.    Ele tem famlia, no vale. Dale 
tem sangue italiano.
   Isso explica o gnio forte do produtor e 
talvez at mais, Hope refletiu, quando Bianca saiu para se arrumar, 
pois tinha um encontro com o agente.Sozinha, Hope se ps a folhear 
as revistas que estavam sobre a mesinha de caf. Uma fotografia na 
Paris Match chamou sua ateno, e ela a estudou avidamente, com o 
corao batendo forte e a testa porejada de suor. Alexei! 
Emocionada, absorveu cada detalhe da foto. Ele usava roupa de gala, e o 
fotografo o pegara de perfil. Uma onda de saudade invadiu-a, e as 
lgrimas cobriram seu rosto. Fora oferecida uma recepo aos 
viticultores de Beaune, e Alexei tinha sido um dos convidados. lise 
no era mencionada. Muito tempo depois de ter fechado a revista, Hope 
continuava sem dormir, atormentada pelas lembranas consciente de que 
seus sentimentos seriam os mesmo para sempre, que nada mudara, e que o 
tempo s servira para aprofundar sua solido.   O Natal chegou e 
passou. Hope sentiu uma letargia deliciosa apossar-se de seu corpo, e 
com isso veio uma imensa sensao de calma. O dr. Friedman lhe disse 
que o nascimento do beb se daria um breve, e reservou um quarto numa 
maternidade particular de muito prestigio, que Bianca insistira em 
pagar.    Est tudo bem  ele lhe garantiu, ao terminar mais 
um exame.  Voc ainda est um pouco abaixo do peso, mas nada que 
d motivos para preocupaes.   Trs semanas depois, Hope 
acordou durante a noite, desorientada pela dor aguda que interrompera 
seu sono. No incio, pensou que estivesse imaginando coisa, pois nada 
que pudesse anunciar o nascimento do beb. Mas logo veio outra dor, e 
ela se convenceu de que entrara em trabalho de parto.Bianca insistiu 
em lev-la para o hospital.    Preciso telefonar para Dale  
disse, mais nervosa que a prpria Hope. E acrescentou, quando Hope 
quis protestar:  Ele me pediu. Quer estar com voc, meu bem. Ns 
dois queremos.
   O hospital tinha uma atmosfera clara e animada, com 
enfermeiras calmas lembrando-a dos exerccios respiratrios e uma 
sala de parto silenciosa, onde todos trabalhavam em equipe para trazer 
seu beb ao mundo.   Bianca quis ficar com ela, e o mdico 
permitiu. Era um conforto ter a amiga ao lado, mas foi por Alexei que 
Hope chamou, eu sua luta final para obedecer s exortaes do 
mdico. Era Alexei que queria com ela. Alexei, que jamais saberia que 
lhe dera um filho.     Ele  lindo, Hope!   Bianca estava em 
lgrimas, mas Hope mal a viu, encantada com a nova vida que tinha nos 
braos. Cabelos escuros, ainda midos, cobriam o pequenino crnio, 
e olhos escuros, de um azul profundo, examinaram-na com gravidade. O 
filho de Alexei... Sentiu vontade de rir e chorar amo mesmo tempo.
   
-No o acorde, Dale. Voc vai acabar acordando Hope.   Hope ouviu 
a voz de Bianca, vindo de muito longe, e abriu os olhos. Seu corpo 
doa, estranhamente leve, e num repente ela se lembrou, sentando-se na 
cama. O quarto estava cheio de flores, e havia um bero porttil ao 
p da cama, mas Nikolai Alexander Stanford no estava nele.    
Dale, coloque o beb no bero  Bianca pressionou, fazendo Hope 
erguer os olhos, ansiosa.   Mas ela no precisava ter se 
preocupado, pois Dale segurava o beb com toda ternura, enquanto o 
estudava com uma expresso absorta.    Tomara que voc me 
deixe ser o padrinho dele, Hope. Eu quase gastei o carpete em frente da 
sala de partos, ontem  noite.    Vocs, homens!  Bianca 
exclamou, com menosprezo.  Hope  que tem o direto de estar 
nervosa.  Seus olhos se encheram de lgrimas.  Ah, Hope, nunca 
tive uma experincia assim na minha vida! Quando eu o vi nascer... 
Depois, quando eles me puseram para fora, eu...    Rompeu no choro 
e me ensopou de lgrimas  Dale completou, devolvendo o beb ao 
bero, com evidente relutncia.  Talvez fosse melhor voc ter 
um seu. Com todo esse instinto maternal...    Pois sim!  Bianca 
retrucou. Mas encheu-se de remorso, ao ouvir o suspiro de Hope.  Ah, 
querida, desculpe! Ultimamente, Dale e eu no conseguimos ficar perto 
um do outro sem brigar.
   Os dois saram logo depois, o que Hope 
lamentou, apesar de ter ficado contente em v-los. Contemplar Dale, 
com Nikolai nos braos, fora mais doloroso que dar a luz. Alexei  
que deveria estar ali, segurando o beb, observando-o com aquela 
ternura embevecida e cheia de encanto. Alexei, chamara na 
escurido da noite, ansiando pelo calor do corpo dele.   Quatro 
dias depois, Hope recebeu alta do hospital. Bianca organizara o quarto 
do beb durante aquele tempo, e Hope foi assolada por mais uma onda de 
gratido, ao v-lo.
   -Helen mandou tudo de presente  Bianca 
anunciou.  Ela disse que os negcios foram fantsticos, no Natal, 
e tudo por causa da campanha publicitria. Com os novos comerciais da 
primavera, ela acha que a coisa vai ficar melhor ainda, e esse foi o 
jeito que encontrou de lhe dizer um muito obrigada extra.   Com 
os olhos marejados, Hope examinou a decorao em azul e branco, o 
bero-balano de madeira escura, o belssimo carrinho.     
Ah, esse  presente de Dale  Bianca disse, ao perceber para onde 
ela olhava.  Nunca o vi desse jeito antes. Deve ser o sangue 
italiano. Isso e o fato de j ter perdido uma filha.   Hope 
virou-se para ela.    Voc gostaria de ter um filho dele, no 
?    Muito, mas no sem amor. Bem,vou deixar voc sozinha, 
para que descanse. E pode tirar o resto da semana de folga  Bianca 
declarou sorrindo, enquanto fechava a porta atrs de si.   Um 
ms depois, Hope estava convencida de ser uma garota de sorte. Bianca 
era mais uma amiga que patroa, o que muitas vezes fazia com que se 
sentisse culpada de estar recebendo um salrioa dela. Nikolai 
Alexander progredia a olhos vistos, sem causar o menor espanto ao dr. 
Friedman.    Nunca vi uma criana com tantos adultos querendo 
mim-lo  ele costumava dizer.   Dale aparecia diariamente no 
quarto do beb, e Bianca brincava que ele comprara o carrinho j 
pensando em passear com Nikolai. Dale se oferecera para levar Hope a 
Napa Villey no fim do ms, para que ela desse uma olhada nas 
propriedades  venda. Bianca tambm fora includa no convite, mas 
alegrara que andava muito ocupada para ir. Hope estava com eles, nessa 
ocasio, e por um momento teve a impresso de ver uma expresso de 
dor nos olhos de Dale.   O segundo comercial das lojas de Helen j 
fora feito, e Nikolai se adaptara s filmagens como se tivesse nascido 
para o estrelado.    Helen apareceu para dizer o quanto estava 
contente com o resultado da campanha.
   -Ele  lindo  declarou, 
inclinando-se sobre o carrinho -, e o comercial ficou uma maravilha. Vou 
ficar surpresa se todas as mames de Los Angeles no forem correndo 
para a loja. E olhe que  difcil surpreender uma nova-iorquina!  
 Hope riu, concordando.    Mas as suas coisas so to lindas, 
que de qualquer modo elas teriam aparecido. Bianca insistiu em comprar 
um enxoval completo para Niko, e todas as peas so maravilhosas. 
  Helen levantou o beb do carrinho.    Hum... Este 
calozinho de seda veio de Paris. D uma olhada no bordado.   
O calo tinha borboletas bordadas em azul e prata, e Hope ficara 
contente ao ver que Bianca s escolhera roupas tradicionais para Niko. 
No havia dvida de que os modelos modernos eram mais prticos, 
mas ela queria aproveitar a fase do filho como beb. Haveria tempo 
mais que suficiente para roupas e cores mais praticas quando ele 
estivesse andando.    No sei se voc percebeu, mas Ben Harman 
ficou impressionadssimo com voc  Helen continuou sorrindo.  
Roy me contou que ele at pediu seu telefone. Ser que ele tambm 
est querendo brincar de papai, longe das cmeras?   Hope 
sorriu. Gostara muito de Ben Harman, o ator que fizera papel de seu 
marido no novo comercial, mas isso no era nada, quando comparado com 
a intensidade dos sentimentos que nutria por Alexei.    Por falar 
nisso, posso saber a razo desse nomes russo?  Helen perguntou, 
casualmente.  Eu sei que voc  inglesa.    Gostei do som 
deles  Hope respondeu no mesmo tom, torcendo para que o assunto 
morresse por ali.
   -Eles tm mesmo um som bonito. Conheci 
descendentes de russos, em Paris. Ao que parece, a maioria  de 
famlias que conseguiram fugir durante a revoluo.   Hope 
percebeu que estava com a respirao suspensa e, num esforo para 
aparentar calma, levantou-se e deu a volta ao carrinho, pegando Nikolai 
e aconchegando-o ao corpo. Com seis semanas, ele j mostrava que no 
gostava de ficar deitado, preferindo ser mantido em p e movendo as 
perninhas gorduchas com fora, enquanto lutava para estabelecer sua 
independncia.      Hope murmurou, imaginando se 
conseguiria parecer interessada.    Sim.  Helen passou a mo 
pela franja de seda que arrematava a cobertura do carrinho.  Esse  
um dos modelos que mais vendemos. Dale escolheu-o com um carinho 
incrvel.   Percebendo a inflexo na voz da outra, Hope ergueu a 
cabea declarando com firmeza:    Dale no  o pai de 
Nikolai. Mas ele tem sido muito bom para ns. Acho que, em parte, se 
deve ao fato de ter perdido uma filha.  Sem entrar em detalhes, ela 
repetiu o que Bianca lhe contara.    Ele pe um homem e tanto. 
Msculo da cabea aos ps.   Quando Helen se foi, Hope ficou na 
dvida se avisava ou no Bianca de que ela tinha uma possvel 
rival nova-iorquina. Helen era dona de uma ousadia evidente e no 
teria medo de dizer o que pensava e sentia, alm de ser to atraente 
quanto as mulher com quem Dale costumava sair.   Nikolai protestou de 
imediato quando a mo o apertou com mais fora, e Hope devolveu-o ao 
carrinho, com os olhos cheios de lgrimas. Alexei provavelmente nunca 
o veria, nem ficaria sabendo que lhe dera um filho. E um dia ele 
acabaria por se casar, pelo menos para assegurar a sucesso do nome. A 
mulher que amava estava perdida para ele, a no ser que lise 
resolvesse renunciar  fortuna do falecido marido. Se no, Alexei 
teria que se casar com outra, e Hope entristeceu-se ao pensar que outra 
criana seguiria os passos dele, enquanto Nikolai jamais teria o 
companheirismo e amor do pai.
   -Hope, leia isso!  A excitao 
na voz de Bianca era inegvel.    Hope pegou o jornal que a amiga 
lhe estendia  um jornal ingls que ela mesma assinara, mas que 
no tinha tido muito tempo para ler desde o nascimento de Niko.   
 Hope Stanford...  voc!  Bianca exclamou, apontado para a 
coluna pessoal, onde seu nome aparecia, impresso em letras midas.  
O que ser?   Hope leu o anuncio duas vezes. Ele dava o nome e o 
endereo uma firma de advogados londrinos e pedia que entrasse em 
contato com eles, assim que pudesse.    Talvez Alexei esteja 
tentando encontrar voc  Bianca continuou, excitada.     Pode 
ser que voc esteja enganada e ele a ame, Hope.    No.   A 
negativa foi firme, e Hope viu a decepo no rosto de Bianca. Mas... 
seria possvel que Alexei estivesse tentando encontr-la? Contra a 
vontade dele! S precisava fechar os olhos para ver-lhe o rosto, 
sentir a textura da pele dele de encontro s mos, tomada por 
sentimentos que o tempo nada fizera para diminuir.     Precisa 
ligar para eles, Hope. Agora. J pensou? Eu poderia no ter visto o 
anncio.  Ele estava entre muito outros desesperado e agoniados 
pedidos de noticias de pessoas amadas e desaparecidas, e Hope sentiu o 
corao se apertar diante de mais uma evidencia das misrias 
humanas. Por que tinha que haver tanta dor?    Venha. Vou ver o 
nmero para voc.  Bianca levantou-se, mas parou ao ver o rosto 
plido da amiga.  Voc ainda o ama, no  Hope?  murmurou 
com simpatia.    Demais.
   Hope teria preferido que Bianca 
no notasse o anuncio. No queria telefonar para a firma de 
advogados, mas sabia que a amiga no permitiria uma coisa dessas. E se 
o anuncio tivesse sido impresso a mando de Alexei? Se bem que no era 
provvel que ele usasse uma firma de advogados ingleses para tentar 
entrar em contato com ela. De qualquer modo, de que lhe serviria isso, 
agora?  A nica coisa que poderia conseguir era mais sofrimento.   
 Hope, est chamando. Venha...   A voz de Bianca interrompeu 
seus pensamentos e Hope pegou o fone, dando seu nome e falando do 
anuncio  garota que atendeu do outro lado.   Houve de Bianca 
espera de alguns segundos, depois um homem de voz fria e sotaque 
britnico entrou na linha.    Srta. Stanford? Foi timo a 
senhorita ter ligado. Estamos agindo em nome de seu falecido... tio, sir 
Henry.   At aquele momento, Hope ainda no havia percebido o 
quanto quero que o anuncio tivesse sido colocado por Alexei. Estivera se 
iludindo ao achar que possua fora de vontade suficiente para 
afast-lo de sua vida. Desejava tanto estar com ele que at doa. 
Uma dor sem lgrimas, que foi forada a controlar enquanto ouvia o 
sr. Swindon explicar que seu tio morrera de um ataque cardaco e que 
precisava conversar a respeito do testamento que ele deixara.    
Brodvale estava sob uma hipoteca pesada e teve que ser vendida. No 
entanto, a senhorita tem direito a uma herana deixada por seu av. 
`sobre isso que queremos lhe falar, se possvel pessoalmente. Essa 
herana est investida de uma forma muito segura, que lhe 
proporciona uma pequena renda. Precisamos saber o que quer que 
faamos, daqui em diante. A senhorita pode vir a Londres? 
Naturalmente, o esplio de seu tio pagar todas as despesas da sua 
vinda.
   Hope pediu para dar a resposta depois, No tinha motivos 
para no ir a Londres, mas a notcia da morte de seu tio a pegara de 
surpresa, e precisava de tempo para se acostumar com isso. Alm do 
mais precisava pensar sobre a descoberta que fizera, do quanto desejava 
que fosse Alexei tentando encontr-la.    `claro que voc 
vai  Bianca disse, ao saber de tudo.  Tem que pensar m Niko, Hope. 
Ter que sustent-lo, e educ-lo, e essa quantia ser til, 
por menor que seja. Alm disso, no vai lhe custar nada ir falar com 
esses advogados.    As duas evitaram se olhar nos olhos, pois nenhuma 
delas queria mencionar Alexei. Em vez de diminuir, o tempo parecia ter 
aumentado a saudade que Hope sentia dele. Sem ele, sua vida era sempre 
vazia e incompleta, e ela no era do tipo capaz de aceitar um 
substituto. Se no fosse Alexei, no haveria ningum. Pelo menos, 
tinha Niko. Niko, que lhe era to precioso por si mesmo e por ser 
filho de Alexei.   Hope e Nikolai foram para Londres no fim de 
semana. Os advogados tinham lhes reservados acomodaes no 
Dorchester, e o calor do saguo foi um alvio, depois da chuva fria 
em Heathrow e da escurido nas ruas de Londres.   Niko estava 
cansado e foi levado diretamente para a sute que lhes fora destinada. 
O servio de quarto mandou uma garota simptica e sorridente para 
tomar conta dele, no horrio do encontro com os advogados, e Hope 
deixou com ela o endereo e o telefone de onde estaria para o caso de 
uma emergncia.   Meia hora depois, Hope entrava num escritrio 
antiquado, se bem que muito agradvel. O sr. Swindon levantou-se para 
receb-la. Ele era um homem de meia-idade, alto, magro e dono de uma 
pacincia inesgotvel, conforme Hope descobriu, enquanto estudavam 
todos os detalhes do testamento de sir Henry.
O dinheiro que receberia 
vinha de seu av. Quando em vida, seu tio o recebera, usando-o 
principalmente para pagar suas mensalidades escolares. Agora, tento o 
capital quanto a renda passariam para suas mos. Hope ouviu com 
cuidado as explicaes do advogado quanto ao que poderia fazer, 
garantindo que lhe daria uma resposta antes de voltar para a 
Califrnia.    H uma coisa...   Hope, que j se 
levantara, parou ao ouvir o advogado que brincava com uma caneta, 
obviamente relutante em continuar. De que outras coisas ainda teria que 
tomar conhecimento a respeito de sua famlia?    Fomos 
procurados pelo... pelo conde de Serivace, que tambm viu nosso 
anncio no jornal. Ele parece estar muito ansioso para saber de seu 
paradeiro. Na verdade, ele veio me pedir, pessoalmente, que o 
avisssemos, caso consegussemos entrar em contato com a 
senhorita.   Branca como um lenol, Hope sentou-se novamente.   
 Eu... Por que... O que o senhor lhe disse?    A verdade. Que 
na poca no tnhamos notcias da senhorita nem sabamos se 
teramos. Mas ele  um homem determinado e parece ansioso para 
v-la.    Ele disse... ele disse por qu?   O sr. Swindon 
fitou-a, incerto.    Ao que parece, ele sente uma certa 
responsabilidade em relao  sua pessoa. Se no me engano, foi 
amigo de seu tio.   Responsabilidade! Hope abafou um riso amargo. Ah, 
sim. Alexei se sentia responsvel por ela como sentira a 
responsabilidade de vingar Tanya. Queria encontr-lo de igual para 
igual, queria o amor dele, e no tinha a menor chance de conseguir 
qualquer dos dois.    Agora que a senhorita entrou em contato 
conosco...
   -No quero falar com o conde nem que lhe d meu 
endereo. Ele realmente conhecia meu tio, mas no tem motivos para 
se sentir responsvel por mim, e eu prefiro que no lhe diga nada, 
se ele o procurar de novo.    Se  isso que deseja...   Pelo 
modo como o sr. Swindon falou, Hope percebeu que estava curioso, mas que 
no a trairia. Uma semana antes, desejara desesperadamente acreditar 
que era Alexei que queria encontr-la, mas agora, ao saber que ele 
realmente fizera uma tentativa, estava com medo. Com medo de que, 
vendo-a com Niko e percebendo a verdade, usasse a mesma noo de 
honra que o levara a vingar a irm e sacrificasse a ambos num 
casamento que daria ao filho seus direitos, mas que o privaria da mulher 
amada e tiraria dela, Hope, toda esperana de auto-respeito.   
Voltando para o hotel, Hope encontrou Niko dormindo. Depois de pedir que 
o jantar lhe fosse levado ao quarto, ligou a televiso, mas ainda era 
cedo e trs horas se passariam, antes que o camareiro subisse com a 
refeio.   Quando o nen acordou, prendeu-o no carrinho 
desmontvel que trouxera e saiu com ele. Encontrou a rua escura e 
fria, mas Niko estava bem agasalhado e, passando pelos porteiros, ele 
seguiu para Park Lane.   Caminhar acalmou rapidamente seus 
pensamentos angustiados. No poderia ter ficado no quarto depois do 
que soubera. Seu corao doa cada vez que pensava em Alexei havia 
procurado os advogados por sua causa, mas estava convencida de que 
tomara a deciso certa ao negar permisso para que lhe dessem seu 
endereo. Afinal, por que ambos deveriam enfrentar mais sofrimento? 
Porque sem dvida era isso que aconteceria, se ele insistisse em se 
casar com ela por causa de Niko. No haveria felicidade num casamento 
desses para nenhum dos dois. Ela o amava e quero que Alexei 
correspondesse ao seu amor com toda a ardente paixo russa que 
mantinha escondida devido  suave mscara francesa que adotava em 
pblico. Mas esse amor... essa paixo... pertenciam a lise.
   
Para acalmar a dor em seu intimo, Hope caminhou meia hora antes de 
voltar para o Hotel. Chegou ao Dorchester quando uma fila de carros 
caros desembarcava seus passageiros, a maioria composta por homens em 
roupas de noite, uns poucos acompanhados por mulheres formalmente 
vestidas. De repente, um dos homens chamou sua ateno e ela sentiu 
o corao dar um salto, enquanto uma exclamao de dor escapava 
de seus lbios.   Alexei! No era possvel... Estava imaginando 
coisas! Ou ento o confundir com outra pessoa. Mas no. Era mesmo 
Alexei, e em p, nas sombras, observando-o subir os degraus de entrada 
do hotel. `luz que vinha do saguo, achou-o mais magro, com um ar 
sombrio que no lhe era familiar. Antes de entrar, ele parou e 
virou-se para esperar um homem que viera no mesmo carro, e ela ouviu o 
desconhecido dizer, aproximando-se dele:    Alexei, meu velho, 
voc anda muito cheio de energia, ultimamente. No vai lhe fazer 
nenhum bem levar a vida nesse ritmo.   -Cada um leva a vida no ritmo 
exigido por seus demnios interiores  ele respondeu com ironia.  
 Ento os seus devem ser muito exigente. Exigente at demais, eu 
diria. Ou de menos, quem sabe? H um ditado que diz que s se exige 
de um homem aquilo que ele pode suportar.    Pode ser, mas nem 
sempre o destino nos d o que merecemos. A morte de Tanya... a morde 
de Tanya foi uma tragdia, mas quanto ao resto, creio que posso dizer 
que mereci todo sofrimento que me foi enviado... e que at mesmo 
procurei algum.    Voc  muito duro consigo mesmo, Alexei. 
Sempre foi.   Os dois recomearam a caminhar, ainda falando, e Hope 
seguiu Alexei com um olhar atormentado. O que estaria ele fazendo no 
Dorchester, entre todos os lugares do mundo? Ah, a ironia de tudo 
aquilo! Ele estivera to perto que poderia toc-lo, se estendesse a 
mo. Mas, se o tivesse tocado, no teria conseguido parar, 
continuando at estar nos braos dele, protegida por ele... amada 
por ele.
   Um suspiro escapou de seus lbios. Estava se iludindo. 
Alexei amava lise e no a ela, e no poderia, jamais, se esquecer 
disso.   Hope esperou at ter certeza de que todos os carros 
estavam vazios e seus ocupantes no interior do hotel, antes de se 
dirigir ao saguo, agora deserto.    Vocs esto muito 
ocupados, esta noite.   O porteiro sorriu de seu comentrio.   
 `por causa do jantar anual de uma firma londrina de importadores 
de vinho  ele explicou.   Ento era por isso que Alexei estava 
ali.   Hope subiu com Niko, ciente de que seria difcil adormecer 
com Alexei to perto, no s em seus pensamentos, como tambm 
fisicamente.   Deus do cu, aquela saudade doida no acabaria 
nunca?
   Ir quele jantar no tinha sido uma boa idia, Alexei 
refletiu, a mente se afastando do discurso que um de seus colegas fazia. 
Mesmo no sendo do tipo que se ilude, durante algum tempo ele tentara 
se convencer de que sua melancolia era uma conseqncia direta e 
j esperada da satisfao de ter cumprido uma promessa que fizera 
a si mesmo, junto  sepultura da irm. Mas era honesto demais para 
fingir, por muito tempo, que a vingana no deixara um sabor amargo 
em sua boca.   Comprimindo os lbios, Alexei teve um vislumbre do 
rosto gordo e corado de Montrachet, alguns lugares adiante. 
Encontrara-se com ele um pouco antes e o francs tinha se mostrado 
bem-falante, na cerda devido  sensao de liberdade e ao 
excelente vinho que fora servido durante o jantar.   Os discursos 
terminaram e os convidados comearam a se misturar uns com os outros. 
Mas o que ele queria era escapar daquele lugar.   Escapar! Seu rosto 
assumiu uma expresso estranha, enquanto saboreava a palavra, que 
aparecia cada vez com mais freqncia em seus pensamentos. S que 
no havia jeito de escapar de algumas coisas. Para algum que se 
orgulhava de ser um homem inteligente e racional, ele cometera alguns 
erros enormes. A lembrana de ltima vez em que estivera com Hope 
veio-lhe  mente, e a dor brilhou em seu olhar.   Mas o que 
esperava? Que ela se consumisse de saudades dele? Uma idia que no 
resistiria a uma anlise mais profunda, talvez porque soubesse que 
havia sonhado com isso, com o impossvel. Pois era esse o termo certo: 
 sonhando com o impossvel. Agora, havia momentos em que mal se 
reconhecia. Um sorriso irnico surgiu em seus lbios. Era um novo 
ponto de vista, se bem que pouco promissor, pois afinal de contas as 
evidencias no poderiam ter sido mais claras. E, se ele as ignorara, 
fora por vontade prpria.
   Que motivos teria para mudar seus 
planos e levar Hope a Paris, se no fosse por saber, mesmo naquela 
poca, que seus sentimentos por ela estavam se tornando muito 
pessoais? Em Paris, alimentara a esperana de colocar distancia entre 
eles. Pensara que, vendo-a no ambiente sofisticado de seus amigos, 
destruiria o perigoso lao emocional que o ligava a ela. Mas fora 
intil.   E ele j sabia disso, no Caribe. J sabia que estava 
apaixonado por ela, da forma mais ridcula e impossvel. Tentara se 
convencer de que no sentia mais que um forte entusiasmo, que Hope era 
o instrumento de sua vingana, mas nada adiantara.   O dia em que 
fora busc-la no iate daquele garoto havia sido o pior dia da sua 
vida. Nunca, em toda a vida, sentira o menor trao de cimes por uma 
mulher. Mas naquela noite ele poderia ter matado os dois, de 
preferncia depois de fazer amor com ela, da forma mais violenta e 
possessiva que pudesse.   O rosto de Alexei endureceu, seus 
pensamentos tornaram-se mais profundos, e cenas passadas comearam a 
desfilar por usa memria. Para algumas coisas no havia perdo. 
Fora brutal com ela, na ltima vez. De uma forma imperdovel. 
Portanto, no era de admirar que ela tivesse fugido. E fugido para os 
braos de outro homem, para sai angstia e tormento. Por que s 
agora era capaz de admitir para si mesmo que nunca tivera inteno 
de deix-la partir?   Tomara essa deciso em Paris, embora na 
poca estivesse cego demais por sua sede de vingana para ver o 
perigo que tinha  frente.   Alexei estremeceu de repente, apesar 
da temperatura agradvel da sala de conferencias. At o dia de sua 
morte continuaria a se lembrar do dia em que ela se fora, da busca pela 
ilha, imaginando... imaginando que levara a mulher que amava a tirar a 
prpria vida.
   V-la da ltima vez que fora a Califrnia 
tinha sido um choque, e no de todo agradvel. Hope mudara, 
tornando-se a mulher que sempre sentira que seria, um dia. E, com isso, 
seu desejo por ela havia aumentado, em vez de diminuir. A parte da sua 
mente, que sempre permanecera do lado, monitorando suas aes, 
zombara dele pelo intenso cimes sexual que havia experimentado, pela 
pura e cega necessidade masculina que sentira, de deixar nela a marca de 
sua possesso. Inegavelmente, duas emoes que, at aquele dia, 
lhe eram totalmente estranhas.   Na noite em que ela desfiara o homem 
que ainda considerava como pai, para salvar seu orgulho, ele soubera que 
a queria para esposa, que desejava o sangue dela correndo nas veias de 
seus filhos, que fosse ela a gui-los em direo  vida adulta. 
No momento, at sentira satisfao bem pouco generosa pelo fato de 
ela no ter ningum no mundo alm dele. Porque, mesmo ento, 
j tinha conscincia de que estava trapaceando, que usaria 
atrao sexual que existia entre ambos para lev-la a se casar com 
ele.
   Em momentos de maior lucidez, chegara a se censurar pelo 
egosmo de sua inteno, pois sabia que a estaria privando do 
direito de escolher livremente.  Ainda assim, tivera certeza de que 
continuaria agindo assim, exatamente como havia percebido na primeira 
vez em que a vira no convento, que a despeito de tudo que ia lhe dizer, 
ele a queria para si mesmo.   Pensara que teria tempo para 
convenc-la de que realmente queria se casar com ela, mas os deusas 
haviam decretado outra coisa. Fora como se eles tivessem olhado l de 
cima e decidido punir o tolo mortal que tivera a presuno de lhes 
usurpar os direitos e privilgios, e ele a perdera.   Alexei subiu 
para seu quarto e parou diante da janela. Fitou o Hyde Park atravs da 
Park Lane, sem enxergar realmente as luzes da rua ou as rvores mais 
alem, a mente cheia de cenas de outros tempos. Hope em seus braos, 
olhando-o com um sorriso trmulo nos lbios; enfrentado sir Henry 
com um orgulho e uma dignidade que ainda hoje faziam seu corao se 
apertar; e, da ltima vez, fitando-o com um olhar cuidadosamente 
inexpressivo, por trs do qual conseguiria fugir dele.   Estendendo 
as mos diante de si, com as palmas para baixo, Alexei reparou, com 
ironia zombaria, no modo como tremiam. Quinze anos atrs, na certa 
teria expressado sua angustia em voz alta, mas o hbito de anos 
tornara-se muito forte para ser quebrado. Alm disso, seu sofrimento 
era grande demais para ser expresso dessa maneira.   Seria ela 
realmente feliz com aquele diretor de cinema, um homem conhecido por ter 
casos de amor com tantas mulheres? E que coisa mais ridcula era o 
fato de ele querer proteg-la, de sentir aquela compulso em 
procurar o tal diretor de cinema e preveni-lo da inocncia, do quanto 
ela era indefesa, exigindo que o sujeito a amasse de um jeito forte e 
absoluto quando ele a amava.
   Sorriu cinicamente, lembrando-se de 
quando a vira, na Califrnia e da vontade que tivera de agarr-la e 
traz-la para a Europa, mantendo-a a seu lado, nem que para isso 
tivesse que tranc-la no chteau. Como ficariam surpresas as pessoas 
que pensavam que o conheciam bem, se pudessem ler seus pensamentos. Mas 
no podiam. Ningum podia. Eles eram seu inferno particular, sua 
penitncia, o peso que o lado russo de sua personalidade aceitava como 
um castigo merecido, enquanto o lado francs apreciava, cheio de 
ironia.   Se a tivesse deixado pura e inocente, ela estaria com 
aquele americano agora? Se no tivesse... Mas ele fizera, pensando que 
fosse invulnervel, e sua arrogncia custara caro a ambos. No 
entanto, sabia que, se pudesse fazer o tempo voltar atrs, se pudesse 
tomar suas decises novamente, acharia difcil negar a si mesmo o 
que tivera dela.

CAPTULO XI 
   Tem certeza de que no 
quer vir comigo?   Hope e Bianca estava na sala envidraada que 
dava para a piscina, e Bianca decorada em tons pastis, com mveis 
de cana-da-ndia. Bianca tinha um ar plido e cansado. Ela ainda se 
opunha veementemente s cenas de sexo explicito que Dale queria que 
fizesse, e a atmosfera entre ambos havia piorado de tal forma que Hope 
vivia com medo de uma exploso a qualquer momento.    Se eu vir 
Dale neste momento, sou capaz de agredi-lo. Se no me jogar nos 
braos dele  Bianca admitiu.  Meus Deus, Hope! No sei o que 
fazer. Uma parte de mim quer ir at ele e dizer:  Est bem, eu 
desisto, fico com o que voc me oferece e conto o prejuzo 
depois. Mas a outra parte me diz que nunca serei feliz com um 
relacionamento desses, que ter to pouco de Dale acabaria por me 
destruir.   Essas palavras encontraram um eco doloroso no corao 
de Hope, e o vislumbre que tivera de Alexei, em Londres, voltou  sua 
mente. Um Alexei mais velho, mais cansado, cujas feies abatidas 
tinham feito seu corao se apertar de dor.    Bianca, eu sou 
capaz de jurar que Dale gosta mesmo de voc. Se ele no gostasse, a 
atmosfera entre vocs no seria to explosiva. Venha para o vale 
comigo, este fim de semana. Longe de Hollywood, talvez consigam 
enxergar...    De jeito nenhum! No, Hope, eu no posso. 
Alm disso, nem fui convidada.  Uma expresso de sofrimento 
cruzou-lhe o rosto.  Dale est louco por Niko. O modo como ele olha 
para vocs dois...   -... E o seu, quando olha para ele. Voc 
quer tem um filho dele, no , Bianca?    Uma loucura, no 
acha? Se eu ficasse grvida agora, minha carreira de atriz estaria 
terminada. E pior  que isso ao faz a menor diferena para mim. 
No, eu no vou com voc, Hope. Tenho medo de ceder a Dale, se 
for. No me iludo nem pretendo me iludir que ele me ama. Alm disso, 
se eu fosse, quem iria tomar conta de Niko?
   -Eu gostaria de 
lev-lo junto  Hope admitiu -, mas Dale separou tantas casas para 
vermos.    Voc deveria ter ido com ele ontem, de avio. 
Assim, teria mais tempo.   Dale mantinha um avio particular no 
aeroporto de Santa Mnica e geralmente voava de l para Santa Rosa, 
fazendo o resto da viagem de carro. Mas ele pretendia passar uma semana 
no vale e Hope no quisera sujeit-lo a mais inconvenientes do que 
seria absolutamente necessrio. Por isso, decidira passar apenas o fim 
de semana na casa de Dale, voando de Los Angeles a San Francisco, onde 
um carro j estaria  sua espera.    `melhor eu correr  
Bianca anunciou, com uma olhada para o relgio.  Vamos passar a 
manh filmando. Devo estar de volta na hora do almoo. No sei 
como algum pode achar glamurosa a vida de uma pessoa que passa a 
maior parte do tempo sentada num estdio, esperando que o diretor 
chame para dez minutos de trabalho.    Voc adora esta vida  
Hope retrucou sorrindo, embora achasse a amiga estranhamente abatida. 
 Eu pensei que adorasse, mas estou comeando a perceber que no 
 to fcil anular dez anos de nossa vida. No fundo, continuo 
sendo uma garota educada em convento de freiras,  procura de um bom 
lar!   Bianca riu, mas Hope percebeu que era um riso sem alegria. E 
por qu? Ela mesma no sofria do mesmo mal? Seria capaz de jurar que 
Dale gostava de Bianca e s vezes tinha at vontade de falar com ele 
a respeito. Mas uma suposio seria justificativa suficiente para 
intrometer na vida da amiga?     Afinal, Bianca conhecia Dale melhor que 
ela, e o fato de ele gostar de Bianca no significava que pretendesse 
pedi-la em casamento. E, Hope sabia, sua amiga no pretendia aceitar 
nada menos.
   Na manha seguinte, Hope seguiu para o aeroporto, 
nervosa, no por causa do vo, mas por estar deixando Niko para 
trs. Era a primeira vez que se separavam e, apesar de saber que ele 
seria muito bem cuidado, achara horrvel partir sozinha.    Vai 
ser s por dois dias  Bianca dissera.  E voc no pode me 
privar do prazer de brincar de mame, agora. Por falar nisso, j 
providenciou o batizado?   Bianca e Dale seriam os padrinhos de Niko, 
e, ao entrar em contado com a igreja local, Hope descobrira, divertida, 
que os batizados de filhos de mes solteiras eram os mais comuns 
naquele sofisticado bairro de Hollywood.   O vo transcorreu 
normalmente, embora ela no pudesse deixar de se lembrar do vo que 
fizera para o Caribe, com Alexei. Abafando a dor j to familiar, 
forou-se a se concentrar em outras coisas. No havia sentido em se 
atormentar ainda mais. Mas como gostaria de t-lo junto de si, como 
ansiava pelo amor dele!   Quando caminhava pelo saguo de 
desembarque, uma banca de revistas chamou sua ateno. Uma das 
revistas parecia se sobressair entre as outras, e ela sentiu o sangue 
fugir-lhe do rosto ao reconhecer a foto de lise. Quase com uma 
sonmbula, foi at l, comprando e pagando o exemplar sem nem 
saber como, a noticia em letras agindo como cido sobre seu 
corao: Viva herdeira casa-se de novo.  
Automaticamente, encontrou um banco vago e sentou-se, esquecendo do 
carro l fora, da viagem e do propsito de sua ida ao vale. lise 
mudara de idia e decidira que preferia ter Alexei a continuar com o 
dinheiro do falecido marido.   Com as mos trmulas, Hope folheou 
a revista, achando afinal as pginas que lhe interessavam. Havia uma 
fotografia em cores de lise, num conjunto Dior.   Alexei estava em 
p atrs dela, e Hope estudou com sofreguido as feies 
familiares. O rosto dele lhe parecia com o rosto pesado do homem ao lado 
de lise.  Um nome chamou sua ateno: Aristotle Nicholaus, 
primo do primeiro marido da noiva, celebra seu casamento com a francesa 
lise
   Hope voltou ao inicio do pargrafo, estudando melhor a 
fotografia e vendo o que perdera antes, em sua vida absoro com 
Alexei. lise e Aristotle estavam de mos dadas, e um enorme 
diamante brilhava no dedo da noiva. lise se casara com Aristotle, e 
no com Alexei! No entanto, convidara Alexei para o casamento. Como 
pudera ela ser to cruel? Aristotle Nicholaus no parecia ser do 
tipo que permitiria que a esposa tivesse um caso amoroso com outro 
homem.    E o fato de ser to rico na certa ajudara lise a tomar a 
deciso de renunciar  fortuna do primeiro marido. Como Alexei devia 
estar sofrendo.
   Hope j estava a meio caminha do balco da Air 
France quando percebeu o absurdo de suas aes. Sua reao 
instintiva fora ir ao encontro de Alexei e tentar consol-lo, mas que 
necessidade tinha ele de seu consolo? Tinham se separado zangados um com 
o outro, e Hope ainda magoada com a invaso brutal a que ele submetera 
seu corpo. No entanto, agora que sabia que Alexei estava sofrendo, 
queria deixar tudo e ir para o lado dele. Isso dava a medida exata do 
amor que lhe dedicava, mas tambm tinha muito orgulho para no 
sobrecarreg-lo com um sentimento que ele no desejava.   
Fechando a revista, Hope colocou-a na bolsa e caminhou para a sada, 
 procura de representante da firma que alugava carros.     Sim, 
ns temos um carro para a senhorita  ele confirmou, quando ela lhe 
deu seu nome.  Um dos melhores. O sr Lawrence fez questo disso. 
 Lanou um olhar curioso a Hope, que rezou para no estar 
corando.  Aqui esto as chaves. Assine aqui, por favor, que um dos 
nossos rapazes a levar at ele.   Na garagem, Hope fitou, 
incrdula, o brilhante Mercedes conversvel, vermelho. Quando Dale 
lhe prometera reservar um carro, pensara em algo menos luxuoso, nunca 
naquilo!  
    No sei se vou conseguir dirigir este carro  
protestou, virando-se para o rapazinho que a acompanhava.    Claro 
que vai! Ele  uma delicia! D uma volta no quarteiro para ver 
s.   Sentando-se ao volante, Hope ajustou o banco, os espelhos, e 
deu a partida. Sua preocupao no tivera motivos de ser, pois, 
depois de dar a volta no quarteiro duas vezes, sentia-se 
perfeitamente  vontade no Mercedes. E o rapazinho tinha razo: 
aquele carro era uma delicia.
   Dale lhe dera instrues 
detalhadas antes de sair de Los Angeles, mas mesmo assim Hope passou 
quinze minutos lendo-as de novo e verificando os mapas fornecidos pela 
firma que alugara o carro. Na autopista, a caminho de Vallejo, seus 
msculos tensos foram relaxando aos poucos, embora seu pensamento 
estivesse sempre voltado para a noticia do casamento de lise. Devia 
ter sido um golpe amargo para Alexei descobrir que a mulher que amava 
dava mais valor ao dinheiro que a ele.   Em Vallejo, Hope tomou a 
estrada para Napa. Dale lhe dissera que levaria uma hora de San 
Francisco a Napa, e estava bem dentro do esquema de horrio, apesar da 
chuva pesada que havia inundado alguns trechos da pista.   Os 
vinhedos da famlia de Dale ficavam na periferia de Santa Helena, e a 
noite comeou a cair,  medida que ela se aproximava da cidadezinha. 
Uma bifurcao apareceu  sua frente, e tabuletas com os nomes de 
vrios vinhedos apontavam nas duas direes, mas os de Dale no 
estavam includos.   No fim, Hope decidiu seguir pela mais larga 
estrada, dizendo a si mesma que poderia voltar se fosse necessrio. A 
estradinha lhe pareceu incrivelmente longa, na escurido, e o fato de 
ter que parar com freqncia, para examinar as tabuletas de 
sinalizao, dificultou ainda mais seu progresso. Uma hora depois, 
ela foi obrigada a reconhecer que tomara o caminho errado. Tentando dar 
meia-volta com o Mercedes, teve a desagradvel surpresa de v-lo 
morrer.   Depois de procurar dar a partida vrias vezes, bateu com 
os olhos no painel e deixou escapar uma exclamao de desnimo. 
Por mais incrvel que fosse, ficara sem gasolina! Como pudera cometer 
um erro to elementar?   E agora, o que fazer? O erro fora 
cometido, e tinha que arrumar um jeito de consert-lo. Como no 
passara por nenhum posto de gasolina na ltima hora, o melhor seria 
descer a p pela estradinha que usara para fazer a volta com o 
Mercedes, torcendo para que a sede daquele vinhedo no ficasse muito 
longe.      De l poderia telefonar para uma oficina e avisar a Dale 
da razo de seu atraso.
   Hope no estava vestida para uma 
caminhada pelo campo,  noite, com aquele conjunto de saia e camisa de 
linho de cor azul. Por cima do conjunto, usava uma jaqueta de algodo 
branco, combinando com as sandlias que calou ao sair do carro.  
 Depois de trancar o Mercedes, comeou a caminhar. Quando j estaca 
com medo de no encontrar nada, vislumbrou algumas luzes  frente. A 
casa surgiu aps uma curva na estrada, trrea e grande, com as 
paredes cobertas de hera e num estilo decididamente italiano. Hope quase 
chorou de alvio. O ptio calado com pedras portuguesas era to 
perigosos, para seus ps, quanto um campo minado. Naquelas sandlias 
de salto alto, no demorou para que escorregasse numa delas, torcendo 
o tornozelo de forma abrupta e dolorosa.Sua batida na porta no 
obteve resposta, e ela prendeu a respirao, sentindo o tornozelo 
j inchando. Mas era impossvel que no houvesse ningum, pois 
vira uma luz l dentro. Tinha que haver! Bateu de novo, impaciente, 
abafando um suspiro de alivio ao ouvir o barulho de algum se 
aproximando.   A porta era do tipo antigo e, a julgar pelos sons, 
cheia de trancas. Mas afinal se abriu, rangendo, para a escurido.  
 Era quase uma cena sada de um filme de terror, Hope refletiu, 
afastando de imediato essa idia da cabea e comeando a falar: 
   Desculpa eu estar incomodando a esta hora, mas  que a gasolina 
do meu carro acabou, na estrada deste vinhedo. Eu poderia dar um 
telefonema?   Foi desconcertantemente falar para a escurido 
daquele modo, sabendo que quem abrira a porta a via com perfeio, 
pois estava quase embaixo da lmpada que iluminava o ptio.    
Claro que pode, Hope. Entre, por favor.   Ao ouvir a voz arrastada, 
falando em um ingls perfeito sem sotaque, Hope automaticamente, 
apoiou-se no batente da porta, tentando recuperar o domnio de si 
mesma.    Alexei?
   -No precisa me olhar assim. Eu lhe 
garanto que no sou um fantasma, embora ache que este encontro  
coincidncia demais.    Mas...  Um milho de perguntas 
encheram sua mente, enquanto Alexei dava um passo  frente, saindo da 
escurido.   Ele usava um roupo atoalhada e estava, realmente, 
bem mais magro. Mas, quando a segurou pelo brao, foi a mesma firmeza 
de antes, que no pde deixar de reconhecer. Alias, exatamente como 
seu corpo tambm reconheceu e reagiu ao toque dele, amolecendo da 
cabea aos ps.    Entre, Hope, est frio ai fora. Sente-se, 
por favor  Alexei convidou, depois de fechar a porta e acender as 
luzes.   A sala era agradvel, mobiliada em estilo colonial 
americano. Vendo-o disfarar um bocejo, Hope notou que ele estava com 
os cabelos despenteados, e provavelmente sem nada por baixo do 
roupo.    Jet lag  ele explicou.  Cheguei da Frana 
h duas horas e tinha acabado de me deitar quando ouvi sua batida.  
  Veio sozinho?   Deus do cu, o que a levara a perguntar isso? 
Era evidente que ele haveria de querer fugir da Frana e da lise, e 
para que lugar melhor poderia ir do que aquele vale, onde tinha 
conexes de negcios?    Vim  O olhar masculino zombou 
dela.  Eu venho sempre para c nesta poca do ano, dar uma olhada 
nos vinhedos. Durante a resto do ano, tenho um administrador que toma 
conta de todo, mas agora ele est de frias  De repente, os 
lbios de Alexei se crisparam.  Voc era a ltima pessoa que 
esperava ver quando fui abrir a porta. No deixou pistas quando fugiu, 
Hope, mas na certa deve ter achado que eu merecia a angustia de no 
saber onde voc estava. Foi uma vingana da sua parte, no ? 
   Hope horrorizou-se com essa idia.    Eu deixei um bilhete 
para voc!
   -l eu sei que deixou. Mas deveria ter se lembrado 
de que o tempo no tem. No Caribe, o mesmo significado que na Europa. 
O seu mensageiro levou trs dias para devolver o jipe e entregar o 
bilhete. Trs dias, durante os quais no tive um segundo de paz!  
   Sinto muito, mas no pensei nisso.  Hope baixou a cabea, 
ainda chocada demais para perceber a ironia da situao ou tentar 
analisar por que se sentia to culpada.    Voc sente!  O 
rosto de Alexei endureceu.  No, Hope,quem sente sou eu. Por ter 
feito o que fiz, por ter sido to idiota a ponto de lhe dar motivos 
para fugir de mim.   Hope observou o pescoo de Alexei enquanto ele 
engolia em seco, e uma vontade louca de colar os lbios quela pele 
morena a invadiu. Um desejo sexual, forte e ardente, assolou-a, mas ela 
o dominou.   Com o rosto sombrio, realado pela barba de um dia, 
Alexei continuava a falar:    Pensei que voc estivesse morta... 
ferida... sozinha... uma criana vulnervel, que eu havia 
destrudo.  Segurou-a pelos ombros, apertando-os at faz-la se 
encolher de dor.  Foi de propsito, Hope? Foi de propsito que me 
deixou daquele modo, sem uma palavra?    No. No... eu j 
lhe disse. Deixei um bilhete para voc.     E tambm disse ao 
seu advogado para no me dar seu endereo.Hope sentiu a garganta 
se apertar de dor. Ento Alexei fora ver o sr Swindon. Virou a 
cabea para o lado, desejando que ele a soltasse. Estava cada vez mais 
perturbada com a presena fsica dele, e sua vontade era esquecer-se 
de que tinha orgulho e pedir-lhe, de joelhos, que fizesse amor com ela. 
S o fato de saber que sofreria muito mais, depois, impediu-a.   
 Por que, Hope? Por que no quis me ver?    No sabe? 
-Desesperada, ela tentou ganhar tempo.    Eu lhe trago 
lembranas dolorosas, no  isso?   Hope se agarrou  
desculpas que Alexei lhe arranjara.
   -`isso mesmo.  
Desconcertada pelo modo como ele a fitava, comeou a falar 
impulsivamente:  Eu vi voc em Londres... no Dorchester... eu... 
   Voc me viu e no foi falar comigo?!   Alexei a sacudia 
agora, quase com violncia, os olhos brilhando de raiva.   -Voc 
estava com outra pessoa, e eu no quis... atrapalhar.    
Mentirosa... Voc no quis falar comigo pela mesma razo que fugiu 
da ilha, no foi?   Era verdade, mas no no sentido que ele 
achava.    Eu a assustei e voc fugiu. Tem certeza de que todas 
as suas lembranas so desagradveis, ma petite?   Hope quase 
entrou em pnico quando Alexei se inclinou para ela. Se ele a tocasse, 
no seria capaz de se conter. Ele perdera a mulher que amava e era 
cnico o bastante para aceit-la como substituta, usando seu corpo 
como um narctico para aliviar a dor, se fosse tola o bastante para se 
deixar levar.    Isso j passou, Alexei  murmurou, 
afastando-se dele.  Voc deve ter tido vontade de torcer meu 
pescoo quando recebeu meu bilhete.    Minha maior vontade foi 
torcer meu prprio pescoo. Ningum foi capaz de se lembrar de 
voc no aeroporto, quando fui at l verificar. `capaz de 
imaginar como me senti, sem saber onde ou com quem voc estava?   
 Mas no bilhete eu lhe expliquei que estava indo embora com uma 
pessoa amiga. Eu no poderia ficar, Alexei. No depois...    
... Depois que eu a violente  Alexei completou, com a voz dura.  
Era isso que ia dizer, no era? Aquele rapazinho foi atrs de mim 
depois que voc partiu. Teve um ataque de conscincia e resolveu 
contar a verdade, que tudo tinha sido muito inocente e que a culpa de 
vocs terem ficado na ilha era dele. Nunca me odiei tanto quanto 
naquele momento, embora, no fundo, eu j soubesse da verdade.    
 Seu lado russo de novo?  Hope comentou, num tom despreocupado. 
Tentou recuar mais um pouco e estremeceu de dor, abaixando a cabea 
para fitar o tornozelo. Para seu horror, ele estava totalmente 
inchado.    Deixe me ver.  Alexei abaixou-se, pegando o 
tornozelo que ela, em vo, tentou esconder.
   -Torci o p nas 
pedras l de fora  Hope comeou rezar para que ele a soltasse 
logo.   T-lo to perto era um tormento que no conseguia 
agentar por muito tempo. S precisava estender a mo para 
enterrar os dedos nos cabelos escuros de Alexei, to parecidos com os 
de Niko. O toque dele era quente e familiar  sua pele, e o desejo 
voltou a correr em suas veias, enquanto lutava para controlar a 
emoo que a dominava.    Sente-se aqui. Vou fazer um 
compressa com gua fria para impedir que seu tornozelo continue a 
inchar.   -Tenho que telefonar para o meu amigo. Ele j deve estar 
preocupado com a minha demora.    Ele?   Hope assustou-se com o 
desprezo que viu nos olhos verde-esmeralda.   -Suponho que deve ser o 
mesmo amigo que a salvou de mim.    E se for?   Hope 
assustara-se com a reao de Alexei, momentos atrs, mas 
espantou-se ainda mais com a resposta infantil que deu. Por que insinuar 
que ela e Dale eram amantes? Mas j era tarde para recuar. Os olhos de 
Alexei j tinham a expresso que costumavam adquirir, quando o 
provocara a ponto de deix-lo perto de perder o autocontrole, e foi 
numa voz macia como seda que o ouviu responder.    Espero que ele 
tenha achado que eu a treinei bem.   A crueldade desse golpe deixou-a 
plida e muda. Nem cinco minutos atrs ele lhe dissera que sabia que 
a julgara mal, mas agora a acusava de ter arrumado outro amante. Seria 
possvel que ele no percebesse que era o nico homem que queria 
ter nos braos?    Uma vez, voc me disse que eu deveria 
desenvolver ao mximo todos os talento que tivesse  replicou, 
levada por uma necessidade desesperada de se proteger.  Creio que ele 
me acha... satisfatria.   Era uma troca de palavras srdidas, e 
cada centmetro de seu corpo parecia chorar de dor, mas no havia 
jeito de voltar atrs Alexei indicou o telefone.
   -Pode ligar para 
o seu amigo.  A frieza dele era quase palpvel.  Vou arrumar 
alguma coisa para o seu tornozelo.   Hope ligou primeiro para Dale, 
explicando o que acontecera. O riso dele acalmou sua mgoa.    
Se voc est assim,  melhor no usar esse tornozelo por algumas 
horas. Veja se d para dormir ai esta noite. Nosso fim de semana vai 
ser duro.    Eu no posso ficar aqui, Dale  ela comeou. 
Mas a volta de Alexei, com ema cuba cheia de gelos na mos, fez com 
que terminasse a ligao rapidamente.   At o mais breve e 
impessoal dos contatos bestava para acelerar seus pulsos.  A camiseta 
expunha seus colo, e ela sabia que Alexei podia ver, l, uma das 
artrias que batiam freneticamente por todo seu corpo, traindo sua 
reao  proximidade dele.    O que foi?  Alexei 
perguntou, sem rodeios.   Hope nem tentou esconder nada, pos no 
havia sentido. Ele na certa queria que ela passasse a noite ali, tanto 
quanto ela queria passar.    Dale achou que eu talvez pudesse 
passar a noite aqui. Temos um fim de semana cheio, e ele quer que eu 
descanse. Mas eu lhe disse que seria impossvel.    Ao 
contrrio  Alexei disse, depois de fit-la por algum tempo, com 
uma expresso impossvel de se analisar.  Ele teve uma idia 
sensata. Duvido que voc consiga algum que venha lhe trazer uma 
lata de gasolina a esta hora da noite. No tem perigo, pode ficar, 
Hope. Voc est segura, se  isso que a preocupa  acrescentou 
com ironia.    No  isso que me preocupa  ela responder, 
com sinceridade.  Afinal, sabemos que seu... interesse por mim nunca 
foi pessoal. Nesse sentido, no tenho medo de voc, Alexei. Mas eu 
gostaria que nunca mais nos encontrssemos de novo.   Essas 
palavras foram ditas bem baixinho, mas ele ouviu-as mesmo assim, 
empalidecendo visivelmente.
   -Sinto muito a respeito de lise  
Hope prosseguiu, sem jeito.  Eu sei... eu  sei o quanto voc a 
amava.   Como ele a julgara tola se soubesse que estivera a ponto de 
correr para a Frana s para lhe oferecer consolo! Afinal, que 
consolo poderia lhe dar?    lise?  A voz dele soou grave e 
estranha.    n Eu li sobre o casamento dela. Quando estvamos 
em Paris, ouvi-a dizer que no se casaria com voc porque no 
queria perder a fortuna do primeiro marido. Ela tambm disse que 
voc a amava. Deve ter...    O qu? Continue, por favor.   
 Voc deve ter ficado muito magoado  Hope concluiu depressa, 
dando-lhe as costas para que ele no visse seus olhos cheios de 
lgrimas.  Amar uma pessoa que no ama voc ...    O 
pior dos infernos? Voc fala como se j tivesse passado por isso. 
  Vendo que entrava num terreno perigoso, Hope mudou de assunto 
rapidamente. Falou de um modo febril sobre Napa Valley, perguntando-lhe 
como viera a ser dono daqueles vinhedo, sempre consciente da angstia 
que lhe sombreava o rosto e colocava entre ambos uma distancia que ele 
no is deixar diminuir. Oh, por que tivera que reencontr-lo? E uma 
saudade intensa da poca em que podia ir para a cama, certa de que ele 
iria atrs e a tomaria nos braos, invadiu-a.    Vou dar uma 
olhada no seu tornozelo, depois ver um quarto para voc.   Alexei 
parecia no ter dvidas de que ela ficaria, e Hope preferiu no 
discutir. Estar perto dele e sentir-se mantida a distncia era 
doloroso, mas no tanto quanto no ter nada.    Posso fazer 
outra ligao?  perguntou. Queria falar com Bianca, para saber se 
Niko estava bem.    Claro.  Ele lhe entregou o telefone, mas 
no fez o menor gesto para sair da sala.   Cheia de nervosismo, 
Hope discou o nmero da amiga. A prpria Bianca atendeu.
   
-Est tudo bem, meu anjo? Eu esperava ouvir voc antes disso.   
 `que eu me perdi e fiquei sem gasolina. Mas agora esta tudo bem. 
E Niko...?  sua voz suavizou-se ao pronunciar o nome do filho, um 
sorriso terno entreabrindo-lhe os lbios.    Est timo! 
Acabou de tomar banho. Quer ouvir?Hope escutou-a chamar algum e, 
depois de alguns segundos de silncio, o murmrio gostoso de seu 
filho chegou at ela.    Feliz, agora?  Bianca brincou, logo 
em seguida.   Com os olhos cheios de lgrimas e um n na 
garganta, Hope lutou para se dominar, pois Alexei a observava.    
Quem  Niko?  ele quis saber, assim que ela reps o fone no 
gancho.  Seu outro amigo sabe que no  o nico homem em sua 
vida?    Dale sabe tudo a respeito de Niko  admitiu com voz 
rouca, vendo o rosto dele enrijecer.  Acho que eu mesma posso cuidar 
do meu tornozelo.
   -Deixe que eu cuido.  O tom de voz de Alexei 
era tenso e autoritrio.  Mas antes  melhor voc subir. Com 
ele enfaixado vai ser praticamente impossvel subir as escadas.   
No ltimo degrau, Hope foi obrigada a reconhecer que Alexei tinha 
razo. Seu tornozelo doa terrivelmente e cada passo era uma agonia. 
No patamar, ele se virou para esper-la, soltando um gemido ao ver seu 
rosto.   Era um erro Hope sentir tanto prazer com algo que no 
passava de uma necessidade, mas no pde dominar os sentimentos, 
quando ele a ergueu nos braos, aconchegando-a ao peito. Na verdade, 
at fechou os olhos para saborear melhor a intimidade do gesto. O 
cheiro de Alexei era o mesmo, bem como a sensao do roupo 
atoalhado de encontro ao rosto, e ela lamentou no ter coragem de 
empurr-lo um pouquinho e sentir a pele dele de encontro aos 
lbios.   Uma porta foi aberta, e sua mente foi invadida pela vaga 
impresso de um quarto mobiliado com mveis pesados e antigos, mas 
com ar de conforto e serenidade. Alexei colocou-a gentilmente sobre a 
cama larga, coberta por acolchoado que cedeu sob seu peso.    
No saia daqui.   No podia ter ignorado a ordem, mesmo que 
quisesse, pois fora invadida por uma intensa sensao de fraqueza. 
Deduziu que a porta que Alexei abriu era a do banheiro, e percebeu que 
acertara quando ele voltou com uma cuba de gua, algodo e uma 
bandagem elstica.    Para a sua sorte, David, o meu 
administrador,  f de tnis. Agora fique quietinha enquanto eu 
banho o seu p.   Hope agentou os minutos que se seguiram  
custa de muita fora de vontade, sufocando lembranas de outro 
tempo, quando as mos dele a tinham tocado com paixo em vez de 
cuidado clinico, e sua pele recebera beijos em vez de loo 
anti-sptica.    Pronto. Isso deve dar sustentao ao seu 
tornozelo.   A bandagem estava no lugar e no havia razo para 
Hope ficar mais tempo no quarto dele. Que coisa! Com tantos lugares no 
mundo para acabar a gasolina de seu carro, por que tivera que ser logo 
no vinhedo de Alexei? E, o que era pior, com ele ali!
   -Veja se 
consegue dormir, agora.  Alexei se levantou, caminhando para a 
porta.    Eu... posso dormir em outro lugar, Alexei. No precisa 
me ceder sua cama.    No estou cedendo. Este  o quarto de 
David e Mandy. Boa noite, Hope.   Hope viu-o afastar num silncio 
angustiado, com o prprio sofrimento. Mas o que esperava? Que ele 
sugerisse que passassem a noite juntos? Afinal, por que faria uma coisa 
dessas? Ela j cumprira seu papel e no tinha mais lugar na vida 
dele.   Dormir foi difcil. Seu tornozelo latejava e passou horas 
acordada, imaginando se Alexei no estaria na mesma situao, 
sofrendo pela perda de lise. Obrigou-se a pensar em Niko e, 
finalmente, acabou adormecendo. E sonhou, um sonho confuso, atormentado, 
em que sir Henry tentava tomar-lhe Niko, alegando que o menino era 
herdeiro da famlia e ela no teria permisso para cri-lo. 
Alexei tambm estava no sonho e Hope gritou por ele, desesperada, 
implorando-lhe que fizesse sir Henry devolver seu filho. Mas ele 
permaneceu a distancia, dizendo que deveria pedir ajuda ao pai de Niko, 
e no a ele.   Acordou de repente, com o rosto molhado e o 
travesseiro ensopado de lgrimas. Os lenis haviam se desprendido 
com seus movimentos, e o medo trazido pelo sonho ainda a atormentava. De 
repente, a luz se acendeu, cegando-a por um momento.      Ouvi 
voc gritando  Alexei disse da porta.  O que foi. Est 
sentindo dor? Seu tornozelo...   Como poderia dizer a Alexei que o 
que sentia no tinha nada a ver com uma simples dor fsica?
   
-Eu...     `melhor eu dar outra olhada nele. A bandagem pode 
estar muito apertada.   Alexei comeou a avanar e Hope agarrou 
os lenis com fora. Sua maleta ficara no Mercedes, e em vez de 
dormir com as roupas de baixo, ela preferira lav-las, sabendo que 
estariam secas pela manh.    Meu tornozelo no tem nada  
protestou, quando ele alcanava a cama.  Eu tive um pesadelo...  
Estremeceu, lembrando-se do pavor que sentira.    Voc ainda os 
tem?    De vez em quanto, mas agora estou bem. Sinto ter 
perturbado voc.   Uma expresso que ela no conseguiu 
identificar surgiu no rosto msculo, mas foi logo substituda por 
outra cnica e zombeteira.    Sente mesmo, Hope? Pois eu pensei 
que encontraria satisfao em me perturbar. Seria uma 
vingana pelo...    Eu no quero me vingar de nada, Alexei. O 
que aconteceu, aconteceu, no h jeito de voltar atrs. E eu segui 
o conselho que me deu, Alexei. Aprendi a aceitar o passado e seguir em 
frente; a tirar proveito da minha experincia.    Nunca foi 
minha inteno que voc usasse aquela experincia com base para 
a sua vida  Alexei, interrompeu, chocando-a com a fria que 
mostrava no olhar.     Nunca pretendi que a usasse para arranjar um 
amante rico!    No?  Precisava det-lo antes que ele a 
ferisse ainda mais, destruindo o pouco de orgulho que lhe restava.  
Mas foi para isso que voc me preparou  lembrou-o, detestando o 
modo como a olhava agora, despindo-a da proteo dos lenis, 
marcando-a com um olhar que no poderia estar mais longe da ternura 
que lhe mostrara, no passado.    Talvez eu deva verificar o quanto 
voc progrediu, o que mais aprendeu com o homem que a levou para a 
cama, depois que deixou a minha.
   Hope percebeu o que Alexei ia 
fazer antes que ele se movesse, mas ainda assim levou um choque quando o 
viu agarrar o lenol e pux-lo para longe.       Fechou os olhos num 
gesto automtico, dizendo a si mesma que no era s com ela que 
ele estava zangado. Alexei tambm enfrentava a perda de lise. No 
tinha coragem de abrir os olhos. Ele notaria as mudanas em seu corpo, 
desde o nascimento de Niko? Os seios mais cheios e as curvas mais 
acentuadas?    Abra os olhos, Hope. No vai querer que eu 
acredite que os mantm fechados quando seu novo amante a toca. Voc 
responde to bem a ele quanto respondia a mim, ou j aprendeu a 
provocar um homem at que ele no consiga descansar enquanto no a 
possui?   No aprendi nada que voc no tenha me 
ensinado, Hope quis dizer, mas um n em sua garganta impediu-a de 
falar.    Pelo que vejo, voc ainda no toma banho de sol 
nua.Alexei pousou a mo em seu quadril e ela ergueu as plpebras 
de imediato, sobressaltando-se ao dar com os olhos dele bem perto do 
seu. O roupo atoalhado, mas preso a cintura, abriu-se, exibindo os 
contornos daquele peito masculino to familiares, que precisou de 
todos o seu poder de concentrao para no estender a mo e 
toc-lo.    `estranho  Alexei murmurou num tom pensativo, 
observando-a como um gavio observa sua presa.  At sua 
expresso parece ter mudado. Voc amadureceu, Hope, e bem mais 
depressa do que eu esperava. Era uma menina, quando fugiu de mim, e 
agora  uma moa.   No, ela queria corrigi-lo.  Eu era uma 
mulher quando o deixei. Uma mulher esperando o seu filho, uma mulher que 
o amava, mas voc era cego demais para enxergar a verdade, ela 
pensou.    Voc esta tremendo  Alexei constatou com voz 
rouca. Observava os tremores correrem por baixo da pele que havia 
sensibilizado com os toques das mos, explorando os contornos de sua 
barriga, agora chata de novo, e as curvas da cintura, antes de subir 
para onde seu corao batia forte, traindo o que sentia.  
Estranho...
   O tom de voz era reflexivo, e Hope prendeu a 
respirao, lutando para recuperar o controle das prprias 
emoes. Fazia tanto tempo que ele no a tocava... Seu corpo ardia 
pelo dele, com uma necessidade intensa e primitiva.    Pensei que 
voc j fosse sofisticada demais para ser afetada por uma caricia 
to simples quanto essa.    Por favor, Alexei...    Pretendia 
dizer-lhe que a soltasse e parasse de atorment-la, mas isso foi sua 
perdio, pois ele se inclinou para ouvi-la. Assim. Ela se viu presa 
 viso e ao cheiro viril, o olhar atrado para a boca masculina e 
o corao batendo forte sob a mo espalmada em seu peito.    
Voc diz meu nome de um jeito to meio, pequena...  Tocou os 
lbios dela com o polegar, friccionando-os com uma sensualidade que a 
projetou num rodamoinho de sensaes.   Hope entreabriu a boca 
para permitir que o acariciasse com a ponta da lngua, numa reao 
que se tornou mais febril ao senti-lo envolver um de seus seios.   Ele o 
acariciou com movimentos rtmicos e excitantes, que acabaram com os 
ltimos traos de sensatez e cautela que ainda existiam em seu 
crebro.   Hope entrelaou os dedos com os de Alexei, puxando-os 
para que pudesse tocar-lhe a palma da mo. No demorou para que ele 
reagisse. Libertou a mo para enterr-la nos cabelos longos, ao 
mesmo tempo em que se apossava de seus lbios, manifestando uma 
sensualidade que fez o corpo de Hope tremer ainda mais.   Com a 
lngua ele invadiu a boca, numa caricia que no tentou impedir. Ao 
contrrio, enlaando-o pelo pescoo, abandonou-se por completo 
s ondas de prazer que a percorriam da cabea aos ps. E quando 
ele mordiscou os lbios, ainda friccionando seu mamilo enrijecido, 
no agentou e abraou-o pelos ombros.   Ela tremia sem parar, 
mole de desejo, e as palavras de prazer que Alexei murmurava, enquanto 
acariciava com a boca as zonas mais ergenas de seu corpo, soavam como 
msica a seus ouvidos. Todo seu ser reagia a ele.
   De repente, 
seus lbios encontravam uma abertura no roupo e sentiram o gosto da 
pele masculina, fazendo-a esquecer-se de tudo, enquanto suas mos 
seguiam o mesmo caminho. Com uma sensualidade inigualvel, 
acariciou-lhe o peito, descendo pela barriga, os lbios seguidos as 
mos, os sentidos inebriados pelo cheiro e contato dele.   Queria 
falar, dizer-lhe o quanto o amava, mas teve medo de que suas palavras 
quebrassem o encanto que os prendia. Os dedos masculinos deslizaram pela 
face interna de sua coxa, fazendo-a reviver um prazer to lembrado. 
   Ele tambm a toca assim, esse homem por quem voc me 
abandonou?Essa frase atingiu Hope como um golpe fsico, 
forando-a a encarar a realidade. Alexei no a amava, nunca a amara. 
Ele amava lise. O clamor de seus sentidos esmoreceu, substituindo por 
uma onda de autodesprezo. Como pudera se diminuir tanto, permitindo que 
Alexei a tratasse com tanta falta de sensibilidade? O simples fato de 
ele ter agido daquele modo era uma prova irrefutvel da pouca 
importncia que lhe dava.    O que foi? Lembrou-se, de repente, 
que seu novo amante pode no gostar que durma comigo? Posso fazer com 
que mude de idia, Hope. Posso fazer com que responda a mim.    
Eu sei.  No havia sentido negar.  Mas, se fizer, vou me 
desprezar tanto quanto...   -... Me despreza?  Alexei 
interrompeu-a, com aspereza, afastando-se para longe.   No era 
isso que Hope pretendia dizer, mas, apertando os lbios e lutando para 
no se deixar vencer pelas lgrimas, ela permaneceu em silncio. 
Se Alexei tivesse permitido que terminasse de falar, teria dito que 
no queria se desprezar tanto quanto ele obviamente a despreza.   
Mas Alexei j caminhava para a porta e era melhor assim, pois sabia 
que no agentaria outro momento junto dele sem lhe confessar tudo. 
Seus sentidos fritavam por ele, seu corpo ardia pelo dele. Nada mudara. 
Nem por deix-lo, nem por ter Niko, nem...   Niko... Um soluo 
bloqueou sua garganta.
   O que diria Alexei, se lhe contasse que 
tinha um filho? Por um momento de desespero, pensou em lhe dizer. S 
para ver a expresso de ironia e zombeteira, to evidente nos olhos 
dele, mudar para um de... De qu? De amor? Respeito? Mas 
engravid-la nunca fizera parte dos planos de Alexei e, agora, falar 
de Niko no serviria para nada.   Muito tempo depois Hope ainda 
estava acordada, sofrendo com as lembranas do passado, do corpo de 
Alexei junto ao seu, das mos quentes acariciando sua pele, 
ensinando-a a corresponder e ceder... Talvez tivesse tomado a deciso 
errada. Talvez devesse ter aceitado o que lhe fora oferecido, mesmo 
sabendo que s seria um corpo, que ele usaria para amainar o desejo 
que sentia por lise.   A manh chegou, com o cu parecendo um 
arco azul-acinzentado sobre o campo molhado de chuva. A tempestade 
terminara durante a noite, mas deixara de si um frio regular, Tremendo, 
Hope foi pulando para o banheiro, abismada com a dor que ainda sentia. 
Como poderia dirigir at a casa de Dale com o tornozelo inutilizado? 
Teria que telefonar para ele e cancelar o fim de semana.   O 
desapontamento a invadiu-a. Esperara tanto por aquele fim de semana, 
quando poderia encontrar uma casa para ela e Niko...   Um arrepio de 
apreenso percorreu-a, ao tomar conscincia do risco que correria de 
encontrar Alexei de novo, morando no vale. Mas as visitas dele  
Califrnia eram pouco freqentes, e achar o lar certo para Niko era 
mais importante que fugir de Alexei.   Ao sair do quarto, sentiu o 
cheiro gostoso de caf recm-coado. As escadas se revelaram mais 
problemticas do que esperava. Mas, agarrando-se ao corrimo, 
conseguiu fazer algum progresso, at que Alexei, sem dvida alertado 
pelo barulho, surgiu no hall, estudando-a com franca 
desaprovao.    O tornozelo no melhorou?    Claro 
que melhorou, eu s estou pulando num nico p porque gosto  
Hope respondeu com aspereza.
   V-lo abalara bastante sua j 
to frgil compostura. Com uma camisa xadrez e jeans, justo e 
desbotado, ele tinha uma aparncia to viril que foi difcil no 
se deixar dominar pela lembrana do corpo dele colado ao seu.    
Espere ai.   A ordem levou-a ao pnico, e, desesperada para 
evit-lo, Hope tentou descer mais depressa, gritando quando o p 
sadio escorregou na madeira dos degraus e ela foi de encontro ao 
cho.   Seu corao batia to forte que teria se assustado se 
no estivesse to atordoada pela queda. Ainda ofegante, levou a 
mo ao peito, s ento descobrindo que o corao que batia com 
tanta fora no era o seu, mas o de Alexei, que a segurava com 
braos de ferro.    Um tanto quanto dramtico, no acha? 
-ele comentou, com voz arrastada.  Arriscando a vida para no 
aceitar minha ajuda. Mas no era preciso se arriscar tanto, Hope. Eu 
entendi tudo muito vem, ontem a noite. Voc no me quer por perto, 
de jeito nenhum, no ?   Se ele soubesse, ela refletiu, 
ainda atordoada, quando a colocou no sof.    Teve sorte de 
no quebrar o outro tornozelo. Fique aqui. Eu vou buscar o seu 
caf.    Preciso telefonar para Da... para o meu amigo. Ele tem 
que saber que no posso dirigir.   Alexei parou na porta, 
examinando-a com uma expresso sbria e pouco familiar.    
Onde ele mora?

CAPITULO XII
   -Seu amante tem voc em alta 
conta, hein?  Alexei comentou, parando seu carro, um modelo esporte, 
junto do Mercedes.   Sentada ao lado dele, Hope corou de raiva.   
 `um carro alugado. Alm disso...    Alm disso, o 
qu?    Alm disso, Dale e eu no temos um relacionamento 
que exija que ele me d presentes caros  ela completou, com 
altivez.    Voc faz tudo por amor? Se  assim, est fazendo 
papel de boba, Hope. `evidente que ele no se importe com voc, 
seno j teria legalizado seu relacionamento. E um dia voc vai 
perd-lo.    O que significa que devo tentar arrancar dele o que 
puder, antes disso?  Hope perguntou com aspereza, espantada com a 
intensidade da raiva que sentia.  Por que acha que quero legalizar 
nossa situao, Alexei? J pensou que posso estar contente com o 
que temos?    Eu conheo voc, ma petite. No seu modo de ver 
as coisas, o amor significa uma aliana de casamento e uma promessa de 
fidelidade. Pelo menos nisso, voc no mudou.    E  to 
ruim assim?    No, no h nada de errado nosso. Eu s 
lamento que voc no tenha dado seu amor a algum que realmente o 
merecesse, que pudesse retribuir seus sentimentos da mesma forma.   
 Eu tambm. No quero mais falar sobre isso, Alexei.   A voz 
dela traiu a mgoa que sentia e ele virou-se para fit-la, 
notando-lhe o rosto plido e o olhar ferido.    Deus do cu, 
Hope! Que tipo de homem  ele para...    Um homem como todos os 
outros. Por acaso queria que ele respeitasse o que voc nunca 
respeitou Alexei? Que desse o valor e proteo  sua 
ex-amante?   Uma palidez acinzentada cobriu as feies de 
Alexei.    Ele teve coragem de jogar isso no seu rosto, de...
   
-No  Hope corrigiu depressa, sem entender a zanga feroz que tomara 
conta dele.  No! Dale nunca mencionou o nosso... o meu... o que 
aconteceu entre ns.   Mas como posso querer que ele me respeite se eu 
mesma no me respeito?    Dieu!  Alexei parou o carro com um 
ranger de pneus  No quero que repita isso, nunca mais. Hope, eu.. 
Ah, de que adianta!  Com a mesma rapidez com que havia parado, ele 
tornou a colocar o carro em movimento.  Voc insiste em se ver como 
uma mrtir condenada ao sofrimento eterno. No posso voltar atrs 
e mudar o passado, Hope, e voc tem que aprender a aceit-lo, se 
quer viver em paz.    Se voc pudesse, mudaria?  Certa de que 
ele confirmaria, ela esperou, preparando-se para a dor que sentiria.  
 Apertando o volante at ficar com os ns dos dedos brancos, Alexei 
soltou uma exclamao curta e explosiva.    Deus do cu, 
creio que sim! Se pudesse voltar, eu...   -... Nunca teria me levado 
para a cama? Nunca...    Chega! Podemos continuar nos ferindo 
at arrasarmos um com o outro, Hope, mas de que nos serviria isso? 
No posso mudar o passado, seno mudaria. Acha que  a nica que 
tem sofrido? Quando descobri que tinha ido embora...  Ele engoliu em 
seco, com a testa porejada de suor.  Depois do que acontece entre 
n, pensei... pensei...    Que eu tivesse tirado a minha 
vida?!    Por acaso  uma possibilidade to absurda assim?  
Fixou nela o olhar sombrio, que tinha um fundo de dor.  No seria a 
primeira vez que uma mocinha tola e inocente acabava com a prpria 
vida, por se julgar desonrada e abandonada.    Voc pensou...
 
  -Eu quase fiquei louco. Achei que o choque de ter sido rejeitada por 
seu... por sir Henry, a descoberta, de que ele no era seu pai, meu 
comportamento imperdovel... Eu ia me casar com voc. Seria...   
-... Uma boa reparao?  Hope sugeriu, espantada com a prpria 
calma.  Um belo sacrifcio. Alexei, mas completamente 
desnecessrio. Pense no modo como seus ancestrais se revolveriam na 
tumba, vendo uma mulher de virtude fcil usar seu nome.    Por 
quanto tempo manteve esse relacionamento, ante... antes de me deixar? 
H quanto tempo conhecia...   -... A pessoa com quem parti?  De 
repente, Hope sentiu raiva dele por ser to cego, por ter coragem, num 
momento, de falar em se casar com ela e, no seguinte, discutir seus 
supostos amantes.  H mais tempos que conheo voc, Alexei. 
Muito, muito tempo.    Ento foi assim!  Os lbios dele se 
crisparam.  Eu devia ter adivinhado, s um cego no veria, mas 
pensei...   -... Que eu tivesse me apaixonado por voc?  Deus do 
cu, seria possvel que ele no ouvisse seu corao batendo? E 
como pudera deixar a conversa resvalar para um assunto to 
perigoso?    Acho que j nos magoamos o bastante para uma 
sesso, Hope  Alexei estava plido e abatido.   Hope sentiu 
uma dorzinha na conscincia ao se lembrar de lise. Na certa era a 
perda da mulher que amava que o tornava to agressivo. Honestamente, 
no acreditava que ele teria coragem de trat-la com tanta crueldade 
se soubesse que o amava. Alexei podia ter muitos defeitos, mas ser 
deliberadamente cruel no era um deles.   O vinhedo de Dale no 
ficava to longe quanto julgara. Afastada da estrada, a casa-sede era 
bem parecida com a de Alexei, e foi o prprio Alexei que lhe explicou 
que elas eram semelhantes por terem pertencido originalmente a imigrante 
vindos da Itlia, para formar os vinhedos,
   -Saudades da terra 
natal  Hope murmurou baixinho, triste por no ter um lugar que 
pudesse chamar de lar.   Mas seria diferente com Niko. Daria a seu 
filho toda a segurana que nunca tivera. Ele cresceria forte naquele 
vale, seguro de si mesmo e do lugar que ocupava na vida. Mais tarde, 
quando fosse mais velho, ela lhe falaria do pai...   De repente, uma 
onda de apreenso envolveu-a. Qual seria a reao de Niko quando 
eventualmente soubesse da verdade? Talvez fosse melhor contar-lhe tudo 
enquanto ainda era jovem o suficiente para no fazer mais perguntas. 
Depois, se ele quisesse falar a respeito do pai...   Mas era evidente 
que Niko haveria de querer falar sobre o pai. Talvez quisesse at mais 
do que isso. Como poderia ela proteg-lo do sofrimento de ser 
rejeitado por Alexei? Como explicar-lhe tudo, sem lhe causar 
sofrimento?Preocupada com o futuro, Hope nem percebeu o suspiro que 
escapou de seus lbios.    Por que essa cara triste, quando 
est a ponto de ver seu amante?  A voz de Alexei soou estranhamente 
rude.    Hope no teve tempo de fit-lo, pois a porta de seu lado 
se abriu e Dale estendeu a mo para ajud-la a descer, acolhendo-a 
com um abrao terno e fraternal.    Voc est bem, meu 
anjo?   -Oh, Dale!  Deus do cu, no era possvel que fosse 
romper em lgrimas naquele momento. Seus olhos se enevoaram, e logo 
estava de volta aos braos de Dale, sendo acarinhada do mesmo modo que 
ele usava para consolar Niko, quando o menino chorava.
   -O que  
isso, meu anjo? Est tudo bem. No vai me apresentar?  Ele a 
soltou com toda a gentileza, entregando-lhe um leno para que pudesse 
enxugar o rosto.   Quando Hope se voltou para Alexei, no havia 
mais trao de lgrimas em seu rosto. Ela apresentou os dois homens 
rapidamente, observando-os se medirem e captando o olhar alerta que Dale 
lhe lanou, quando Alexei falou:    Achei melhor trazer Hope 
at aqui. O tornozelo dela ainda no est bom. O Mercedes...   
 No se preocupe com ele. Vou mandar a companhia peg-lo.  
Dale virou-se para Hope. Pensei que fosse gostar de dirigi-lo, meu doce. 
Uma pena que tenha acabado assim. Mas entre, minha famlia est 
esperando para conhec-la. Acha que pode continuar com os planos para 
o fim de semana com esse tornozelo?    Se voc no se importar 
de me dar o brao...   Dale convidou Alexei para entrar, mas ele 
no quis, afastando-se em direo ao carro.    Obrigado 
por... por tudo, Alexei  Hope disse, quando ele se sentava atrs do 
volante.   O olhar que Alexei lhe lanou foi duro, hostil, e 
continha uma emoo que ela no soube reconhecer. Erguendo p e 
cascalho com as rodas do carro, ele desapareceu na estrada, enquanto 
Hope o seguia com olhos cheio de angstia.    `ele no ? 
 Dale tocou-a no brao, fitando-a com compreenso e simpatia.  
O pai de Niko, o homem que voc ama, no?   Ela gostaria de 
negar, mas no havia sentido nisso.    l sim. E ele acha que 
somos amantes, que sai do Caribe com voc, e no com Bianca.
   
-Ah, ento  isso. E voc no o corrigiu?    No. Eu 
estava com medo de que ele percebesse que o amo.    E isso seria 
to ruim assim? Ele relutou bastante em deixar voc comigo.    
Porque se sente responsvel por mim. Mas ele no me ama, Dale. 
Est apaixonado por outra pessoa.    Ele sabe a respeito de 
Niko?    No, e no quero que saiba. Ele seria bem capaz de 
querer se casar comigo, se soubesse.   Hope no sabia onde tirara 
essa idia. Provavelmente da conversa que tiveram, talvez do 
conhecimento instintivo de que Alexei se sentiria responsvel por Niko 
e tentaria assumir essa responsabilidade insistindo para que se 
casassem, j que lise estava perdida para ele.   -E isso seria 
to ruim? Olhe, Hope, eu sei que h muitas garotas que no 
achariam nada de mal em criar os filhos sozinhas, mas voc no  
desse tipo. J notei a expresso no seu olhar quando v uma 
famlia reunida. O amor pode vir depois, Hope. Eu sei, porque com meus 
pais... O casamento deles foi arranjado. Minha me veio da Siclia 
para se casar com meu pai, sem nunca t-lo visto. Mas conseguiram ter 
um bom relacionamento e so muito dedicados um ao outro.    
No  porque no desejo me casar com Alexei que no quero que 
ele saiba de Niko, Dale  Hope explicou, com a voz embargada pela 
emoo.  `porque tenho medo de ceder e passar o resto da vida 
como esposa dele, mas no como a mulher que ele ama. Eu no 
agentaria, Dale.    Eu entendo o que voc diz.  Uma 
expresso sombria surgiu no rosto de Dale, provavelmente porque ele 
estava com os pensamentos em Bianca.
   -No  por no ligar 
para voc que Bianca se recusou a vir conosco, este fim de semana  
ela disse sem rodeios.    No?  E seus olhos brilharam de 
raiva.  Na minha opinio dela, eu sou seu inimigo pblico 
nmero um. Ultimamente, ns brigamos at no set de filmagem.   
 Por que voc quer que ela faa cenas de sexo explicito.   
Dale e Bianca eram as pessoas mais importante na vida de Hope, depois de 
Alexei e Niko, e ela no queria ver os dois sempre naquela 
situao, por no terem coragem de dizer, um ao outro, o que 
sentiam.    E o que tem de mais?    Voc gosta mesmo de 
Bianca, Dale? Ela  s outra mulher que quer levar para a cama? Por 
favor, seja honesto comigo, porque, dependendo de sua resposta, h 
algumas coisas que no posso lhe dizer.    O que voc acha? 
  Ele ainda a fitava sem manifestar nada, e Hope respirou fundo, 
resolvendo se arriscar.    Eu acho que voc a ama. E muito, por 
sinal.    E ela sabe disso, a maldita! Meus Deus, o que ela tem me 
feito passar!      Virou-se para o outro lado, visivelmente tenso. 
   Hope segurou-o timidamente pelo brao. Ali, no vinhedo da 
famlia, Dale no era mais o famoso diretor de Hollywood, mas um 
homem viril e zangado, apaixonadssimo por uma mulher que julgava 
no ligar para ele.    Bianca no sabe disso, Dale. Ela sabe 
que voc a deseja, e a  que est o problema. Ela no quer 
ser outro caso na sua vida, mais uma conquista sem sentido...
   
-No, porque ela  que quer me deixar como mais uma conquista! Eu 
conheo Bianca, Hope! Ela tem tido um batalho de adoradores, desde 
que veio para Hollywood, e eu no pretendo me juntar a eles. No vou 
ser mais um dos amantes dela...    No.    No? No o 
qu?    Bianca nunca teve amantes  Hope explicou, rezando 
para no estar cometendo um erro.  Ela no est brincando com 
os seus sentimentos, Dale, ela est  fugindo de voc.    
Nunca teve amantes... Ora, vamos, Hope...    Ela mesmo me disse, e 
eu acredito. Bianca ama voc, Dale, e amar algum nos torna 
vulnerveis. Ela no quer acabar como eu...   Dale apertou os 
punhos, fitando-a com ar sombrio.   -Bianca acha mesmo que, se 
estivesse grvida de um filho meu, eu permitiria...  Interrompeu-se 
bruscamente, percebendo que poderia magoar Hope com seu comentrio. 
 Voc est imaginando coisas, Hope. Bianca jamais se arriscaria a 
estragar aquele corpo perfeito para ter um filho meu. Minha primeira 
esposa era atriz. Na realidade, ela nunca quis ter filhos...    E 
voc acha que Bianca tambm no quer ter um filho seu? Voc 
no tem olhado direito  sua volta, Dale. Preste ateno no 
rosto dela, da prxima vez que pegar Niko no colo.   Ver o efeito 
de suas palavras trouxe a Hope uma mistura de felicidade, por sua amiga, 
e dor, por si mesma. Alexei nunca se mostraria daquele jeito, por sua 
causa.    Est querendo me convencer de que Bianca nunca teve um 
amante... e que ela me ama?    S h um jeito de voc 
conseguir a resposta para essas duas perguntas, no ? Mas Dale, eu 
s lhe contei tudo isso porque acho que voc ama Bianca. Se por 
acaso eu estiver enganada, espero que tenha conscincia bastante para 
no usar que acabo de lhe dar.
   -Todos os meus famosos casos foram 
com mulheres que sabiam o que faziam. Nunca magoei algum 
deliberadamente, meu anjo. J passei por esse tipo de sofrimento... e 
ainda tenho cicatrizes. Depois da morte da minha filha e da minha 
ex-esposa, jurei nunca mais me casar, para no passar novamente pelo 
sofrimento que o amor e o casamento trazem. Amo Bianca h muito tempo, 
mas custei a reconhecer. Agora...  De repente ele sorriu, com os 
olhos brilhando de alegria.  Ento a nossa mulher fatal no passa 
de uma virgem tmida, heim? No se preocupe  garantiu de 
imediato, vendo a expresso de Hope.  No vou magoar Bianca, mas 
agora que sei da verdade acho que  hora de eu lhe dar um pouquinho do 
que ela tem me dado. Mas venha, vamos entrar antes que mame saia e me 
passe um sermo por ter deixado voc aqui, de p. Assim que 
comermos alguma coisa, podemos comear. Separei umas seis casas para 
voc olhar. Todas esto dentro do que pode pagar. O nico problema 
 que algumas so afastadas demais.   A famlia de Dale era 
alegre e afetuosa. Ouvindo as perguntas que a me dele lhe fazia sobre 
Bianca, Hope chegou  concluso de que Dale no guardava seu 
segredo to bem quanto pensava.    Ns freqentamos a mesma 
escola h algum tempo  ela disse  sra. Lawrence.  Bianca 
sempre foi uma boa amiga para mim.    Por que ela no veio com 
voc? Dale a convidou.   Certa de que a sra. Lawewnce j ouvira 
falar dos muitos amantes de Bianca, Hope resolveu se arriscar e 
lhe contar a verdade.    Sei...  ao contrario do filho, a 
italiana duvidou do que acabava de ouvir.  Diga a ela para vir, da 
prxima vez. Nenhum filho meu desonraria uma inocente.    Eu vou 
dizer  Hope prometeu, terminando seu caf quando Dale entrava na 
cozinha, sacudindo um mao de papis.
   -D uma olhada nessas e 
veja se h alguma de que no gosta, para podermos comear.   
Antes de sair, Hope ligou para Bianca para saber de Niko, rindo com 
ternura ao ouvir os gritinho familiares do garoto. Dale no demorou a 
tirar o fone de sua mo, para dizer:    Espero que esteja 
cuidando direitinho do meu afilhado, Bianca.   Ela deve ter dado uma 
resposta agressiva, pois logo Hope ouviu-o rir.    Ah, cara, 
voc est se revelando maternal. No gostaria de ter um bambino, 
tambm?  Vrios segundos se passaram antes que ele desligasse e 
fosse se juntar a Hope, ainda sorrindo.  Bianca est uma fera 
comigo. Aposto que ela teria tentado me estrangular com o fio do 
telefone, se pudesse.    Na certa  Hope concordou, aceitando a 
mo que ele lhe estendia, para ajud-la a ficar em p.   
-Est  minha preferida, apesar de ficar um pouco longe.   Eles 
estavam diante de um sobrado grande e espaoso. Com paredes cobertas 
de hera e rodeado por um lindo jardim. Os mveis estavam includos 
no preo da venda, e Hope se apaixonara de imediato pela moblia em 
estilo provenal francs, do quarto principal. Ao contrrio da 
maioria das propriedade locais, aquela tinha pertencido originalmente a 
uma famlia francesa, que a vendera a um viticultor vizinho que 
desejava ficar apenas com as terras. Hope gostara muito da casa, 
principalmente porque ali Niko poderia crescer em contato com algumas 
coisas francesas.   -`a mais cara de todas  Dale comentou -, 
mas talvez possamos conseguir um abatimento. No se importa de viver 
to afastada de tudo? Quando chegar a hora de Niko ir a escola...
   
A cidade mais perto ficava a uma hora de distncia, mas Hope no 
estava preocupada com isso.    J vi que no adianta dizer 
nada, que  essa que voc quer.  Dale sorriu.  quer dar um 
pulo at a imobiliria e fazer uma oferta?   A imobiliria 
ficava em Sonoma, e Hope descobriu, cheia de prazer, que sua oferta 
tinha chances de ser aceita, pois j fazia algum tempo que a 
propriedade estava  venda. Dale confirmou ao agente que ela tinha 
condies financeiras de realizar o negcio, e meia hora depois, 
tendo discutido os detalhes mais importante, eles voltavam para o 
carro.    Voc se conduziu muito bem  Dale elogiou-a, 
dando-lhe o brao para que pudesse caminhar com mais facilidade.  O 
tal agente levou um choque com voc. Aposto que se sente melhor 
tratando de negcios com californianas ousadas do que com europias 
bem-sucedidas.   Havia um trao de cinismo na voz de Dale, e Hope 
fitou-o, intrigada.   -Eu sou to diferente assim? Pensei que j 
tivesse ...   -... Adquirido o ar da Califrnia? No , Hope, 
voc ainda conserva aquela seriedade que s as europias parecem 
ter. E  to meiga!   Eles estavam a poucos passos do carro, 
quando Hope viu algo que a fez gelar. Alexei saia de um edifcio do 
outro lado da rua, acompanhado por uma linda morena. Uma garota 
tipicamente americana, alta, de pernas compridas e pele queimada de sol. 
A ateno de Alexei estava presa a ela, e Hope percebeu, atordoada 
que os dois tinham sado de um prdio de apartamentos. Ao que 
parecia, ele no perdera tempo em procurar consolo para a perda de 
lise.Ao v-lo, Hope havia parado bruscamente de caminhar, muito 
plida e com uma expresso de magoada no olhar.    Hope, meu 
anjo, est se sentindo mal?
   Vagamente, ela tomou conscincia da 
mo de Dale em seu brao, oferecendo consolo, pois sua ateno 
estava presa ao casal que avanava em sua direo. A morena ria, 
com os olhos fixos em Alexei, e dentro de segundos eles estariam a seu 
lado. Pinas gigantescas pareciam fechar-se em torno de seu 
corao, apertando-o at quase mat-la de dor. Como podia ser 
to afetada pela presena de Alexei, quando ele encarava a sua com 
tanta indiferena?    Hope...  Dale repetiu.   Ela 
comeou a tremer, os olhos nublados de lgrimas. O brao do amigo 
foi uma bno para sua alma dolorida, mas seu alvio durou 
pouco, pois viu o olhar cheio de desprezo de Alexei deslizando por suas 
figuras abraadas.   Ele no parou nem fez o menor gesto para 
apresentar a companheira, e Hope estava to agoniada que mal percebeu 
o sbito claro de um flash perto de sua cabea, e o protesto 
irritado de Dale.    Foi um golpe para voc, no , meu 
anjo?  Dale comentou baixinho, quando Alexei e a moa j es 
distanciavam.  E ele tambm no ficou contente em v-la nos 
meus braos. Se quer minha opinio, esse sujeito no  to 
indiferente a voc quanto pensa.   Hope estremeceu, lembrando-se do 
olhar de desprezo que Alexei lhe lanara.    Se ele sente alguma 
coisa por mim,  responsabilidade. Alm de...    Culpa?Hope 
fez que no. Era-lhe impossvel imaginar Alexei sofrendo uma 
emoo to destrutiva. De repente, um enorme cansao invadiu-a, 
e seu tornozelo comeou a latejar com mais fora.    Vamos 
para casa  Dale decidiu, notando sua palidez.  Vou voltar com 
voc para Beverly Hills. No quero que seu tornozelo piore, e voc 
no est em condies de viajar sozinha. Voc o ama muito, 
no , Hope?    Demais. Mas Alexei no tem culpa. Dale. Ele 
nunca quis que isso acontecesse. Muito pelo contrrio.   -Quantos 
anos ele tem? Trinta e poucos? Voc era uma criana quando o 
conheceu, Hope, e bem ingnua, pelo que Bianca me disse. Acha mesmo 
que posso acreditar que ele no tem culpa?
   -Alexei tinha seus 
motivos?   - Voc o defende como uma leoa protege os filhotes. 
Que desculpas pode ter um homem que abandona uma garota que no tem 
ningum e que, alm de tudo, est grvida dele?    Eu j 
lhe disse que Alexei no sabe de Niko.    E voc no 
pretende lhe contar. Hope...    Se eu lhe contar, ele vai insistir 
em se casar comigo. Mas Alexei no me ama, Dale, e, como lhe disse, eu 
no agentaria viver com a piedade e sem o amor dele.   Dale 
no disse mais nada, mas Hope percebeu que ele a olhava de tempos em 
tempos, durante a caminho de volta para casa. J estavam chegando, 
quando o ouviu-o murmurar.    Voc tem muita coragem, Hope. Mas, 
no fundo, ela sabia que no era assim.        Na verdade, sua 
coragem era to pouca que, se ele no estivesse ao seu lado, teria 
fugido ao ver Alexei com aquela garota. E continuaria fugindo at 
encontrar um lugar onde pudesse se esconder e ficar a ss com sua 
dor.    Misso cumprida?  Bianca, que dava banho em 
Niko, ergueu os olhos quando Hope entrou no banheiro.  Achou o que 
queria?    Achei, e  linda. O preo  alto, mas Dale acha 
que podemos conseguiu um abatimento, Niko se comportou bem?    
Como um anjo. Pena voc ter voltado to cedo. Eu j estava me 
acostumando a t-lo s para mim.    Voc deveria ter um 
filho seu.    Claro... Dale adoraria me ver grvida, bem no meio 
da filmagem. Quem voc acha que devo arranjar para pai?  Bianca 
riu, com uma certa amargura.  Dale no d. Eu nem sei se ele 
ainda quer ir para a cama comigo, quanto mais uma coisa dessas! No, 
de hoje em diante, Niko vai ser o nico homem em minha vida.  Ela 
tirou o nen do banho, notando, pela primeira vez, o tornozelo 
enfaixado de Hope.  O que foi que aconteceu?   Hope explicou, mas 
sem mencionar Alexei. Seu sofrimento ainda era muito intenso para 
discuti-lo at mesmo com Bianca, apesar de consider-la me, amiga 
e irm ao mesmo tempo.
-Vou sentir saudades de vocs quando se 
mudarem. No que mesmo ficar, Hope?    O vale Serpa um ambiente 
mais saudvel para Niko. O dinheiro dos comerciais vo dar para eu 
pagar a casa e investir um pouco para os estudos dele.    Por 
falar nisso, o terceiro comercial de vocs saiu no sbado. Ficou 
muito bom. Voc deveria se dedicar  carreira de modelo, Hope. `
muito fotognica.    Como milhares de outras garotas? No, 
Bianca, essa  uma carreira que no me atrai. Sou grata a Roy por 
essa oportunidade, porque ela me deu uma independncia financeira, mas 
no tenho o instinto de competio necessrio para fazer sucesso 
nesse tipo de ambiente.    Depende do que voc chama de 
sucesso. Para mim, a felicidade pessoal sempre esteve acima de 
qualquer carreira e conquista material. Ah, eu sei que hoje em dia nos 
ensinam que a maior satisfao vem de nossas carreiras, mas ser 
que isso  verdade? Ser que no estamos usando o trabalho at 
para substituir o amor? Na minha opinio, a satisfao verdadeira 
vem de algo intimo, que cada um sabe se pode alcanar ou no, e que 
 diferente para todos.Havia muita verdade nas palavras de Bianca, 
e, apesar de no ser do tipo que pe a carreira acima de tudo, Hope 
sabia que amadurecera muito nesse sentido, desde que sara da escola. 
Ter Niko lhe ensinara e dera muitas coisas, embora nem um dia se 
passasse sem que se lembrasse do pai dele. Tinha que agradecer a Alexei 
por seu amadurecimento mental e... quem sabe, talvez fosse melhor 
amadurecer com um choque brusco e doloroso do que gastar anos e anos 
nisso.
   Uma parte do filme de Bianca precisou ser refeita, e por 
isso ela comeou a ficar mais tempo fora de casa. Hope recebeu a 
notcia de que sua oferta pela propriedade no vale fora aceita, e 
atravs de Dale, entrou em contato com um advogado e pediu-lhe para 
agir em seu nome. Um cheque generoso pelo terceiro comercial, que Helen 
decidira usar tanto em Nova York quanto na Califrnia, deu-lhe 
condies de comprar mais alguns mveis para seu novo lar. Sem a 
menor vergonha de seu sentimentalismo, ele decidiu criar um ambiente 
totalmente francs.   Naquela tarde, ficou  espera de Bianca 
para falar de seus planos e pedir-lhe para acompanh-la s casas de 
mveis. Para sua surpresa, no entanto, a amiga chegou com um ar 
estranho, tratando-a com uma frieza que beirava a grosseria.    
No, a filmagem vai bem  Bianca respondeu bruscamente, quando lhe 
perguntou a esse respeito.  Mas Dale j deve ter lhe contado. Ele 
no me deixa em paz, com aquela maldita cena de sexo explicito. Eu 
j disse a ele que no vou concordar, que prefiro quebrar meu 
contrato antes disso. Engraado, no ?  acrescentou com 
amargura.  Se voc estivesse no meu lugar, ele jamais sonharia em 
lhe pedir uma coisa dessas.   Hope no entendia o comportamento 
hostil da amiga.    Bianca...    Pelo amor de Deus, vamos 
deixar de fingimento uma com a outro!  Bianca respirou fundo e, com 
um brilho suspeito nos olhos, jogou um jornal para Hope.  a 
fotografia que tiraram de vocs, na vale, est na terceira 
pgina.   Hope procurou a terceira pgina, empalidecendo ao ver a 
foto. Ela fora tirada momentos depois de ter visto Alexei.    
Bianca eu posso explicar...    No  preciso, Hope  Bianca 
interrompeu-a. Eu tenho olhos... Fui uma tola em no pensar que 
Dale se sentiria atrado por voc. Ele tambm  louco por 
Niko.
   -Bianca voc est enganada.  rapidamente, ela revelou 
o encontro com Alexei.  Dale s estava me consolando. Tenho certeza 
de que ele a ama, Bianca, e, se vocs parassem de fingir tanta 
indiferena um pelo outro, talvez conseguissem descobrir como se 
sentem, na verdade.   Pobre Bianca! Hope no entendia a atitude de 
Dale. Estava quase certa de que ele no a foraria a fazer a cena de 
sexo explicito, mas no tinha mis de provar sua opinio.    
Vamos para Cannes no fim do ms  Bianca lembrou.  Venha comigo, 
Hope. Niko tambm pode vir. Dale est falando em alugar uma villa, e 
eu no tenho condies de ficar sozinha com ele.    A Frana! 
O corao de Hope deu um salto e, mesmo sabendo que seria bem mais 
sensato ficar, ela se viu concordando.    Ser meu ltimo 
trabalhando como sai secretria.    Graas a Deus, Dale 
resolveu suspender a filmagem, daqui a alguns dias. Eu ando a ponto de 
explodir e, com ele por perto, fico ainda pior. Morro de medo de que ele 
perceba que o amo.    E isso seria to ruim? Pode at ser que 
descubra que ele tambm andou escondendo o que sente.   -Est 
loucamente apaixonado por mim?  Bianca zombou.  aquele homem no 
sabe o significado dessa palavra. No, as coisas nunca vo dar certo 
entre ns. Eu quero mais de um relacionamento. No quero apenas 
sexo, Hope. Quero um compromisso, amor e carinho, e isso eu no vou 
encontrar com Dale. Ns no tivemos sorte em nossa escolha de 
homens, Hope.   Hope no pde refutar tal 
comentrio.

CAPTULO XIII 
    Onde est ela, desta 
vez?  Dale explodiu, entrando na casa de Bianca e assustando Hope, 
que no o esperava.  Ela tem que filmar, esta tarde, e at agora 
no deu sinal de vida.   -Mas so s onze horas  Hope 
lembrou-o -, e Bianca no  de faltar ao trabalho. Ela estar 
l.    Que droga! Eu s queria saber onde ela anda, agora.  
Dale estava cansado e abatido, e com mais fios brancos entre os cabelos 
loiros.  No sei o que deu nela, ultimamente.    A mesma 
coisa que deu em voc. Bianca est muito aborrecida com a sua 
insistncia para que faa a cena de sexo. Por que tem sido to 
duro com ela, Dale? Voc sabe que a cena no  necessria, que 
pode dar a mesma impresso de outra forma...    Introduzindo o 
barulho do mar e msica morrendo ao longe?  Tenso, ele passou a 
mos pelos cabelos.  Sabe que Bianca no d uma explicao, 
que s fica repetindo que no vai fazer a cena e pronto?    
Bianca  orgulhosa. Voc deve entender que  difcil para ela 
chegar...   -... Chegar e simplesmente me dizer a verdade. Porque  
s isso que quero Hope. Apenas que ela me diga a verdade! Mas no, 
ela continua com esse joguinho de mulher emancipada, quando eu sei que 
no passa de uma grande mentira.    Sabe porque eu lhe contei. 
Antes, era to enganado quando os outros. Voc no entende, Dale, 
que ela acha que tem que se proteger? Que tem medo de demonstrar o que 
sente por voc?    E o que  que ela sente por mim?  
Mal-humorado, ele caminhou at a janela da sala, pondo-se a olhar para 
fora.  Voc diz que ela me ama, mas at agora no vi nenhum 
sinal desse amor. Na verdade, Bianca no perde a oportunidade de me 
diminuir e contrariar. O que ela fez hoje, desaparecendo assim,  mais 
um exemplo disso. J se foi o tempo em que eu levantava o fone do 
gancho para discar para ela e sabia que ela atenderia do outro lado.
  
 -Mas voc deixou seus sentimentos perfeitamente claros, no ? 
 Hope falou, com uma pontinha de ironia.  E tambm a trata como 
se fosse uma frgil pea de porcelana, ouve tudo o que ela diz e 
entende por que no quer fazer uma cena de sexo explcito! Uma cena 
que, na realidade, voc no quer que ela faa, porque a ama.   
 Claro que no quero! Mas por que ela no me diz logo por que 
no quer fazer a cena?    E como voc sugere que ela diga? 
Indo at voc e declarando: Olhe, Dale, eu ainda sou virgem. Essa 
histria de ter muitos amantes  puro fingimento da minha parte, 
pois estou apaixonada por voc e no quero que saiba. `por isso, 
tambm, que no quero fazer a tal cena de sexo; eu ficaria 
arrasada.   Dale sorriu, embaraado.    l acho que 
voc tem razo. Mesmo assim, eu me sinto muito deprimido. Depois da 
nossa conversa, no vale, voltei decidido a cortej-la... Voc sabe, 
com encontros, jantares, flores e tudo o mais, mas Bianca tem se 
mostrado to esquiva. No consigo chegar perto dela, e isso est 
acabando com minha concentrao. Estou louco por ela, Hope! Cada vez 
que a vejo, meu corao dispara como um louco. Nunca me senti assim 
antes. Nunca!    Voc sabe que Bianca quer que eu v para 
Cannes tambm?    Ela me disse. Eu aluguei uma villa para ns, 
na periferia da cidade. Pensei que, l, conseguiria ficar sozinho com 
ela, mas...    Mas ai ela lhe contou que eu vou junto, no ? 
No se preocupe, Dale, eu vou fazer o possvel para no me 
intrometer em nada. S quero que me prometa que no ser duro com 
ela. Bianca anda tensa, ultimamente, que estou comeando a me 
preocupar. Ela me disse que voc resolveu suspender a filmagem, da 
semana que vem em diante.    `verdade. A prxima cena  do 
sexo. Eu estava com esperanas de resolver minha situao com ela, 
antes disso, mas do jeito que as coisas esto...
   No seria mais 
fcil se voc simplesmente lhe dissesse o que sente?    E 
correr o risco de ser rejeitado, sem mais nem menos?  Ele meneou a 
cabea, com um gesto decidido.  De jeito nenhum!    Dale se foi, 
depois de dar a Hope mais alguns detalhes sobre a viagem a Cannes e 
dizer que j estava com tudo organizado. Ele e Bianca eram to 
orgulhosos, tinham tanto medo de se arriscar, confessando um ao outro o 
que sentiam! Hope no poderia interferir na situao mais do que 
j interferira, mas saber disso no a impediu de desejar que tivesse 
uma varinha de condo e pudesse arrumar tudo para eles, num toque de 
mgica.   Bianca foi ficando cada vez mais nervosa  medida que 
os dias passavam.    Detesto essa histria de ir a Cannes  
ela se queixou um dia, quando tomava sol  beira da piscina, com Hope. 
 A competio  to desgastante!    Mas este ano voc 
tem muita chance de ganhar o prmio. Seu papel como Heron tem sido 
muito elogiado pela imprensa.    Graas ao fato de eu ter um bom 
agente publicitrio. Por falar em agentes, Roy telefonou para 
voc?    No.    Conversei com ele, est manh. Seu 
trabalho tambm tem sido muito elogiado. Pode ser que ainda se 
arrependa de ter assinado aquele contrato, dando exclusividade a 
Helen.    No creio. Helen s queria ter certeza de que meu 
rosto no seria associado com outra lojas. Mas, para ser honesta, 
no quero mais trabalhar nessa ramo.    Roy disse que seus 
comerciais vo a Cannes e esto bem cotado para um prmio.   
Vendo que desapontara Bianca com sua indiferena, Hope forou um 
sorriso. Estava ficando cada vez mais difcil no pensar em Alexei e 
controlar a saudade que sentia dele. Freqentemente sua mente se 
voltava para o que poderia ter acontecido, se tivesse ficado na ilha e 
lhe contado que estava grvida.
   Sabia que ele a desejava, alm 
de sentir por ela um forte senso de responsabilidade. E agora que 
lise, um dos principais motivos de sua fuga, sara de cena, Poe que 
no poderiam eles construir uma vida juntos? Alexei queria um filho... 
seus gostos eram semelhantes... ela adoraria ajud-lo a restaurar o 
chteau, trabalhando ao lado dele...   Abruptamente, Hope afastou 
esses sonhos da cabea. Estava se esquecendo da razo mais 
importante por que eles jamais se realizaram. Simplesmente porque Alexei 
no a amava. No queria a tolerncia divertida, o afeto morno que 
ele poderia lhe oferecer. Queria seu amor. Queria que sentisse por ela 
mesma necessidade doida que sentia dele. Queria v-lo tremer de desejo 
por ela, como tremia de desejo por ele. Quero que fosse seu nome que 
Alexei murmurasse na escurido da noite, seu corpo que ele desejasse, 
seu amor que ele quisesse.    Ah, a esto vocs!   A voz 
de Dale interrompeu seus pensamentos. Bianca empalideceu, e ela foi 
tomada por uma onda de pena e companheirismo pela amiga. Conhecia to 
bem o frio que Bianca devia estar sentindo na boca do estmago, a 
necessidade aflita de esconder seus verdadeiros sentimentos...   Dale 
inclinou-se para beij-la na testa, e Hope maravilhou-se com a 
capacidade de sua pele em distinguir o toque de um amigo do de um 
amante. Se Alexei a tivesse beijado, sua pele estaria queimando de 
prazer, com cada terminao nervosa consciente da presena 
dele.   Sorrindo, Dale foi para junto de Bianca e inclinou-se para 
repetir o gesto. Hope viu-a afastar-se com um gesto brusco e percebendo 
que era uma agonia observar aqueles dois juntos. Para eles havia a 
chance de que tudo viesse a dar certo, enquanto para ela... Desviou o 
olhar, para que eles no vissem o cime que, com certeza, havia 
ali.
   -O que foi? Algo errado?  ouviu Dale perguntar a Bianca. 
 No gosto de ser beijada por qualquer um  Bianca replicou num 
tom nervoso.    E desde quando isso foi um beijo? No  de 
admirar que suas cenas de amor sejam to mornas  ele comentou com 
desprezo, girando nos calcanhares e saindo abruptamente.   Bianca 
empalideceu, depois corou, e Hope viu nos olhos dela o reflexo de sua 
prpria tristeza.    O tempo no ajuda em nada?  ela 
perguntou, com uma nota de desespero na voz.   Hope meneou a 
cabea, com um olhar sombrio.    No na minha experincia. 
Por que voc no deixa o orgulho de lado e lhe diz que o ama?   
 Pelo mesmo motivo que voc no deixa o seu. Ns duas choramos 
pela lua, sem querer aceitar nada menos que...    Amor?  Hope 
sugeriu. Dentro dela, uma vozinha perguntava como se sentiria dali a 
vinte anos, quando estivesse sozinha, com o filho crescido, e pensasse 
no que poderia ter sido sua vida.   Ah, por que lise no se 
casara com Alexei? Se isso tivesse acontecido, saberia que ele era 
feliz, que estava completamente fora do seu alcance, e no sentiria 
mais aquela incerteza agoniante, aquela vontade de procur-lo e 
mostrar-lhe Niko, deixando-o assumir o controle de sua vida.
   Mas a 
quem estava enganando? Se Alexei aparecesse naquele momento e a 
quisesse, casado com lise ou no, iria com ele. E era isso que mais 
a amedrontava. Saber que abandonaria orgulho, auto-respeito, senso 
comum, tudo, enfim. Para estar junto dele, para sentir de novo o prazer 
glorioso de ser abraada por ele.    Eu vou entrar Bianca 
disse.  Se Dale aparecer de novo, diga-lhe que estou com dor de 
cabea.  Fez uma careta.  Dor no corao seria um termo 
melhor. Como as mulheres so tolas, Hope! Por que no podemos ser 
como os homens e aproveitar os prazeres fsicos da vida, sem a 
complicao de laos emocionais?    No seria melhor ainda 
perguntar por que eles no podem ser como ns? s vezes, acho que 
a diferena entre os sexos  uma brincadeira cruel da parte dos 
deuses, para tornar a vida humana mais difcil.    
Voc j esteve em Cannes. Hope?   Eles se encontravam num carro 
alugado, viajando para a villa onde ficariam.  Hope, Niko e Bianca no 
banco de trs, e Dale ao lado do motorista.   Hope sacudiu a 
cabea, lembrando-se de que Alexei lhe contara que tinha uma villa 
entre Cannes e Nice. Qual era o problema? S porque ele tinha uma 
propriedade naquela rea, no queria dizer que o veria. Mesmo assim, 
seus corao rebelde continuava se agarrando a fios de esperana, 
desejando, contra todos os ditames do orgulho e do bom senso, que 
pudesse rever Alexei. Ainda que isso s servisse para aumentar o 
sofrimento.    No  replicou, em resposta  pergunta de 
Bianca.    Pois ento mantenha seus olhos abertos, que vamos 
entrar em La Croisette  Dale disse, virando-se para fit-la com um 
sorriso.  Reconhecidamente, o mais elegante passeio que existe no 
mundo, junto ao mar. Preste ateno nas placas de sinalizao e 
repare que so todas escritas em letras douradas.
   Logo eles 
entraram numa elegante alameda, onde palmeiras e outras rvores se 
estendiam a perder de vista, balanando suavemente ao sabor da brisa 
que vinha do mar. De um lado ficavam as praias, vislumbradas sob 
florestas de guarda-sis coloridos e corpos lindamente bronzeados. Do 
outro lado estavam lojas, cafs, blocos de apartamentos e, no meio de 
uma rea reservada ajardinada com flores alegremente coloridas, o 
famoso Carlton Hotel, com seu prdio em estilo bolo-de-noiva 
ostentando toda a glria da belle-poque.    Uma visita ao bar 
do Carlton  obrigatria durante o festival  Dale comentou.  
Eu o acho um verdadeiro inferno, com muita gente para pouco espao. 
Mas, como todo mundo que se considera algum vem para c, ns 
acabaremos vindo tambm. Se no por nada, pelo menos para que voc 
possa dizer que esteve aqui, Hope.     Voc e Hope tero que 
vir sozinhos, Dale  Bianca comentou.  `to apertado! Alm 
disso, algum ter de ficar com Niko.   Hope estava a ponto de 
dizer que ficaria com o filho, quando surpreendeu o olhar amargo trocado 
por Bianca e Dale.   Alm da cidade, viam-se os Alpes, marcando a 
fronteira com a Itlia. A villa para onde iam ficava numa das encostas 
cobertas de pinheiros.    Falta muito, Dale? Estou ficando cansada 
 Bianca queixou-se  Devamos ter reservado lugar no Carlton ou 
no Majestic. Vai ser duro viajar para Cannes todos os dias.    
Voc disse que no queria ficar na cidade  Dale lembrou-a.  
Disse que queria fugir da multido, que preferia ter paz e 
tranqilidade.
   -Mas, com voc junto, como  que vou ter paz e 
tranqilidade? Eu no vou voltar atrs, Dale. Eu j disse e 
repito: no vou concordar nunca com aquela cena, por mais que voc 
me pressione!     Se voc largasse essa teimosia e me desse uma 
razo vlida, eu podia at aceitar a recusa.    O falto de 
eu no querer no basta?   Bianca estava to brava que Hope 
teve a impresso de sentir o ar vibrar dentro do carro. Parecia-lhe 
incrvel que dias pessoas to inteligentes quanto os dois pudessem 
no perceber a atrao sexual que havia de um em relao ao 
outro.
   -A villa fica logo ali  Dale anunciou, quando saram da 
estrada principal e tomaram um caminho ngreme, ladeado de pinheiros 
por entre os quais se vislumbravam, l embaixo, uma srie de 
pequenas baas.  Tem uma piscina particular, mas a praia  
partilhada com o pessoal de mais algumas villas.Hope no pde 
conter a admirao quando afinal chegaram  villa. Construda em 
meio a um bosque de pinheiros, ela fora pintada de rosa-plido, com as 
venezianas em verde. Trepadeiras magnficas, totalmente floridas, 
cresciam de ambos os lados da porta da frente.   Pagando o motorista 
que os trouxera, Dale abriu a porta. O hall de entrada era fresco e 
gostoso, co, um lindo assoalho de madeira polida. Ele acendeu a luz, 
revelando as propores elegantes do cmodo.    Aqui 
estamos, minha queridas. A sala de estar fica ali, depois a de jantar, 
biblioteca, cozinha, jardim de inverno e piscina.  Indicou vrias 
portas, dirigindo-se para uma escola com uma linda balastre.   A 
villa tinha seis quartos, cada um com seu banheiro. O de Hope era grande 
o suficiente para acomodar facilmente o bero desmontvel e todo 
equipamento de Niko. Da sacada, podia ver os jardins atraentes que 
rodeavam a casa, e mais alm o azul profundo do Mediterrneo, que se 
estendia at encontrar o horizonte.   Uma leve batida na porta 
tirou-a de sua absoro com o cenrio.    Estou incomodando? 
 Bianca perguntou, entrando no quarto. Parecia ainda mais tensa e 
abatida que antes de sarem dos Estados Unidos.  Hope, eu quero que 
voc fique sempre perto de mim, enquanto estivermos aqui. No... 
no quero ficar sozinha com Dale. Voc deve estar me achando uma 
covarde de marca maior, mas  que... do jeito que ele anda me 
pressionando por causa daquela maldita cena, fico com medo de no me 
controlar.
   -Por que no lhe diz a verdade de uma vez por todas? O 
resultado pode ser melhor do que voc pensa.    Que ironia ela 
estar dando conselhos a Bianca! Logo ela, a pessoa menos indicada, no 
mundo, para dar conselhos a respeito de casos amorosos.     A 
verdade? Tal como eu no vou fazer a cena porque s existe um 
homem com quem quero fazer amor, verdadeiro ou fingido, e esse homem  
voc? Imagino a cara dele!  Bianca no conteve o riso.  
No, vou ter que arranjar outro jeito. Se pelo menos eu no tivesse 
tido a idia de alugar a villa. Ele est muito perto, aqui. 
   Hope passou os primeiros dois dias explorando os arredores e a 
cidade. Bianca e Dale estavam to presos a conferencias sobre o filme 
e sua possvel premiao, que ela mal os viu durante a semana.  
 Essa viagem no ia ser uma mistura de frias e negcios?  
perguntou uma manh, quando a viu a amiga descer para o caf, 
plida e abatida.    Tente dizer isso a Dale. Ele organizou 
conferencias para mais trs dias. Voc no anda se sentindo 
sozinha?    De jeito nenhum  Hope garantiu.   Roy lhe 
dissera que seus comerciais estavam sendo considerados para um prmio, 
mas isso no exigia dela que se apresentasse  comisso julgadora 
ou se envolvesse nas negociaes. Por isso, h dias vinha 
aproveitando para levar Niko  praia, expondo-o cuidadosamente ao sol, 
deliciando-se com o prazer que ele mostrava pelo passeio. Ele parecia 
crescer e se desenvolver um pouco mais, a cada dia que passava, e j 
se esforava por ficar em p, impaciente para andar. Era um beb 
ativo e vigoroso, cada vez mais parecido com o pai, principalmente agora 
que seus olhos comeavam a mudar de azuis para verde.
   Terminando 
de descer a escada com Bianca, Hope chegou  concluso de que a 
amiga e Dale precisavam de algum tempo a ss, para que pudessem 
relaxar e abaixar a guarda. Era evidente que Bianca estava usando como 
escudo, e essa atitude comeava a enfurecer Dale. Talvez, se no 
estivesse ali...   Pensativa, Hope foi atrs de Jeanne, a criada. 
Gorducha, de meia-idade e com os cabelos presos na nuca, ela sorriu 
alegremente, quando Hope lhe perguntou se poderia tomar conta de Niko 
por uma noite.    Claro que sim! Seu bb  um amor e no 
d o menos trabalho. A senhora tem um encontro?    Eu... , 
tenho.   Na verdade, Hope no sabia o que ia fazer. S sabia que 
era imperativo que desse a Bianca e a Dale a oportunidade de resolverem 
os problemas que os envolviam num campo emocional to forte, que os 
levavam se atacarem amargamente, sempre que se viam juntos.   Hope 
deixou para dar a notcia de sua sada o mais tarde possvel. Na 
hora do jantar, desceu vestida com um conjunto de cala e top de seda, 
que enfatizavam as curvas de seu seio e as linhas dos quadris. Seu corpo 
mudara desde o nascimento de Niko, tornando-se mais sensual.   Bianca 
reagiu como j esperava.    Voc vai sair?! Com quem? E vai 
aonde?    Acho que Hope j esta bem crescidinha para voc lhe 
fazer esse tipo de pergunta, Bianca  Dale interferiu de imediato, 
olhando para Hope com admirao.  Ou o problema  outro?   
 Como assim, outro?   A batalha recomeava, e Hope aproveitou 
para se afastar, enquanto Dale dizia com suavidade:
   -Sabe... essa 
cena que est dando tento trabalho... por que no a ensaiamos 
juntos, esta noite? Eu sei que no sou o melhor ator do mundo, mas 
pode ser que ajude a encarar a coisa de outro modo. Se depois disso 
voc continuar no querendo...   Hope nem precisou olhar para 
Bianca para saber que ela devia estar sentindo. Como Dale era 
inteligente! Ela sabia que Bianca no recusaria diante de um desafio, 
e na certa pretendia usar o ensaio para for-la a admitir que o 
amava. Aos mesmo tempo, ele teria a oportunidade de revelar os 
prprios sentimentos sem dizer uma nica palavra. Daria certo?   
Hope deixou a sala de jantar quando Bianca protestava, mas percebeu que 
Dale vencera, ao ouvi-lo perguntar:    Qual o problema, afinal? 
At parece que voc esta com medo de mim.   Uma certa tristeza a 
invadiu. No tinha inveja da amiga, mas era duro saber que ela e 
Alexei jamais partilhariam um amor to intenso quanto o que existia 
entre Dale e Bianca.   Dale alcanou-a quando estava para sair da 
villa e sorriu com ar de conspirador.    Obrigado por nos deixar 
sozinhos. Posso saber por que resolveu fazer isso?    Achei que 
nenhum de ns conseguiria sobreviver por muito tempo  tenso do 
ambiente. Dale... tenha cuidado, est bem? Bianca no  to dura 
quanto voc pensa. Ao contrrio, ela  muito sensvel e fcil 
de ser ferida.    Mas tambm sabe ferir. Eu s espero estar 
fazendo a coisa certa. Estou apostando algo esta noite, Hope. Se Bianca 
me rejeitar... se ela no quiser me ouvir...
   Apelando para toda 
sua fora de vontade, Hope sufocou dentro de si a necessidade de ficar 
sozinha e consolou:    Voc sabe o que dizem por ai, Dale. 
Beijos primeiro, palavras depois. S no se esquea de contar a 
Bianca, quando parar de representar.   Deixou a villa ainda sem ter 
uma idia definida do que faria certa apenas de que precisava ficar 
s. No poderia permanecer ali, sabendo que, antes da noite 
terminar,  Dale e Bianca provavelmente teriam se entendido e reconhecido 
o amor que sentiam um pelo outro, enquanto ela...   Hope mordeu o 
lbio inferior, lutando para ignorar a ironia de ter ajudado os amigos 
a se encontrarem, quando ela mesma jamais teria o amor que desejava.  
Aquela noite, seus sentidos estavam to afinados com as vibraes 
da atmosfera tensa que envolvia seus amigos, que preferia no 
testemunhar ainda mais suas sensao de perda e sofrimento.   
Alexei! Se ele no tivesse sido seu primeiro e nico amor, seus 
sentimentos seriam menos intensos? Por acaso o tempo e a experincia 
ajudavam a diminuir o sofrimento causado por um amor no retribudo? 
Nunca passara pelas paixonites prprias da adolescncia, nunca 
tivera nada para gui-la, a no ser aquele vazio em seu intimo que 
clamava por ser preenchido e no reconhecia orgulho nem vergonha, s 
uma necessidade profunda da pessoa que o criara. No, jamais poderia 
permanecer em seu quarto aquela noite, com lembranas to vivas e 
dolorosas atropelando-se em sua mente.   Jeanne, a criada, havia 
sugerido que ela fosse a um dos clubes noturnos de Nice, quando lhe 
perguntara onde poderia passar a noite.    O L Busby  o mais 
famoso  dissera.  Todo o pessoal do cinema vai para l.
   Sem 
dvida era o lugar mais quente e barulhento em que j estivera, Hope 
verificou com desgosto uma hora depois. Quando bebericavam um aperitivo 
extico mas fraco, sentada a uma das mesas do famoso clube noturno. 
Pessoas acompanhadas e desacompanhadas enchiam a pista de dana e o 
espao em volta. Ela j tivera que se livrar de muitos homens que 
tentavam se aproximar e comeava a se arrepender de ter preferido o 
anonimato em meio quela multido barulhenta, quando podia ter ido 
para o bar do Carlton.    Venha... dance comigo...Era a 
terceira vez que o rapaz loiro e bbado, que reconheceu como 
pertencendo a equipe de filmagem de Dale, convidava-a para danar. E, 
quando ela tornou a recusar, ele insistiu:    Venha, meu bem. Eu 
sei de tudo a seu respeito. Voc tem aquele garotinho. No quer se 
soltar um pouco? Podemos nos divertir juntos.   Vendo que se 
continuasse no clube no poderia escapar Del, Hope recorreu a um 
subterfgio que normalmente nunca lhe passaria pela cabea.    
Eu dano com voc, mas primeiro que tomar outro drinque.    
Outro drinque?  Apertando os olhos, no gesto caracterstico dos 
bbados, o rapaz tentou focalizar o copo quase cheio que Hope tinha 
 sua frente Espere aqui, benzinho, que eu vou lhe buscar um. `
mais fcil do que esperar por um dos malditos garons.   Cinco 
minutos depois, abrindo caminho em direo  sada. Hope disse a 
si mesma que ele merecia pagar o absurdo que custava o aperitivo que 
pedira, s para aprender a lio. De outra vez, na certa no 
seria to insistente.No lado de fora, ela respirou fundo o ar 
fresco e limpo e ps-se a caminhar pela calada, admirando as 
elegantes vitrines das lojas. Algumas passantes pararam para 
estud-la, mas ela no tomou conscincia do interesse que 
despertava. Cannes estava cheia de mulheres lindas e, na sua opinio, 
seria preciso ser belssima para chamar a ateno da populao 
masculina.
Um olhar para o relgio confirmou que ainda era cedo para 
voltar  villa. Abafando um bocejo e fazendo o possvel para no 
pensar em Niko e na tranqilidade de sua prpria cama, seguiu para 
um barzinho que notara numa das esquinas da rua. Dentro, ele estava 
cheio, que logo viu que no conseguiria um lugar para sentar.   Com 
um suspiro de desanimo, voltou para a rua, sem perceber dois vultos 
sarem da escurido e comearem a segui-la. Logo, no entanto, seu 
sexto sentido alertou-a e ela se voltou. Com em arrepio de medo-, viu 
que estava sozinha numa rua deserta e estreita, e que os dois homens, 
agora se destacando das sombras e avanando em sua direo, deviam 
achar que ela era uma turista rica, talvez uma atriz, e pretendiam 
roub-la.   Outro bar, logo  frente, pareceu-lhe o refgio 
ideal, mas os dois homens a seguiram, quando entrou nele. Mordendo o 
lbio, ela tentou raciocinar. Definitivamente, aquela no era sua 
noite; Olhando em torno, viu que os dois ainda a observavam, e isso fez 
com que se decidisse. Aproximando-se do balco, esperou que o dono do 
local lhe desse ateno e explicou rapidamente seu dilema. Ele era 
um homenzinho de meia-idade, gorducho e careca, mas tipicamente 
francs, e reagiu a galanteria caracterstica de sua raa.   
 Mademoiselle tem que ficar aqui  disse.  Ls couchons que 
fizerem de engraadinhos vo ter que se ver comigo. Quando 
mademoiselle quiser ir embora, eu mesmo chamarei um txi, para que 
v em segurana.   Deixando que ele a persuadisse, a tomar um 
Pernod, Hope procurou um lugar para se sentar, vislumbrando uma mesa 
vazia num canto, ao lado de outra que havia u homem debruado e com o 
rosto escondido nos braos.
   -Com aquele no tem perigo  
Gaston, o dono do bar, lhe garantiu.  Est l desde o comeo da 
noite. Vejo muitos como ele... que bebem para esquecer. Ele no vai 
lhe dar trabalho, mademoiselle.   Enquanto tomava Pernod e seus olhos 
se adaptavam  penumbra do local, Hope virou-se um pouquinho para 
estudar, disfaradamente, o homem do canto.   Quem seria ele? O que o 
teria trazido at ali, para procurar o esquecimento na bebida? Seria 
um ator desempregado? Ou um produtor de filmes que falira? De repente. 
Seu corao deu um salto.   -Alexei! O nome escapou de seus 
lbios sem que percebesse o que fazia, e ele ergueu a cabea, 
procurando com um olhar vidrado at ach-la em meio  
escurido.
  -Hope.  Ele no manifestou surpresa em v-la. 
 Voc me pegou em desvantagem. Ah, no adianta apertar os 
lbios e me olhar com esse ar de censura. Eu sou humano, e isto  
tocou a garrafa sobre a mesa com os dedos morenos, num gesto quase 
acariciante  me ajuda a escapar dos meus pesadelos...   Pesadelos? 
Deviam ser por causa de lise. Hope foi assolada por uma onda de 
piedade e uma vontade quase maternal de tom-lo nos braos. Alexei. 
Nunca pensara que pudesse chegar a v-lo daquele modo.    Por 
que est to chocada?  ele zombou, num tom de voz mais familiar. 
 No posso ter as mesmas franquezas e tolices que o resto da raa 
humana? E voc, melhor do que ningum, sabe quais so as minhas. 
 Riu com amargura, notando-lhe a expresso.  `uma pena que 
no possamos treinar nossas mentes para se esquecerem do que nos causa 
mais dor. Tenho muitas lembranas de voc, ma petite.   Hope 
sentiu seu corpo reagir ao tom rouco e sensual da voz de Alexei, 
percebendo que seus pulsos se aceleravam e sua mente revivia momentos 
que haviam partilhado. Estremeceu, e Alexei, notando sua reao, 
sorriu de um jeito bem pouco agradvel.    Ah, estou vendo que 
voc tambm se lembra! J acordou de noite com o corpo ardendo 
pelo meu ou o seu amante faz com que se esquea de tudo que vivemos 
juntos?    Por favor, Alexei, no...    No o qu? 
No quer que eu a faa se lembrar do passado? Voc mudou, Hope. 
Mas eu j tinha percebido isso, na Califrnia. Amadureceu, e bem 
mais depressa do que eu esperava. Quase que da noite para o dia...   
 Foi aquele programa de estufa  ela brincou, surpreendendo-se ao 
v-lo empalidecer e agarrar o copo com fora, quase a ponto de 
despeda-lo entre os dedos.
   -Voc ainda no me perdoou, 
no ?   A voz dele continha tanta angstia que Hope foi levada 
a protestar.    Pelo qu, Alexei? Sei que fez aquilo porque 
precisava. No h necessidade de perdo. E agora, est acabado. 
Ns dois temos que deixar o passado para trs.    Como voc 
faz isso parecer fcil!  Alexei riu, cheio de amargura.  Mas, 
mesmo que voc me perdoe, duvido que eu possa fazer o mesmo. Quantos 
homens houve na sua vida depois de mim, Hope, e quantos ainda 
viro?    Eu poderia perguntar os mesmos das suas mulher  
Hope disfarou, rezando para no estar corada.    Faz bem em 
me lembrar que no tenho mais direito de questionar sua vida 
particular. Onde est ele esta noite, o seu amante, o famoso produtor? 
No se importa de dividi-lo com aquela atriz que sempre aparece ao 
lado dele, nas fotografias? Ela  uma mulher belssima.    
Realmente  Hope concordou.  E s quando o ouviu continuar, 
percebeu a interpretao que ele dera ao leve trao de cime em 
sua voz.   Voc tem cime dela e com razo, segundo as 
colunas de fofocas.  Mas se Hope mostrava cime era porque Alexei 
disse que Bianca era lindssima. Uma verdadeira estupidez, pois muitas 
mulheres lindas j haviam passado pela vida dele e, sem dvida, 
continuariam a passar.    No beba mais, Alexei  pediu quando 
o viu encher o copo de novo.  Isso no leva a nada.    No, 
mas ajuda a esquecer. Se bem que  um esquecimento temporrio, 
apenas. Sabe, s vezes eu fico imaginando o que teria feito se 
soubesse, de antemo, o efeito desastroso que voc exerce sobre a 
minha vida.   Como assim?! Ele no podia estar jogando em seus 
ombros a culpa por ter perdido lise! Mas talvez tivesse necessidade 
de culpar algum.
   -Seria melhor voc ir para casa, Alexei.   
 Seria, mesmo. Quer uma carona? Meu carro est parado a na 
frente.   O carro! Ele realmente pretendia dirigir no estado em que 
se encontrava?    Voc no pode dirigir, Alexei!    E 
tambm no posso deixar meu carro aqui a noite inteira.    
D-me as chaves, que eu o levo para casa. `s voc me guiar  
disse depressa, sem parar para analisar a prpria fraqueza, a 
necessidade que tinha de ficar junto dele.    Tambm no poderia 
simplesmente virar as costas e deix-lo daquele modo. Mais tarde, 
poderia chamar um txi da villa dele. Afinal, quanto tempo mais tempo 
demorasse para voltar, maiores seriam as chances de Dale e Bianca 
resolverem suas diferenas. E no precisava se preocupar com Niko, 
concluiu aliviada, enquanto Alexei a estudava morosamente. O menino 
estava bem, nas mos de Jeanne.   Que ironia do destino encontrar 
com Alexei logo naquela noite, quando se sentia to vulnervel, 
to necessitada da presena, do toque dele...  Perigosamente 
necessitada, reconheceu com um estremecimento, ciente de que o mais 
sensato seria ir embora logo, antes que fosse tarde demais, mas j 
certa de que no iria.    As chaves do seu carro, Alexei  
repetiu.  a menos que voc queria completar a tolice e acabar se 
matando.
   O toque de ironia em sua voz surtiu o efeito desejado, 
apesar da dificuldade que teve para produzi-lo. A expresso vidrada 
desapareceu do olhar de Alexei, substituda por altiva frieza.   
 Como voc ficou autoritria, querida! Pode alimentar esse 
sentimento pelo seu amante americano ou pelo seu filho, quanto tiver um. 
Mas eu sou um homem, e seria bom voc se lembrar disso.   Hope 
empalideceu, numa verdadeira agonia de sofrimento, e Alexei, vendo que 
ela no ia dizer nada, continuou:    Ainda est disposta a 
fazer o papel de boa samaritana? Ser timo, se estiver, pois no 
tenho mesmo condies de dirigir. Tome.   Hope aceitou as chaves 
do Ferrari e, quando passavam pelo balco, percebeu que Gaston os 
olhava com estranheza.    Somos velhos amigos, mona mi  Alexei 
explicou.  Pode parar de me olhar como se eu fosse um Barba Azul.  
  Est tudo bem, mademoiselle?  o francs perguntou, com ar 
cauteloso.    `exatamente como monsieur l comte diz, Gaston 
 Hope afirmou, com um sorriso.  somos velhos amigos.    
Voc pode se orgulhar, ma petite  Alexei comentou, quando j 
estavam na rua.  Gaston no tem o hbito de se preocupar com 
mulheres que entrar em seu bar, desacompanhadas.    Deve ser 
porque fui seguida at l dentro.  Hope lhe explicou, descrevendo 
rapidamente os acontecimentos que a tinham levado a entrar no bar de 
Gaston.
   -Voc estava andando pelas ruas de Cannes, sozinha, e  
noite?! Mas que tipo de homem  esse seu amante? Ele no v 
que...    Dale sabe que posso cuidar de mim mesma. Onde est o 
seu carro, Alexei?   Apesar de Alexei disfarar bem, Hope percebeu 
que ele ainda no tinha se recuperado da quantidade de lcool que 
tomara. E no fora pouco, a julgar pelo nvel da garrafa que estava 
sobre a mesa. O cheiro de conhaque espalhou-se pelo interior da Ferrari, 
enquanto ela alterava a posio do banco e verificava se o cinto de 
segurana de Alexei estava bem fechado. Ele sorriu com ar zombeteiro, 
ao ver seus movimentos.    Lembra-se da primeira vez em que se 
sentou nessa carro, ma belle? Pela sua expresso, qualquer um diria 
que esperava que eu a atacasse na primeira oportunidade.    Voc 
estava completamente fora do meu campo de experincia  Hope 
replicou com calma, levando vagarosamente o Ferrari para o meio da rua. 
 Por onde, Alexei?   Ele lhe deu instrues breves e precisas, 
observando o modo como maneja o potente carro esporte.    Seu 
tornozelo ficou completamente bom?    Ficou, sim, obrigada. No 
sei o que teria feito se voc no estivesse l, aquela noite.   
Com que polidez trocavam palavras! E a que distancia ele se mantinha! O 
que era melhor, embora seu corao teimoso ainda estivesse 
convencido disso.
   -Meu administrador ou a esposa dele a teriam 
tratado do mesmo jeito. No vamos brincar um com outro, Hope  
Alexei murmurou, num tom inesperadamente spero.  Ainda me lembro 
muito bem de como voc foge do meu toque.  Fez uma pequena pausa, 
depois acrescentou:  Todos vivem me dizendo que j  hora de eu 
me casar.   Hope teve a impresso de que seu corao ia se 
partir de dor.    Eles vivem me lembrando que sou o ltimo da 
famlia e que  minha obrigao ter um filho. O que voc acha, 
Hope?   Deus do cu, por que ele tinha que perguntar logo a ela? 
   Acho que voc no pode querer minha opinio  respondeu, 
fingindo despreocupao e rezando para que ele no ouvisse o bater 
sufocante de seu corao;   Um filho! Alexei j tinha um, s 
que no sabia. O que ele diria, se lhe falasse de Niko? Por um 
momento, entregou-se a uma fantasia em que o ouvia dizer que a amava e 
que queria os dois, mas logo voltou  realidade, chamando-se de tola 
por imaginar tal coisa.    Reconhecendo que j houve um tempo em 
que a idia de me casar por conforto e para dar continuidade  
famlia no me perturbava, mas agora... Por aqui  ele indicou, 
apontando para um caminho que enveredava por um bosque de pinheiros  
`estranho que continuemos a nos encontrar, assim. Pelo que entendi, 
voc est fazendo nome no mundo dos comerciais de televiso.   
 Voc... voc viu meus comerciais?   Com o corao nas 
mos, Hope esperou a resposta. Seria possvel que ele os tivesse 
visto e no houvesse se reconhecido em Niko?    Um pedao de 
um deles voc  muito fotognica.    Bianca tambm acha, 
mas no quero usar isso para fazer carreira.
   -No h 
necessidade, H? Afinal, tem um amante rico, que a mantm  Alexei 
calou-se por um instante, depois continuou:  Nunca foi minha 
inteno que voc passasse a vida assim, Hope.    Eu tenho 
vontade prpria  Hope lembrou-o, zangada por ele achar que no 
era capaz de tomar suas prprias decises na vida  e fao 
minhas escolhas.    E escolheu viver s custas de um homem?   
Ela no replicou. Estava ocupada demais prestando ateno s 
curvas das estrada, contornando-as com o carro... e sufocando a mgoa 
que as palavras dele tinham lhe causado.     esquerda,agora  
Alexei falou.   Hope seguiu por um caminho estreito e sem 
calamento, com o Ferrari socando sobre buracos e razes de 
rvores, at os faris iluminarem uma antiga casa de fazenda.   
 Meu pai comprou este lugar antes que o preo das propriedades se 
tornasse astronmicos, nessa regio. Pare ali  Alexei indicou um 
ptio calado. Quando desceu, estava plido e abatido e no 
caminhava com muita firmeza.  Obrigado pela ajuda.   Que tom 
distante e formal ele usava! Deu-lhe as costas logo em seguida, como que 
dispensando-a.    Alexei, eu tenho que entrar com voc, para 
chamar um txi.   Ele franziu a testa, mas concordou com um gesto 
grave de cabea.   A porta principal abria-se diretamente para uma 
saleta decorada de forma agradvel. As luzes embutidas nas paredes 
davam aos tapetes e  madeira um brilho quente e aconchegante. 
Deixando que Hope p seguisse, Alexei foi diretamente a um dos armrios 
e pegou uma garrafa. Hope percebeu o reflexo das luzes no vidro, quando 
ele se virou.
   -Pare de me olhar com esse ar de censura. Sem isso 
 com a ponto dos dedos, ele bateu a garrafa -, eu dificilmente 
conseguirei dormir. E por que seria Hope? Culpa? Ou muitas lembranas 
desagradveis?   Hope reagiu instintivamente, tirando-lhe a garrafa 
das mos, quando Alexei quase tropeou ao avanar.    Quer 
que eu o ajude subir?  ofereceu-se, certa de que, se fosse embora, 
ele se estenderia num dos sofs pra s acordar na manh 
seguinte, com o corpo frio e dolorido.   A principio, Alexei tentou 
se livrar dos braos que Hope passou por sua cintura. Mas depois, como 
que percebendo a sensatez do que acabava de ouvir, apoiou-se nela, 
permitindo-lhe que o guiasse para a porta.   A escada comeava num 
hall pequeno e interno. Depois de procurar s cegas pela luz, Hope 
ajudou Alexei a subir. Franzindo a testa, ela examinou-lhe o rosto 
sombrio, mas ainda assim algo lhe pareceu estranho. No entanto, por que 
haveria ele de fingir estar Bbado? No fazia sentido.    Qual 
quarto, Alexei?  perguntou, quando chegaram ao fim da escada.   
Ele indicou uma porta e ela o ajudou a caminhar para l, abrindo-a e 
acendendo a luz.   O que viu fez com que prendesse a respirao 
incrdula, A moblia era uma rplica quase exata da que tinha no 
quarto principal de sua nova casa! Se bem que no havia motivos para 
se sentir to surpresa. Aquele tipo de moblia provenal francesa 
era bastante comum, principalmente nas fazendas francesas, e a sua 
dvida fora levada para os Estados Unidos pela famlia que 
construra a casa.   Com todo cuidado, ajudou Alexei a ir at  
cama, cujo colcho afundou quando ele se deixou nela, rolando para o 
lado e protegendo os olhos da luz. Algo na atitude dele mexeu com sua 
memria, mas no conseguiu definir o que era.    Alexei...
  
 -Traga-me um copo de gua, por favor, Hope. E tambm uma das 
plulas que esto no armrio do banheiro, num vidrinho marrom.  
   Voc no pode misturar plulas com lcool  ela 
comeou, interrompendo-se ao ver a expresso dele mudar.    
Sinto desiludi-la  Alexei comentou em voz baixa.  Mas voc 
estava to dedicada a fazer papel de anjo salvador e pensar o pior de 
mim, que no tive coragem de lhe dizer. Eu no estou bbado, Hope. 
Pelo menos, no tanto quanto voc pensa... Na verdade, estou com uma 
enxaqueca terrvel e gostaria que voc fosse boazinha e pegasse as 
plulas para mim.   Enxaqueca! Como no percebera antes? Uma das 
freiras, no convento, sofria disso. No era de admirar que Alexei 
tivesse evitado a luz.   Levantando-se depressa, Hope diminuiu a 
intensidade das luzes, logo ouvindo uma exclamao de alvio 
escapar dos lbios de Alexei. No banheiro, achou as plulas que ele 
queria e um copo, que encheu de gua fria.    Obrigado.  Ele 
aceitou as plulas e a gua com evidente alvio.  No  
sempre que tenho enxaqueca. Esta comeou um pouco depois que sa, 
hoje  noite. Entrei no bar de Gaston na esperana de que acabasse 
logo...    E as garrafas na sua mesa?    Era de outra 
pessoa.  Alexei virou, fazendo uma careta de dor  Hope...?   
 O que ?    Fica comigo.  O sofrimento tornava a voz dele 
arrastada.  Por favor.
   Era a primeira vez que Alexei lhe pedia 
algo e, mesmo sabendo que deveria negar, Hope cedeu.    Eu fico, 
se  isso mesmo que quer. Vou procurar um quarto perto do seu e...  
  No!Eu quero que voc fique aqui, comigo. Lembra-se de quanto 
tinha seus pesadelos e precisava de mim? Agora, quem precisa de voc 
sou eu. S para ficar perto, Hope. Eu preciso de voc.    Hope 
no saberia dizer se Alexei tinha uma noo exata do que falava. 
Era evidente que ele estava sob o domnio de uma dor cruciante, que 
conseguiria manter sob o controle durante todo o tempo em que 
conversavam, mas agora o vencera.    Mon Dieu, essas malditas 
plulas! No consigo nem pensar direito.   Estendeu a mo, 
entrelaando os dedos no dela, e Hope soube que ficaria, que nada a 
faria deix-lo.   Ela esperou que ele adormecesse para cobri-lo com 
o pesado acolchoado. Poderia ir agora, se quisesse, mas havia algo to 
vulnervel naquele Alexei adormecido que no foi capaz de renunciar 
s horas preciosas na companhia dele. Por mais que o bom senso a 
aconselhasse a ser mais cautelosa...
   -Ma petite Hope.    As 
palavras carinhosas penetraram em seu subconsciente, e o peso familiar 
de um dos braos apoiado em seu corpo venceu a barreira de seu 
sono.   -Alexei...  murmurou o nome dele sem abrir os olhos, 
arrepiando-se ao ouvi-lo rir, de um modo baixo e familiar.    
Ento voc no  s um sonho, chrie.  Ele moveu o 
brao, os dedos investigando a seda macia de seu top e empurrando-o 
para cima, para acariciar sua barriga nua.  Hum... voc  to 
macia!     Hope sabia que deveria mexer, protestar de alguma forma, 
mas seria esforo demais. Devagarzinho, abriu os olhos, mas ainda 
estava escuro e mal pde distinguir as feies de Alexei.    
Ah, Hope!  ouviu-o exclamar, num tom abafado.   Logo, Alexei se 
inclinava para ela, acariciando-lhe a pele nua com os lbios, deixando 
uma trilha de fogo onde tocava. Em silncio, desabotoado, acabar de 
remover seu to e a pequena pea de seda que usava por baixo.  
meia-luz, testemunhou a reao de seus seios, que se enrijeceram 
numa splica to ardente que no pode culpar Alexei por responder 
 mensagem que recebia. Com os lbios, ele acariciou de l cada 
arola rosada, fitando-a com olhos intensamente escuros.    
Hope...   Em meio  escurido, ela sentiu o corao de Alexei 
bater contra o seu e entreabriu os lbios, ansiosa pelo que viria.  
 Deliciosas, quase delirantes, as onde de prazer tomaram-na de assalto. 
Um desejo to intenso, que chegava a doer, invadiu seu corpo como a 
espuma do mar invade a praia. E ela correspondeu com ardor os beijos de 
Alexei, sentindo-os se tornarem mais profundos  medida que ele movia 
a boca sobre a sua.
   -Ma petite...  Alexei ergueu a cabea, 
envolvendo-lhe o rosto com as mos, empurrando seus cabelos para 
trs, acalmando o ardor de sua pele com a ponta dos dedos. Seus 
lbios tocavam-na com um autocontrole surpreendente em face o desejo 
intenso, expresso com tanta clareza nos olhos que a fitavam com 
ateno.    Voc  uma mulher agora, Hope, e como eu a 
quero!   Essas palavras despertaram em seu ntimo uma emoo 
desconhecida e incontrolvel. Hope estendeu as mos para tocar o 
rosto dele com os dedos que tremiam ente os beijos ali depositados.   
 A sua dor de cabea  murmurou, sem tirar os olhos dos dele, 
querendo acreditar que o desejo que via nele era um desejo por ela.   
 Esquea. Voc  que me faz doer de desejo.  Alexei 
inclinou-se para beij-la, tomando-lhe as mos e colocando-as sobre 
o peito.  Veja como meu corao bate. Eu quero voc, Hope, como 
um homem quer uma mulher. Desta vez ser por mim. No ser por 
Tanya nem por nada, s pela mais bsica de todas as necessidades 
humanas.   Hope sabia que deveria det-lo, pois ele no a amava. 
Mas seu corpo j tremia sob o dele, e a sensao proporcionada 
pelos plos do trax que ela tocava era deliciosa. Com os olhos da 
mente, viu o corpo masculino tal e qual como se lembrava, esbelto e 
bronzeado, com uma musculatura rija, duro contra o seu. Com beijos 
midos e quentes, procurou os botes da camisa que ele vestia, 
respondendo s perguntas que os olhos esverdeados lhe faziam.Eles 
se tocaram sem pressa ou impacincia. Hope, porque queria guardar a 
lembrana de cada momento, e Alexei porque sentiu que era assim que 
ela queria.
   Estar to desinibida, deliciando-se com o modo como 
ele olhava para seu corpo nu, foi algo completamente novo, que despertou 
em Hope uma nova modalidade de desejo. Queria que ele a tocasse. Mas 
tambm queria toc-lo e, com um suspiro de satisfao, ps-se 
a acarici-lo com a ponta dos dedos.   Alexei enrijeceu sob seu 
toque, murmurando roucamente, em francs, palavras que a fizeram 
corar.    Hope...  os olhos dele tinham uma expresso febril 
na penumbra.   O corpo dele tremia ao seu, tomando por uma paixo 
mais refinada. No entanto, ele estava visivelmente bem mais perto do 
descontrole do que a reao que ela presenciara no Caribe. Ainda 
assim, sentiu nele um recuo, uma tenso ntima que no vinha 
simplesmente do desejo. Era quase uma hesitao, uma coisa to 
pouco caracterstica do homem de que se lembrava, que no pode 
deixar de estranhar. Pensando nisso, desceu a mo do peito para a coxa 
dele, acariciando a pele firme e sadia, e explorando o formato dos 
ossos.    Mon Dieu, Hope, o que est querendo fazer ? Eu no 
quero que esta vez seja como a ltima, mas voc no est me 
ajudando.   Incapaz de se controlar, Alexei estremeceu quando ela o 
acariciou no estmago, arranhando-o de leva com as unhas. Fechou os 
olhos, e Hope percebeu, maravilhada, que era ela a causa daquela 
tenso, que tinha o poder de excit-lo at deix-lo quase louco 
de desejo.    Sempre fomos bons, junto  Alexei admitiu, num tom 
grave e enrouquecido.    Deslizou a palma da no pelos seios de Hope, 
acariciando a carne intumescida pelo desejo, inclinando-se para roar 
os mamilos rijos com os lbios. Desceu em seguida para seu ventre e a 
fez recuar no tempo.   Quantas vezes ela no tentara recapturar a 
sensao que ele agora despertava em seu intimo, lutando para 
relembrar a intimidade daquele toque?   No entanto, sua memria 
ficaram muito longe da realidade, e foi com as mos e lbios 
ansiosos que correspondeu a cada carcia, seu prprio desejo 
alimentado pelo dele.
   Ambos reconheceram o momento exato a unio 
final, e Alexei tomou-a. A principio moveu-se devagarzinho, e depois,ao 
sentir sua resposta febril, entranhou-se ainda mais em seu corpo, que 
parecia ter sido feito nico e exclusivamente para 
acomod-lo.

CAPTULO XIV 
 
    Hope, pelo amor de Deus, 
onde  que voc andou?!  Bianca correu para ela, os cabelos 
ruivos cados sobre o ombro. Os olhos claros, apesar da ansiedade que 
a tomava, ainda mostravam um certo trao de langor.   Ser que 
Bianca tambm v, em meus olhos, as sombras de prazer que vejo nos 
dela?, Hope imaginou, enquanto acalmava a amiga.    Eu me 
encontrei com um velho amigo, comeamos a conversar e... voc sabe 
como . No fim, j era to tarde que acabamos ficando at o dia 
nascer.    Engraado, voc est to diferente...  
Bianca fitou-a, intrigada.   Hope disse depressa, que ela tivesse 
tempo de perceber o que era:    Voc, tambm. Onde est 
Dale?   Como era de se esperar, Bianca ficou vermelha como um 
pimento.    Ah, Hope espere s at eu lhe contar...   
Grata pela amiga estar to absorta com a prpria felicidade para 
perder tempo interrogando-a, Hope jogou-se na poltrona prxima.   
Aquela manh, sua primeira reao ao acordar junto de Alexei fora 
de desgosto pelo modo como agira. E fora esse sentimento que a levara a 
deixar a villa sem perturb-lo, morrendo de medo que a chegado do 
txi o despertasse.   O que ele pensaria quando acordasse?   Sua 
boca crispou-se, com amargura. Pelo menos, Alexei tinha a desculpa de 
estar sob o efeito de um potente analgsico, alm do fato de ser 
perfeitamente aceitvel, para um homem, satisfazer seus desejos com 
qualquer mulher que estivesse disponvel, sem perder o 
auto-respeito.
Mas, no seu caso, era diferente. Alexei a desejara, e 
ela, presa  uma necessidade e amor, recusara-se a ouvir os conselhos 
do bom-senso.    Hope, voc no escutou uma palavra do eu 
disse  Bianca queixou-se.  Voc chegou s sete horas da 
manh e...    ... E encontrei voc descendo as escadas, num 
penhoar de seda muito provocante  Hope completou, rindo.    Eu 
s ia pegar...  Parou de falar bruscamente ao ouvir Dale chamar. 
   Bianca, meu amor, ande depressa. Est cama est fria e vazia 
sem voc.    Eu... bem... eu.. ns...    Ainda esto 
ensaiando a cena de sexo?  Hope perguntou com fingida inocncia, 
rindo ao ver a expresso indignada da amiga.    Depois eu lhe 
conto tudo. Ou quase tudo, pelo menos.  Bianca sorriu, antes de 
prosseguir.  Ns ficamos muito preocupados quando voc no 
voltou, ontem  noite. Ou melhor eu fiquei. Dale me deu a 
impresso de que tudo no passava de uma coisa combinada, e logo com 
voc, a milha oficial!    Sempre chega um dia, na vida de uma 
garota, em que a ltima coisa de que ela precisa  de algum por 
perto. Toda mame vitoriana sabia disso.   Pensando em Bianca e 
Dale, Hope tentou pr sua infelicidade de lado, pois no queria 
estragar o dia que, para eles, parecia ser muito especial. Mas era duro, 
e foi com pressa que escapou para seu quarto.   Bianca e Dale estavam 
cheios de planos quando se uniram a Hope e Niko na praia, pela 
manh.    Casamento primeiro  Dale declarou, com firmeza.
  
 A expresso nos olhos dele, ao fitar o rosto corado e feliz de 
Bianca, fez o corao de Hope se apertar de inveja. Quando Alexei a 
olhara daquele modo, como se fosse tudo o que queria da vida?    
Quando a srie que estou filmando acabar, vou me retirar do cinema  
Bianca disse a Hope, ao voltarem para a villa, na hora do almoo.  
J gostei muito da minha carreira, mas, depois que Niko entrou em 
cena, comecei a achar que existem coisas mais importantes na vida. Creio 
que, no final das contas, os anos de formao so os que mais 
contam. E ainda sou o que as freiras pretendiam que eu fosse, apesar de 
toda a minha rebeldia.   Eles terminavam o almoo, quando a 
campainha tocou. Jeanne foi atender, voltando para anunciar que um 
senhor desejava falar com Hope.    Comigo?! S pode ser Roy.  
  Mande-o entrar, Jeanne  Dale falou, estendendo a mo para 
tocar a de Bianca.  Que tal nos arriscarmos a lhe dar um ataque no 
corao contanto nossos planos?   Mas no foi Roy que entrou 
atrs de Jeanne na ensolarada sala de almoo, e sim Alexei. Dale 
reconheceu-o de imediato, mas Bianca que nunca o vira, passou a olhar, 
confusa, do rosto plido de Hope para o do noivo.    Conde 
Alexei.  Dale exclamou.   A resposta de Alexei foi igualmente 
breve.    Hope, eu gostaria de falar com voc.
   O que ele 
pode querer me dizer?, Hope perguntou-se, agoniada. A menos que fosse 
inteno dele deixar claro que a noite anterior fora uma dessas 
coisas que acontecem, e que no deveriam dar ao ocorrido uma 
importncia que no tinha.    Acho que no temos mais nada a 
nos dizer, Alexei  Hope conseguiu pronunciar, com aparente calma.  
Espero que a sua dor de cabea tenha passado, embora ainda no 
acredite que conhaque e aquelas plulas que voc tomou sejam uma 
combinao saudvel.   Pronto, isso o deixaria livre. No 
poderia insinuar, de forma mais clara, que no o considerava 
responsvel pelo comportamento to pouco caracterstico que 
apresentara na noite anterior.   Para sua surpresa, no entanto, 
Alexei apertou os lbios numa linha fina, olhando com ar impaciente, 
quase arrogante, para Dale.    Dale, acho que o conde quer falar 
com Hope em particular.  Bianca murmurou hesitante, percebendo o leve 
gesto negativo de Hope tarde demais.Niko, como que sentindo a 
atmosfera tensa envolvendo os adultos, moveu-se no carrinho, lanando 
um grito de protesto e estendendo os braos para Bianca. Hope viu 
Alexei seguir o movimento e o sangue comeou a latejar em seus 
ouvidos.    Ah, Niko, quietinho!  Bianca levantou-o do 
carrinho, numa reao rpida.Hope estremecia da cabea aos 
ps, apavorada com o que poderia ter acontecido, se tivesse seguido 
seu instinto e pegado o beb.   Seria possvel que Alexei 
percebesse a semelhana entre ele e o menino?Preparando-se para o 
pior, Hope fitou-o e viu que ele estudava Niko, com uma expresso 
atenta nos olhos verdes.    Hope...    Por favor, Alexei. 
 Quase se descontrolou, ao dizer essas palavras.  V embora... 
No quero falar sobre isso.
   Lgrimas subiram-lhe aos olhos. 
Como pudera ele aparecer na villa daquele modo, s para humilh-la? 
Na certa sabia que no iria embara-lo, interpretando de forma 
errada o que o motivara, na noite anterior. Ele a desejava, era verdade. 
Mas era s desejo o que sentia por ela, alm de, naturalmente, uma 
certa dose de culpa.    Por favor, Alexei, v embora.  Hope 
se levantou, empurrando a cadeira com mos tremulas e quase correndo 
at a porta.  Ns dois no temos nada a nos dizer e... e 
eu...    `melhor o senhor ir embora.  Dale falou num tom de 
voz calmo, mas firme.Hope, aliviada por v-lo tomar as rdeas da 
situao, fugiu para seu quarto, enxugando as lgrimas enquanto 
fechava a porta atrs de si.
   Ao afundar o corpo trmulo numa 
poltrona, ela percebeu que prendia a respirao,  espera de ouvir 
o carro de Alexei partindo. E, quando ouviu, no pde conter um 
suspiro de alvio.    Hope  Bianca chamou hesitante, batendo 
de leve na porta.  Hope, querida, voc est bem? Posso entrar? 
   A porta no est trancada, Bianca  respondeu com 
desnimo, interpretando corretamente a expresso incerta da amiga 
quando ela entrou, ainda com Niko nos braos.  Est tudo bem, eu 
no vou chorar. Di muito, para isso.    Foi com Alexei que 
voc esteve, ontem  noite?   Bianca sentou-se na beirada da 
coma, pondo Niko no cho, onde ele comeou a engatinhar, agarrando 
os babados da colcha, num esforo para ficar em p.    Soltando a 
mozinha dele do tecido Hope confirmou com um gesto de cabea.   
 Ns nos encontramos por acaso, num bar. Acho que o que aconteceu 
depois foi inevitvel, tendo em vista o estado em que ele se 
encontrava e o que sinto...     Sua garganta se contraiu de dor.   
 Ele estava ansioso para falar com voc.    S para se 
certificar de que eu no tivesse dando uma importncia maior do que 
devo ao que aconteceu ontem  noite. No, Bianca  Balanou a 
cabea, adivinhando o que a amiga estava a ponto de dizer.  `
melhor que eu encare a verdade agora. Alexei no me ama e nunca vai me 
amar.    Mas ele quer voc. Ele quer, Hope! Dale e eu temos 
certeza disso.  Bianca fez uma ligeira pausa, depois prosseguiu:  
Ele me perguntou de Niko. No, no!   acrescentou depressa, ao 
ver a expresso amedrontada de Hope. Ele no adivinhou nada. S me 
perguntou qual era o nome dele.
   -E o que voc respondeu?  Com 
a boca seca, Hope lembrou-se de que contara a Alexei que Niko era o nome 
do outro homem em sua vida.    S Niko. Ele me olhou de um jeito 
estranho, depois disse que Niko era uma criana muito bonita. Fiquei 
com a impresso de que o seu Alexei teria vindo at aqui e forado 
voc a ouvi-lo, se no fosse Dale. Ele ainda acredita que voc e 
Dale so amantes?    Acho que sim. Deve acreditar, porque ele me 
preveniu contra voc.  Hope riu, um riso baixo e sem humor.   
 Hope, no quero preocup-la, mas Dale e eu estamos pensando em 
nos casar assim que pudermos. Por mais discreta que seja a cerimnia, 
vai chamar ateno e, como voc acha que Alexei vai reagir?   
 Ele na certa nem estar mais em Cannes, quando vocs se casarem 
 Hope replicou, recusando-se a pensar nas conseqncias daquele 
casamento.   Afinal, que diferena faria se Alexei ficasse sabendo 
que mentira? Ele s dera ao trabalho de procur-la, aquela manh, 
para ter certeza de que ela entendia bem a situao.    Ele me 
contou que est pensando em se casar  ouviu-se dizer de repente, 
com a voz tremula de dor.  Acha que precisa ter um filho... um 
herdeiro para o ttulo e os vinhedos da famlia.   Ento, para 
seu horror, estava chorando, o corpo sacudido por soluos violentos e 
profundos, que levaram Bianca a abra-la, cheia de pena, enquanto 
murmurava palavras de consolo em seus ouvidos.
   -Quer comer alguma 
coisa, Hope?   A noite cara, enquanto dormia. Sua cabea ainda 
latejava em conseqncia do descontrole emocional, que a assolara 
como uma tempestade, deixando-a exausta e vazia, mas nem por isso 
diminuiu sua dor.    Que horas so?  Lanou um olhar para o 
relgio de pulso. Nove e pouco.  Quero... Quero sim. Olhe, eu vou 
me levantar. Voc e Dale devem sair para celebrar. E sozinho.  
Pegou o roupo, deslizando para fora da cama.  Nem sei o que voc 
est pensando de mim, Bianca, estragando o seu grande dia com um 
papelo desses.    Imagine, voc no estragou nada, querida. 
Eu s gostaria que sua histria tambm tivesse um final feliz. 
Voc quer mesmo se levantar.     Quero, sim  Hope garantiu, 
com mais firmeza do que na verdade sentia.Seria to fcil  
inrcia que ameaava invadi-la, deitar-se na cama e ingressar num 
mundo de faz-de-conta, onde no havia dor, passado ou futuro. Mas 
tinha que pensar em Niko, e, pelo bem dele, era preciso ser forte.   
 Agora v se embonecar, que Dale deve estar louco para exibi-la por 
ai.Pelo modo como Bianca corou, Hope percebeu que era isso mesmo. Ela 
jamais teria coragem de magoar a amiga confessando-lhe, mas a verdade 
foi que ficou contente quando eles saram. A aura de felicidade que 
envolve duas pessoas apaixonadas estava lhe fazendo mal e at causando 
inveja.
   Foi s quando eles se foram que Jeanne veio da cozinha, 
com um enorme buqu de flores nas mos.    Para a senhora  
ela disse a Hope, olhando as flores com admirao  Chegaram 
quando estava descansando. Posso pr no seu quarto?   Havia um 
carto com elas, e Hope teve a impresso de que seus dedos queimavam 
enquanto estudava a escrita familiar de Alexei. Relutou em abrir o 
envelope e ver o que continha, com medo de liberar as emoes 
abafadas em seu intimo.   A nota era breve, mas mesmo assim fez o 
sangue subir a seu rosto.   Obrigado por ontem  noite. Voc 
foi muito generosa. Peo desculpas se minha presena a embaraou, 
esta manh. Voc deve lembrar a seu amante de que o que  bom para 
um. Tambm  bom para o outro.   Significava que Dale no 
tinha o direito de achar ruim que arranjasse outros amantes, j que 
ele, segundo Alexei pensava, achava-se envolvido tanto com ela como com 
Bianca.   Com um estremecimento de repulsa que surpreendeu a criada, 
Hope empurrou o buqu para longe, doente pelo fato de Alexei achar que 
podia se comportar daquela maneira. Ele reduzia o ato de amor entre duas 
pessoas a um jogo casual, com pontos perdidos ou ganhos,  custa um do 
outro.
   Para seu alvio, Hope no teve mais notcias de 
Alexei, embora uma noite o visse no bar do Carlton. Estava de braos 
dados com uma morena belssima, que usava um vestido bastante 
audacioso.    Aquela  Carla Pervali  Bianca sussurrou em seu 
ouvido.  `uma italiana famosa pelas roupas que desenha, alm de 
fazer parte da alta sociedade e ser uma advogada da dolce vita.   O 
filme de Bianca ganhara pelo roteiro, e Bianca recebera outro como 
melhor atriz, o que, como ela mesmo dizia num tom levemente zombeteiro, 
encerrava sua carreira com chave de ouro.   Para Hope, ver Dale e 
Bianca juntos era uma fonte inesgotvel de sofrimento.    
Naturalmente, ela se alegrava por eles terem, afinal confessado o que 
sentiam um pelo outro, mas era difcil ser a terceira pessoa do grupo, 
quando os dois insistiam para que os acompanhasse a algum lugar. 
Pensando neles e em si mesma, j havia dito que voltaria para casa 
assim que eles se cassassem, deixando-os com a villa s para si.   
 No  preciso  Dale tornou a afirmar, quando ela mencionou de 
novo essa idia.  Alm disso, eu j sei onde vamos passar nossa 
curtssima lua-de-mel.    Onde?  Bianca quis saber, 
levantando os olhos da revista com modelos de vestidos de noivas, que 
estivera estudando.   A principio, ela hesitara quando Dale lhe 
dissera que queria que se cassasse de branco, pois os dois j eram 
amantes desde a noite em que Hope passara com Alexei. Mas Dale no 
perdera tempo em lembr-la de que era seu primeiro amante, e o 
ltimo, conforme acrescentara logo em seguida.    Na villa em 
que meu pai nasceu, cara. `um lugarzinho muito calmo, pouco 
civilizado...    Talvez nosso primeiro filho seja concebido l 
 Bianca murmurou com voz sonhadora, sorrindo para ele.  Isso vai 
reforar a herana italiana do garoto.
   -Ento  assim?  
Dale brincou.  Voc j resolveu que vamos ter um garoto, sem nem 
pedir a minha opinio? J pensou que eu posso preferir uma menina, 
igualzinha  me dela?   Como Bianca predissera, apesar de 
eles planejarem um casamento discreto, a notcia se espalhou e uma 
verdadeira multido j estava reunida diante da igreja quando ela 
l chegou. Dale conseguira permisso para se casarem na Frana, e 
no apenas no civil.    `que quero fazer meus votos  Hope 
ouvira-o dizer a Bianca.  Aqui, onde o nosso amor se consumou.   
 E agora, entrando com Bianca na velha igreja, Hope no pde 
deixar de sentir um n na garganta, causado pela certeza de que jamais 
teria essa felicidade.   Como nica dama de honra de Bianca, Hope 
seguiu-a pela nave da igreja, surpreendendo o olhar de adorao no 
rosto de Dale, quando ele se virou e viu a noiva se aproximando. Junto 
dele estava Roy, que serviria de padrinho.    Sendo agente de 
Bianca, no sei como voc ainda no exigiu dez por cento para 
participar da cerimnia  Dale brincara, ao dar a noticia de seu 
casamento a Roy.   Mas Roy, na poca, estava muito deprimido com a 
deciso de Bianca de abandonar a carreira, para prestar ateno ao 
que lhe diziam.   A cerimnia foi simples, mas muito bonita, com o 
aroma das flores enfeitavam a igreja espalhando-se por todo o ambiente. 
Na sada, seguindo Bianca, Hope teve certeza de que jamais se 
esqueceria daquele dia. At o fim de sua vida, ele serviria para 
lembr-la da diferena que existe entre o amor e o desejo de um 
homem.   Contrariando a vontade de Bianca, Dale insistira para dar 
uma recepo no Carlton.
   -Vai nos poupar muito trabalho depois 
 ele argumentara.  Do jeito que as coisas esto, a imprensa de 
Hollywood na certa dir que os tramos. E aposto que ningum vai 
perceber se sairmos mais cedo, no meio da confuso.   Foi como ele 
dissera. Os convidados, embalados pelo vinho e a comida excelente, 
responderam com entusiasmo aos brindes. Bianca, com a aparncia que 
toda noiva deveria ter, permaneceu calma e sorridente, enquanto os 
flashes explodiam diante dela.    Isto vai estar na primeira 
pgina de todos os jornais, daqui at Los Angeles  Hope ouviu um 
dos reprteres dizer ao outro.   Momentos depois, ela ajudava 
Bianca a se retirar discretamente para o quarto onde deveria se trocar, 
colocando uma roupa mais apropriada para a viagem.    Dale tem um 
carro  nossa espera l fora. Vamos usar a sada de servio. 
Parece to dramtico, no acha?  Virando-se para a amiga, 
Bianca abraou-a com emoo.  Ah, Hope, nem sei como lhe 
agradecer o que fez por ns! Dale contou tudo, como voc lhe disse 
que eu o amava, como...  Interrompeu-se, incapaz de continuar.   
 Eu tive um pouco de medo  Hope admitiu, contente por Dale no 
ter mantido em segredo a conversa daquele dia, no vale.  Mas eu 
estava to certa de que ele a amava, que resolvi me arriscas.    
Ainda bem  Dale anunciou, entrando no quarto. Ele trazia na mo uma 
caixa de jia, que entregou a Hope.  Para voc, Hope, de ns 
dois. Pronta, sra. Lawrence?  perguntou a Bianca, passando-lhe o 
brao pelos ombros.  Porque eu a aviso, se no...   A 
exclamao atnita de prazer que Hope soltou, ao ver os lindos 
brincos de safira e brilhante, interrompeu o aviso de Dale.    Ah, 
Dale, Bianca!  ela protestou.  Mas isso  demais! Vocs no 
deveriam...
-deveramos, sim  Bianca replicou com firmeza.  
Por favor, Hope, aceite-os. No h dinheiro no mundo que possa pagar 
o que fez por ns. Voc  nossa melhor amiga, e no pense que 
vai escapar de ns, quando estiver morando no vale. Dale est 
pensando seriamente em largar de produzir filmes. O pai dele j no 
 jovem, mais ainda quer expandir o vinhedo, comprar mais terras. Com 
a ajuda de Dale, poder fazer isso. E eu no quero que meus filhos 
cresam num ambiente como o de Hollywood. S gostaria de saber se 
tambm, vou acabar passando a noite com um estranho simptico, 
quando formos procurar casa  ela brincou com o marido, 
arrependendo-se de imediato ao ver Hope empalidecer.  Ah, Hope, 
desculpe... eu...    No foi nada. Eu  que estou sendo tola. 
No posso passar o resto da vida sofrendo como uma herona de 
antiguidade, cada vez que alguma coisa me fizer lembrar de Alexei.  
Hope deu um passo para a frente, beijando primeiro Bianca, depois Dale. 
 `melhor vocs irem, antes que a imprensa descubra o que esto 
planejando.   No fundo, Hope sentia-se feliz por terem que partir. 
Estava ficando cada vez mais difcil testemunhar a felicidade e o amor 
que os envolvia, com sua aura inconfundvel.   A villa pareceu-lhe 
completamente deserta sem Dale e Bianca, e, para piorar tudo, ela foi 
tomada por aquela depresso que tantas vezes acomete uma 
pessoas,quando a confuso e o furor de uma comemorao acaba. Niko 
dormia em sua caminha, e, depois de tentar vrias vezes prender-se no 
livro que pegara diante do marchand de tabac local, Hope deixou-o de 
lado e ps-se a vagar pelo elegante cmodo em que estava.   O som 
inesperado da campainha, irritando seus nervos que j estavam  flor 
da pele, foi realmente uma surpresa. Como dera a noite de folga a 
Jeanne, encaminhou-se vagarosamente para o hall, quase certa de que 
encontraria um reprter mais insistente que os outros, decidido a 
conseguir uma histria exclusiva.
   -Hope, ento voc 
est mesmo aqui!   A voz amarga de Alexei, mais a surpresa da 
visita, interromperam abruptamente os movimentos de sua mo, na 
corrente de segurana.    Alexei o que...!    Eu vi as 
fotos e a reportagem sobre o casamento nos jornais da tarde e achei que 
voc poderia estar precisando de companhia. Posso entrar?   Mas ele 
j estava dentro, e no havia muito que ela pudesse fazer a 
respeito.   Eu tenho culpa disso, Hope?  Estendo a mo, 
Alexei envolveu seu queixo com os dedos fortes, forando-a a levantar 
a cabea para que pudesse examinar sua expresso. Por um instante, 
Hope chegou a pensar que ele queria saber se tinha culpa pela palidez de 
sua pele e da dor que via com tanta freqncia em seus olhos. Mas 
percebeu seu erro quanto o ouviu continuar, quase com ferocidade:   
 Se eu soubesse que minha visita daria nisso, nunca teria vindo at 
aqui, aquela manh. Foi por isso que ele se casou com ela, Hope? Para 
castigar voc, por ter ficado comigo?    Alexei!   Deus do 
cu, o que poderia dizer a ele?    Ou ele se casou porque Bianca 
 uma grande estrela? Porque sabe que, sem ela, aquela srie vai dar 
em nada? Ela o forou a escolher entre vocs duas, Hope?    
No,  nada disso, Alexei!  Sua voz tinha um tom trmulo e 
incerto, mas Hope sentiu impelida a lhe dizer a verdade.  Eles se 
amam... Dale ama Bianca, foi por isso que ele se casou com ela.
   
Ento, para seu horror, lgrimas inundaram seus olhos e comearam 
a escorrer-lhe pelas faces. Tentou cont-las, mas Alexei foi mais 
rpido, tirando um leno do bolso e enxugando-lhe o o rosto, com 
gestos firmes mas delicados.    Pequena, ele no merece isso. 
Nenhum homem merece tanta dor.  Com a ponta dos dedos, 
acariciando-lhe o queixo, erguendo-os em seguida para pegar outra gota 
brilhante, que escapava por entre os clios.  Hope, por favor. 
No faa isso, pequena. No suporto ver voc chorar.   Alexei 
envolveu-a nos braos e Hope submeteu-se docilmente ao desejo de seu 
corao, que lhe pedia para aceitar o conforto que ele lhe oferecia, 
mesmo estando enganando a respeito do motivo de sua angstia. Os dedos 
fortes desciam por sua face, levantando-lhe o queixo, para que seus 
olhares pudessem se encontrar. Um palavro spero escapou-lhe dos 
lbios, quando ele viu mais lgrimas descendo por seu rosto, e ela 
estremeceu ao perceber a intensidade da zanga contida naquela 
exclamao.    Mon Dieu, sempre pensei que fosse um homem 
civilizado, mas eu seria capaz de mat-lo por isso! Ser que ele 
no fazia idia do que jogou fora? Ser que no v o quanto 
voc  especial? No entendo como pde preferir aquela 
feiticeira ruiva!   Estranhas palavras para um homem que lhe dera as 
costas com tanta facilidade, Hope refletiu, atordoada e tremendo de 
emoo, enquanto Alexei inclinava a cabea em direo  sua. 
Como gostaria de erguer os braos e enterrar as mos nos cabelos 
espessos e escuros, to perto dos seus, sentir o calor dos lbios 
dele roando sua pele, tocando suas plpebras midas, enquanto ele 
abraava com a mesma ternura da primeira vez que tinham feito amor.
 
  -No, no se afaste de mim  ouviu-o murmurar, quando, cedendo 
 cautela, tentou conter suas emoes exacerbadas  Ns temos 
um lao muito especial que nos une. Mesmo que voc no queira 
reconhecer, o que partilhamos nos liga de um modo que poucas pessoas 
conhecem. Nunca mostrei tanto do que penso e sinto a algum, como a 
voc. Voc se sacrificou por mim, quando disse a sir Henry que 
ramos amantes, e isso  algo que jamais poderei esquecer. Deixe-me 
ajud-la agora, Hope, como me ajudou naquele momento. No tente me 
afastar de voc. Eu entendo o que est sentindo... Tambm 
conheo a agonia de um amor no correspondido.   Alexei ergueu a 
cabea, e por um instante Hope viu uma expresso cheia de dor e 
amargura nos olhos dele, que teve vontade de matar lise por no o 
amar mais do que  fortuna que herdara do marido.    No  
vergonha partilhar sua dor comigo, Hope. E eu quero ajud-la.   Sem 
saber como, Hope se viu no sof, com o rosto enterrado nos ombros de 
Alexei, encontrando o calor e conforto no bater do corao dele, sob 
a palma de sua mo. Um corao que parecia bater bem mais depressa 
do que se lembrava... A menos, naturalmente, que j reagiam quela 
proximidade agoniante.    Eu no sabia ao certo se a encontraria 
aqui  Alexei comento, puxando-a de encontro ao corpo, com uma das 
mos, e acariciando-lhe os cabelos, com a outra.    Achou que eu 
sairia por ai, tentando afogar minhas mgoas?  ela replicou, 
lembrando-se do hlito cheirando a conhaque e da expresso sombria 
que vira nos olhos dele, na noite em que o encontrara no bar de 
Gaston.
   -Est me censurando, pequena? Eu no estava bbado, 
aquela noite. Tinha bebido alguma coisa,  verdade, mas no tanto 
quanto voc achou. Foi por causa do que aconteceu entre ns que ele 
se casou com Bianca.    No de todo.   Tinha que ser 
cautelosa. Gostaria de lhe contar a verdade, abaixar a guarda e 
confessar seu amor, mas em que bem isso resultaria? Na certa s 
serviria para embara-lo e humilh-lo. Alexei viera como amigo, e 
havia uma certa satisfao em saber que ele a considerava o bastante 
para vir lhe oferecer conforto. E, afinal, era verdade que sua 
ausncia, aquela noite, ajudara a fortificar o novo relacionamento 
entre Dale e Bianca.    Eu nunca deveria ter vindo at aqui 
aquele dia, mas, quando acordei e no encontrei voc, fiquei 
preocupado. No era minha inteno que aquilo acontecesse, mas, 
honestamente, no posso dizer que lamento.    Dale teria se 
casado com Bianca de qualquer jeito. Aquilo no fez a menor 
diferena, e voc no tem motivos para se sentir culpado, 
Alexei.   Ele descera a mo por seus cabelos e agora acariciava-lhe 
a nuca, num movimento quase hipntico, induzindo-a a uma deliciosa 
letargia e a uma vontade louca de esticar o corpo junto ao dele.   
 Hope, voc  capaz de imaginar o que sinto, tento voc em meus 
braos?   A voz de Alexei soou diferente, e o modo como ele a 
acariciava deixou do dar conforto para se tornar excitante. Com as 
emoes  flor da pele, seria impossvel Hope no sentir a 
tenso que tomara conta dele.
   -Preciso ir, ma belle. No sei o 
que voc tem, que acaba com minha resoluo mais firmes, Hope... 
 Ele colou a boca  palma da mo que ela levantou para 
silenci-lo, usando os movimento da lngua para quebrar-lhe as 
defesas e transformar o desejo, que a dominava, numa emoo violenta 
e avassaladora.  No me olhe assim, Hope. Tenho que ir, antes que 
me esquea do que vim para c como amigo.    No v, 
Alexei. Eu quero que voc fique...   Os olhos verdes procuraram o 
dela.    Tem certeza? Entende o que est dizendo? Porque se ei 
ficar...   Se ele ficasse seria como seu amante. Mas Hope no se 
importava mais com o fato de apenas o desejo motiv-lo, pois naquela 
noite era suficiente que ele a desejasse. Teria o dia seguinte, e todos 
os outro dias para lamentar.    Nunca pensei que desceria to 
baixo a ponto de permitir que me usasse para substituir outro homem  
Alexei murmurou roucamente, virando-se e puxando a mo dela para seu 
peito.  Sinta como meu corao bate, ma petite. Voc  um 
perigo para minha sade.  comentou, voltando por um breve momento a 
seu antigo humor sardnico. No  bom que meu corao bata 
desse jeito.    Alexei...    Os lbios dele estavam sobre 
os seus, a lngua movendo-se pelos contornos de sua boca, fazendo com 
que se arrepiasse da cabea aos ps.    Alexei... Faa amor 
comigo. Alexei.   Com os olhos escuros de paixo, Alexei se moveu 
para ela, esmagando-a de encontro ao sof, como se seu pedido tivesse 
despertado nele uma necessidade feroz e elementar. O vestido de seda 
deslizou por seu corpo, quando ele puxou o zper, examinando cada 
centmetro de sua pele com inegvel ardor.
   -Eles esto mais 
cheios  ouviu-o murmurar, tocando seus seios de leve, antes de tirar 
o suti e envolv-los com ambas as mo.  E aqui, voc est 
mais fina.     Desceu as mos para os quadris, traando o 
contorno dos ossos frgeis.  Pensei que cada centmetro do seu 
corpo estivesse gravado em minha memria, mas da ltima vez achei-a 
diferente. Vai me considerar muito tolo, se eu lhe disser que no 
suporto a idia de outro homem tocando voc? Foi por isso que fique 
zangado aquele dia, na ilha. No agentei pensar em voc se dando 
para aquele... garoto.  Por entre dentes, Alexei soltou uma 
exclamao curta e explosiva, admitindo, em seguida, com os olhos no 
dela.  Fiquei com cimes.    Mas voc no tinha...   
Motivos, ela estava pensando em dizer. Mas ele no lhe deu 
tempo, continuando:    ... O direito? Eu sei, Hope, mas foi o que 
senti. Eu sabia que no tinha o direito de me sentir assim, que...  
 Mas Hope no queria ouvi-lo explicar de novo a responsabilidade, a 
culpa que sentia em relao a ela. Se Alexei no podia lhe dizer 
que a amava, preferia que ficasse calado. E foi com um gesto rpido 
que lhe desabotoou a camisa, estremecendo ao espalmar as mos sobre a 
pele morena e to familiar, enquanto pedia num tom baixo e incerto: 
   No fale sobre isso, Alexei. Eu s quero que faa amor 
comigo...    Por um instante, pensou ver angstia nos olhos 
dele, mas foi uma impresso fugida. Logo, Alexei fechava a boca firme 
sobre a sua, os dedos enterrando-se em seus ombros, enquanto alimentava, 
deliberadamente, a necessidade que o consumia. Livrando-se das roupas, 
ajoelhou-se ao seu lado, deslizando as mos pelas plantas de seus 
ps numa carcia demorada, que no tardou a repetir com a 
lngua.
   -Assim, Hope? `assim que quer que eu a toque? 
   As 
palavras sussurradas fizeram-na estremecer, e seu corpo reagiu de 
imediato ao toque de Alexei, que sabia como lhe dar prazer, parando, de 
vez em quando, apenas para provoc-la. Hope retribua, acariciando-o 
tambm, e a brincadeira entre eles se tornou mais ardente, quando 
conseguiu alcanar-lhe as coxas. Incapaz de se controlar, Alexei tomou 
seus seios na mo, tocando as formas arredondadas, reativando com a 
lngua, o desejo enlouquecedor do passado, que ainda no se apagara 
de sua memria. To perdida em suas prprias emoes, ela nem 
ouviu soltar uma exclamao de prazer, antes de se pr a acariciar 
um de seus mamilos rijos com o polegar, enquanto envolvia o outro com a 
boca.   Alexei acariciou todo o seu corpo, fazendo arder cada 
centmetro que tocava, e ela o imitou, enchendo-se de prazer ao ver 
como ele reagia s suas caricias. Mudamente, implorou que ele a 
possusse, tocando-o e beijando-o com uma vontade to grande, que 
corria o risco de revelar exatamente o que sentia. O simples roar de 
seus dedos sobre a pele masculina, seguido pela caricia demorada de sues 
lbios, era quase uma ato de adorao. E Alexei respondia de uma 
forma to desinibida, com estremecimentos de prazer to intensos, 
que se sentiu encorajada a maiores intimidades. Sua recompensa foi 
v-lo ceder totalmente ao desejo que o assolava, cobrindo-a com o 
corpo porejado de suor e pronunciando seu nome com uma urgncia que 
aumentou ainda mais sua excitao.   Foi ele o primeiro a ouvir 
Niko, e enrijeceu em seus braos, enquanto perguntava com voz dura: 
   O que  isso?   Prestando ateno, ela captou o choro do 
filho. Pobre Niko, devia estar como fome. Como pudera se esquecer 
dele?    `Niko, ele deve estar com fome.
   -Niko? Ento 
eles deixaram voc aqui, com aquela criana? Mas o que deu em 
voc, Hope? Pensei que tivesse um pouco mais de amor-prprio. No 
liga a mnima para si mesma? Seu amante se casa com outra mulher e ela 
deixa o filho, para que voc tome conta. `ele o pai? Foi por isso 
que eles se casaram?    No  Hope respondeu sem mentir, 
abismada com a zanga nos olhos dele. Era to doloroso ouvi-lo falar 
daquele modo a seu respeito.  Ao contrario do que voc faria, no 
acredito que Dale se casasse apenas por uma criana.   O 
comentrio o atingiu, mas a dor repercutiu nela tambm, que reagiu 
dizendo num tom agressivo:    Aquela mulher que vi com voc, no 
bar do Carlton,  uma candidatas a mo do seu filho?    E se 
for?   Os olhos verdes tinham agora uma expresso reservada, 
distante, que a avisavam para no se intrometer demais, e Hope apertou 
os lbios.    Com licena, tenho que ir buscar Niko. Voc 
sabe onde fica a porta. Sinto que no tenha conseguido o que veio 
buscar. Qual  o problema, Alexei? Carla est se guardando at 
conseguir a aliana de casamento? Foi por isso que veio atrs de 
mim?   Hope atacava com selvageria agora, ferindo-se mais do que a 
ele, impelida s Deus sabia por que tolice a insistir, at se ver 
arrasada pela rejeio que surpreendeu nos olhos dele, sombrios e 
reservados.   Ento, sem esperar por uma resposta, ajeitou-se e 
subiu as escadas correndo. Refugiando-se no quarto, tentando acalmar 
Niko, que chorava de dar d. Ele estava com o rostinho inchado, por 
causa de um novo dente nascendo e, como sempre, cheia de amor por seu 
filho, ela o levou para baixo, segurando-o com carinho junto a si.
   
Ver Alexei em p no meio da sala, com as calas escuras moldando-lhe 
as pernas compridas, a camisa aberta no pescoo revelando os plos 
que lhe cobriam o peito, e uma expresso indecifrvel no rosto, 
deixou-a pasma.    Ento, este  o outro homem na sua vida. O 
Niko que voc me disse que amava.   Ele se lembrava!    `
sim  admitiu, sem perceber a atitude protetora que assumira em 
relao ao filho, apertando-o ainda mais nos braos.    `
assim que pretende passar o resto da sua vida, Hope? Amando o marido e o 
filho de outra mulher? Porque voc o ama, no ?    Muito. 
 Olhando o rostinho corado de Niko, ela o tocou com a ponta do dele, 
num gesto carinhoso e gentil.    Voc deveria ter seus 
filhos.   Os olhos de Alexei escureceram ainda mais, e, por um 
momento, Hope foi sacudida por um violento tremor. Mas logo em seguida 
ele girou nos calcanhares, pegando o casaco e caminhando para a porta da 
frente.   Ela no tentou det-lo. Qual seria a vantagem? No 
poderiam voltar quele instante, antes que Niko os perturbasse, e era 
melhor assim, disse a si mesma, enquanto fechava a porta atrs dele. 
Passara alguns momentos sob o domnio de um estranho tipo de loucura, 
mas agora acabara, conseguiria recuperar a sanidade. Ainda tinha seu 
orgulho e auto-respeito intactos, ento por que estaca chorando de dor 
e tristeza por tudo que no tinha?

   -Hope, esto tudo to 
lindo! Parece impossvel que voc tenha conseguido tanto, em to 
pouco tempo. Espere s at ver o que temos a fazer!Hope viu dale 
e Bianca trocarem um olhar amoroso, por cima de sua cabea. Fazia 
trs meses que haviam deixando Cannes, trs meses durante os quais 
Hope concentrara toda a sua energia na nova casa, numa vida sossegada ao 
lado de Niko, observando-o crescer. Ele agora engatinhava com mais 
desenvoltura e aproveitava todos os momentos em que a no virava as 
costas para desaparecer da vista dela, movimentando o corpinho firme e 
rolio com uma velocidade que a espantava.    Pelo menos vocs 
conseguiram encontrar um lugar, sem entrar com um pedido de divrcio 
 ela comentou, sorrindo.   Dale e Bianca tinham tido inmeras 
discusses acaloradas sobre o tipo de casa que queriam, antes de, 
afinal, conseguirem se decidir por uma.    Hum... Como ficou boa 
esta foto de vocs!  Dale exclamou, virando a revista que folheava, 
para mostrar a Hope e Bianca a foto a que se referia.Hope fora 
convidada para participar de um artigo sobre pessoas que trabalhavam em 
comerciais e, depois de obter a permisso de Roy e Helen, acabara 
concordando, se bem que com uma certa relutncia. A foto acompanhando 
o artigo realmente ficara boa, pois os fotgrafo conseguira 
surpreender em seu rosto uma expresso cheia de amor e ternura, 
enquanto olhava para Niko que, de seu colo, retribua o olhar.   
 Quem v pensa que ele  um anjo cado do cu!  Bianca 
riu, fitando o anjo com desconfiana, quando ele se ps a 
caminhar para ela com ar decidido, sorrindo.  Ele cresceu tanto, 
Hope! E esto parecido com...   Captando o olhar de aviso do 
marido. Bianca interrompeu-se abruptamente, mas j era tarde.    
Com Alexei  Hope completou, sorrindo de leve.  Cada dia mais, eu 
acho, principalmente agora que est com tanto cabelo.   Vendo um 
brilho de tristeza nos olhos dela, Dale mudou depressa de assunto.
   
-Roy me contou que Helen est encantada com o novo comercial de 
vocs. Ele vai ser lanado logo, no ?  Com a conversa num 
terreno mais seguro, ele se ps a falar dos planos que fizera para o 
futuro, com Bianca.  A srie termina no ms que vem. Quando a 
segunda parte comea, Bianca j no estar participando. Creia 
que ela vai encontrar o fim que merece uma divorciada to linda e 
calculista.  Ele sorriu para a esposa.  E da em diante estar 
a minha merc, completamente dependente da minha vontade.    
Isto  o que voc pensa!  Bianca reagiu de imediato.  O pai de 
Dale comprou mais algumas terras, e parece que no vou ver meu marido 
tanto quanto pensava, at a primeira colheita do novo vinhedo. Todos 
os dias ele somo no meio das parreiras...    Mas volto todas as 
noites!    E cai na cama, morto de cansao!   Quando Dale 
saiu para dar uma olhada numa calha com vazamento, que Hope descobrira a 
ltima chuva, Bianca perguntou:    Teve notcia de Alexei? 
Dale no queria que eu tocasse nisso, mas estou preocupada com voc. 
Meu bem. Anda to plida e abatida! No acha que deveria escrever 
para ele, contando a verdade? Eu sei que voc o ama e entendo suas 
dvidas, j que, como fiz, ele se sentiria obrigado a se casar, se 
ficasse sabendo de Niko. Mas Hope... tem certeza de que isso seria pior 
que a situao atual? Voc no  do tipo de mulher que aceita 
substitutos, o que significa que Niko crescer sem a presena de uma 
figura paterna. E voc tem que pensar que ele  filho de 
Alexei. Como acha que ele se sentir daqui a alguns anos, quando 
quiser saber do pai e voc lhe disser que Alexei se casou com outra 
mulher, para ter um herdeiro?
   Ser possvel que Bianca ache 
que ainda no pensei em todas essas coisas?,   Hope refletiu com 
rebeldia, quando os amigos partiram. J passara por uma verdadeira 
agonia, pensando no futuro do filho. Estava sendo egosta? Estaria 
prejudicando Niko com seu orgulho, sua teimosia, e medo de que Alexei se 
aproveitasse de seu amor para conseguir o filho, quando soubesse da 
verdade?   Do ponto de vista maternal, Niko no tinha nem nunca teria 
falta de nada. Mas estava lhe negando uma parte importante da herana 
a que tinha direito. Ele era filho de Alexei, e to parecido com o 
pai, que j comeara a achar que herdara dele o turbulento 
temperamento russo e francs, em do seu, ingls e bem mais calmo. 
  Hope percorreu com passos tensos a sala que havia decorado com tanto 
amor e carinho, mal vendo o sof e as cortinas em tons de marrom, o 
elegante tapete creme e a enorme lareira que insistira em conservar, 
pensando no calor que proporcionaria quando a temperatura casse. Sua 
mente estava presa  lembrana da ltima vez em que vira Alexei, e 
teve e impresso de sentir novamente a pele dele sob os dedos, o que 
fez o desejo renascer em seu ntimo.    Alexei a queria, quanto a 
isso no tinha dvidas. E sai firmeza de carter o levaria a 
casar-se com ela e mant-la ao lado dele, se achasse que um casamento 
entre ambos era a melhor soluo. Mas no sem amor, seu 
corao sofrido protestou. Sem amor, no.
   Dois dias depois, 
quando arrumava a sala, Hope encontrou a revista que vira  Dale 
folheando e abriu-a, procurando sua foto com Niko. O fotografo ficara 
to contente com o prprio trabalho que insistira em lhe dar uma 
cpia, num porta-retratos. Segundo ele, o trabalho do estdio que 
dirigia aumentaria muito, quando as mes de Beverly Hills vissem 
aquela foto. A expresso que ele classificava de olhar de madona 
estava em seus olhos, enquanto fitava Niko, e ela sorriu, relembrando o 
entusiasmo do rapaz. Mas logo franziu a testa, ao ver o recorte no papel 
onde deveria estar a foto de pagina inteira. Com a legenda: Hope e o 
filho, Nikolai Alexander, que aparecem nos comerciais das lojas Baby 
World.   Algum o arrancara, mas quem? Tentou pensar em uma 
pessoa que tivesse motivos para isso, mas acabou desistindo. Afinal, que 
importncia tinha?    Provavelmente Emily Landers, a mocinha que vinha 
ajudar com a limpeza e ocasionalmente tomava conta de Niko, pegara-a 
para mostrar a famlia. Ela gostava de Niko e sempre admirava aquela 
foto.   O telefone tocou e Hope foi atender, esquecendo-se do 
incidente ao ouvir      Bianca explicar por que ligara.    `o 
primeiro jantar que vamos oferecer aos amigos. A casa ainda no est 
terminada, mas estamos com vontade de celebrar. Voc vir, no 
? Roy e alguns amigos de Hollywood viro tambm.    Claro 
que sim.  Desligando, sufocou um leve sentimento de inveja.   
Bianca tivera tanta sorte em se casar com o homem que amava! Um homem 
que, por sua vez, retribua esse amor com paixo.

CAPTULO XV 

    Ento, que tal voc me achou no meu novo papel?   O 
jantar terminara, e Hope ajudava Bianca, na cozinha. Os outros 
convidados j tinham ido, mas Dale e Bianca haviam insistido para que 
ficasse.    Eu diria que confirmou sai fama de grande estrela  
Hope riu.  A comida estava uma delicia.    A mo de Dale tem 
me dado umas aulas. Se algum me dissesse, uma ano atrs, que hoje 
eu estaria como estou, eu no teria acreditado. Mas e voc, Hope? 
Como est?    Vou indo, voc sabe.   Ela forou um 
sorriso, virando-se antes que Bianca pudesse adivinhar o quanto lhe 
custava aparentar alegria e despreocupao. At o nascimento de 
Niko, sua gravidez e o trabalho que realizava para a amiga a tinham 
levado em frente. Agora, no entanto, sobravam-lhe vrias semanas entre 
um comercial e outro, durante as quais tinham tempo para pensar, e 
sempre em Alexei.    O dr. Friedman telefonou, outro dia. 
Perguntou por voc. Ele admira muito, e se voc quisesse...   
Bianca interrompeu-se ao ver Hope menear a cabea, num gesto 
decidido.    Eu gosto dele, Bianca, mas s como amigo.   As 
duas ergueram a cabea, sorrindo, ao ouvirem Dale entrar na 
cozinha.    Voc j contou a Hope?  Ele passou o brao 
pela cintura da esposa, puxando-a de encontro a si, os olhos brilhando 
de amor e orgulho.    Eu... bem...  Vendo o olhar que eles 
trocaram, Hope se sentiu repentinamente excluda, uma estranha 
intrometendo-se num crculo pequeno e exclusivo, que  o circulo do 
amor.
   -Hope... eu... ns... ns vamos ter um filho  Bianca 
conseguiu dizer, sorrindo abertamente.  Foi por isso que procurei o 
dr. Friedman. Dale est parecendo uma criana com um brinquedo 
novo.    Ah, Bianca, fico to contente por vocs!  Hope 
sorriu para os dois, alegre pela notcia. Mas logo em seguida 
passou-lhe pela cabea que seria mais sensato encontrar-se menos com 
eles, dali para frente. Eles faziam parte de um mundo do qual nunca 
participaria, o mundo dos casais e familiares felizes.   Bianca 
aproximou-se para abraar a amiga com afeto.    Tambm quero 
v-la feliz, Hope. Voc no pode continuar desse jeito, se 
acabando por causa de Alexei. Porque voc ainda o ama, no ?   
 Infelizmente, sim, mas isso no significa que eu tenho que me 
desmanchar em lgrimas cada vez que nos encontramos. Eu estou contente 
pelo seu beb.    E vai ser madrinha dele, no ?    
Claro!    Que tal outra xcara de caf, antes de ir?  Dale 
sugeriu por cima do ombro.   Mas Hope fez que no. Queria ficar 
s, para pensar na prpria vida. O que havia com ela, afinal? 
Aparentemente, tinha tudo que desejava. Tinha um filho adorvel e 
sadio, uma bela casa, amigos, um bom emprego e dinheiro no banco.   No 
entanto, isso no bastava, e ela era amadurecida e inteligente demais 
para se iludir com a idia de que encontraria outro homem com que 
partilhar a vida. Aprendera muito sobre si mesma durante o tempo que 
passara com Alexei, e mesmo no tendo tido capacidade para entender, 
naquela poca, sabia agora que era, e sempre seria, mulher de um s 
homem.
   -Para a Frana, Dale?  Surpresa, Hope ergueu os olhos 
para Dale, que estava sentado  mesa de sua cozinha.  Isso  
impossvel! No posso simplesmente largar tudo e ir para l.   
 Voc vai ter que ir  Dale replicou, com calma.  `l que 
Helen quer que seja filmado o novo comercial. Na verdade, ela j dele 
estar a caminho de Paris nesse momento. Voc sabe como ela , com 
essa histria de moblia infantil europia. O que no  de 
admirar, levando-se em conta o preo que cobra.  Ele meneou a 
cabea, sorrindo.  Setecentos dlares por um bercinho, voc 
acredita? Eu disse a Bianca que ela deveria ser folheado a ouro, por 
esse preo.  Inclinando-se, Dale pegou Niko, que lhe sorria 
mostrando as gengivas sem dentes, agarrando a uma das penas de sua 
cala.  E Niko no ficar para trs. Muito pelo contrrio, 
ele ter que ir com voc.    Mas por que para a Frana? 
Dale, no entendo mais nada! Ns sempre filmando os comerciais em 
Los Angeles ou na prpria loja.    Eu no sei, Helen  a 
nica pessoa que pode lhe explicar tudo. Eu s posso dizer que Roy 
me telefonou e pediu para lhe dar a notcia. Ele teve que ir para o 
Mxico, hoje. Parece que est tendo problemas com um astro que 
participava de um comercial que est rodando l, e pode ser que 
demore um pouco para voltar. Helen passa bastante tempo na Frana, 
no ? Talvez ela queria usar a casa de fazendo que comprou como 
cenrio para o prximo comercial. Voc sabe, para dar um ar de 
autenticidade  coisa. E voc tem trs dias para fazer as malas 
e pegar um avio para l.    No consigo entender por que na 
Frana  Hope queixou-se a Bianca mais tarde, naquele mesmo dia, 
quando ela chegou para pegar o marido.  Voc sabe de alguma 
coisa?    No, querida.
   A amiga lhe pareceu pouco a 
vontade. Ela estava realmente tensa e, a toda hora, olhava para o 
marido. Dale, por sua vez, no poderia estar mais descontrado, 
fitando as duas com um brilho terno e divertido no olhar.    No 
h nada para entender, Hope  ele declarou com firmeza.  Voc 
s tem que estar naquele avio. E sabe de uma coisa? Vou lev-la 
at o aeroporto. Sozinha, vai ser muito difcil, para voc, tomar 
conta da bagagem, de Niko, e ainda se concentrar na direo. Mais 
dois meses e ele estar andando.    No duvido  Hope 
concordou, lanando um olhar de orgulho para o filho.  Parece que 
ele est se desenvolvendo mais depressa que a maioria dos bebs.  
  Todas as mes dizem isso  Dale rebateu, com um sorriso 
brincalho.  Voc deveria ver Bianca! Ela agora comeou a ler 
artigos eruditos, porque acha que com isso ajudar o Junior a ser um 
gnio.   No se atreva a caoar de mim!  Bianca replicou 
de imediato, fingindo zanga.  `um fato comprovado que a 
condio mental da me, durante a gravidez, afeta do beb.   
Enquanto ouvia a discusso de brincadeira entre os dois, Hope foi 
invadida novamente por aquela pontinha de inveja que sempre sentia 
quando os via juntos. De repente, como que percebendo seu estado de 
esprito Bianca interrompeu a troca de palavras e empurrou para longe 
a no que Dale colocara sobre sai barriga, j bem arredondada.   
 Voc vai para a Frana, no  Hope?    Ela no tem 
outra escolha  Dale interferiu, com firmeza.  Se no for, 
estar quebrando contrato.
  Nenhum, deles citou o motivo por que 
Hope no queria ir para a Frana, embora ele estivesse na mente de 
todos. E ela sabia que era tolice ter medo de se encontrar com Alexei, 
que condies desse tipo no so freqentes assim, e que no 
poderia passar o resto da vida evitando situaes que tinham chances 
remotas de lhe trazer mais sofrimento.    Dale est certo, 
Bianca. No tenho outra escolha.   O alvio que surgiu no rosto 
de Bianca pareceu intenso demais, como se seus amigos estivessem 
ansiosos para se livrar dela. Talvez sua infelicidade constante 
lanasse uma sombra sobre a felicidade deles...   Orgulhosa demais 
para perguntar abertamente se o que pensava era verdade, Hope virou-se 
para Bianca, que falava a respeito das roupas que deveria levar para a 
Europa.    O outono est para comear, l. Voc deve levar 
roupas quentes.    Ns mal entramos em setembro, Bianca  O 
tempo da vindima, pensou    Hope. Alexei deveria estar ocupado, 
supervisionando o trabalho nos vinhedos.Havia muita coisa a fazer e 
pouco tempo para isso. Dale e Bianca ajudaram, e na ltima amanh 
Bianca chegou, com os braos carregados de embrulhos.    
Presente de despedida para voc  ela anunciou, colocando tudo sobre 
o sof da sala.  No vai abrir?   Hope notou na amiga uma 
insegurana e um nervosismo que no eram prprios dela, e, para 
fazer-lhe a vontade, comeou a abrir os pacotes. Mas parou depois de 
ver o contedo dos dois primeiros, fitando Bianca com um ar levemente 
acusador.    Faz tanto tempo que no vejo gastar um centavo 
consigo mesma, querida  Bianca se defendeu, levantando de uma das 
caixas um maravilhoso conjunto de calcinha e suti, em seda e rendas. 
 J era hora de voc ter uma coisa bonita. Pense nisso como um 
presente de despedidas, meu e de Dale.
   -Presente de despedida?  
Hope ergueu as sobrancelhas.  Isso mais parece um enxoval!  
Erguendo os olhos, ela viu a amiga corar.  Posso saber o que est 
acontecendo? Ah, j sei! Eu devia ter adivinhado h muito tempo. `
uma doena comum entre os casais felizes. Aposto que esto tentando 
me arrumar um romance. Vocs cuidam dos enfeites e deixam o resto a 
cargo da me natureza, no ? E quem eu devo enfeitiar com 
essas roupas, Bianca? O dr. Friedman? Roy? Ou um francs qualquer, que 
no tem a menor idia do que vocs planejaram para ele?     
Por que no todos os trs?  Bianca riu, sem ligar para a zanga de 
Hope, Olhe, no h motivos para voc ficar to brava. Por acaso 
 estranho que Dale e eu desejarmos que seja feliz? J se esqueceu 
do que fez por ns? Aceite nosso presente, Hope. E a idia foi tanto 
minha quanto de Dale. Vamos, termine de abrir as caixas...   Sem 
muita vontade, Hope obedeceu, apertando os lbios ao descobrir um 
nglig e uma camisola de seda pura, mas incapaz de resistir  
beleza de um vestido cashmere, no seu tom favorito de cinza.    E 
h mais uma coisa. Fique aqui, que eu volto num minuto.   Bianca 
correu at o carro, que largara no ptio diante da casa, e voltou 
com uma enorme sacola.     Este casaco vai ficar lindo em voc 
Se no quiser receb-lo de presente, ento fique com ele 
emprestado. Como eu j disse, est frio na Europa, e alm do mais 
voc agora  famosa, precisa se vestir de acordo  Abrindo a 
sacola, ela tirou um casaco longo, de plo de raposa prateado.  
Experimente, vamos!Hope vestiu o casaco, notando que ele enfatizava a 
cor de seus cabelos e o violeta de seus olhos.
   -Ficou timo!  
Bianca expressou uma opinio sincera, prendendo a respirao 
enquanto esperava a reao da amiga. Ela poderia recusar, e Dale 
dissera... Depressa, afastou da mente as conversas preocupantes que 
tivera com o marido, nos ltimos dias. Estava feito agora, e no 
havia jeito de voltar atrs.    Eu no posso aceitar, 
Bianca!    Ento leve emprestado. Acredite, vai me poupar uma 
fortuna em armazenamento e taxas de seguro. Nem sei direito por que o 
comprei, ele no fica bem em mim. Use-o durante a viagem, para chegar 
 Frana em grande estilo.    Para qu, posso saber? Quem 
 que vai me ver?  Hope brincou  Eu no sou uma grande 
atriz.    Pode ser que no, mas seu rosto j  conhecido, 
pelo menos que aqui. Ah, antes que eu me esquea. Dale mandou dizer 
que j reservou um hotel e tudo mais, para voc e Niko. Eles vo 
mandar um carro com chofer busc-los no aeroporto.    Quando vou 
me encontrar com Helen?    Bem... acho que Helen vai entrar em 
contato com voc. No sei direito onde ela anda, no momento. 
Provavelmente na casa de fazendo que comprou.   Hope teve que se 
contentar com isso. No era a primeira vez que Helen alterava um 
porgrama de filmagem com to pouco tempo de aviso. Eles usariam a 
equipe normal de filmagem ou uma mente de Hope, enquanto ela tentava se 
concentrar na escolha das roupas que levariam. Por quanto tempo ficariam 
na Frana? E onde se hospedariam? Era aborrecido no saber todos os 
detalhes. Para se garantir, acabou pegando um pouco de tudo, desde o 
jeans casual at um elegante vestido de jrsei para noite, pensando 
no caso de ter que comparecer a funes normais.   Como havia 
prometido, Dale apareceu para lev-la ao aeroporto  Bianca resolveu 
ficar em casa ele explicou, ajudando-a a levar as malas para o 
aeroporto.   Ansiosa, Hope se virou para ele.    Ela est 
sentindo alguma coisa?
   -No Bianca est tima. Desabrochando, 
para falar a verdade. Mas ela detesta despedidas em aeroportos e me 
pediu para lhe dizer que ns os amamos e estaremos pensando em 
voc.   Era um recado meio enigmtico, mas Hope no teve tempo 
para analis-lo, concentrando-se em impedir que Niko pusesse os ps 
no banco do elegante carro de Dale.    Pronta?   Quando ele deu 
a partida no possante motor, Hope virou-se para lanar um ltimo 
olhar  sua casa. Um estranho pressgio invadiu-a e ela estremeceu, 
apesar do calor proporcionado pelo casaco de pele de raposa. Uma camada 
externa de nvoa cobria a parte mais baixa do vale, pos j estavam 
no outono, e o cheiro gostoso de uvas misturava-se com o aroma 
caracterstico da estao.    Nos vinhedos, os trabalhadores j 
se dedicavam  vindima.    A produo deste ano vai ser boa 
 Dale predisse.    Voc sente nos osso, no ?  Hope 
brincou.    No, mas meu pai sente nos dele e  um 
especialista no assunto.    Vou comprar algumas garrafas da nova 
safra, ento, e guard-las para quando Niko completar vinte e um 
anos.  Vislumbrando o rosto de Dale no espelho retrovisis, Hope 
surpreendeu-se com a expresso sria e um pouco amarga que ele 
exibia, perguntando-se de imediato, cheia de ansiedade:  O que  
Dale? Aconteceu alguma coisa?    No, por que?    Voc 
estava com uma cara!   Hope estremeceu de novo, abraando Niko. Por 
que estaria se sentindo como se fosse ingressar num mundo totalmente 
estranho e diferente? Por que aquele nervosismo, aquela sensao de 
que algo ia acontecer?
   -J  tarde demais para arrependimentos 
 Dale comentou, conduzindo o carro para a autopista que levava ao 
aeroporto.  Paris, a vo vocs!   Ele lhe fez companhia 
at que fossem chamados para o embarque, quando beijou-a com afeto, 
despenteando os cabelos escuros de Niko, antes de inesperadamente 
tom-lo nos braos e segur-lo por um momento.    Coragem, 
Hope  murmurou.  No se esquea de que Bianca e eu amamos 
voc. Ns lhe devemos muita coisa e jamais faramos algo que 
pudesse mago-la.   Dale tornou a beij-la e, com lgrimas nos 
olhos, Hope juntou-se aos passageiros que se dirigiam ao enorme jato, 
lutando para no deixar que as palavras dele reforassem sua 
impresso de que havia algo que ele e Bianca no lhe tinham 
contado.
   O vo foi montono. Niko foi instalado num bero e 
de imediato adormeceu, deixando Hope livre para folhear as revistas que 
Dale lhe comprara. Mas,  medida que se aproximava de solo francs, 
ela comeou a sentir-se cada vez mais tensa, pedindo a Deus que 
tivesse pena dela e no permitisse que se encontrasse com Alexei. Ao 
mesmo tempo, sua vulnerabilidade e vontade de v-lo aumentava, em vez 
de diminuir. Por qu? Por qu, Deus do cu?   Recusando o 
almoo, Hope repassou mentalmente as instrues de Dale.  Iriam 
encontr-la no aeroporto. Um carro com chofer estaria  sua espera, 
mas para lev-la para onde? Deduzira que ficaria em Paris, mas Helen, 
com certeza, no pretendia filmar o comercial l. Frustrada por sua 
falta de informao, Hope mordeu o lbio inferior, sem perceber os 
olhares de admirao e curiosidade que lhe lanavam os outros 
passageiros.   Por insistncia de Bianca, estava com o novo vestido 
de cashmere, cujo cinza-perolado realava a textura e o tom do casaco 
de raposa. Prendera os cabelos na nuca, e brincos simples, de ouro, eram 
seu nico enfeite. Estava com dezenove anos, ainda era uma garota, mas 
sentia-se muito mais velha. Abafando um suspiro, tentou se concentrar na 
revista e esquecer-se do primeiro vo que fizera com Alexei, quando 
resolvera aceitar o que ele pudesse lhe oferecer, sem pensar no 
futuro.
   Estavam para aterrissar, e o avio vibrava com os 
preparativos para isso. Hope j via os telhados parisienses abaixo 
deles. Como reconheceria quem iria receb-los? E como eles a 
reconheceriam? Tentou no entrar em pnico, no ceder  
sensao de que fora afastada pelos amigos e abandonada  
prpria sorte.   As formalidades com os passaportes foram cumpridas 
com rapidez, Niko comportando-se muito bem enquanto a me pegava as 
malas e as acomodava no carrinho de bagagem, sentando-se depois sobre 
elas.   Foi difcil, para Hope, no explodir de orgulho ao ver os 
olhares de admirao que ele recebia. Niko era mesmo um garotinho 
atraente, com cabelos e olhos da mesma cor que os do pai. Tambm era 
inteligente e vivo, mostrnado curiosidade por tudo que via  sua 
volta.    Mademoiselle Stanford?   Hope estremeceu ao ouvir a 
voz suave, falando francs, e sentir que a seguravam pelo brao.  
 Fui mandado para lev-la at o seu carro. Meu nome  Philippe 
Devereaux  o francs se apresentou.  Foi monsieur Lawrence que 
me mandou ao seu encontro. Se tiver a bondade de me seguir...   Ele 
tinha vinte e poucos anos, era charmoso e muito, muito francs. Teria 
sido por causa dele que Bianca insistira para que usasse o vestido novo 
e o casaco de pele? De repente, Hope sentiu-se bem mais animada e 
alegre, Pobre Bianca! Por mais charmoso que fosse Philippe, ele no 
era Alexei.    Este  seu filho, Nikolai?    l sim  
Hope concordou, sorrindo para ele, enquanto sentia seu nedos se 
dissiparem como a nvoa se dispersa no vale, sob o calor do sol.  
Voc sabe para onde vou?   Automaticamente, ele falou em francs, 
sendo recompensada com um olhar de admirao.    Ah, sim, 
monsieur Lawrence me disse que a senhorita falava nossa lngua.  
Quanto a seu hotel,sinto, mas no posso lhe dizer qual . Vamos 
achar seu carro, que o motorista a levar at l. Veja, ali est 
ele.
   Ele os guiou at um Daimler preto e brilhante, inclinando-se 
para dizer algo ao motorista, enquanto Hope hesitava na calada, 
falando com Niko.    Pode deixar tudo por conta do motorista  
Philippe lhe garantiu, caminhando at o porta-malas, para acondicionar 
sua bagagem.   Um painel de vidro fume separava o bando da frente do 
resto do carro, e atravs dele Hope s conseguiu ver a vaga silhueta 
dos ombros do motorista e a parte de trs do quepe.    Esto 
bem acomodados?  Philippe inspecionou o interior do carro, enquanto   
 Hope fazia que sim.
   O espao era amplo e at mesmo um banco 
para crianas fora providenciado. Philippe ajudou-a a colar Niko nele, 
depois despediu-se com um caloroso at logo. O Daimler 
afastou-se rapidamente da calada e Hope reclinou-se no banco, 
fechando os olhos e massageando os msculos tensos na nuca. Ainda 
no aprendera a ficar  vontade, voando. Olhou para Niko, que 
examinava, feliz, o brinquedo de plstico que lhe dera. Logo, ele o 
jogou no cho e ela se inclinou para peg-lo, sabendo que aquele era 
um jogo que poderia durar horas. Quando veria Helen? Lanou um olhar 
para o relgio. Preferia que no fosse naquela noite. O vo a 
deixara cansada e nervosa, e s queria tomar um bom banho e aproveitar 
o conforto de sua cama, no hotel.   O interior do carro estava 
bastante quente, e ela percebeu que ficava sonolenta. Encontravam-se 
numa regio de Paris que no conhecia, provavelmente um caminho 
alternativo que o motorista escolhera, para fugir das ruas de trfego 
mais intenso. Seus olhos comearam a se fechar com mais 
freqncia, e ela desistiu de mant-los abertos. O motorista a 
acordaria, quando chegasse no hotel.   Nunca soube ao certo o que foi 
que a acordou. Num momento, estava profundamente adormecida, no outro, 
olhava alarmada para a escurido alm das janelas do Daimler, 
completamente alerta. Onde estavam? No conseguia ver absolutamente 
nada! Bateu no painel de vidro para chamar a ateno do motorista, 
mas ela no a ouviu ou fingiu no ouvi-la, pois ignorou-a por 
completo.   Lutando para no ceder ao pnico, Hope procurou 
analisar a razo do medo que sentia. Dale providenciara o carro e o 
motorista. O representante dele, um rapaz que sabia seu nome e o de 
Niko, fora receb-los. Alm do mais, quem haveria de querer 
rapt-los? Olhou em torno, empalidecendo ao ver o horrio.  Quatro 
horas tinham se passado, desde que o avio aterrisara. Bateu no painel 
de novo, dominando a frustrao ao ver que o motorista a 
ignor-la.
   Um pouco adiante, Hope viu surgirem as luzes de uma 
cidadezinha. Graas a Deus, teria uma noo de onde se achavam. A 
seu lado, Niko reclamou e ela remexeu na enorme bolsa que trouxera,  
procura de algo para lhe dar. O coitadinho deve estar morto de fome. 
Seria possvel que Helen os esperasse na propriedade que comprara, e 
esta era a razo para aquela viagem silenciosa pelo interior da 
Frana.   Pareceu-lhe uma explicao lgica, e, sentindo-se 
mais descansada agora que pensava nisso, Hope virou-se para ver o filho 
mastigar a bolacha que tinha nas mozinhas. De repente, percebeu que 
tinham chegado  cidadezinha e que ela lhe era familiar! O Daimler 
enveredou por uma ruazinha estreita, passando por vrias lojas, e seus 
olhos vislumbraram uma tabuleta com palavras LAuberge de 
Beaune, iluminada em cores.   Beaune! Ento estavam perto do 
castelo de Alexei. Hope estremeceu violentamente, sentindo frio apesar 
do calor do carro. Que ironia do destino, Helen ter adquirido uma 
propriedade naquela regio!   Eles deixaram a estrada principal, 
voltando para a escurido densa do campo, quebrada de vez em quando 
pelo vislumbre da luzinha de uma casa de fazenda.    A estrada parecia 
subir, e a velocidade do carro aumentou, como se seu motorista soubesse 
que estavam prximos da chegada.   Niko terminou a bolacha e 
esticou as mos sujas para a me, rindo, deliciado, quando Hope as 
limpou com um pano mido, beijando a ponta de cada dedinho.  Essa era 
uma das brincadeiras de que mais gostava, e , observando-o, ela foi 
tomada de uma onde de amor pelo filho.   Niko. O filho de Alexei! 
Sorriu para ele e, com isso, perdeu a virada que o carro deu para a 
esquerda, s tomando conscincia da mudana quando ergueu os olhos 
e viu que estavam numa regio mais plana, acima da qual destacava-se, 
em meio  escurido, um castelo de contos de fada, brilhantemente 
iluminado, que parecia flutuar sobre um lago de guas negras.    
No!  O protesto enrouquecido foi arrancado de sua garganta, 
enquanto se movia, num gesto instintivo, para a porta.
   Mas o fecho 
recusou-se a ceder sob seus dedos nervosos, e ela percebeu, cheia de 
amargura, que fora trada e estava presa numa armadilha. Lutando 
contra as lgrimas que ardiam em seus olhos, virou-se de novo para o 
chteau de Alexei.   Como Dale e Bianca tinham tido a coragem de 
fazer isso com ela? Agora entendia a razo dos olhares preocupados que 
os vira trocar, da alegria quase febril de Bianca, alterada com momentos 
de profundo silncio. De quem teria sido a idia de fazer isso com 
ela? Lanando um olhar para Niko, apertou os lbios, enrijecendo 
quando o carro passou pela ponde levadia e o porto fechou-se 
atrs deles, aprisionando-a mais uma vez.   O carro parou, mas Hope 
no teve pressa de descer ou interrogar o motorista. J sabia onde 
estava. Uma porta se abriu para o ptio e Alexei apareceu, usando 
calas escuras e camisa branca, que o vento moldava seu corpo. Ele 
olhou para o carro e ps-se a caminhar naquela direo.   A 
porta da frente do Daimler se abriu e o chofer desceu. Pierre!, 
Hope exclamou para si, tomada pela amargura. Naturalmente, o fiel 
servial era a pessoa que Alexei escolheria para aquilo. As dvidas 
que ainda tinha, quanto ao fato de Alexei saber ou no de sua chegada, 
desapareceram quando ele estendeu a mo para a porta do seu lado e 
abriu-a, deixando claro que sabia exatamente o que encontraria no 
interior do carro.
   -Hope  cumprimentou-a secamente, com uma 
expresso reservada e os olhos frios e duros.    Niko...  ela 
murmurou ao sair do carro, virando-se para pegar o filho.    
Deixe, que eu o pego.   Dedos geis soltaram as correias, e Niko, 
muito solene, fitou o rosto do homem que, ainda no sabia, era seu 
pai. Um n formou-se na garganta de Hope, quando ela viu o modo como 
Alexei estudava as feies do filho. Mas a emoo do momento 
dissipou-se assim que ele se virou e lhe disse, cheio de aspereza:   
 Venha, j fizemos o padre Igncio esperar muito tempo. Ele 
costuma jantar bem antes disso e j est cansando.   Padre 
Igncio.   A mente de Hope era um turbilho, mas Alexei no deu 
tempo para fazer perguntas. Com Niko num dos braos e o outro na 
cintura dela, forou-a a acompanhar as passadas rpidas e seguras 
com que atravessou o ptio. Lutando para no tropear, Hope ps 
de lado as dvidas que a atormentavam, experimentando um certo 
alvio quando entraram no chteau e Alexei a soltou.    Pierre 
tomar conta de Niko  ele informou, entregando o filho ao criado. 
   Venha comigo.    Alexei...    Eu disse para vir 
comigo, Hope, e no estou com disposio para ser paciente. Mais 
tarde, pode fazer todas as perguntas que quiser. Agora, no entanto, 
tempos outro assunto a tratar. Por aqui.  Enveredando por uma 
passagem estreita, Alexei a conduziu a a uma parte do chteau que 
nunca vir.       Os passos dela ecoaram pelo cho de madeira do 
corredor empoeirado, pelo qual foram dar numa pequena capela, onde um 
padre os aguardava, j em roupas de cerimnia. Parecia algo sado 
de um romance, e ela virou-se para fitar Alexei com incredulidade, quase 
esperando que ele dissesse que tudo no passava de uma brincadeira de 
mau gosto. Mas os dedos em torno de seu brao, aumentando a presso 
que exerciam, avisaram-na para no expressar em voz alta seus 
pensamentos, ao mesmo tempo em que ele se detinha junto  porta da 
capela e dizia com firmeza:
   -Ns vamos entrar nesta capela e o 
padre vai no casar, Hope. Faa uma nica tentativa de det-lo, e 
eu lhe direi que voc sofre de uma doena nervosa e no est em 
seu juzo perfeito!    Voc no pode fazer isso, Alexei!  
 Mas ele j a empurrava para o interior da capela fria e nua, tirando 
o casaco de seus ombros com um gesto que parecia, a qualquer um que os 
visse, de pura ternura. Agora Hope sabia por que Bianca insistira tanto 
para que usasse o vestido novo.   Ah, Bianca como pde fazer 
isso comigo? E voc, Dale, como teve coragem?   Foi como se 
outra Hope ouvisse as palavras antigas recitadas pelo padre, respondendo 
nas horas certas, aceitando o lao simbolizado pela aliana que  
Alexei apresentou,e depois erguendo o rosto frio para receber o beijo 
seco que lhe deu. Estava acabando, eram marido e mulher, aos olhos da 
Igreja e do Estado.   Alexei lhe passou alguns papis para assinar 
e virou-se para agradecer ao padre Igncio a boa vontade que tivera. 
Ento, olhou para ela.   Hope desviou o olhar, sabendo que estava 
presa numa armadilha. Lembrou-se da fortaleza que o chteau podia ser, 
odiando Alexei por decidir seu futuro de forma to arbritaria e 
ressentiu-se com Dale e Bianca, por terem-no ajudado.   O que Alexei 
queria agora? Que se virasse para o padre e juntasse seus agradecimentos 
aos dois?     Da capela, eles foram para a biblioteca. No havia 
sinal e Niko pois l, mas Pierre estava presente, servindo vinho e 
biscoitos. Padre Igncio bebeu o seu com ar de apreciador, depois 
ofereceu-lhes mais uma bno. Pierre acompanhou-o quando ele 
saiu, sem dvida para lev-lo at a estao. Hope ouviu o 
barulho do Daimler passando pela ponte levadia, mas no tirou os 
olhos da lareira, onde um fogo alegre crepitava.    Supondo que 
voc esteja esperando uma explicao.   Em que tom casual, 
quase despreocupado. Alexei falava! Seus dedos aumentaram a presso em 
volta do copo de vinho.    Esta noite, no, Alexei  ouviu-se 
dizer com secura.  Estou muito zangada para ouvir qualquer coisa. 
Dale e Bianca sabem do tudo, no ?
   -Exatamente como eu sei de 
tudo a respeito deles  Alexei concordou, num tom duro.  Na 
verdade, eu devo muito aos dois, pois foram eles que me falaram da 
existncia de meu filho. Se ficasse por conta da me dele, na certa 
eu ainda estaria acreditando na mentira de que ele pertencia a outra 
pessoa.   Percebendo a fria amarga e fria da voz de Alexei, Hope 
voltou-se para lhe explicar por que nunca dissera nada a respeito de 
Niko, mas sua ateno foi captada por uma fotografia num 
porta-retratos, sobre uma mesinha. Era uma foto sua e de Niko, e uma 
estranha sensao de irrealidade assolou-a, ao reconhecer a pgina 
arrancada da revista.    Bianca mandou-a para mim  Alexei 
disse, sem tirar os olhos do seu rosto.  S esta pgina, com o 
nome e o endereo dela. Eu tomei um avio para l, e Dale e ela me 
contaram toda a histria. Como pde fazer uma coisa dessa comigo, 
Hope? Mon Dieu, eu sempre pensei que sabia tudo a respeito de 
vingana, mas voc...    Eu no fiz por isso.    
No?    No.    Ento, por qu? Por que no me 
falou do meu filho? Voc sabia que eu a ajudaria, no sabia? Por que 
no quis essa ajuda? Deus do cu, Hope, voc acha mesmo que seria 
melhor cri-lo sozinha, do que comigo a seu lado?    Acho sim, 
se ter voc ao meu lado significa um casamento sem amor. Por que pensa 
que nunca lhe falei de Niko? Porque eu sabia o que aconteceria se voc 
soubesse que tinha um filho!   Nosso casamento pode no ter o 
que voc chama de amor  Alexei replicou, numa daquelas 
mudanas rpidas de disposio, que sempre a surpreendiam.  Seus 
olhos tinham uma expresso sbria, e a boca achava-se contrada 
numa linha amarga, como sempre acontecia quando ele era dominado pela 
emoo.   Mas existe alguma coisa entre ns, Hope, e Niko no 
precisa ser nico.
   -No!  Sua recusa foi alta e firme.  
No, Alexei! Voc pode ter me forado a aceitar esse casamento, 
mas no haver mais nada entre ns. J conseguiu o que queria. 
Tem o seu filho, e agora, por favor, s lhe peo para me dar o 
direito de escolher meu prprio modo de vida.   Alexei estava de 
costas para ela, e, em outro homem, Hope teria interpretado a leve 
cada de ombros como um gesto de derrota e sofrimento.    Est 
bem, mas algum dia voc tentar me deixar, Hope, ter que ser sem 
Niko.    Eu gostaria de ir para o meu quarto. Estou cansada... Foi 
um longo dia.    Eu disse a Pierre para preparar um quarto que 
voc pudesse dividir com Niko, pelo menos por essa noite.  Os 
lbios masculinos se crisparam, expressando zombaria.  Se bem que 
eu tinha outros planos para o nosso futuro.    Voc no pode 
querer que eu caia nos seus braos com gritos de alegria, Alexei! Eu 
no sou to tola assim. Alm disso, se achou que eu ia ficar to 
contente com esse casamento, por que fez tanto segredo?    No 
achei que voc fosse ficar contente, ma petite, mas confesso que no 
esperava tanta amargura. Voc me conhece bem, inclusive admitiu que 
sabia qual seria minha reao quando eu descobrisse a respeito de 
Niko. Se eu tive que tomar as providencias que tomei para garantir que 
meu filho receba o que  de direito, de quem  a maior culpa? Ao me 
castigar, mantendo em segredo a existncia de meu filho, voc 
tambm castigou Niko, que diz amar tanto.   Alexei sempre soubera 
como manipular uma discusso, e Hope no estava disposta a brigar 
com ele, pelo menos no aquela noite. Ele pura e simplesmente fizera 
dela o que queria, e Hope comprimiu os lbios com uma revolta que 
no fazia parte de sua natureza, ao se lembrar que Dale e Bianca o 
tinham ajudado.    Tenho uma carta para voc, dos seus amigos. 
Ele nunca foi seu amante, no  Hope?   Com que facilidade 
assustadora Alexei seguia a direo de seus pensamentos!
   
-No!  respondeu sem rodeios, pegando o envelope fechado.    
Eu no o abri nem li a carta, se  isso que esse seu olhar 
significa, Eles so seus amigos, Hope, motivados apenas pelo desejo de 
ajud-la, e parecem achar que voc e Niko estaro melhor aqui, 
comigo.   -Estou cansada, Alexei. Gostaria de ir para a cama.   
 `claro. Venha comigo, por favor.   Entre eles estabeleceu-se o 
tratamento distante e polido que h entre estranhos. Percebia-se a 
mesma atmosfera que Hope vira entre os casais que no combinavam bem, 
e ela sentiu uma espcie de amargura ntima, que ela repelia e a 
entristecia.    Voc fica aqui. Pierre j alimento Niko.  
Alexei abriu uma porta e acendeu a luz, revelando um quarto espaoso e 
arejado, mobiliado no estilo imprio de que ela tanto gostava.   A 
porta para um pequeno quarto de vestir estava aberta, e l se podia 
ver um bero.    Quando voc tiver se ajeitado melhor, podemos 
sair e comprar tudo de que Niko precisa.    Niko j tem tudo que 
precisa  Hope replicou com orgulho, despreparada para a zanga que viu 
brilhar nos olhos verdes de Alexei.    Ele  meu filho, e voc 
o manteve longe me mim!   Como que perturbado pela discusso entre 
eles, Niko acordou e ps-se a falar em sua lngua infantil. 
Alcanando o bero antes, Alexei ergue-o nos braos e sentou-se na 
cama, estudando-o com ateno. Olhos verdes encontraram olhos da 
mesma cor, e Hope percebeu que mal conseguia respirar, com um estranho 
aperto no corao. Alexei encostou a ponta do indicador na face de 
Niko, o rosto traindo reverncia, espanto, admirao e mais uma 
centena de emoes...    Meu filho...
   De repente, Hope 
teve vontade de chorar. Chorar pelo desperdcio que sua vida seria, 
pela pobreza de compromissos emocionais que encontraria, pela 
inutilidade de amar Alexei e impossibilidade de deixar de am-lo. 
Mesmo agora, quando se sentia to zangada e cheia de amargura, ele 
ainda tinha o poder de despertar suas emoes como nenhum outro 
homem jamais poderia.    Ele  muito parecido com voc  
murmurou. Num tom aptico.  Dale e Bianca tambm acham.     
Ao contrrio, ma petite, ele  muito parecido com voc. Seus olhos 
me lembram que voc tem muita coisa por que me culpar, e pouco por me 
elogiar. Ah, Hope, no entende o que senti, quando soube que havia me 
abandonado, esperando meu filho, aceitando a ajuda de uma pessoa que lhe 
era quase uma estranha, em vez de voltar para mim?    Talvez eu 
no fizesse isso, se no tivssemos brigado.  Hesitante, ela se 
moveu pelo quarto, tocando um mvel aqui, outro l, abalada pela 
referncia do passado.  Voc havia deixado claro que no 
existia nenhum compromisso entre ns, Alexei, e eu tambm tenho meu 
orgulho. `claro que eu sabia que voc nos sustentaria e at 
insistiria em se casar comigo, mas no queria depender de voc, nem 
ser fraca. Eu queria provar a mim mesma que voc estava certo, quando 
me dizia que eu tinha condies de fazer minha prpria vida. 
Alm disso, naquela poca ainda havia a chance de voc casar com 
lise.   Hope estava de costas para Alexei e no o ouviu at 
t-lo atrs de si, segurando-a pelos ombros forando-a a se virar 
com mo fortes.    Com lise?!    l eu sabia que 
voc a amava.   Ele franziu a testa, parecendo a ponto de fizer 
alguma coisa, depois deu de ombros.
   -Voc queria descansar. V 
para a cama, Hope, e deixe que o futuro se resolva por si mesmo. O que 
passou, passou, e pelo bem de Niko tempos que aprender aceitar o 
passado.   Hope acordou com o sol brilhando por entre as 
cortinas que se esquecera de fechar, aquecida debaixo das cobertas, a 
mente o corpo ainda drogados de sono. A carta de Bianca estava sobre a 
mesinha da cabeceira, e estendeu a mo para peg-la, abrindo o 
envelope e extraindo as folhas coberta pela escrita fina da amiga.   
Foi quase como ouvir Bianca falando. Fora dela a idia de mandar a 
fotografia para Alexei, explicava. E sentira que agia certo ao fazer 
isso porque, apesar de todos os argumentos de Hope em contrario, no 
via motivos para ela no se casar com Alexei.   Se ele no 
tivesse respondido, eu teria deixado o assunto morrer, mas ele 
respondeu. Alexei voou para c e nos telefonou de Los Angeles, pedindo 
que nos encontrssemos com ele. Ns lhe contamos tudo, Hope. Tudo, 
menos o fato de que voc o ama, querida. No faramos isso com 
voc. Por favor, no fique muito zangada conosco. Dale e eu agimos 
com a melhor da intenes. Voc o ama, Hope, e sem ele sua vida 
 vazia. Esquea-se do orgulho. Aceite o que a vida oferece e tente 
nos perdoar.   Hope se levantou, vestiu Niko e desceu com ele para 
a cozinha para lhe dar o caf da manh. Alexei estava l, de jeans 
e camisa de algodo, tomando um cafezinho.    Vai chover  ele 
disse a Hope, levantando-se para ajud-la a se sentar -, e ns temos 
que terminar a colheita antes que isso acontea.   Por meio de 
gestos, Pierre perguntou a Hope se tambm queria tomar caf, e ela 
fez que sim.
   -Bianca me deu uma lista enorme das coisas que Niko 
come. Est tudo naquele armrio ali. Pierre at conseguiu achar um 
cadeiro que Tanya e eu usamos.   O cadeiro estava ao lado da 
mesa, e nele Hope acomodou Niko, sorrindo ao v-lo bater vigorosamente 
no tampo de madeira, com uma colher. Enquanto Pierre preparava seu 
desjejum, aproveitou para preparar o do filho, que ele comeu com 
entusiasmo, de boca aberta, os olhos grandes como pires, fixos em 
Alexei.    Vou passar a maior parte do dia fora  Alexei lhe 
disse pouco depois -, mas volto em tempo para jantar. Se voc for 
embora e levar Niko, Hope, eu lhe garanto que o trarei de volta e 
ficarei com ele!   Hope sabia que ele no estava brincando, mas 
no havia sentido em deixar o chteau. Estavam casados, e ela se 
cansara de lutar contra o destino. Seria muito mais simples permitir que 
a mar da vida a carregasse.   Quando Alexei saiu, ela levou Niko 
para a biblioteca e colocou-o no cho para brincar, enquanto 
telefonava para a Califrnia.    Hope!  A ansiedade era 
evidente na voz de Bianca.  querida, voc j nos perdoou?   
 No tenho certeza, mas achei melhor avisar vocs de que cheguei. 
Ns nos casamos ontem  noite. Dramtico, mas muito eficiente. 
Preferia que vocs no tivessem feito isso, Bianca, mas no posso 
dizer que no entendo por que o fez.    Ele gosta de voc, 
Hope. Tanto Dale quanto eu ficamos com essa impresso;    Gostar 
no  amar  Hope lembrou-a, antes de desligar. Gostar ficava a 
uma longa distncia de amar.   Como dissera, Alexei voltou em tempo 
para o jantar. Ambos fizeram a refeio em silncio, e Hope notou 
que ele estava com uma aparncia tensa e cansada, provavelmente por 
ser tempo de colheita.   Aquele primeiro dia estabeleceu o padro 
de sua vida, juntos. Um ms transformou-se em dois, e Hope s via 
Alexei durante o caf da manh e ao jantar. Niko crescia depressa, 
j sabia andar, e o Natal se aproximava. Alexei a levara duas vezes a 
Beaune, para fazer comprar, e Bianca lhe mandara quase todas suas 
roupas.
   Ela ainda no decidira o que fazer com a casa da 
Califrnia. No queria vend-la, mas, quando puxou assunto com 
Alexei, ele foi seco e abrupto.    Quer ficar com ela para qu? 
 ele lhe perguntou  Para ter um lugar para onde ir, quando me 
abandonar? Voc no e a nica que anda fazendo sacrifcios por 
Niko, Hope.   Alexei deixou-a assim que o jantar acabou, alegando que 
tinha trabalho a fazer, na biblioteca. E ainda estava l s onze 
horas, quando Hope subiu para o quarto. Ela viu a luz por baixo da 
porta, ao passar, e deteve-se, hesitante, com vontade de ir at ele, 
mas ciente de que no havia sentido nisso.   No entanto, uma vez 
l em cima, no conseguiu dormir, virando e revirando na cama, 
impaciente com a prpria incapacidade de relaxar. Eles no poderiam 
suportar por muito mais tempo a atmosfera tensa que os envolvia. E ela 
no tinha condies de continuar fingindo. Teria que contar a 
verdade a Alexei.    A deciso, uma vez tomada, encheu-a de 
alvio. Alexei nunca fora deliberadamente cruel com ela. Se lhe 
explicasse que o amava, que fora por isso que se opusera tanto quele 
casamento, ele na certa entenderia. A explicao tambm ajudaria a 
diminuir a tenso entre eles, pois era evidente que Alexei ainda 
achava que sua recusa em lhe falar da existncia de Niko vinha de uma 
necessidade profunda de feri-lo. De qualquer modo, no era boa em 
fingimentos e, mais cedo ou mais tarde, acabaria demonstrando o que 
sentia. Portanto, era melhor contar tudo de uma vez e acabar com 
aquilo.   Impaciente para pr seu plano em ao, Hope 
levantou-se, vestiu o nglieg e desceu. A luz ainda estava acesa na 
biblioteca e ela empurrou a porta, estacando ao ver Alexei. Com a 
cabea entre as mos, ele era a imagem da derrota, e uma necessidade 
urgente de toc-lo a invadiu-a.
   -Alexei?  Viu-o enrijecer e 
virar-se para fit-la, notando surpresa, que ele tinha uma foto suas 
nas mos.  Eu no consegui dormir... precisava falar com 
voc.    Voc d a impresso de ter catorze anos, parada 
ai na porta, com os cabelos soltos e descala. Entre e feche a porta, 
Hope. Sobre o que quer falar comigo:   Ela aproximou-se, sentindo a 
tenso que a dominava aumentar quando ele se levantou para 
receb-la, com as feies morenas rgidas e enigmticas.   
 Se me perguntasse, eu lhe diria que seria melhor escolher outra 
ocasio para isso, pequena. Esta noite estou me sentindo por demais 
vulnervel, e ver voc assim no ajuda em nada. Ainda me lembro 
muito bem de como  t-la nos braos. Se algum homem j viu seu 
tiro sair pela culatra, esse homem fui eu, no acha? Comecei usando 
voc como instrumento de vingana.  Ele sorriu com tanta amargura 
que Hope sentiu o corao se apertar.  Mas no foi por muito 
tempo. Antes mesmo de irmos para o Caribe, eu j sabia a verdade, 
embora no quisesse reconhec-la. Mas quando achei que tinha 
preferido aquele rapazinho a mim....    Voc ficou muito 
zangado. Eu ainda me lembro bem.    Eu fiquei foi com cimes. 
Tambm me lembro muito bem. E isso virou minha vida de cabea para 
baixo. Percebi que no poderia sustentar nada do que lhe dissera, 
nenhuma das promessas que tinha feito. Por nada no mundo, eu a deixaria 
sair da minha vida. Desde o comeo, eu vinha dizendo a mim mesmo que 
tudo no passava de um jogo, que voc ainda era uma criana...
  
 -Por favor, Alexei, pare! H uma coisa que eu preciso lhe contar.  
Se no dissesse naquele momento, nunca mais teria coragem.  Eu sei 
que voc acha que no lhe falei de Niko porque queria castig-lo, 
mas no foi por isso. A verdade  que...  Virou-se para 
fit-lo, sustentando o olhar dele. Alexei lhe ensinara a ter orgulho 
de si mesma e do que era. Os padres que ele lhe dera eram altos, e 
no ia ficar abaixo dos deles.  A verdade  que eu j sabia, 
antes de sair do Caribe, que o amava. Mas tambm sabia que voc 
amava lise e achei que o melhor era ir embora. No v, Alexei? Eu 
no podia permitir que se responsabilizasse por mim. Se aprendi alguma 
coisa com voc, foi a dar valor ao meu auto-respeito. E de que jeito 
eu o conservaria, se soubesse que voc havia se casado comigo s 
para me proteger? Por pena, quando o que eu queria era o seu amor.   
 E agora?  Havia uma curiosa tenso na pergunta de Alexei. Ele 
mantinha a cabea inclinada de modo que hope s podia ver-lhe o 
pescoo e os cabelos espessos.    Agora!?  Estava confusa, 
amedrontada como um animalzinho num ambiente adverso, principalmente por 
causa do ar despreocupado com que Alexei parecia reagir  
situao.    Isso mesmo, Hope, agora! Como se sente agora? 
No se considera mais apaixonada por mim? Seu amor acabou como uma 
crise de sarampo, uma parte necessria de seu crescimento, uma fase da 
adolescncia da qual emergiu... mulher feita?   Na voz masculina 
havia zombaria e mais alguma coisa, que ela no conseguiu definir. 
Como podia ele mago-la daquele modo, de propsito, caoando de 
seus sentimentos, tratando-a como se fosse uma criana pouco 
inteligente?    No, no acabou  retrucou num repente, uma 
raiva intensa substituindo a dor.  Sinto que isso no esteja de 
acordo com o que planejou, Alexei, mas meu amor no  uma doena 
infantil da qual eu possa me recuperar depois de dois ou trs dias de 
cama, e...    Hum... no sei, no...
   O tom suave, quase 
divertido, que ele usou, pegou-a de surpresa, e por um momento pde 
fit-lo, sem saber ao certo o que queria dizer.    Creio que 
dois ou trs dias na cama... no mnimo...  o que deve ser 
prescrito para um problema como o seu.  a voz dele soou docemente 
persuasiva, fazendo tremores impossveis de ser ignorados percorrerem 
o corpo de Hope.  Desde que seja na minha companhia,  claro.  E 
acrescentou depressa, num tom completamente deferente:  E se esse  
o remdio certo, tenho mais necessidade dele do que voc, ma petite. 
Nem em dois sculos meu corao deixar de bater forte, cada vez 
que a vejo. Quanto a essa dor em meu corpo, sempre que penso em ter 
voc junto de mim...  Alexei se interrompeu-se, e seu corpo tremia. 
 Ah, Hope!  Dor e ironia misturavam-se na voz masculina.  Devo 
ter demonstrado o que sinto por voc mais de uma dzia de vezes. 
Fiquei ciumento como um adolescente, por causa daquele garoto. Seno, 
jamais reagiria como reagi. E depois, no Napa Valley, tive vontade de 
matar Dale e torturar voc, de preferncia at que me implorasse 
para fazermos amor.    Mas... e lise?! Voc a amava!    
Eu nunca a amei!    Mas eu ouvi lise falando sobre isso, 
contando a algum que no podia se casar com voc porque perderia 
a fortuna do marido.    Foi s conversa, mais nada. lise e eu 
tivemos um caso agradvel, mas no passou disso. At hoje, s 
houve uma mulher com quem quis me casar. Quando voc se levantou 
naquele restaurante e enfrentou o sir Henry, revelando nosso 
relacionamento, no me importei mais com Tanya nem com vingana 
alguma. Tudo que eu queria era proteg-la. Voc estava certa, quando 
disse que Tanya no ligaria para aquilo e que a minha vingana era 
por mim mesmo. O que significava que eu a tinha sacrificado ao monumento 
do meu prprio orgulho. D para voc imaginar o que isso fez 
comigo? E depois, voc foi embora. Pensei mesmo que...  Ele 
estremeceu, apertando as mos at ficar com as articulaes dos 
dedos brancas.  Quando recebi seu bilhete, tive vontade de 
mat-la.Procurei-a por todo o lado, verifiquei no aeroporto, em toda 
parte! Eu te amo! Hope  confessou baixinho. E segurando-lhe as 
mos, levou-as ao lbios, observando-a estremecer sob a leve 
carcia, com olhos que refletiam os sentimentos espelhados nos dela. 
 quantos meses perdidos, desejando voc at no conseguir 
dormir de angstia!   O tremor aumentou, e Alexei fitou-a por entre 
as plpebras semicerradas. Ali estava Alexei do que ela se lembrava, 
com linhas de riso desenhando-se no canto dos olhos.    Eu disse 
que dois ou trs dias na cama bastariam? Pois estava errado!  
Inclinando-se ele a beijou os lbios movendo-se devagarzinho sobre os 
dela, ternos e provocantes.  O que acha de duas semanas, Hope? Ou 
mesmo dois meses...   Ela o enlaou pelo pescoo e roou a boca 
na dele, imitando a caricia que acabava de receber, enquanto fingia 
considerar a questo. O riso brilhava em seu olhar, quando disse, 
afinal:    Acho que vou ficar com dois dias... para comear, 
pelo menos.        Hope sentiu-o pousar as mos em sua 
cintura e desliz-la para cima, de uma forma lenta e excitante. De 
imediato seu corpo reagiu, deliciando com a familiaridade do toque.   
 n S para ter certeza de que a realidade faz jus  minha 
imaginao.    Ah, vai fazer, sim!  Alexei garantiu. E 
ambos riam quando ele a enlaou pela cintura, erguendo-a do cho. 
 Mas se madame faz questo de uma amostra ... Voc entende que 
no posso subir todos aqueles degraus carregando-a no colo, por apenas 
dois dias, no ? Para ser franco, acho que no vou consegui-la 
carreg-la nem mesmo at a lareira  ele murmurou com voz rouca, 
enterrando o rosto no pescoo feminino e acariciando-o com a ponta da 
lngua.   Hope estremeceu de prazer.    Alexei!    Eu 
te amo, Hope. Muito, muito mesmo! Minha vida tem sido um deserto 
emocional sem voc.    Com dois ou trs osis,  claro  
Hope sentiu necessidade de comentar, lembrando-se da garota da 
Califrnia e da italiana, em Cannes.
    De que serve um osis 
para um homem que no consegue beber? 0 Alexei retrucou, entendendo a 
aluso.  Voc me fez descobrir que esse tipo de necessodade  
impotente se amor e desejo, no sentido mais literal da palavra.   Uma 
experincia capaz de acabar com o ego de qualquer um, lhe garanto!     
Depois da segunda vez em que tive de me desculpar, resolvi que no 
haveria uma terceira. Eu no a mereo, Hope, e de certo modo sei que 
estou me aproveitando de voc, mas eu a amo e no posso permitir que 
v embora.  Gostaria que me amasse tambm, Hope. Por favor....  
implorou com intensidade, apertando-a ainda mais de encontro ao 
peito.    Mas eu te amo!   As labaredas do fogo iluminaram os 
dois rosto to prximos. O de Alexei tenso e incerto, o que Hope, 
tranqilo e feliz.    Voc entende que nunca mais a deixarei 
partir, agora que confessou, no ?    E eu no quero que 
deixe. Quero que me abrace sempre, bem apertado, par que eu saiba que 
no  s um sonho.   Hope abriu os braos para ele, 
consciente de que se encotravam como homem e mulher, profundamente grata 
por terem tido uma chance de ficar juntos.   Como Bianca se orgulharia 
da prpria viso! Um sorriso entreabriu seus lbios quando Alexei 
se apossou deles, e Bianca e o resto do mundo fugiram de sua mente, 
enquanto o ouvia repetir as palavras que lera para ela muito tempo 
atrs, da Cano de Salomo.   Um dia haver um homem em 
sua vida, para quem essas palavras expressaro a verdade, ele 
dissera.   E no mentira. Havia mesmo, e era 
ele!

FIM!!!!!
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 D u r a n t e em continuar. De e m  
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 d e p r e s s o .   S u a em 
desespero. Estavaem desuso. Tenhoem desvantagem. Ahem 
diante. Aem diante. Nem
em diante. No
em dizer. 
Masem excita-lo. Seus e m  
 f r a n c s .  
 E n q u a n t o em frente. Agoraem fugir. 
Estouem Hollywood. Primeiro
em Hope. Maisem La 
Croisetteem Los Angeles

em mim. Euem mim. Portanto
em mim. Use-oem mulheres. 
Umem nada. Ainda e m   n a d a .  
 S em Napa Valleyem negativa. Estavaem Nova 
Yorkem ordem. Quanto e m   p .        
 S o l t a n d o  e m   p .  
 A i n d a  e m   p a g a r .  
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em pane. Oem Paris. Aoem Paris. Desdeem Paris. 
Lembrava-se e m   P a r i s .  
 V r i a s  e m   p a z .  
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em paz. Se
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 A  e m   p b l i c o .  
 M a s  e m   p  .      
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em que Alexeiem 
que Hope e m   r u s s o .  
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em Sevilha. 
Eem Sevilha. No
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verde. Trepadeiras
em versos. Os

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